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domingo, 20 de maio de 2012

Diálogo





E, veja bem, não haveria eu de me importar
Se, por um acaso ou descaso, sempre, ao seu lado
Eu acabar vendo o tempo, por nós, passar.




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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Suas Palavras



Foram, talvez, apenas aquelas suas palavras
Vindas no espontâneo de silêncio e sorrisos
Em conversas de noites tão amadas
Em falas de sentimentos esculpidos

Foram, talvez, muitas daquelas suas palavras
Vindas de almas, vontades e descompromissos
Em paixões quase vivenciadas
Em sussurrares quase diluídos

Foram, talvez, simplesmente aquelas suas palavras
Vindas da amada de meus singelos pensamentos
Em falas só compartilhadas
Em toques – tão distantes – não dados

Fora, certamente, você.
Vinda para meus sentimentos
Em palavras, apenas aquelas, ditas.
Muitas daquelas, ditas.
Simplesmente, ditas.











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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pseudo Logia




Dos anos, restou-me
a vaga memória

Lágrima suada de quem
(não) se comporta

Carta da alma, escrita
feito uma história

Mingua no céu, aumenta
a dor em uma cota.






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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Fratura Poética



Me perguntam
como verso

Verso como
quem anda de muleta

Verso, é de prosa
que não saiu da caneta

Verso frustrado
Mas o verso que verso
esse, sai amado.



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Faces




Logro de momentos não vividos
Em prosas enfermas
Em latentes sopros de vida

Logro versando dor e suspiros
de cenas eternas
de estória rara cumprida


Logro em versos
que não quero
Logro em palavras
sem mistério





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terça-feira, 28 de junho de 2011

Miscelânea




Acompanha-me as linhas;
Se rosas são vermelhas
e violetas são azuis
será então vermelhas rosas
e mais, violetas, as azuis?

Se assim for, pois que
avermelho as azuis violetas
e que azulo as vermelhas rosas

E tudo, você sabe
a rosa e a violeta
o azul e o vermelho

Tudo é sua delicadeza
É meu amor para mantê-lo.




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sábado, 11 de junho de 2011

Pseudo Nostalgia

Dos anos, restou-me só a lembrança
Andava com passos manjados na lua
E, de apetrechos, tinha ainda a alma nua
E os anos debocham, de pura vingança.

Vinganças do toque (não) tocado.
Lembranças dos lábios (quem sabe) doces.




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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Esboços



Em traços de neve, criei-a.
Formada em lábios de mel e suspiro
Temporária, estava ali meu alívio.
E sorria para mim, a sua maneira.

Em traços de grafite existia.
Estátua de Afrodite; inerte, imóvel.
Não obstante, meu ser era onócuo
Diante da imaculada sua magia.

E em traços de lágrimas, lembro o que vivi.
Pois na neve (não) há seu calor.
Pois no grafite (não) há seu louvor.
Mas dos traços, falta a ti.




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terça-feira, 19 de abril de 2011

Sobre a Utopia


Fora não mais que uma tormenta;
Tendo, o viver do impossível, vivenciar.
O peito arde e a alma já não aguenta
Era dor, do desejo jogado ao ar.

Fora muito mais que uma dádiva;
cravou, lá no fundo, a Certeza.
O toque que queria, ela lá estava
Utópica, sonho de lábios, minha princesa.

Não obstante, não é de noites insólitas que se faz vidas
À você, doce amada, estas letras muito mais tem contidas.
Àquela que une tormenta e dádiva, imploro em solo;
Não mais venha nas nuvens, é nos seus reais braços que me revigoro.





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segunda-feira, 7 de março de 2011

Passos não dados



E essa é a dor, querido.
Finda na mente, na silhueta longe.

Chuva caiu, não sem sentido.
Tido como contido, no fundo, na silhueta longe.

Resquícios do nada, você consigo.
Caminha no infinito, busca o finito, a silhueta longe.






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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Última Vez



“Vai-te”, me dissera, “leva seu destino”, só uma vez;
Fraterno, o abraço me fizera a vida.
Digo, certo, não saber, do fundo de minha (in)sensatez,
Como e tanto a voz por mim se fez acolhida.

Foi em marrom outonal, bem lembro.
E, da secura de uma desperdiçada transparência dos olhos,
vi ali a cura de qualquer ferimento.
Passos de firmeza, de alma hesitante, sem remorsos.

Já de longe, a alma fez tremer.
E meus passos se projetaram de volta, só no meu coração.
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sussurros Engasgados

ㅤㅤAli, mais uma vez, postara-se. Pronto, estava.

ㅤㅤEra com grande ternura que já confessara seus feitos:
ㅤㅤSubiu ao alto do Olimpo, mas lá, nem sinal da presença;
ㅤㅤTarde da noite, Hercule Poirot o considerara suspeito.
ㅤㅤR(←“)apaz de punho forte”, Quixote, a força de sua crença.
ㅤㅤA(←`) poucas lágrimas, dissera tudo, o Sujeito,
ㅤㅤDe cabeça baixa, frente àquela divina Senhora, e sua clemência.
ㅤㅤAli, depois de Aurélia, postara-se. Mais livros.

ㅤㅤLapidou na alma cada gota do suor.
ㅤㅤOnde, em cada qual, vivenciaste tanto, e por tanto.
ㅤㅤNão a encontrara. E torcia para que não fosse por força maior.
ㅤㅤGastou de anos, todavia não cairia por seu próprio pranto.
ㅤㅤAli, mais uma vez, postara-se. Mais folhas.

ㅤㅤE fechou os olhos. Idealizava-a.

ㅤㅤÁtimo de tolice, jogara-a lá. (Hah!) Fazia tanto tempo!
ㅤㅤRoubou dela a vida jovem, condenou-a ao carrasco
ㅤㅤDas folhas, do seu mágico dom que viera com o vento.
ㅤㅤUma vez divertido passear por eles, agora, só espasmo.
ㅤㅤA biblioteca soava sombria, não tinha mais seu antigo envolvimento.



ㅤㅤ(...)



ㅤㅤ(...)



ㅤㅤ(...)



ㅤㅤ(...)



ㅤㅤFaltavam poucos anos de vida, vida de arrependimento.
ㅤㅤIncansável, a busca terminava. Terminava incompleta.
ㅤㅤNão havia sucesso, e sua amada perdida para sempre.
ㅤㅤAli, frente a mais um, agora um livro cinzento,
ㅤㅤLábios de leve soaram, “das minhas tentativas, a última faceta”.
ㅤㅤMal-acomunado da desgraçada do peito ardente,
ㅤㅤEle nem ao menos vira qual o livro. Cego de desalento.
ㅤㅤNão soubera, mas aquele amontoado de poeira da gaveta,
ㅤㅤTudo poderia ter, menos letras. Como bom livro em branco.
ㅤㅤE ali postara-se, como em toda sua vida. Vestiu-se do mágico manto.

ㅤㅤCarregou sua alma para dentro do nada.
ㅤㅤHora de desgraça, abriu os olhos e encontrou-se vivendo atrás do horizonte.
ㅤㅤE ali, só ele existia.... Ou não.
ㅤㅤGalopando no vácuo, montado num cavalo de mentira, ao longe, a amante.
ㅤㅤAli, reencontrada a esperança. Retomada.

ㅤㅤAos berros, lágrimas e juras de amor, ele correra.
ㅤㅤO coração saltitante, fim de tristezas de uma era.

ㅤㅤF(←")IM", Gritara.
ㅤㅤI(←"F)M", Gritara.
ㅤㅤMago amante de livros, aquele que aprisionou sua amada dentro da literatura finalmente a reencontrara na sia infinita biblioteca. Abraçou-a com gosto e deixou que todo seu arrependimento se transformasse em mais pura demonstração de amor. Ela também envelhecera, perdera toda sua juventude perdida no nada de um livro em branco, assim como ele perdera toda a juventude procurando pela amada. Mas já pouco importava. Feliz, abraçou-a, beijou-a. E juntos, saltaram para fora do livro, cobertos pelo mágico manto branco. Desabando em pranto, lembrou-se de todos os “FIM”s pelos quais já passara, procurando apenas o seu. Aos leves sussurros, para a amada, confessou: “A estrada longa e árdua, meu amor, finalmente chegou ao fim”.


FIM
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Triangulo Amoroso? Fora!

Por querer, eu acho que não é,
Nem simplesmente acaso do acaso (do acaso).
Rancor! Sabe que nunca foi amado!
E agora, chispou! Mancando num só pé!

Culpa, a vizinha, a outra;
Seguiu o adúltero, cheia de malas sem alça,
De puro peso (sobre outros). Sua atraente saia marota,
Agora, não mais, chega de correr descalça!

E ficou lá a Alegria, sem marido e sem vizinha.
Solteira, livre e dando pra todos.
Sendo casado e traído, você a amaria!
Só a Culpa e o Rancor? Hah! Largue de desgostos!





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O Poema saiu da cabeça. Não me perguntem sobre nexo, haha. Feliz ano novo!
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Criatividade!

Criado. Criatividade. Criativo!
É sentado no suor que te espero
Envolto no glorioso mito,
De prateleiras do ursinho materno.

Criando. Criarei. Crias!
Expresso-me puro, só por você
São letras, de palavras minhas
Mares, céus, emboladas pra quem lê!

Criei. Criação. Criais!
Salto louco para aquelas montanhas
Metas dos olhos, novos ideais!
Expurgo as idéias, leituras castanhas!
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domingo, 17 de outubro de 2010

Vivazes Virtuais


E, por mais que sejam as supérfluas separações,
Sentimentos mais longe chegam; conquistadoras, conquistadas.
Quadrado cheio de tudo, sem vilões.
De você me deu ciência; espírito livre, sem amarras.

E, por que, “que nada te abale”, Alma independente?
Se tanto em tão poucos girares temporais, atado estou a me sentir.
Até onde podes voar? Corrente não será suficiente.
Sobre seus pés, seguindo em frente, “e que por nada você irá cair”.

E, de digitadas palavras, surgiu o fino fio
Que esbelta e cintilante, laços fraternos, súbitos vivazes, se formaram.
Coexistem, sim, saudades de um abraço macio,
Mas que há de se reclamar; quando almas certamente se tocaram?
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sábado, 31 de julho de 2010

Correntes Quebradas





Desencaixava-se aos poucos
Do gesso pintado, do oculto semblante.
A alma superava o louco
E pude ver seus olhos, negros, de amante.

Frente a cada novo suspiro, me dava um sorriso
Fitou-me, e transparente tornava-me.
Até que finalmente caiu o manto corroído
E apenas seu puro e real eu via a frente, incólume.

Palavras soaram silenciosas, altos sons inaudíveis.
Porém, a elas eu conseguia claramente escutar
Através delas, surgiam os sentimentos incríveis
E nos seus braços, pude finalmente relaxar.



Imagem:
Balinese Mask by Hengki24. From Deviantart.
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Emoldurada




Num mar de pura e única beleza,
perdido? Jamais poderia estar.
Lá existia. Postava-se; ereta e coesa.

E delineado na face, o eterno sorriso,
lisa como a neve, o meu ser iluminava

Mesmo agora imóvel, de alguma maneira
meu peito, ainda por ela batia
Presa sobre a moldura, linda, afastava a poeira.

Com leves passos, o meu amor suplantado.
Emoldurada.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sob seus Ombros


Forrada sobre seus delicados ombros
o manto desolado engole sua vida
e da solidão etérea, vem o coro.
de frenética melodia, em si contida.

Escuridão e Silêncio ficaram unidas
vivenciaram, sorriram, evoluíram, devaneavam
E ela perdeu-se no negro, sem saídas
A própria personalidade não mais a suplantava.

Coberta, uma única lágrima derramou
diante do parado pêndulo, sofrida.
Deixou escorrer seu último resquício. Corou,
pois agora, não havia mais alma a ser corroída.
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terça-feira, 15 de junho de 2010

Convivência


Trata-se, e não desta falsa realidade,
de uma soberba e nobre incógnita.
Nivela-se o passado da vida mórbida
e os grandes sonhos do futuro, se combate
ㅤㅤ
Sem a criativa criatividade criada criativamente.
As Garras do monótono se projetam,
tal que pensamentos, indefesos, caiam
na imensidão ignorante, com uma lufada.
ㅤㅤ
Trata-se, portanto, da desgraça rotineira
da inútil tentativa de estabilização.
Tolos, não vêem? Só fazem é morrer em vão.
Como muitos outros, no padrão, da mesma maneira.
ㅤㅤ
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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Abraços

A alma foi, aos poucos, perecendo.
E antes confortável do que gélido
A foice negra veio como um emendo
O Abraço. Da morte, o sopro frígido.

Suspirou. O último indício de vida
Memórias, Sentimentos, Conquistas.
Faces Supérfluas não mais supridas
Distorcidas, Falecidas, Sofridas.

Mesclou-se então pavor e alegria
Sobras e Sombras eram agora, branco.
Novos braços o envolviam. O Protegia.
Outro Abraço. Da vida, um solavanco.
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