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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Suma Importância Nacional

O modo mais fácil de destacar a importância que os Jornais Televisivos dão as suas matérias, é analisando o tempo que eles reservam para cada tipo de reportagem. Confira...



Atual situação de desabrigados das chuvas: Nulo
Situação política do Estado Egípcio: 30 Segundos
Investigações policiais sobre quadrilhas: 1 Minuto
Despedida do Jogador Ronaldo Fenômeno: 15 Minutos, e cobertura ao vivo


A população brasileira fica feliz com a adequação de temas e tempo.
Leia até o fim...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sem Pátria


No Japão, sou Brasileiro.
No Brasil, sou Japonês.


Cocei a cabeça, procurei apoio moral.
- E agora?
Leia até o fim...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pratici(Bruta)lidade

Guia do Matador de Insetos, Volume 4, Página 476:


“Artigo n°967: Sobre a relação banho x barata. Caso um matador interceptar um protozoário baratóide durante seu momento de pura higienização, há três modos com os quais se seguir.



A: Conforme artigo n°967, a primeira solução é, com toda a destreza natural possível, saltitar pelo chão enquanto o insetóide corre desordenadamente – como é de sua natureza. A direção que deve seguir é a da porta do box, para sair dali o mais rápido possível e voltar com nossa melhor arma.
B: Conforme artigo n°967, a segunda solução é, usando do jato de água proporcionado pela mangueira de banho, virar nossa arqui-vilã de costas. Logo após isso, a técnica é uma mescla de puro bom uso de química, física e experiência no ramo de Matador de Insetos. Segure o sabonete com a mão e o molhe, logo após, girando o sabonete na mão – caso não haja destreza suficiente para o ato, use as duas – deixe com que o líquido, mescla de água e sabonete líquido, caia sobre o corpo da barata. Uma vez que ela respira pelos poros daquela parte do corpo virada para cima, seu ataque será igual ao de quando alguém joga água nos seus tubos respiratórios. Dura apenas dez segundos até completa morte da barata.
C: Conforme artigo n°967, a terceira solução é, compartilhando de grande prática no ato, pisar no inseto. Uma vez que está banhando-se, basta se desfazer dos restos do inseto e higienizar-se.”
Leia até o fim...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Relatos Mirins - Reeditado

ㅤE ainda vale a pena ressaltar a genialidade infantil.
ㅤ – Filha da Puta?
ㅤ A funcionária parou o que estava fazendo.
ㅤ – É, ué. - Respondera o garoto.
ㅤ – Por que me chama assim?
ㅤ – Mas, seu trabalho não é colocar preço nas coisas?
ㅤ – Quase sempre, é sim. O que é que tem?
ㅤ – Então! Meu pai sempre te chama de filha da puta.
ㅤ – Mas eu nem conheço seu pai!
ㅤ – Mas eu acho que ele te conhece bem, fala de você toda hora. Qual seu nome?
ㅤ – Evellyn.
ㅤ – Ah, desculpa, acho que confundi. - Dizia, observando o resto o mercado. Como se tentando achar alguma velha gorda chamada Inflação colocando frangos congelados nas prateleiras refrigeradas.
ㅤ Mas confundir termos com realidade ainda é algo bobo e fácil de se corrigir.
ㅤ – Desculpa, moça, ele acaba entendendo errado o que a gente fala por aí. Sabe como é né? Crianças.
ㅤ Pior é quando vem aquela pergunta tão matadora para seus progenitores.
ㅤ – Mãe! Como é que eu nasci?
ㅤ Deixando de lado todas as cegonhas e repolhos do universo, sempre há aquele:
ㅤ – Pergunta para o seu pai. Estou ocupada.
ㅤ – Não sei, vê lá com sua mãe, Guri.
ㅤ Como se seus pais conspirassem na tentativa de gerar um novo acelerador de partículas, botavam o filho no maior loop infinito de sua vida; enchendo a mente do pobre coitado com todas as mentiras possíveis, desde uma novela nos capítulos finais que não poderia ser interrompida pela irritante voz aguda do moleque, até os desvios clássicos.
ㅤ – Não tem tarefa pra fazer, não?
ㅤ Ou, quem sabe:
ㅤ – O Papai te conta depois, tá?
ㅤ E assim a mente hiperativa do garoto permanecia naquela utopia mágica, quem sabe não tivesse sido encontrado na frente de casa num cesto de madeira? Olhava-se no espelho constantemente, procurando por ali uma marca de raio feita por mago malvado, ou talvez olhava para o céu antes de dormir, pensando que seus verdadeiros pais estivessem salvando planetas e aguardando para que ele crescesse.
ㅤ É toda essa brincadeira maldosa que molda os filhos para seus atos espertinhos, anos mais tarde. Como se deixar o termômetro encostado na lâmpada fizesse a mãe acreditar que estava com febre e não poderia fazer aquela bendita prova de ciências.
ㅤ – Mas olha, mãe, tá marcando 38!
ㅤ A mãe vinha com aquele ultimato, pior que os avisos do BOPE antes de acabar com a graça dos traficantes:
ㅤ – Levanta logo ou eu chamo seu pai, heim!
ㅤ A figura do simpático Seu Joaquim se distorcia na mente do menino – ignorando todos os presentes de natal atendidos, cujo agradecimentos, infelizmente, se voltavam para o velhinho de roupa vermelha, assim como todos os doces comprados sem que a mãe soubesse. Subitamente a silhueta idealizada tinha cinco metros a mais de altura, largura, espessura; carregava um grande chicote de couro numa mão e na outra um machado idêntico ao que o garoto vira
ㅤ Dali, era um único salto para abandonar a cama.
ㅤ O menino ia para o colégio e causava a maior tragédia mundial:
ㅤ – Colando, filho? Não foi isso que eu te ensinei!
ㅤ Mas pouco ligava para mãe, tremia mesmo era para a imagem do carrasco Joaquim se materializando novamente, agora montado no dragão novo que apareceu no Bakugan e seus amigos lhe contaram durante a aula, antes da prova.
ㅤ Todavia, pior do que tudo isso, é quando o garoto tenta se endireitar.
ㅤ Geralmente, tudo acontece para provar que ele continua sendo o moleque pimentinha do bairro, mostrando toda a verossimilhança da Lei de Murphy. O menino se depara com a cartinha especial e brilhante – praticamente irresistível! – que o amigo deixou cair quando ia embora; ou, ele se vê de frente para o pacote de bolachas que a empregada, Dona Soraia, ingenuamente deixara sobre a mesa, aos ávidos alcances dos braços do menino.
ㅤ Não demoraria dois minutos para o amigo voltar com os pais e dar de cara com o garoto batendo bafo com a cartinha brilhosa. Não demoraria dois segundos para seus pais voltarem para a cozinha, dizendo que esqueceram de pegar a lista de compras, só para se depararem com ele com a mão na massa – ou na bolacha.
ㅤ Quando tudo isso não acontecia, a coisa ficava séria:
ㅤ – Conta pra gente, filho o que está acontecendo?
ㅤ E aí, começou! O garoto vira o anjo da família, e, em troca, os pais fazem uma busca desenfreada pelo que está errado, como se devesse, por natureza, ser uma peste. Câmeras para ver se a Dona Soraia não batia nele, visitas ao colégio em busca de pedófilos ou mal-encarados, e, no fim, termina sentado num divã. Um homem de óculos e cabelo penteado milimetricamente lhe mostrando um monte de borrões escuros e lhe pedindo para ver o que via, como se ele fosse cego.
ㅤ Desistia! Que os pais sofressem porque a puberdade estava chegando!
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sábado, 4 de dezembro de 2010

O Natal de Ariadne Leverson e a Greve Surpresa

I
ㅤ ㅤㅤ

ㅤ – Até amanhã, Sr. Reuben.
ㅤ Foi desta forma que Ariadne Leverson se despediu de seu funcionário. Era noite de natal, e provavelmente aquele jovem trabalhador não gostava nem um pouco da alma avarenta de sua patroa. Mas, que mais se podia dizer? A velha senhora viúva que levava os negócios do falecido marido nas costas sempre tivera a mesma fama. Era ela a mulher de poucos amigos e muitos bens, que nunca realizara um ato de bondade na vida, senão doar algumas moedas para a igreja – numa paca tentativa de salvar a sua alma.
ㅤ Nunca ligara para o natal. Não era algo que lhe interessasse, não moralmente falando – afinal de contas, não poderia negar que a época do ano vinha a calhar para seus negócios. Reuben Naylor sabia que nunca seria presenteado com um peru de natal, mas já aceitara o fato, e apenas dava graças ao nosso senhor salvador por lhe dar um emprego digno por mais um ano de vida.

ㅤ Sra. Leverson entrou em casa tremendo, logo se desfez do casaco de peles para aceitar o calor que vinha da lareira da sala. Seu valoroso mordomo, Owen Garfild, surgiu no saguão de entrada para ajudar-lhe com a pequena bolsa e ademais pertences. Ela o cumprimentou com um sorriso paco e um leve meneio de cabeça.
ㅤ – Ah, Owen, meu bom Owen! Não sabe como o frio me deixa em frangalhos.
ㅤ – É comum desta época do ano, Sra. - Ele disse, inflexível como todo bom mordomo teria de ser.
ㅤ – Compreendo. É como se o natal e toda esta baboseira conspirassem contra mim. Nota como todo ano, nesta época, o inverno se torna mais intenso? Ah, Owen! Nem mesmo meus melhores vestidos de seda posso usar, sempre me atendo com estes casacos pesados.
ㅤ – Caso a Sra. instalasse um aquecedor no seu escritório, Madame - Disse o careca Garfild - Talvez pudesse usar de seus vestidos.
ㅤ – É realmente uma boa idéia. - Ela disse, os passos se direcionando para a sala. - Mas deixemos para pensar nisso um outro dia, Owen. Só desejo jantar e subir para meu quarto.
ㅤ – Como quiser.
ㅤ O jantar fora silencioso como sempre fora. E Ariadne subiu para o quarto, cansada de seu trabalho, mas já sabendo que haveria mais itens a se resolver no dia seguinte. Com uma lembrança boba que lhe viera na memória – logo após passar pela janela e observar de lá uma grande árvore de natal – a senhora riu sozinha, pensando se naquele ano eles viriam visitá-la.

II


ㅤ A euforia e as vozes se faziam cada vez mais altas no recinto luminoso. Se é que se podia dizer que aquele local era um recinto, ou mesmo uma construção. Apenas havia branco para tudo quanto é lado; e o chão, a parede e teto se mesclavam numa cegante luminosidade.
ㅤ Quebrando a calma e a harmonia daquele lugar tão belo, estavam eles: De todas as formas e tamanhos, de todos os jeitos e desjeitos. Alguns vinham em forma de espírito, e flutuavam com asinhas de anjo nas costas, havia também aqueles que ainda adotavam o estilo antigo, carregando foices enquanto acobertados por mantas negras. Grande parcela até mesmo tinha se modernizado, um usava um terno de cetim e uma gorda tentava ocultar suas protuberâncias dentro do glorioso vestido vermelho de seda oriental. A mescla de estilos e cores faziam o salão mais parecer o famoso carnaval brasileiro que começava a ganhar fama mundial.
ㅤ – Com calma, Senhores! Com calma! - Dizia um velho barbudo sentado numa cadeira imaginária. As roupas vermelhas e a pele alva em mescla com as bochechas rosadas mostravam claramente quem era a figura. O Papai Noel, depois de alguns segundos de insistência, finalmente conseguiu silenciar a multidão. - O que é, este ano?
ㅤ – Continuamos trabalhando no natal! - Reclamou uma voz aleatória, que recebeu o apoio de outros.
ㅤ – Ainda não recebemos nosso bônus pelas horas extras!
ㅤ Mais consentimentos.
ㅤ – Será que não poderíamos trabalhar num horário mais oportuno? - Falou uma terceira voz, um tanto mais insegura que a dos outros. - É tão embaraçoso ter de acordar as pessoas no meio da noite. Sabia que algumas delas dormem despidas?
ㅤ Desta vez, ninguém se manifestou a favor.
ㅤ – Enfim, nós queremos recobrar nossos direitos! - Disse novamente o primeiro que tinha levantado a voz.
ㅤ Noel deu um longo suspiro e coçou as sobrancelhas grossas com seus dedos enluvados de couro. A parte fácil de entregar alguns presentes pelo mundo valia muito bem a pena. Não, era mais do que óbvio que ele não descia de chaminé em chaminé para colocar presentes. O que realmente fazia era despejar o espírito natalino sobre as casas, e deixar que eles cuidassem do resto. Infelizmente, sempre haviam os mal-encarados. Seres que nasceram para repelir de suas almas, o bom gosto do velhinho vermelho. E para isso existiam aqueles senhores ali. Contudo...
ㅤ – Mas, pelo amor de deus, vocês são os Fantasmas da noite de Natal! Vocês trabalham no natal. Só na noite de natal! - Disse o Noel.
ㅤ A legião de fantasmas, espectros, espíritos e almas levantou novamente a voz de uma única vez, causando uma nova pontada de dor de cabeça na mente do bom velhinho. Santo Nicolau pressionou as têmporas com os dedos indicadores, numa tentativa infeliz de calar as vozes na sua mente, já bem bastavam as marteladas da Senhora Noel, toda noite.

ㅤ – Os fantasmas do Presente deveriam receber mais. - Disse um parrudo de pele amarela brilhosa, vestido como um pirata. - Passear pela cidade numa noite tão fria é certamente bem mais trabalhoso e desgostoso.
ㅤ – Ora! - Um anjinho do tamanho de um bebê levantou-se, ele irradiava em luz azulada. - E quanto a nós do Futuro? Garanto que avançar no tempo é bem mais cansativo.
ㅤ – Além do mais, é um futuro incerto! - Levantou-se em pleno ar um companheiro anjinho. - Fora as lamentações! Vocês são sortudos de não terem de ouvir os choros e súplicas dos bastardos! Nós que ficamos por último que sempre sofremos.
ㅤ – Ao menos, quando vocês entram em cena as pessoas já estão prontas - Disse, ao que parecia, a mesma voz que comentara sobre pessoas que dormem despidas. - Não é nada bom visitar a Sra. Lounge depois que ela venceu o campeonato de mais comilona de panquecas da cidade.
ㅤ E mais uma vez começou o bate-boca espectral, que nada se diferenciava de um humano. O velho Noel pressionou com ambas as mãos o couro cabeludo grisalho, em mais uma fula tentativa de conter as vozes. Se havia algo ruim em ser imortal, era o fato de que você teria de viver toda a eternidade com a enxaqueca. Já estava quase a ponto de se comprimir em posição fetal na sua pseudo-poltrona, quando estourou os limites da paciência e levantou-se da cadeira num ato raivoso com um grito quase gutural. A horda de fantasmas se calou e direcionou os olhares para o bom velhinho.

ㅤ – Mas que – desculpe, Senhor – diabos vocês pensam que estão fazendo!? Ora, vocês são fantasmas da noite de natal, deveriam trabalhar para reavivar o espírito natalino dentro da alma daqueles que a rejeitam. Mas o que eu vejo aqui – Ah, meu bom Deus – é exatamente o tipo de comportamento que vocês deveriam estar erradicando no planeta. Será que não notam, ora pois, que vocês nada estão diferentes dos carrancudos que visitam? Deste jeito, terei de achar fantasmas da noite de natal para fantasmas da noite de natal.
ㅤ Papai Noel sentou-se, exasperado.
ㅤ – Que me dizem? Que tal pararmos de discutir e começarmos a distribuir o espírito natalino?
ㅤ O silêncio continuou por alguns segundos, somente pareado por alguns cochichos aqui e acolá. O Santo Nicolau parecia finalmente ter conseguido o apoio dos fantasmas, e, relaxado em sua pseudo-poltrona deixou escapar um suspiro de alívio.
ㅤ – Não! Ainda queremos nossos direitos! - A voz rompeu, quase fazendo Noel cair de seu encosto.
ㅤ E, para delírio do velhinho, as vozes começaram a se levantar em apoio. Não uma, não duas. Todas elas começavam a gritar: “Greve! Greve! Greve!”. Noel fechou os olhos com força, perdera as esperanças. Quando abriu novamente os olhos, deixava que fitassem o teto esbranquiçado do local.
ㅤ – Ai, Jesus, e agora? - Disse para si mesmo.
ㅤ A figura do homem de cabelos castanhos e uma paz celestial na feição surgira no céu para o Santo Nicolau. E, antes que lhe desse esperanças, Jesus deu de ombros.

III

ㅤ Ariadne acordou naquela manhã como sempre acordava em todas as manhãs. Sem espíritos, sem fantasmas, sem visões do futuro e sem gente pegando-a desprevenida. Realmente, a baboseira de natal era sempre a mesma. Era aquele apenas mais um dia de trabalho, só o que lhe arrancaria o humor seria a face aborrecida do Sr. Reuben e o fato de ainda não poder usar seus vestidos de seda. Realmente deveria comprar um aquecedor.
ㅤ Retirou o pesado cobertor de peles de cima do corpo e pisou no chão coberto pelo tapete persa. Buscou com a mão o roupão para lhe cobrir o corpo; definitivamente era ótimo dormir despida.

ㅤㅤIV

ㅤㅤAssim que as botas de couro reforçado saíram dos pés do velho Noel, ele soltou um suspiro de puro alívio. Acabou que, no fim das contas, ele não conseguiu conter os Fantasmas das noite de natal, que saíram da audiência todos com a idéia de "Greve" ainda em mente. Ao menos, e ficou feliz com isso, pôde viajar pelo mundo na companhia das renas para entregar o espírito natalino pelo mundo. Puxou a fivela do cinto para soltá-la e logo em seguida pousou o gorro vermelho no criado-mudo.
ㅤㅤO Sofá da sala nunca fora tão confortável para ele, mas a Sra. Noel deixou bem claro o que ocorreria caso ele se atrasasse. "Os Fantasmas entraram em greve e tentei contê-los", ora, até mesmo contos de fada e seres imaginários tinham seus limites de sensatez; Mamãe Noel nunca acreditaria na história. Puxou o cobertor macio sobre seu corpo e já ia fechar os olhos quando um baque perto da janela o fez saltar do sofá, caindo com o nariz no chão.
ㅤㅤ- Claro! Agora assaltam a casa do velho Noel! - Disse, consigo mesmo. - Que ótima forma da noite acabar!
ㅤㅤE, com toda a tranquilidade da imortalidade, dirigiu-se para o corredor, de onde viera o som. Mas ali, viera sua surpresa. Atônito, Noel observava a figura verde-brilhosa de um velho em seus pijamas caros; o nariz avantajado não o fazia errar sobre a identidade do sujeito.
ㅤㅤ- Scrooge!
ㅤㅤ- Feliz Natal, velho Nicolau! - Respondeu, bem humorado.
ㅤㅤ- Mas o que faz aqui, homem de deus? - Noel falou, coçando os poucos cabelos grisalhos que sobreviveram na parte central da cabeça.
ㅤㅤ- Fiquei sabendo do que aconteceu com meus velhos parceiros. Decadência, né?
ㅤㅤUm leve olhar raivoso passou pela face de Noel.
ㅤㅤ- Ora, Scrooge, então foi voc...
ㅤㅤ- Opa! Opa! Calma aí, Nicolau! Sabe muito bem que, desde aquela noite, até o fim de meus dias, eu nunca mais fui uma má pessoa. Tanto que me colocaram aqui, nesta posição. - E com um gesto mostrou-se a si mesmo. - Se eles tem agora um fiasco de ambição na mente, não é por minha culpa! Na verdade, eu bem estranhei que meus parceiros não vieram para me dar as coordenadas, estava ansioso para visitar o mal-encarado do ano. É um caso bem peculiar, bem parecido comigo.
ㅤㅤ- Entendo. - O Velho Noel escorou-se na parede. - Mas, por que veio até aqui? Só para me dizer isso que não foi.
ㅤㅤ- Na verdade... - Ele disse, deixando transparecer um pouco da esperteza que o jovial Scrooge tivera para ganhar a vida através de um sorriso. - Tem como me emprestar o trenó? Dizem que ele tem a capacidade para levar as pessoas para onde desejam ir.
ㅤㅤOs olhos do velho Noel arregalaram.
ㅤㅤ- Ora, você não...
ㅤㅤ- Está afim de fazer uma horinha extra como Fantasma, velho Nicolau?
ㅤㅤ
ㅤㅤE o natal passou como todos os outros para Ariadne Leverson. Ao menos, todos desde o dia em que os pais se separaram na mesma data. Brigou com o digníssimo Sr. Reuben por estar tão distraído no trabalho e fez a encomenda do aquecedor, chegaria uma semana depois, de modo a fazer a velha Ariadne começar a escolher que vestidos de alta classe e costuras impecáveis ela iria usar.
ㅤㅤJantou com toda a calma e serenidade, o velho Owen sem dizer uma palavra desnecessária. Levantou-se e foi dormir com a calma de sempre; durante a caminhada, deparou-se com a mesma árvore de natal despontando na janela. As lembranças vieram novamente e ela soltou um suspiro baixo e contido, de decepção. Naquele ano, eles também não vieram.
ㅤㅤ
ㅤㅤSerá que Ariadne acreditaria em Fantasmas da Noite Seguinte ao Natal?
Leia até o fim...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vozes

Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – Há 4 Dias do ENEM

junirz diz: aff.. to mto com medo dessa prova cara
Jackz_s2 diz: nem me faaaale,esse enem nao serve pra nda!!!
junirz diz: é... e ainda cai bem no dia do jogo do chelsea cara!! quase que não vou fazer essa prova, ma sorte q meus pais tao me obrigando
GostosoCAM diz: oi, alguma gata afim de tc?
Nickole diz: Qual é gente vcs vão escolher um jogo ao futuro de vcs?
Jackz_s2 diz: nao ééh isso amiga, so q esse enem eh uma porcaria
Nickole diz: Mas vc vai ter que fazr, não vai? Olha, eu quero mto entrar pra medicina, e n tem jeito senão fazer a prova msm gente!!
junirz diz: pra mim tanto faz vo pegar qulquer curso msm
Jackz_s2: ainn... tbm quero medicina, sera q tá dificl?
Nickole diz: Olha, já faço cursinho faz 2 anos, acho que dessa vez dá pra eu passar.
GostosoCAM diz: oi, alguma gata afim de tc??
GostosoCAM diz: oi alguma gata afim de tc????
GostosoCAM diz: oi nickole td bem?
Nickole diz: Tá na sala errada cara.
Voz do Futuro diz: Esse ENEM vai dar problema, e vocês vão acabar fazendo ele para nada.
Nickole diz: Do jeito que tá é bem possível
Jackz_s2 diz: o vz do futuro para com esse ar negativo, aiiin, to nervosa gnt!!!
junirz diz: opa! vai passar CQC, vo la ve gnt, flw!


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – Há 1 Dia do ENEM

Jackz_s2 diz: nossa gent axo q nao vo passar. chorei mt hoje por causa da nota de redação q me deram, fui mto mal!! to nervosa gnt que eu faço?????/??
Nickole diz: Fica tranquila amiga, agora já não dá pra fazer mais muita coisa. So vai lá e faz aquilo que você pode, só se esforça ao máximo, tá?
GostosoCAM diz: oi jackz quer tc no reservado?
Nickole diz: Qual a sua cara? Para de achar que vai conseguir algo aqui!
Nickole diz: Tanta gente ignorante, por isso que a gente tá fazendo o ENEM!!
Voz do Futuro diz: De nada adiantará o ENEM.
Jackz_s2 diz: para de fala essas coisa cara, vc fika com esse negocio de voz do futuro mas n sabe nda de nda! só fica aqui pra tirar com a gente
Nickole diz: Verdade, voz. Larga disso que eu acho que vc podia fazer coisa melhor.
Voz do Futuro diz: E, se por um acaso, o ENEM falhar? O que vão fazer?
Nickole diz: Obvio né? Só a gente ir reclamar nossos direitos, ninguém pode fazer estudante de palhaço desse jeito. (se bem que o enem já é uma piada)
Jackz_s2 diz: verdade qualqr coisa só a gnt protesta!!!
junirz diz: opsss, tava jogando lineage galera, foi mal não aparecer aqui hj.
GostosoCAM diz: oi Julia quer tc??
junirz diz: julia? Cara vc deve ta mto na seca pra confundir meu nome assim.
junirz diz: bom gente vou voltar a jogar, boa sorte pra vcs amanha. vo jogar até as 4 madruga ai depois vo lá, té mais gnt.
Nickole diz: Eu já vou dormir, boa prova pra vocês, gente. E calma Jack, so relaxa pra amanha.
Jackz_s2 diz: brigada amiga.


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – Horas Após o ENEM

Jackz_s2 diz: aiiin geeeeeeeeeeeeeeeeeeent, fui mto mal! Desesperei no meio da prova e comecei a chorar! n acredito q vo ter q ficar mais 1 ano pra passar!!!
Nickole diz: Hm, eu acho que fui bem!! corrigi minha prova com o gabarito e fiz umas 168 questões de 180! Fora isso o tema da redação estava tranquilo!
Nickole diz: Não fica assim Jack, importante é que você se esforçou pra fazer a prova!
junirz diz: po minha prova veio mto estranha. tinha umas questões repetidas e outras puladas...
REVOLTADORJ diz: ENEM TA FAZENDO A GENTE DE PALHAÇO GALERA!!!!!
REVOLTADORJ diz: UM MONTE DE GENTE VEIO COM GABARITO COM PROBLEMA!!
REVOLTADORJ diz: TAO FALANDO QUE VAI ANULAR E FZER DE NOVO!
REVOLTADORJ diz: VAMO GENTE! TD MUNDO PRECISA RECLAMAR!
Nickole diz: Nossa, será que vão mesmo anular a prova? Mas eu fui tão bem... ai, não. Tinha que ser esse enem mesmo! Ai, comecei a tremer aqui....
junirz diz: hehe entao minha prova não foi a unica
Jackz_s2 diz: aff além de nao prestar esse enem ainda fica dando problema!!! não presta msm! Temo que fazer algo gente!
Nickole diz: Ai! Tõ quase chorando aqui, não pode dar problema gente! Estudei muito, e fiz bem a prova, e se anular todo esse esforço. Já estou faz 3 anos tentando entrar pra medicina e logo agora.... Ai, que droga de enem!
junirz diz: nossa gente pra q tanto? bom, se vcs vao fazer algo eu ajudo.
GostosoCAM diz: oi nickole, ocupada?
Nickole diz: Porque nunca baniram esse cara daqui? Aff, que raiva.
Voz do Futuro diz: ....


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 2 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: v
junirz diz: ops falhou o cntrl v, hehehe
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
GostosoCAM diz: oi jack, td bom?


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 3 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: v
junirz diz: ops falhou o cntrl v, hehehe
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
GostosoCAM diz: oi julia, td bom?


Folha Brasil: Estudantes protestam contra o ENEM

Através da internet, cerca de mais de 35 mil estudantes do país inteiro se revoltam contra o ENEM. O ministro da educação, Fernando Haddad, pediu desculpas a todos que realizaram as provas no Brasil inteiro e diz que está tentando um acordo com a 7° Vara de Justição do CE, que foi responsável pela liminar que suspende o Exame Nacional do Ensino Médio. Segundo o ministro, a proposta inicial é realizar uma nova prova apenas para aqueles que levantaram queixas e foram realmente prejudicados. “Não há necessidade de anular o ENEM e refazê-lo para todos” disse Haddad durante uma coletiva. Resta, agora, aos alunos, que continuem esperando pelas decisões; muito embora as ondas de protesto – centradas principalmente nos sites de relacionamento – estejam fazendo um grande papel de pressão ao MEC e ao INEP – instituto organizador da prova.


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 4 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
GostosoCAM diz: oi Nickole, quer tc??
junirz diz: cara vcs não cansa?

Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 8 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: eae galera
Jackz_s2 diz: oi revoltado!!! tava sumido heim!!
REVOLTADORJ diz: é, viajei com uns amigos esse fim de semana, mto legal praia, sol, rsrs
Jackz_s2 diz: sei, eu sai cm umas amiga ontm tbm pra flar a verdade kkkkkk
Nickole diz: Oi gente...
GostosoCAM diz: oi nick, vm brinca hj?
Nickole diz: Oi lindão. Vamo sim...
Chat Welcome diz: GostosoCAM e Nickole foram para a sala Privada.
junirz diz: afffffffffffffff vao fazer otro enem!!!!
junirz diz: e bem no dia que ia ter evento com uns item novo no lineage AFFFF
junirz diz: se nesse pais msm... vmo protesta gnt!!!
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: aff gent kd vcs?
Chat Welcome diz: Jackz_s2 e REVOLTADORJ foram para a sala Privada.
junirz diz: AFFFFFFFF falow pra vcs!!!!
Voz do Futuro diz: ....
Voz do Passado diz: Quem dera eu fosse você, Futuro.
Voz do Futuro diz: Pois é.
Leia até o fim...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Eterno Noturno dos Meus Pesadelos


ㅤㅤ Estela estava ficando realmente preocupada. Tentava afastar-se daquele som repetitivo e terrível que a atormentava, mas em nenhum momento os passos deixavam de soar atrás de si. E, sempre que virava para trás, não achava nada além da companhia do silêncio da madrugada. Ela estava próxima de casa, mais algumas quadras e aquela palpitação que crescia no seu peito iria se encerrar. Acelerou a caminhada, ouvindo as passadas atrás dela também acelerarem. Estela fechou os olhos com força, tentando conter as lágrimas de cair, todo seu corpo tremia; fato só não tão claro pelo fato de não estar parada. Mais três quadras.
ㅤㅤ Avançou a esquina, desviando o olhar para a pequena rua, apenas para constar que nenhum veículo passava. O bairro Norte-Vila ficava completamente deserto àquela hora. Assim que voltou seu olhar para frente, ela estacou no meio da faixa de pedestres, com olhos arregalados e a boca trêmula: Ali, no fim da calçada, um estranho sujeito a observava, com um sorriso medonho na face. Vestia camisa e jaqueta pretas, em conjunto de uma calça jeans da mesma cor. Os olhos verde-oliva do pálido homem estavam fincados nos dela, observando cada pequeno movimento da mulher com atenção. O Vampiro sabia que ela era sua próxima vítima.
ㅤㅤ Estela afastou dois passos, tentando encontrar apoio para se sentar. Ela não era do tipo que sabia enfrentar situações complicadas, alias, todos no trabalho a chamavam de infantil. A Bobona. Tentava com todas as forças virar-se e correr, mas as pernas não a obedeciam.
ㅤㅤ
ㅤㅤ Ezequiel alargou seu sorriso, a presa estava desesperada. Aquela era a melhor expressão que ele podia achar em suas pobres vítimas. Avançou dois passos, descendo da calçada para o asfalto da rua. Acompanhava minuciosamente cada movimento de Estela – a mulher loira e de face bela desmanchava sua beleza com o descuido com o resto do corpo, estava gorda e com os cabelos desarrumados –, para apreciar com mais gosto o medo que ela exalava. Talvez a única coisa que se comparasse ao prazer de tomar o maldito líquido da imortalidade vampírica, fosse o terror que os meros mortais demonstravam perante a morte certa nas garras do Eterno.
ㅤㅤ – O medo é tanto que não se move, querida? - Indagou Ezequiel. - O que me diria caso seus olhos encarassem algo ainda pior?
ㅤㅤ E, mantendo ainda a expressão maldosa na face, o vampiro abriu a boca ao mesmo tempo que deixava os caninos pontiagudos crescerem absurdamente. Seus olhos fluíram do verde-oliva para o vermelho-brasil em segundos. Ezequiel rosnou para Estela, enquanto encarava a face da mulher.
ㅤㅤ A Loira deixou os olhos crescerem ainda mais para fora das órbitas quando o estranho revelou sua paranormalidade. Ela novamente perdeu a força nas pernas, agora bambeando-as a ponto de não conseguir nem ao menos manter-se de pé. Ficou ali, de boca aberta, definindo os traços da horrível criatura.
ㅤㅤ – Meu deus.... - Balbuciou ela.
ㅤㅤ – Agora sabe que sua vida está selada às minhas garras!
ㅤㅤ – Vampiro... - Ela continuou no quase transe. - É mesmo... um vampiro?
ㅤㅤ Ezequiel riu alto, aproximando-se mais alguns passos da loira.
ㅤㅤ – Ainda tem dúvidas!?
ㅤㅤ – Ai, meu deus.... - Ela disse novamente, para a felicidade do vampiro que adorava sem entorpecer do medo dos outros. Então, subitamente, ela formou um sorriso enorme na face. - Eu sabia! Eu sabia que vocês existiam! Que demais!
ㅤㅤ Confuso, o vampiro desfez o cenho feroz e ameaçador. Agora encarando a vítima com clara irritação, aquela não era a resposta esperada. Estela levantou-se e aproximou-se dele em passos rápidos, enquanto mexia na bolsa.
ㅤㅤ – Olha! Olha! - E puxou da bolsa um pequeno pedaço de papel plastificado: “Fã n°99, Twilight Lovers”, empurrando na face do eterno noturno. A excitação da garota era quase doentia, os olhos continuavam arregalados e os dedos tremiam, mas agora eram de uma felicidade sádica. - Eu A-M-O vampiros, sério! Nossa, sua pele é tão branca, parece que é até mais que a do Ed.
ㅤㅤ – Ed?
ㅤㅤ – Edward Cullen, nossa, o melhor de todos os vampiros. Hah! Mas que se dane o Ed, agora eu estou aqui, de frente pra um vampiro de verdade!
ㅤㅤ Um tapa foi desferido pelo furioso Ezequiel na face de Estela, jogando a mulher no chão de uma única vez. O golpe foi tão forte que abriu dois largos arranhões na face dela. Ele, Ezequiel, já obviamente procurou saber sobre aquela nova crônica vampírica que se popularizara tanto. Não gostou de nada, não eram aqueles os vampiros reais. E aquela mulher caída na sua frente, aquela Estela, ela não era para ser uma doente daquelas. Já tinha mais de trinta anos, deveria estar com um namorado e uma vida boa pela frente, não mergulhando de cabeça em febres adolescentes.
ㅤㅤ Ela demorou alguns segundos, a dor que sentia não era reprimida, e sim recebida com um sorriso alargado. Fora um tapa dado por um noturno, um imortal! Um vampiro deixara sua marca nela! Olhou para o pálido homem novamente, arranjando forças para se levantar sorridente.
ㅤㅤ – Insolência! O que tem na cabeça, Mulher!? - E empurrou-a para cair novamente. - Não vê!? Vim aqui para açoitar sua vida! Vim aqui para arrancar cada gota de seu sangue! Pouco importa os fictícios frouxos sanguinários que já viu, este, cá a sua frente, é um real. Um que deve temer!
ㅤㅤ – Temer porque!? - Ela retrucou, novamente saindo do chão. - Eu amo vocês! Daria minha vida de mão beijada para ter esse momento. O momento em que um de vocês estivesse aqui, comigo. Não ligo... Não ligo se vou morrer. - Ela alternava a fala em risadas histéricas e enlouquecidas. - É só um prazer estar aqui à sua frente. Olha, querido, olha!
ㅤㅤ E Estela levou as mãos até a borda da camisa que apertava suas gorduras saltadas. Sem qualquer cerimônia abriu os primeiros botões, enquanto deixava o sangue que brotava na sua bochecha escorrer pela face, passando pelos lábios até cair sobre a vestimenta. Ali, na frente do atordoado Ezequiel, abriu a camisa social com que trabalhava. O Vampiro transfigurou sua face em nojo. Em meio as estrias, pelos não depilados e espinhas acumuladas; se encontrava a figura de uma boca mordendo a pele de Estela. Uma tatuagem.
ㅤㅤ – Porque não me morde!? Vamos, morde! Aqui!
ㅤㅤ O Eterno desviou o olhar da grotesca visão, os mortais tornavam-se cada vez mais nojentos.
ㅤㅤ – Vamos! Estou pronta! Sugue todo meu sangue, por favor! - Os olhos dela criavam veias vermelhas saltadas, ela parecia não querer piscar para não perder um momento do vampiro. O sorriso descuidado deixava a saliva escapar pelos cantos da boca, deixando-a toda babada; o que contribuía ainda mais para o estado de loucura em que aquela loira estava para idolatrá-lo.
ㅤㅤ Ezequiel explodiu em raiva. Avançou contra ela, fincando as mãos fortes sobre o ombro e o pulso dela, e num movimento raivoso e seguido de um urro inumano, arrancou o membro de Estela. O braço caiu no meio da rua, imóvel e deixando exposto parte do osso que o ligava ao resto do corpo. O ombro de Estela encharcou-se de sangue, mas a única reação da mulher foi gargalhar histericamente com lágrimas descendo pelos olhos enquanto caía de joelhos no chão. Seu herói. Seu vilão. O motivo para sua existência estava ali lhe fazendo o mal, lhe causando emoções maiores do que seu monotonismo que geralmente só era quebrado quando mergulhava a mente no mundo deles, dos noturnos. A dor envolvia seu ser, mas mais que isso, o prazer enchia sua alma. Sentia-se excitada sexualmente, de modo que seus órgãos sexuais atingiram o orgasmo seguido pela folga onde relaxou os músculos vaginais, deixando a urina infestar o chão, mesclando-se com o sangue derramado.
ㅤㅤ O vampiro pôs a mão sobre o nariz de faro aguçado e afastou-se dois passos, olhando com desgosto para a decadente loira. A mulher chorava e ria.
ㅤㅤ – Vamos! Não espere por mais! Venha e me dê o abraço da morte, tome de meu sangue!
ㅤㅤ A raiva acobertou o nojo, e Ezequiel avançou mais uma vez sobre a mulher, agora desferindo um chute na boca do estômago dela, que a fez voar alguns centímetros para trás, cuspindo sangue pela boca. O ar lhe saiu dos pulmões e ela não podia falar, o que – pensava o vampiro – a calaria. Estela levantou o olhar sádico para ele, o sorriso agora imbuído de sangue e lágrimas.
ㅤㅤ – M...ma.... - Respirou fundo. - Mais.... S-sou... sua.
ㅤㅤ Ele avançou passos na direção dela e segurou o outro braço dela com ambas as mãos, apoiou a sola do pé sobre as costelas da moça e deu um tranco. O segundo membro dela saiu voando, esguichando sangue sobre a face do irritado Ezequiel. Agora ela havia gritado de dor, os olhos arregalaram-se ainda mais e ela encolheu-se por um breve momento, tão breve que Ezequiel mal pôde apreciar. Logo o grito emendou-se numa risada medonha.
ㅤㅤ – Venha.... antes... antes da minha... morte. - A falta de ar ainda lhe assomava. - Meu sangue... seu....
ㅤㅤ O vampiro limpou o sangue em sua face com as costas da mão e olhou diretamente sobre o olhar louco da mulher. Realmente, amava os vampiros. Ajoelhou-se ao seu lado, e envolveu com uma das mãos o pescoço dela, apertou com força e levantou-se, colocando-a de pé, mesmo que vacilante. A moça cambaleava parada, sem forças para muito mais atos, ao centro da poça de seu sangue e dejetos. O sorriso dela se alargou ao passo que os dentes pontiagudos do vampiro se aproximavam da sua jugular.
ㅤㅤ Sentiu o toque dos caninos raivosos sobre sua pele e fechou os olhos para apreciar a mordida da morte. Mas, ela não veio, não sentiu os dentes afundando na carne e o sangue vazando pelas feridas. Ezequiel era quem agora sorria.
ㅤㅤ – Seu sangue é podre. - Falou. - Viva com seus vampiros de mentira. Morra com eles.
ㅤㅤ Jogou-a na calçada – sobre o próprio sangue e urina – e virou-se, começando a caminhar. Estela, jogada para a morte no asfalto cinzento, arregalou os olhos, e pela primeira vez desde que fizera a descoberta do noturno, sua face encheu-se de terror. Ela começou um choro desenfreado, alternado com gritos e súplicas para que Ezequiel voltasse, para que seu vampiro acabasse com sua vida. O terror de não morrer como muitos morreram naqueles livros que tanto amava cobria sua mente. Será que nem na hora do abraço frígido da foice negra, ela poderia ser feliz? Será que a vida fora sempre aquele horror onde só os livros dos noturnos deixavam ela sorrir? Clamou pela sua vida, as cordas vocais ao máximo e pedindo arrego não suportaram, estouraram na garganta da moça, e ela novamente engasgou-se no sangue. No seu sangue podre.
ㅤㅤ O pálido rapaz afastou-se rapidamente, limpando o sangue nojento da mulher na camisa negra. Os gritos e grunhidos inumanos de Estela foram ficando para trás. Por fim, após alguns sórdidos minutos, abriu um sorriso. Não tomara o líquido da eternidade, mas fizera alguém sofrer, dera para alguém o tormento de uma morte lenta e horrível. Virou-se para ver se carros passavam na rua e atravessou.
ㅤㅤ O bairro Norte-Vila ficava realmente deserto àquela hora.
Leia até o fim...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Relatos de um Profissional Atuante

  Quando você trabalha no meu ramo, existem certas coisas que você deve saber. Uma delas, é nunca ler os últimos relatos de um de seus clientes. Você sempre achará algo que não desejava ver. Entretanto, existem certas exceções. E nestas, eu aproveito para me divertir com meu trabalho. Veja só... 



  Mal percebi quando inalei. Estava tranquilo, nunca imaginaria que aquilo pudesse acontecer tão de repente. Mas aconteceu. Um jato de veneno me acertou em cheio e encheu o ar que eu respirava dele. Me desesperei, e – ainda sem sentir os efeitos – comecei a correr para qualquer rumo. Estava completamente zonzo, e por isso até bati de cara com a parede umas três vezes antes de parar para respirar. 

  E então, tinha começado. A minha visão, de repente começou a ficar turva, de modo que eu parecia completamente tonto. Dei alguns passos, meio bambos, mas parei quando percebi que era o veneno. Maldição! Será que eu não tinha escapatória alguma? A minha sina seria morrer ali, daquela forma? O medo tomou minha mente e agora eu já não sabia o que fazer. Desconsertado, comecei a dar passos, e mais passos. Até voltar a correr, adoidadamente como antes. Não olhava nem para onde ia, até porque mesmo que eu me concentrasse para ver, nada eu poderia. Aqueles segundos pareceram uma eternidade, e durante eles, pude ver toda minha vida passar, lentamente, diante de meus olhos. Parece que aquele era o fim. A velocidade da minha corrida desenfreada se reduziu, até o ponto de eu estar agora cambaleando para me manter de pé. Parece que já não tinha escolha, era a morte que me esperava. 

  Bati contra uma parede, mas já estava sem forças para me manter de pé, e com isso, caí de costas no chão. Ali, pensei que poderia ter paz nos meus últimos momentos. Engano meu: Comecei a sentir falta de ar. A início parecia algo bobo, como quando alguém corre demais e para do nada. Mas aquela falta de ar não parava. E, pelo contrário, parecia estar aumentando. Aumentando cada vez mais. A visão, antes turva em pouco, agora misturava as cores do teto. E por mais que eu me esforçasse, eu não conseguia mais respirar, o ar não entrava nem saía, estava travado. Tentei, sem resultado algum, me levantar mexendo meus braços e pernas freneticamente. Mas nada. E finalmente, a dor passou, e tudo que pude sentir foi o Frio abraço da Morte.

 
  Então, o que acharam? Não foi um triste fim? Coitada da Barata. Quem mandou ela andar pelo banheiro feito uma retardada. A morte fez seu trabalho.
Leia até o fim...

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