sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Moeda

ㅤㅤ I

ㅤㅤ - Thomas? Thomas? Pode me ouvir, Thomas? - A voz desesperada vinha destorcida e longínqua. - Thomas, caso esteja escutando a minha voz, tente pressionar minha mão. Você a sente, não?
ㅤㅤ Pseudoconsciente e perdido, decidiu seguir os pedidos da voz. Mandou o comando, não soube se chegou ao seu braço, nem ao menos sabia se tinha braço. Não podia sentir muita coisa além do mundo rodando a sua volta, no escuro. Ouviu novamente a voz, mas agora, parecia mais distante, incompreensível. E, como se – com passadas rápidas e desesperadas – se afastasse, Thomas não pôde mais sentir seu interlocutor. O inconsciente o abraçou e ele decidiu que estava cansado e era hora de relaxar. Até quando? Para sempre? Ninguém sabia, nem mesmo Ele. Cara ou coroa?

ㅤㅤ II

ㅤㅤ Piscou, a cena mudou bem na sua frente, e agora o jovem Thomas não se lembrava de nada. Estava sentado numa velha cadeira de madeira, uma lâmpada fraca e falha ficava oscilando acima dele, iluminando apenas um círculo mínimo de luz em volta de si. Não tinha a mínima idéia do porquê de estar ali; mas também pudera, encontrava-se num paradoxo mental gigantesco: Seu passado parecia ter ido por ralo abaixo, só sabia seu nome e quiça sua idade; o local onde estava, que parecia um infinito de escuridão com o centro luminoso onde se postava, também lhe era completamente imemorável. Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que devia estar ali. Sabia que era para estar ali e que aquilo era sua vontade.
ㅤㅤ Todavia, qual era a sua vontade? O que diabos um garoto de quinze anos poderia ter de força de vontade para lhe mover até ali, sem memórias ou idéia do que fazia? Conforme sua mente ia adaptando-se ao local onde estava, o raciocínio voltara e Thomas começou a tentar deduzir alguma coisa. Mas nada ajudou. Estava nu; de roupas, de passado, de pensamentos lógicos. A cadeira dura e chata começou a incomodar-lhe a posição, ótimo motivo para levantar e explorar aquele lugar surreal. Apoiou suas mãos nas laterais de seu encosto e levantou-se.
ㅤㅤ - Você veio! - A voz tão súbita fez Thomas jogar-se com tudo na cadeira, caindo para trás junto dela. Tinha sido um som alegre, uma exclamativa animada e feliz, alguém o esperava ali. O jovem levantou-se, hesitante e desnorteado pela surpreendente nova presença.
ㅤㅤ - Quem está aí? - Disse, a voz falha.
ㅤㅤ - Ora, não se lembra de mim? - E antes que o garoto pudesse responder, a voz complementou. - É claro que não se lembra! É impossível para alguém de Lá, lembrar-se de algo quando vem para Cá. Guarde suas dúvidas, Thomas, não quero ficar respondendo questionamentos por tempo demais. Não que tenhamos um limite de tempo para falarmos, Cá o tempo não existe!
ㅤㅤ Seja lá quem fosse a pessoa detentora da voz, ela parecia emanar por todo o local. Não como caixas de som artificialmente transmissoras; era pura! Dizia e parecia ser onipresente a cada palavra nova que esbanjava para o menino!
ㅤㅤ - Mas eu...
ㅤㅤ - Certo! Certo! Tudo bem, responderei apenas três perguntas suas!
ㅤㅤ - Sério?
ㅤㅤ - Duas!
ㅤㅤ - Mas eu..
ㅤㅤ - Certo! Certo! Tudo bem, responderei apenas três perguntas suas!
ㅤㅤ - Hã?
ㅤㅤ - Duas!
ㅤㅤ - Você está me...
ㅤㅤ - Faça suas perguntas, Thomas! - A voz disse em tom terminal, quebrando com a tranquilidade e vivacidade com a qual falava até o momento. - Não quer me ver nervoso, sabe como é quando estou nervoso.

ㅤㅤ Arrepios subiram a coluna do garoto, que instintivamente encolheu-se com os ombros para frente, em posição quase fetal. Pôs os pés sobre a cadeira de madeira e abraçou os joelhos com os braços finos e alongados. Algo naquela voz lhe parecia familiar, familiar e extremamente bipolar; quem sabe não conhecesse sua detentora, no fim das contas. Olhou em volta, na tentativa de achar o interlocutor para o qual direcionar suas milhares de dúvidas, sem sucesso. Vacilou na primeira tentativa, mas na segunda, a voz saiu firme e alta.
ㅤㅤ - Onde estou?
ㅤㅤ - está! - Disse, voltando ao tom normal.
ㅤㅤ - Mas onde é ?
ㅤㅤ - Ora, é !
ㅤㅤ - Você não está colaborando!
ㅤㅤ - E você só tem uma última pergunta!
ㅤㅤ - Mas eu...
ㅤㅤ - Só uma pergunta, Thomas! Vamos! Vamos! Esta conversa está ficando chata!
ㅤㅤ - Certo, então, minha última pergunta. - Thomas virou o olhar para o lado, instintivamente. - Quem é você?
ㅤㅤ - Eu sou Eu! - E antes que o menino pudesse novamente contestar as resposta da voz amigável, ela completou. - Então, como está se sentindo agora, Thomas?
ㅤㅤ - Estou... Perdido. Não sei de nada, nem mesmo lembro onde moro e quem são meus pais!
ㅤㅤ Thomas ouviu um aparente suspiro.
ㅤㅤ - Hah, menino! E eu que pensava que sua resposta seria ao menos um pouco mais peculiar. Acho, realmente, que falho sempre que tento me comunicar com vocês, vocês de . - A voz pausou, como se procurasse palavras. - Será que não tem um mínimo senso de criatividade!? Ora, tantos que já sentaram nesta sua cadeira de madeira, e nenhum veio com uma novidade. O cérebro humano tem inimagináveis capacidades, atinge o ecstasy facilmente e níveis de hormônios pipocam e afloram; e, mesmo assim, quando se vêem num ponto enigmático e misterioso, tudo o que fazem é se recolher ao medo detestável!

ㅤㅤ A voz se calou, como se parecesse querer ouvir uma resposta de Thomas. Mas o menino estava ocupado demais tentando tragar algo à tona. Qualquer coisa que pudesse lhe dizer como chegara ali, qualquer correlação dEle com o resto da sua vida perdida no passado. Sim, já tivera conversas com aquele sujeito, a nostálgica sensação de Dejàvú inundou sua mente e imagens começaram a se formar, aos poucos, tímidas e singelas.
ㅤㅤ - Se atém ao passado e ignora a minha voz. - A nova fala dEle o tirou do transe temporal no qual quase entrou; agora melódico, triste. - É realmente preciso do passado para se prender a uma existência, Thomas? Não, logo você, que tanto disse para mim como queria deixar tudo para trás.
ㅤㅤ - Eu disse?
ㅤㅤ - Disse! - Gritou Ele, num início de choro. - Foi assim que falou comigo pela primeira vez, jovem, numa súplica para que o mundo real se desfizesse! Para que o surreal tomasse conta de você e para que sua vida fosse mais do que aquele básico.
ㅤㅤ - Eu... - Imagens vinham a mente. Fracas, vacilantes. - Eu não me lembro de nossas conversas.
ㅤㅤ - Você não lembra, você queria esquecer tudo! E agora... Agora que você... - E a rouquidão da voz, quase imperceptível, subiu a um extremo dela tornar-se um bestial rugido. - ...Quer tudo de volta!? Joga toda sua ideologia fora como lixo!? Hah, Thomas, eu deveria agarrá-lo pelos braços e puxá-lo até que se dividisse em dois! Deveria espremer sua cabeça para que seus olhos e seus dentes saltassem fora! Deveria ir e vir na ausência do tempo, causando as mais diversas torturas para seu material casulo!
ㅤㅤ Quentura, sentiu a sua pele esquentar-se na parte das pernas. Urinara-se de medo, o jovem e rebelde Thomas. A voz tão multifacetada lhe causava cada vez mais imagens indo e vindo, podia finalmente localizar-se no passado. Sabia de faces e nomes, mas nada lhe agradava. Nada lhe era tão bom quanto queria. Sim! Ele queria por mais, queria por algo diferente de tudo e todos. Foi aí que...
ㅤㅤ - Foi aí que você me conheceu, Thomas. - Ele dissera, como se a mente do garoto fosse um livro aberto para sua consulta. Agora, tinha um tom calmo e leve. - Foram horas de ótimas conversas sobre um mundo novo, um mundo onde os tabus de sua existência fossem quebrados e as leis do universo fossem inversas ou nulas. Hah, Thomas! Como eu gostava do tempo que gastamos juntos! Houve época que sua voz era tão encantadora aos meus sentidos que eu mal esperava pelo seu chamado, que te visitava, que ia até , vê-lo em sonho. Vinha lhe dar meu amado “olá” ao qual tão bem você me respondia. E, aos poucos, meu jovem garoto, fui pensando que você poderia ser diferente. Que, quando finalmente viesse à este mundo, achasse a companhia ideal para mim.
ㅤㅤ - ... - O garoto manteve-se calado.
ㅤㅤ - Mas vejo que estou enganado, Thomas, não estou? Parece-me que novamente as ações humanas foram simples gestos hipócritas e manipuladores, persuasivos e cruéis, malévolos e vazios! - O tom melódico. - Vejo, na minha frente, neste vínculo, agora, apenas alguém que mija nas calças frente a presença de alguém a quem, antes, sentia excitação e ereção! Vamos, diga, Thomas! Diga com todas as palavras o quanto sua covardia me posta como idiota!
ㅤㅤ - Eu...

ㅤㅤ De repente, Thomas sentiu-se sozinho na escuridão. Como se a presença do ser que falava consigo simplesmente desaparecesse. E ele pôde sentir como a falta dela era terrível, o coração murchou num mundo onde agora mais nada existia. De repente, os pais que tanto lhe enchiam de cuidados miseráveis pareceram caridosos. De repente, as notas na escola pareceram castigo infantil frente àquilo. De repente, teve vontade de voltar à sua realidade. De deixar para trás aquele seu último ato de bruxaria, no qual ateou fogo no seu próprio corpo; convencido pela melódica voz dEle – sua primeira e única invocação sobrenatural.
ㅤㅤ O escuro da sala mudou de súbito, chamas saltaram de todos os cantos e o chão de concreto tornou-se rochoso e brasil, a iluminação fosca foi trocada por um céu escuro-vermelho que saltava em trovões malévolos e risadas rústicas. Vulcões ao longe faziam saltar lava e fumaça negra para todos os lados, e Thomas acuou-se ao nada, caindo nu sobre a rocha. As nuvens vivas começaram a tomar forma no céu, até uma arrebatadora e cruel face cortada surgir primitivamente acima de sua cabeça.
ㅤㅤ - Sua voz me dá nojo! THOMAS! - Gritou como trovão, Ele. - Pois saiba que agora, tudo o que me guardo a ti é raiva! Raiva e rancor! Explodo em terror e medo na sua mente, deixo que seu corpo sinta suas penas devidas! - Conforme falava, Thomas começou a sentir a queimação invadir seu corpo. De leve início, uma formicação, até elevar-se à dor insuportável de queimar, de queimar em carne e espírito. Sentia agora como seu ritual lhe fora cruel e tenso. Como sua vida começava a vacilar entre seus dedos abertos e fracos. Gritava e chorava, ao som dos gritos dEle. - Clame! Clame pela sua miserável vida, Thomas! Mostre-me o quão insuportável é!
ㅤㅤ E, como se os gritos de dor aguda finalmente pudessem se canalizar, Thomas começou a gritar pela sua vida. Chorava e deixava as cordas vocais vibrarem ao máximo pelos seus pais, pela sua antiga vida. Os sentimentos contidos e rejeitados começaram a lhe parecer tão amáveis, que agora, tudo o que queria era voltar no tempo e poder novamente sentir seus entes queridos. Todos que queriam seu bem e ele achava que era pura paparicação. Queria-os, queria-os muito.

ㅤㅤ III

ㅤㅤ - É isso, então. - Disse Ele.
ㅤㅤ Thomas caiu da cadeira novamente, em susto e arfante. Seu corpo estava suado e ele completamente perdido, um segundo antes, estava queimando em brasas internas. Brasas apenas suas. E agora, voltava ao cenário inicial. Caído, sob o pequeno círculo de luz da lâmpada que oscilava. Olhou em volta, podia sentir sua presença ali, na espreita.
ㅤㅤ - Quer voltar para , certo?
ㅤㅤ - Sim. - Disse, de pronto.
ㅤㅤ - Certo, mas eu tenho uma muito má notícia a ti.
ㅤㅤ E passos foram ouvidos, passos vindos de uma só direção. Thomas ajeitou-se e ficou sentado no chão, a respiração finalmente se regulando. Logo, uma figura entrou no local, vestido de Menestrel, o homem de pele branca pura com véu de noiva estava metido em cores vivas. O chapéu de Bufão era grande o suficiente para caber cinco de sua cabeça, mas estava muito bem apertada na testa com um fio de tecido. O mais impressionante, porém, era sua face lisa. Face sem face. O homem não tinha expressões porque seu rosto não tinha boca, nem olhos, nem nariz, nem orelhas. Ele ajoelhou-se em frente a Thomas e pareceu ficar observando-o por bons segundos.
ㅤㅤ - Sabe, uma vez que se vem até , Thomas, é duro voltar. É duro que sua vida prossiga. Sabe qual a chance? - O garoto respondeu balançando a cabeça negativamente. - A chance é uma cara!
ㅤㅤ Disse Ele, apontando para a sua própria, que emanava sons por todo o lugar. Ficou parado por alguns instantes, até finalmente cair na risada, sentando-se no chão, junto do menino. Agora, Ele parecia mais jovem, tinha a quase a mesma estatura e porte físico de Thomas; se não fosse pelas roupas extravagantes e pela face paradoxal, talvez pudessem ser amigos, transeuntes de um shopping na sexta à noite.
ㅤㅤ - Desculpe, não aguentei a piada, Thomas. A cara que eu digo, é esta. - E, num movimento de mão rápido. Surgiu ali uma moeda grande e oval, Ele a girou entre os dedos, mostrando que um lado carregava uma face sem face, e a outra mostrava uma incógnita “?”. - Isto define se você, , vive ou deixa de viver. Cara ou coroa. Mesmo assim, quer tentar? Pode ficar aqui, comigo.
ㅤㅤ - ... - Thomas pareceu pensar na decisão. - Quero tentar.
ㅤㅤ Ele, caso tivesse uma face, provavelmente sorriria para Thomas. Não era necessário mais palavras, ambos já sabiam que aquele era o último adeus depois de horas de rituais de invocação e conversas, frutos de uma bruxaria baseada em espíritos e sentimentos reclusos. Ele jogou a moeda ao ar, ela girou loucamente. E, quando foi atingir o chão, tudo ficou escuro.


ㅤㅤ - Thomas? Thomas? Pode me ouvir, Thomas? - A voz desesperada vinha destorcida e longínqua. - Thomas, caso esteja escutando a minha voz, tente pressionar minha mão. Você a sente, não?
ㅤㅤ Pseudoconsciente e perdido, decidiu seguir os pedidos da voz. Mandou o comando, não soube se chegou ao seu braço, nem ao menos sabia se tinha braço. Não podia sentir muita coisa além do mundo rodando a sua volta, no escuro. Ouviu novamente a voz, mas agora, parecia mais distante, incompreensível. E, como se – com passadas rápidas e desesperadas – se afastasse, Thomas não pôde mais sentir seu interlocutor. O inconsciente o abraçou e ele decidiu que estava cansado e era hora de relaxar. Até quando? Para sempre? Ninguém sabia, nem mesmo Ele. Cara ou coroa?
Leia até o fim...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vozes

Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – Há 4 Dias do ENEM

junirz diz: aff.. to mto com medo dessa prova cara
Jackz_s2 diz: nem me faaaale,esse enem nao serve pra nda!!!
junirz diz: é... e ainda cai bem no dia do jogo do chelsea cara!! quase que não vou fazer essa prova, ma sorte q meus pais tao me obrigando
GostosoCAM diz: oi, alguma gata afim de tc?
Nickole diz: Qual é gente vcs vão escolher um jogo ao futuro de vcs?
Jackz_s2 diz: nao ééh isso amiga, so q esse enem eh uma porcaria
Nickole diz: Mas vc vai ter que fazr, não vai? Olha, eu quero mto entrar pra medicina, e n tem jeito senão fazer a prova msm gente!!
junirz diz: pra mim tanto faz vo pegar qulquer curso msm
Jackz_s2: ainn... tbm quero medicina, sera q tá dificl?
Nickole diz: Olha, já faço cursinho faz 2 anos, acho que dessa vez dá pra eu passar.
GostosoCAM diz: oi, alguma gata afim de tc??
GostosoCAM diz: oi alguma gata afim de tc????
GostosoCAM diz: oi nickole td bem?
Nickole diz: Tá na sala errada cara.
Voz do Futuro diz: Esse ENEM vai dar problema, e vocês vão acabar fazendo ele para nada.
Nickole diz: Do jeito que tá é bem possível
Jackz_s2 diz: o vz do futuro para com esse ar negativo, aiiin, to nervosa gnt!!!
junirz diz: opa! vai passar CQC, vo la ve gnt, flw!


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – Há 1 Dia do ENEM

Jackz_s2 diz: nossa gent axo q nao vo passar. chorei mt hoje por causa da nota de redação q me deram, fui mto mal!! to nervosa gnt que eu faço?????/??
Nickole diz: Fica tranquila amiga, agora já não dá pra fazer mais muita coisa. So vai lá e faz aquilo que você pode, só se esforça ao máximo, tá?
GostosoCAM diz: oi jackz quer tc no reservado?
Nickole diz: Qual a sua cara? Para de achar que vai conseguir algo aqui!
Nickole diz: Tanta gente ignorante, por isso que a gente tá fazendo o ENEM!!
Voz do Futuro diz: De nada adiantará o ENEM.
Jackz_s2 diz: para de fala essas coisa cara, vc fika com esse negocio de voz do futuro mas n sabe nda de nda! só fica aqui pra tirar com a gente
Nickole diz: Verdade, voz. Larga disso que eu acho que vc podia fazer coisa melhor.
Voz do Futuro diz: E, se por um acaso, o ENEM falhar? O que vão fazer?
Nickole diz: Obvio né? Só a gente ir reclamar nossos direitos, ninguém pode fazer estudante de palhaço desse jeito. (se bem que o enem já é uma piada)
Jackz_s2 diz: verdade qualqr coisa só a gnt protesta!!!
junirz diz: opsss, tava jogando lineage galera, foi mal não aparecer aqui hj.
GostosoCAM diz: oi Julia quer tc??
junirz diz: julia? Cara vc deve ta mto na seca pra confundir meu nome assim.
junirz diz: bom gente vou voltar a jogar, boa sorte pra vcs amanha. vo jogar até as 4 madruga ai depois vo lá, té mais gnt.
Nickole diz: Eu já vou dormir, boa prova pra vocês, gente. E calma Jack, so relaxa pra amanha.
Jackz_s2 diz: brigada amiga.


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – Horas Após o ENEM

Jackz_s2 diz: aiiin geeeeeeeeeeeeeeeeeeent, fui mto mal! Desesperei no meio da prova e comecei a chorar! n acredito q vo ter q ficar mais 1 ano pra passar!!!
Nickole diz: Hm, eu acho que fui bem!! corrigi minha prova com o gabarito e fiz umas 168 questões de 180! Fora isso o tema da redação estava tranquilo!
Nickole diz: Não fica assim Jack, importante é que você se esforçou pra fazer a prova!
junirz diz: po minha prova veio mto estranha. tinha umas questões repetidas e outras puladas...
REVOLTADORJ diz: ENEM TA FAZENDO A GENTE DE PALHAÇO GALERA!!!!!
REVOLTADORJ diz: UM MONTE DE GENTE VEIO COM GABARITO COM PROBLEMA!!
REVOLTADORJ diz: TAO FALANDO QUE VAI ANULAR E FZER DE NOVO!
REVOLTADORJ diz: VAMO GENTE! TD MUNDO PRECISA RECLAMAR!
Nickole diz: Nossa, será que vão mesmo anular a prova? Mas eu fui tão bem... ai, não. Tinha que ser esse enem mesmo! Ai, comecei a tremer aqui....
junirz diz: hehe entao minha prova não foi a unica
Jackz_s2 diz: aff além de nao prestar esse enem ainda fica dando problema!!! não presta msm! Temo que fazer algo gente!
Nickole diz: Ai! Tõ quase chorando aqui, não pode dar problema gente! Estudei muito, e fiz bem a prova, e se anular todo esse esforço. Já estou faz 3 anos tentando entrar pra medicina e logo agora.... Ai, que droga de enem!
junirz diz: nossa gente pra q tanto? bom, se vcs vao fazer algo eu ajudo.
GostosoCAM diz: oi nickole, ocupada?
Nickole diz: Porque nunca baniram esse cara daqui? Aff, que raiva.
Voz do Futuro diz: ....


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 2 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: v
junirz diz: ops falhou o cntrl v, hehehe
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
GostosoCAM diz: oi jack, td bom?


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 3 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: v
junirz diz: ops falhou o cntrl v, hehehe
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
GostosoCAM diz: oi julia, td bom?


Folha Brasil: Estudantes protestam contra o ENEM

Através da internet, cerca de mais de 35 mil estudantes do país inteiro se revoltam contra o ENEM. O ministro da educação, Fernando Haddad, pediu desculpas a todos que realizaram as provas no Brasil inteiro e diz que está tentando um acordo com a 7° Vara de Justição do CE, que foi responsável pela liminar que suspende o Exame Nacional do Ensino Médio. Segundo o ministro, a proposta inicial é realizar uma nova prova apenas para aqueles que levantaram queixas e foram realmente prejudicados. “Não há necessidade de anular o ENEM e refazê-lo para todos” disse Haddad durante uma coletiva. Resta, agora, aos alunos, que continuem esperando pelas decisões; muito embora as ondas de protesto – centradas principalmente nos sites de relacionamento – estejam fazendo um grande papel de pressão ao MEC e ao INEP – instituto organizador da prova.


Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 4 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
GostosoCAM diz: oi Nickole, quer tc??
junirz diz: cara vcs não cansa?

Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM – 8 Dias Após o ENEM

REVOLTADORJ diz: eae galera
Jackz_s2 diz: oi revoltado!!! tava sumido heim!!
REVOLTADORJ diz: é, viajei com uns amigos esse fim de semana, mto legal praia, sol, rsrs
Jackz_s2 diz: sei, eu sai cm umas amiga ontm tbm pra flar a verdade kkkkkk
Nickole diz: Oi gente...
GostosoCAM diz: oi nick, vm brinca hj?
Nickole diz: Oi lindão. Vamo sim...
Chat Welcome diz: GostosoCAM e Nickole foram para a sala Privada.
junirz diz: afffffffffffffff vao fazer otro enem!!!!
junirz diz: e bem no dia que ia ter evento com uns item novo no lineage AFFFF
junirz diz: se nesse pais msm... vmo protesta gnt!!!
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!
junirz diz: aff gent kd vcs?
Chat Welcome diz: Jackz_s2 e REVOLTADORJ foram para a sala Privada.
junirz diz: AFFFFFFFF falow pra vcs!!!!
Voz do Futuro diz: ....
Voz do Passado diz: Quem dera eu fosse você, Futuro.
Voz do Futuro diz: Pois é.
Leia até o fim...

domingo, 17 de outubro de 2010

Vivazes Virtuais


E, por mais que sejam as supérfluas separações,
Sentimentos mais longe chegam; conquistadoras, conquistadas.
Quadrado cheio de tudo, sem vilões.
De você me deu ciência; espírito livre, sem amarras.

E, por que, “que nada te abale”, Alma independente?
Se tanto em tão poucos girares temporais, atado estou a me sentir.
Até onde podes voar? Corrente não será suficiente.
Sobre seus pés, seguindo em frente, “e que por nada você irá cair”.

E, de digitadas palavras, surgiu o fino fio
Que esbelta e cintilante, laços fraternos, súbitos vivazes, se formaram.
Coexistem, sim, saudades de um abraço macio,
Mas que há de se reclamar; quando almas certamente se tocaram?
Leia até o fim...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Referências Literárias: André Mansim

Estreando este novo tipo de postagem do blog, chamado Referências Literárias, eu resolvi, ao menos uma vez ao mês, entrevistar algum amigo ou conhecido meu que admiro por sua interação com algum tipo de arte. E, nada melhor para começar o quadro, que o grande amigo André Mansim. Cartunista e Cronista, já famoso entre os ciclos de blogs da internet.

Fala Mansim! Para o começo da entrevista, faça-nos uma breve apresentação de você.
Olá amigo Tadashi.


O que eu tenho pra falar sobre mim? Bom, eu sou casado com a Andréia, minha linda esposa, tenho a Fridona e a Chambinha, uma cachorra e uma gata, hahaha. Trabalho em uma loja a 23 anos!! Sou professor de história também, mas atualmente não estou lecionando. Gosto muito de música e de escrever baboseiras. Hahahaha, minha cabeça é um poço de baboseiras, hahaha. E gosto muito de desenhar também.

Como e quando você começou a escrever e desenhar? E a idéia do blog, qual foi o pontapé inicial disso tudo?

Eu desenho desde criancinha, esses dias minha mãe pegou um livro de receitas que ela tem desde antes de eu nascer e me mostrou o que ela julga ser meu primeiro desenho. Hahahaha era um capitão América, hahaha, bem feinho coitado!!!
De escrever eu acho que meu principal incentivador foi um professor que eu tive. Ele disse que eu tinha idéias incríveis mas que não sabia colocar no papel. Então de teimosia eu comecei a escrever sem parar. Hahahahaha.
Quanto ao blog, eu fiz pra tirar uma onda e acabou que muita gente gostou e acabou me incentivando. Tem muita gente que gosta de coisas ruins mesmo, hahahahahaha.

Analisando seus vários escritos, Mansim, eu sempre noto a clara preferência pela crônica caprichada em ironia e humor. Quais suas influências literárias? Quem foi ou foram as pessoas que moldaram seu talento para a alcunha de Cartunista e Cronista?

Sabe, eu sempre gostei muito de ler. Já lí uma biblioteca inteira, hahaha, mas o jeito irônico eu acho que me inspirei no Mário Prata e no Marcos Rey que eram gênios nesse tipo de escrita. Gosto muito também do jeito do Eduardo Bueno de escrever coisas sérias de um jeito leve. Mas essa minha tática de escrever sempre a partir de alguma coisa que aconteceu comigo e que eu mesclo com umas coisas inventadas, é uma coisa que eu mesmo pensei e acho que deve ser original. Mas como dizem: Nada se cria, tudo se copia!
Quanto aos desenhos eu tenho vários mestres que não me conhecem: Laerte Coutinho, Angeli, Glauco Vilas Boas, Henfil, Will Eisner, Gil Kane e atualmente o mais importante e melhor cartunista/desenhista do Brasil, Spacca! Quem ainda não leu D.João Carioca, Jubiabá, Santô e os pais da aviação, tem que procurar pra ler! São obras primas!
E um mestre amigo e companheiro que me ensinou e incentivou muito num jornal aqui de Barretos é o Wilson Cassi. Esse é o cara!

Você teria um top 10 de Livros e Filmes que gosta? Mostra pra gente!

Livros:
D. João Carioca, escrito por Lilia Moritz Schwarcks desenhado por Spacca.
A trilogia escrita por Marcos Lozekan chamada “Uma entrevista com Deus”.
Jubiabá, adaptada em quadrinhos pelo Spacca.
Não faça tempestade em copos d’agua, Richard Carlson
Chatô o rei do Brasil, de Fernando Morais.
Noticias do planalto, de Mario Sérgio Conti
A viagem do descobrimento, de Eduardo Bueno.
O enterro da cafetina, de Marcos Rey.
Os 3 mosqueteiros, de Alexandre Dumas. (O melhor da minha infância).
100 crônicas de Mario Prata, do mesmo.

Filmes:
Uma lição de amor.
Teoria da conspiração.
Inimigo do Estado.
De volta para o futuro 1,2,e 3.
O suspeito da rua Arlington.
O livro de Eli.
Todos os 3 da trilogia Bourne.
Mentiras de um cara de pau.
Quatrilho.
Os irmãos cara de pau, 1 e 2.

E tem mais filmes pra fazer o top 500, mas só esses já tá bom!



Sempre muito bem ligado com tudo a sua volta, Mansim, seus escritos demonstram que você, além de crítico, é um formador de opinião – visto os vários visitantes que acessam seu blog todos os dias. Cada escrito seu pode alterar a forma de pensar de alguém sobre alguma coisa, como você lida com esta responsabilidade?

Em tudo o que escrevo eu procuro não dizer a verdade absoluta, até porque ela não existe. Eu sempre deixo uma margem para a pessoa tirar sua própria opnião, deve ser por isso que as pessoas gostam, (ou pelo menos falam que gostam, hahahaha). Mas se alguém for influenciado pelo que escrevo eu não vou achar ruim, afinal, o que escrevo é o que acredito como sendo correto!

Ainda na esfera virtual; o quanto o início do blog e sua interação com os blogueiros fez você crescer? Grandes amizades já surgiram por aqui? Conte-nos de sua socialização com internautas!

Parece incrível, mas tem muita gente que hoje é meu grande amigo que fiz via Orkut e blog, e acho isso muito legal!

Já pensou em explorar novos ramos literários, Mansim? Contos, Poemas, Novelas, Romances; lhe interessa tentar algum deles algum dia? Ou, indo mais longe; música, teatro, cinema?

Acho que ainda vou escrever um livro, tenho muitas idéias, até demais, hahahaha, mas falta coragem para começar a escrever.

Qual foi, considerando os seus escritos e cartuns, o retorno mais gratificante que já recebeu pelo seu esforço? E, já pensou em desistir disso tudo? De largar mão dos escritos e desenhos? Porque?

No começo eu desenhava e escrevia num jornal aqui de Barretos, o dono me prometeu até salário por isso, mas nunca pagou nada, hahaha. Mas foi bom porque amadureci muito com isso. Hoje escrevo e desenho em outros dois jornais aqui da cidade, hahahaha, ainda não ganho nada, hahaha, mas as pessoas pelo menos comentam e elogiam. O que já é bom.
No blog o que mais me dá prazer é ver amigos comentando e seguindo sempre. Isso já dá prazer e vontade de continuar.
Já pensei em parar, mas foi por uns 3 segundos, depois passou...

Esta é uma pergunta que um amigo de uma comunidade de contos sempre faz para os entrevistados dele, e, eu acho que é uma boa pedida para você também, Mansim: Diga-nos cinco coisas que não sabemos sobre você.

Sou cristão da Igreja Presbiteriana, sou sãopaulino doente, jogo bola mal pra caramba (mas jogo toda semana), não tenho carta de carro (que vergonha), hahahahahaha, Gosto de punk rock, e blues!

Bom, encerrando a entrevista, tem algumas palavras finais? Muito obrigado pelo tempo gasto com este grande apreciador do seu trabalho, e desejo-lhe todo o sucesso e retribuição que se pode ter com seus escritos, Mansim. Afinal, você merece! Valeu e abração!


Obrigado amigo, você é um grande cara por quem tenho muito carinho e é um grande incentivador. Alí em cima quando falei das relações de amizade virtuais, com certeza vc é uma das melhores! Obrigado e se lembre que estou esperando seu livro!

Eu que agradeço pelo seu tempo, André! E, é isso, meus poucos e caros leitores! Vou deixar, aqui para finalizar a postagem, o link para o blog do grande Mansim. E, a gente se vê na próxima postagem. Provavelmente um conto.

Link para o blog do Mansim:
http://amansim.blogspot.com/
Leia até o fim...

domingo, 3 de outubro de 2010

O Golem e a Intangível



ㅤㅤ I
ㅤㅤ
ㅤㅤ Novamente, apareceu. O deserto no qual eu vivia por uma eternidade – ou, pelo menos, nunca me lembro de ter saído daquele lugar – parecia ganhar mais brilho quando ela surgia. Tinha cachos dourados e uma pele alva, brilhante; envolta numa manta branca que a fazia ficar ainda mais divina. Aproximou-se de mim com passos ensaiados, brincalhões; e tocou de leve no meu ombro.
ㅤㅤ - Você parece estar mais vivo dessa vez. - Ela disse.
ㅤㅤ - Não acontece muito. - Retruquei. - Talvez só quando você resolve me visitar.
ㅤㅤ Ângela riu do meu comentário e virou-se de costas, afastando-se dois passos antes de se virar novamente para fitar a minha face com seus olhos azuis e uma feição um pouco mais séria.
ㅤㅤ - Desculpe não por não vir até você tanto quanto antes. É que eu tenho tido muitas coisas para fazer, sabe? Mas agora, eu acho que posso me dedicar um pouquinho mais a você – o meu melhor amigo. Dessa vez, Hiroshi, eu vim para te levar comigo.
ㅤㅤ - Me levar... com você?
ㅤㅤ A dúvida recheou meu ser, afinal, minhas lembranças – falhas e miúdas – nunca me mostraram nada além daquele universo de areia no qual eu vivia, solitário quase sempre, só sendo visitado por aquela existência cheia de vigor. Desviei o olhar para encarar o céu escuro e sem estrelas que jamais tinha mudado.
ㅤㅤ - Realmente há algum lugar diferente deste aqui? - Complementei.
ㅤㅤ A garota angelical deixou sua face envolver-se num antro de preocupação, e acabou que novamente se aproximou de mim, aquecendo-me num abraço quente e acolhedor. Demorei para retribuir àquele ato de carinho e caridade que ela demonstrava, não sabia se algum dia já tinha sido abraçado por alguém. Acabou que, depois de alguns poucos segundos, meus braços se moveram e eu também deixei meus braços repousarem sobre sua pele macia. Mantemo-nos naquela posição por tempo incontável, para mim quase uma nova eternidade que eu gostaria que perdurasse ao infinito, até que afastou seu corpo do meu, o suficiente para que pudesse penetrar seu olhar dentro de minha alma, através de minhas orbes negras e desgastadas. Acariciou minha face e sorriu.
ㅤㅤ - Há, meu querido, há um lugar muito melhor. Um lugar que é – e sempre foi – seu por direito, e é hora de reconquistá-lo. É hora de buscar sua vida de verdade, de enfrentar seus medos e fronteiras. Você me deixa levá-lo embora deste mundo sem vida?
ㅤㅤ Me calei, por alguns segundos, até que finalmente senti confiança naqueles dois mares azuis que tinha em suas orbes. Dois mares que sempre me convenceram que eu era especial à ela, com feições ternas e amorosas. Ousei, toquei os lábios da moça de pele alva com os meus rachados e secos. Não houve resposta de início, até que finalmente ela se entregou ao amor e beijou-me de volta. Quando afastei minha face da dela, duas lágrimas escorriam pelas suas bochechas pouco rosadas. Ângela, a única que viera até mim e conquistara meu coração, estava mais feliz do que nunca estivera.
ㅤㅤ - Hiroshi, vamos? Vamos embora daqui?
ㅤㅤ Eu assenti com a cabeça, levemente.
ㅤㅤ - Vou, com você, para onde for necessário.

ㅤㅤ
ㅤㅤ II
ㅤㅤ
ㅤㅤ Centro Revolucionário do Novo Brasil. 13 de Março de 2045, 23h30min.
ㅤㅤ
ㅤㅤ As vozes inundaram seus ouvidos, tirando Messias do sono leve. O homem levantou-se do amontoado de colchonetes que eram sua cama e olhou para o relógio de pulso, já era a tão esperada hora. Zanzou pelo pequeno cômodo improvisado na rocha, colocando uma camiseta regata. Se pudesse e a ocasião fosse mais informal, teria ido sem a parte de cima de suas roupas; vez que o calor de cinquenta e oito graus que fazia ali – cem metros abaixo da superfície – era quase insuportável. Sua cabeça latejava a cada vez que um grito sobrenatural soava em seus ouvidos, tornando difícil a simples caminhada que ele precisava fazer pelo pequeno corredor escavado na pedra. A euforia sonora, que só ele e mais alguns poucos no mundo podiam ouvir, indicavam o quanto Eles estavam agitados e inquietos.
ㅤㅤ Não era para menos, aquele era o dia do contra-ataque.
ㅤㅤ Encontrou poucas pessoas nas teias de túneis da Resistência, a maioria dos soldados estavam prontos para saltar de volta à superfície para reclamar seus direitos. Poucos meses antes, ninguém mais tinha esperança de um dia reconquistar o planeta perdido, mas fora então que os escolhidos foram surgindo em volta do globo, e a precária comunicação entre os rebeldes de todos os continentes começou a se unir para uma retomada. O último ser deixado dentro da caixa de Pandora, a Esperança, começava a se reavivar dentro do coração de cada um dos seres humanos que não foram dominados. Os passos de Messias se apressaram conforme se aproximava da sala de meditação, acenou para alguns poucos homens que ficaram no CR do Novo Brasil para a proteção dos Escolhidos e das – poucas – crianças.
ㅤㅤ Virou à esquerda numa bifurcação dos túneis mal-iluminados e logo encontrou uma pequena porta de aço, vigiada por dois soldados que se espremiam na parede com fuzis ainda munidos da antiga pólvora. Messias acenou para eles e aproximou-se da porta, batendo nela pesadamente. Poucos segundos até uma pequena escotilha se abrir e dois olhos fitarem os de Messias com tensão, estavam todos nervosos. A porta se abriu em seguida, dando passagem ao Escolhido, que se viu junto de mais três homens e quatro mulheres.
ㅤㅤ Sentou-se em sua cadeira e deu as mãos para os que sentavam ao seu lado. Agora, Messias já quase não estava no mundo físico. As vozes – diversificadas em gritos, sussurros, pedidos e choro – dominavam-no por completo, assim como dominavam a todos naquela sala. De mãos dadas e almas unidas, eles eram mais fortes, poderiam assim comandar o outro lado da revolução. Messias fechou os olhos e entraram em transe, os oito escolhidos da antiga América estavam unidos e prontos para o confronto, esperando que, no resto do mundo, os outros também estejam em seus lugares.
ㅤㅤ
ㅤㅤ III
ㅤㅤ
ㅤㅤ Trocávamos carícias e aconchegos desde o momento do primeiro beijo. Ângela se entregava a mim assim como eu cedia a cada encanto daquela moça de cachos dourados, como se fossem séculos de paixão contida agora extravasados em poucos minutos. No meio de mais um daqueles beijos longos e românticos, parou, deixando a cabeça pender um pouco para trás. Seus olhos azuis se reviraram nas órbitas, para meu desespero, e Ângela pareceu estar fora daquele corpo.
ㅤㅤ Segundos agonizantes, até que a minha amada voltou a si e seu olhar novamente se direcionou para o meu. Agora, ela estava com uma feição séria e preocupada na face.
ㅤㅤ - O que foi, Ângela?
ㅤㅤ - É chegada a hora de levá-lo para a realidade. - Ela falou. - Siga corajoso como sei que é. Pode se mostrar confuso nos primeiros momentos, mas todos vão precisar de sua ação, de sua liderança; toda ajuda é necessária. Você me promete que enfrentará, sem medo, aquilo que o fez tão mal?
ㅤㅤ Não entendendo tanto do que falava, apenas confirmei com a cabeça.
ㅤㅤ - É por isso que me apaixonei por você, mesmo visitando a tantos outros iludidos em seus mundos surreais. - Ela falou, seguindo um beijo e um abraço mais forte. - Estarei sempre ao seu lado durante o confronto, meu amor. Você, Hiroshi, lutará bravamente; e eu me orgulho por poder ter trazido a luz da verdade para você.
ㅤㅤ Agora, mesmo que tentasse dizer mais alguma coisa, não pude. As dunas do deserto infinito que era meu lar começaram a tremer com força, ao mesmo tempo em que o céu parecia rasgar-se para algo luminoso entrar naquele vácuo de vida. Me senti flutuando junto de minha Ângela, enquanto tudo a nossa volta parecia se destruir. Não, destruir não era a palavra certa, tudo em volta parecia se refazer em pura luz. Num momento em que não posso dizer qual é, senti que eu mesmo estava desaparecendo, me tornando parte daquela mágica situação. Senti meu corpo queimar e em seguida formigar. Estava, sim, desaparecendo, saindo daquele universo chato e solitário. E Ângela estava indo comigo. Fechei os olhos.

ㅤㅤ
ㅤㅤ IV
ㅤㅤ
ㅤㅤ Uma forte queimação invadiu sua nuca. Hiroshi, instintivamente, levou a mão até lá e encontrou algo metálico e quente preso à seu corpo. Segurou com força e arrancou, contendo a dor do desplugue. Caiu no chão um dispositivo eletrônico com faíscas saltando de dentro dele, mais parecia uma aranha mecânica, ainda parecia estar viva! Num ato de puro reflexo, disparou contra o bicho com a arma presa no pulso, um laser púrpuro disparou por comando mental contra o aracnídeo metálico, transformando-o em nada mais que sucata tecnológica. A luz vermelha, encontrada num painel ao centro do corpo minúsculo, apagou.
ㅤㅤ O descendente de japoneses olhou em volta, onde estava? A sala velha parecia estar abandonada fazia décadas. Caminhou até um espelho empoleirado e viu a si mesmo. Estava mais forte, mais musculoso do que se lembrava. Uma armadura que mesclava placas prateadas e negras cobria todo seu corpo, fazendo-o parecer um soldado. Olhou para o pulso, ali, um cano cilíndrico parecia estar acoplado à sua pele, passando por debaixo da armadura; fora aquele aparato que disparou o laser que dizimou a criaturinha no chão. Concentrou seu pensamento no item, e logo a arma modificou-se girando em torno de engrenagens que saltaram de seu pulso, até formar, então, algo semelhante a uma metralhadora giratória. Ouviu o chiado de mecanismos perto ao seu ouvido, fitou o espelho e encontrou sobre o ombro uma outra arma um canhão, talvez. O que ele havia se tornado? Deixou de ligar para seu corpo e concentrou-se na mente, nas lembranças e memórias. E, de súbito, todas elas começaram a invadir seus pensamentos de uma única vez. Ele cambaleou na sala velha e caiu sentado no sofá cheio de mofo.
ㅤㅤ
ㅤㅤ "As naves de formato cônico surgiram ao redor do globo, cobrindo bairros inteiros de cidades e metrópoles famosas de todo o mundo. Nenhum país tomou responsabilidade pelos aeromodelos, e a ONU convocou uma reunião de emergência para decidir o que será feito. Exércitos estão cercando os OVNIs, e o decreto de evacuação foi dado logo na primeira hora na maioria dos países.
ㅤㅤ A única manifestação feita pelas naves foram pequenos cilindros metálicos disparados por toda a cidade. Cientistas, Físicos e outros estudiosos já se reuniram em laboratórios de última tecnologia e estudam os artefatos; por hora, é informado que parece ser uma espécie de dispositivo eletrônico que armazena alguma sorte de itens dentro deles.
ㅤㅤ Mais informações serão dadas a qualquer momento.
ㅤㅤ Aqui é Lídia Carvalho, direto para o Noticiário Plantão.”

ㅤㅤ
ㅤㅤ Hiroshi urrou de dor, a cabeça parecia que ia explodir com tantas informações vindas tão rápido para dentro de sua mente. Pressionou-a com as mãos e fechou os olhos, contendo lágrimas sofridas.
ㅤㅤ
ㅤㅤ - Vamos, Hiro! Rápido!
ㅤㅤ - Calma! Calma, cara! - Hiroshi gritou com o colega de quarto, enquanto via as pessoas correndo pela estrada, deixando os carros e motos para trás no engarrafamento colossal formado na BR. Um grande acampamento do exército se encontrava a cerca de dois quilômetros dali, e podia ser avistado facilmente. Havia uma gigantesca tenda, da onde um estrondo devastador fazia crianças e pessoas com sensibilidade auditiva tamparem os ouvidos. O ministro de defesa fora bem claro: Todos deveriam evacuar para aquelas áreas militares o mais rápido possível. As cidades não eram mais pontos seguros, e os Extraterrestres eram inimigos. Não deviam confiar nas palavras mal traduzidas daqueles seres cinzentos de quatro pares de mãos.
ㅤㅤ - Que calma nada, mano! - Messias insistiu. - Tão falando que o mundo vai ser dominado por esses ETs loucos, os caras que chegaram lá na frente tão espalhando boatos que tem uma escavadeira gigante dentro da tenda e que a gente vai pra debaixo da terra. Não tem tempo pra você ficar com suas frescuragens agora, Hiro!
ㅤㅤ - Mas e se os bichos cinzas estiverem falando a verdade? E se eles vieram pra trazer o desenvolvimento? Eu acho que a gente poderia...
ㅤㅤ - Não, cara! Vamos seguir pra onde todo mundo tá indo!
ㅤㅤ Por pura insistência do amigo Messias, Hiroshi deixou de lado suas idéias malucas e seguiu com ele. Para aonde a esperança ainda tinha lar, para os braços da organização que agora comandava a população.

ㅤㅤ
ㅤㅤ Arfante, o nipônico começava a ligar os fatos e voltar à realidade. Lembrava-se da invasão na terra. Lembrava-se de seus antigos amigos. Lembrava-se de tudo, até que...
ㅤㅤ
ㅤㅤ "Esta é uma missão de reconhecimento de área. Vocês, voluntários, devem seguir a finco todas as nossas ordens! Sei que o calor os deixa desconfortáveis, mas devem se acostumar! Ficaremos abaixo da superfície, numa temperatura que os cinzentos não aguentam, o tempo que for necessário. Nossa equipe fará reconhecimento de área em uma antiga liga de túneis de esgoto vinte metros acima de onde estamos agora.
ㅤㅤ Lembrem-se: As aranhas metálicas são a coisa que devem evitar mais do que tudo! Elas sobem pelo seu corpo e se fixam na nuca, atrelando-se ao sistema nervoso com mecanismos avançados. Caso elas conseguirem o feito, pá! Vocês estão dominados pelos aliens e se tornam nossos inimigos. Eles estão em número muito reduzido em comparação a nós, precisam dos escravos mentais, dos Golens! Não dêem a eles a chance de dominar mais ainda nossa Terra! Adiante, Rebeldes! ”

ㅤㅤ
ㅤㅤ Lágrimas caíam dos olhos descendente nascido e criado em São Paulo. Lembrou-se, com amargura, de quão trágica terminou aquela missão de reconhecimento. Lembrou-se do exato momento em que seu fuzil de pólvora não conseguiu penetrar na proteção metálica do aracnídeo que subiu em seu corpo e o dominou, deixando sua alma vagar num universo paralelo e sem vida alguma, senão a dele.
ㅤㅤ Tentou conter a emoção e os sentimentos e fixou-se nas últimas lembranças que tivera. Ângela. Olhou para o lado e deixou sua mente e espírito acalmar, aos poucos, a figura linda de sua Amada se formou. Olhando para ele com um sorriso encantador. Estendeu o braço para tocá-la, mas os dedos do ex-golem trespassaram a forma etérea do espírito. Ângela era um fantasma, uma moça que já morreu; assim como outros milhões que foram dizimados no primeiro ano da invasão extraterrestre, espíritos que resolveram ajudar os que ainda habitavam a terra. Espíritos que formaram escolhidos para dizer-lhes de seus planos. De suas ousadias que agora mostravam-se efetivas.
ㅤㅤ Hiroshi lembrou-se da promessa feita a sua amada. Ele precisava lutar, lutar pelo seu planeta e pelos seus irmãos. Caminhou até a janela, e de lá observou vários outros ex-golens, todos livrando-se de suas aranhas dominadoras; todos acompanhados de figuras esboçadas e esbranquiçadas, seus fantasmas libertadores. O cenário era devastador, a cidade tinha prédios caindo aos pedaços e ruas abandonadas havia muitos anos; olhou para o horizonte e encontrou uma nave cônica pairando sobre a cidade, a algumas dezenas de quilômetros.
ㅤㅤ Voltou seu olhar para a rua. Dos bueiros, começavam a sair centenas de homens vestidos com pouca roupa e armas de fogo antigas. Saíam espantados no meio dos escravos mentais libertos que também não tinham muito em ordem os pensamentos e só agora começavam a se recordar de seus feitos antes de serem dominados. Hiroshi sentiu o espírito de Ângela tentar abraçá-lo por trás – sensação semelhante a um calafrio, e sua voz ecoou em seus ouvidos, terna e limpa. Todos vão precisar de sua ação.
ㅤㅤ O ex-golem saiu para a sacada do apartamento abandonado que era sua guarita, quando ainda servo dos cinzentos, e levantou o punho aos céus, enchendo os pulmões de ar para seu grito forte.
ㅤㅤ Ouviu alguns gritos de comando, e da janela pôde observar alguns líderes das tropas da resistência chamando todos para a luta. O ex-golem saiu para a sacada do apartamento abandonado que era sua guarita, quando ainda servo dos cinzentos, e levantou o punho aos céus, enchendo os pulmões de ar para soltar um forte grito de ânimo. Soldados da resistência e ex-golens se juntaram ao grito. Agora, com aquelas armas extraterrestres acopladas aos corpos de homens sãos, talvez pudessem contra os inimigos cinzentos.
Leia até o fim...

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