<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794</id><updated>2012-02-07T15:37:22.335-08:00</updated><category term='Os 8 Escolhidos - Capítulos'/><category term='Contos: Drama'/><category term='Contos: Surreal'/><category term='Antologia: A Guarda'/><category term='Contos: Horror e Suspense'/><category term='Contos: Real'/><category term='Microcontos'/><category term='Pierrot'/><category term='Curtas Literárias'/><category term='Referências Literárias'/><category term='Contos: Humor'/><category term='Crônicas'/><category term='Contos: Fantasia'/><category term='Contos'/><category term='Olhos Vermelhos - Capítulos'/><category term='Poemas e Poesias'/><category term='Cotidiano'/><category term='Notas'/><title type='text'>Let Me Fly</title><subtitle type='html'>Liberdade em Palavras. Asas na Mente.
&lt;br&gt;&lt;i&gt;Let Me Fly&lt;/i&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>114</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-6445099937046262385</id><published>2012-01-30T18:08:00.000-08:00</published><updated>2012-01-30T18:11:02.970-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curtas Literárias'/><title type='text'>Curtas Literárias - Encarecido Toque</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;big&gt;Encarecido Toque&lt;/b&gt;&lt;/big&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batucava os dedos no volante, como se cada um daqueles pequenos toques fizessem com que o tempo que restasse, aguardando, reduzisse. Era engraçado, como depois de tanto tempo, distante, menos de um terço do dia conseguia ser tão angustiante de ser ultrapassado. Com os olhos fixos, ele aguardava que o portão se abrisse e que por ele passasse o motivo de tanta saudade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um suspiro, e o olhar desviado por um instante, notara que tinha prendido a respiração. Menos de um segundo depois, um pequeno estalo eletrônico o fez voltar os olhos novamente para a entrada. E naquele pequeno intervalo de tempo, deixou que o rosto formasse um daqueles sorrisos, um que só conseguia dar quando estava perto dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vinha, enfim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impaciente, abriu a porta do carro e desceu a rua na direção dela; os olhares se cruzaram e o sorriso antes hesitante, agora se expressara por completo. Os braços abertos da amada lhe chamavam, e ele teve a vontade de correr na direção dela, mas quando via, já estavam próximos. Sentiu o calor do corpo dela, e ele afundou sua face junto dela. Não era preciso tantas palavras, na verdade, elas não precisavam nem existir naquele momento.  Os curtos segundos que se passaram foram, ao mesmo tempo, uma eternidade e um piscar de olhos; o encarecido e necessitado toque pelo qual esperara em dias contados se encerrara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora, já não era problema. Pois ela estava junto dele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-6445099937046262385?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/6445099937046262385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2012/01/curtas-literarias-encarecido-toque.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6445099937046262385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6445099937046262385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2012/01/curtas-literarias-encarecido-toque.html' title='Curtas Literárias - Encarecido Toque'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-7989876675689640940</id><published>2012-01-27T23:47:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T23:50:01.932-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Surreal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curtas Literárias'/><title type='text'>Curtas Literárias - Gênese</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;big&gt;Gênese&lt;/b&gt;&lt;/big&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos deslizaram no nada, brincaram no vácuo do silêncio. E acompanhando seus leves toques, seus curtos e mínimos moveres dos dedos, aos poucos, surgiu a luz por de trás de um horizonte de vazio. Um punho se fechou num brusco movimento, e a luz parou junto dela; o indicador da mão oposta, meio segundo depois, com distraídos brincares, deixou pingos aleatórios. E dos pingos, surgiram pequenas gotas de verde que começaram a se espalhar, tal qual a água de um jarro que é virada num único e contínuo filete, esbanjando de sua vitalidade transparente e transbordante no ponto em que tocava o solo negro.&lt;br /&gt; &lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;E então, de súbito, as mãos se levantaram ao ar; fortes, graves, retumbantes, vívidas e onipotentes. Eram indestrutíveis, eram mãos de um Criador. E conforme seus fortes e bruscos movimentos se faziam, o mundo começou a se formar da mesma forma. E do nada, brotavam então florestas, rios, montanhas e mares conforme os braços dançavam no que agora, não era mais um nada, mas sim uma maluca – e ao mesmo tempo tão sábia -  e descontínua – e ao mesmo tempo tão contínua – gênese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de infinitos segundos contados e precisos,  em que as mãos do Criador se moviam de um lado para o outro inventando o mundo em que nem mesmo as palavras ainda existiam, seus braços, cansados e que procuravam por um alento; tomaram uma forma contínua, e a vida lentamente tomou um curso uniforme e calmo. E com  este caminho de pedras tão linear, o mundo conheceu o tempo, e com o tempo, surgiu ali o dia e a noite. E dos dias vieram os tempos de vida árida e os terremotos, e das noites surgiram as tempestades e as enchentes. E o mundo começou a ganhar experiência, e forma, muita forma. Uma forma disforme, uma vivacidade que pendia entre o paradoxo e o tão óbvio. As mãos do Criador continuavam a se mover, e quando paravam, elas nunca realmente paravam. Pois eram como as pausas, os contra-tempos da dança.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando o mundo já havia tido de tudo, e quando o mundo finalmente conhecera o tempo e como ele moldava as coisas, e como ele criava e destruía tal qual fazia o Criador em escalas menores; as mãos, abertas e levantadas para o ar, se abaixaram bruscamente. E junto das mãos se abaixando, foi-se a luz, foi-se o mundo, foi-se o tempo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balúrdio sonoro viera de trás dele. Virou-se de frente para o público, ao mesmo tempo em que voltou ao casulo em que sempre se prendia. Esse, do qual só conseguia se livrar quando a orquestra era por ele regida. Estava ali, O Maestro.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-7989876675689640940?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/7989876675689640940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2012/01/curtas-literarias-genese.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7989876675689640940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7989876675689640940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2012/01/curtas-literarias-genese.html' title='Curtas Literárias - Gênese'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-4453721998188973107</id><published>2012-01-25T23:20:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T23:21:24.844-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><title type='text'>Volta?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando-me levar pelas músicas, e pelos sentimentos que elas trazem consigo; eu acabei chegando até a tela branca do meu editor de textos mais uma vez. E, numa sensação que mesclava nostalgia e excitação, deixei minhas letras soltas mais uma vez. O que escrever? Talvez um conto, talvez uma poesia; para falar a verdade, eu sempre senti saudades da época em que digitava meus sentimentos com uma frequencia maior.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para trás, eu vejo ali uns vários textos meus. Contos, poemas, ou simples conversas que eu tenho com meu editor, conversas com aqueles que lêem das minhas palavras. Eu deixei brotar um pequeno sorriso, um para cada letra que eu acompanhava. E, de repente, me veio a vontade de voltar a digitar como sempre, como antes. Como uma forma de me libertar, como uma forma de deixar debandar a alegria, a tristeza, a minha existência.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um pequeno recado, será que alguém passa por aqui, ainda?  Tentarei deixar alguns caprichos meus por aqui, talvez dois, às vezes três, certamente um por semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-4453721998188973107?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/4453721998188973107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2012/01/volta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4453721998188973107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4453721998188973107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2012/01/volta.html' title='Volta?'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-8434633727050496043</id><published>2011-10-19T01:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-19T01:15:49.242-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Suas Palavras</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram, talvez, apenas aquelas suas palavras&lt;br /&gt;Vindas no espontâneo de silêncio e sorrisos&lt;br /&gt;Em conversas de noites tão amadas&lt;br /&gt;Em falas de sentimentos esculpidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram, talvez, muitas daquelas suas palavras&lt;br /&gt;Vindas de almas, vontades e descompromissos&lt;br /&gt;Em paixões quase vivenciadas&lt;br /&gt;Em sussurrares quase diluídos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram, talvez, simplesmente aquelas suas palavras&lt;br /&gt;Vindas da amada de meus singelos pensamentos&lt;br /&gt;Em falas só compartilhadas&lt;br /&gt;Em toques – tão distantes – não dados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora, certamente, você.&lt;br /&gt;Vinda para meus sentimentos&lt;br /&gt;Em palavras, apenas aquelas, ditas.&lt;br /&gt;Muitas daquelas, ditas.&lt;br /&gt;Simplesmente, ditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-8434633727050496043?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/8434633727050496043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/10/suas-palavras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8434633727050496043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8434633727050496043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/10/suas-palavras.html' title='Suas Palavras'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1003526836115297531</id><published>2011-07-13T10:34:00.000-07:00</published><updated>2011-07-13T10:35:35.266-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Pseudo Logia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos anos, restou-me&lt;br /&gt;a vaga memória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrima suada de quem&lt;br /&gt;(não) se comporta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carta da alma, escrita&lt;br /&gt;feito uma história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mingua no céu, aumenta&lt;br /&gt;a dor em uma cota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1003526836115297531?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1003526836115297531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/07/pseudo-logia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1003526836115297531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1003526836115297531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/07/pseudo-logia.html' title='Pseudo Logia'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-9207226521640391308</id><published>2011-07-01T10:31:00.001-07:00</published><updated>2011-07-01T10:32:26.740-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Fratura Poética</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perguntam &lt;br /&gt;como verso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verso como&lt;br /&gt;quem anda de muleta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verso, é de prosa&lt;br /&gt;que não saiu da caneta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verso frustrado&lt;br /&gt;Mas o verso que verso&lt;br /&gt;esse, sai amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-9207226521640391308?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/9207226521640391308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/07/fratura-poetica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/9207226521640391308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/9207226521640391308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/07/fratura-poetica.html' title='Fratura Poética'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-8662021222859766726</id><published>2011-07-01T10:28:00.000-07:00</published><updated>2011-07-01T10:30:32.054-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Faces</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logro de momentos não vividos&lt;br /&gt;Em prosas enfermas&lt;br /&gt;Em latentes sopros de vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logro versando dor e suspiros&lt;br /&gt;de cenas eternas&lt;br /&gt;de estória rara cumprida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logro em versos&lt;br /&gt;que não quero&lt;br /&gt;Logro em palavras&lt;br /&gt;sem mistério&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-8662021222859766726?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/8662021222859766726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/07/faces.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8662021222859766726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8662021222859766726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/07/faces.html' title='Faces'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2605340735750004077</id><published>2011-06-28T20:51:00.000-07:00</published><updated>2011-06-28T20:52:39.387-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Miscelânea</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanha-me as linhas;&lt;br /&gt;Se rosas são vermelhas&lt;br /&gt;e violetas são azuis&lt;br /&gt;será então vermelhas rosas&lt;br /&gt;e mais, violetas, as azuis? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assim for, pois que&lt;br /&gt;avermelho as azuis violetas&lt;br /&gt;e que azulo as vermelhas rosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo, você sabe&lt;br /&gt;a rosa e a violeta&lt;br /&gt;o azul e o vermelho &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é sua delicadeza&lt;br /&gt;É meu amor para mantê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2605340735750004077?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2605340735750004077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/miscelanea.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2605340735750004077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2605340735750004077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/miscelanea.html' title='Miscelânea'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1574282440165348432</id><published>2011-06-24T12:26:00.001-07:00</published><updated>2011-06-24T12:34:49.435-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Drama'/><title type='text'>O mundo que já acabou</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MWJfXjv00jo/TgTlBodRoiI/AAAAAAAAAN8/a0EXhp9kg_w/s1600/clannad-girl.jpg%2Bw%253D300%2526h%253D237.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 317px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-MWJfXjv00jo/TgTlBodRoiI/AAAAAAAAAN8/a0EXhp9kg_w/s400/clannad-girl.jpg%2Bw%253D300%2526h%253D237.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5621870051068060194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ(Leia acompanhado da música.)&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;iframe width="250" height="23" src="http://www.youtube.com/embed/WgHVQnod334?rel=150" frameborder="50" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤOlá. &lt;br /&gt;ㅤㅤComo vai você? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤSim, eu sou a única pessoa que vive por aqui. &lt;br /&gt;ㅤㅤUma moça, apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤNão, nunca me cansei desse lugar, é lindo. Você não vê? Cada pequena lasca das madeiras dessa velha casa retratam minhas frágeis e intangíveis memórias; prestes a rachar, quebradas, estão todas prontas para ruir. E mesmo assim, da fragilidade de cada uma delas, do estalo que se faz quando eu arranco uma única partezinha dessa casa; me vem a nostalgia. E eu choro pelos tempos que já passaram. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤNão, não é triste. Pelo menos, eu não sou uma pessoa que pode compreender este sentimento. Sabe, esse é um lugar onde não existe mais nada, eu... Eu não tenho por quem sentir nada. Não é preciso para mim ter tristeza, se nunca me houve nada mais. Seria... Injustiça caso isso acontecesse, não é mesmo?  &lt;br /&gt;ㅤㅤAli, você consegue ver aquele gramado, lá longe? Quando eu era uma criança, passavam por lá alguns pássaros, vez ou outra, e eu naquela época eu ainda tinha esperanças que alguém poderia vir me buscar. Afinal de contas, se os pássaros voam e somem por certo tempo, eu fico pensando que eles tem lugares melhores para ir, não é mesmo? E esses lugares melhores, poderiam estar lotadas de pessoas... Não, não, me desculpe. Apenas uma só estaria de muito bom tamanho. É aquela palavra, sabe? &lt;i&gt;Companhia&lt;/i&gt;.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤSó que, conforme os anos foram passando e eu cresci, eu pude entender que não existia mais ninguém no mundo. Só eu. Via-me naquele espelho dentro do meu quarto, e via uma mulher onde antes havia uma menininha. Eu via meus cabelos cacheados e castanhos brincarem deslizando pelos meus ombros, e gostava de me sentir bonita. Mesmo que fosse só para mim. &lt;br /&gt;ㅤㅤTambém tem aquela pequena cadeira de balanço na sacada. Consegue ver daqui? Quando eu me sentava nela e deixava meu peso balançá-la para frente e para trás, ela fazia um leve rangido. Era um rangido monótono, o tom nunca mudava e o máximo que eu conseguia fazer era deixá-lo mais alto e longo, conforme eu regulava na força. Mas eu gostava, porque era como se a cadeira me desse um &lt;i&gt;Olá&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;ㅤㅤEsse meu vestido também, nunca mudei nada nele. Gosto de comparar ele com minha alma, porque, quando eu me lembro de tê-lo em meu corpo pela primeira vez, eu sei bem que ele era branco. Branco e puro, assim como meu coração, cheio de sentimentos transbordando. Mas que, com o tempo, foi ficando mais amarelado. E a pouca esperança que eu tinha, se esvaiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤHm? Não, eu não estou me contradizendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤA ida da esperança é acompanhada da vinda da Satisfação. A tristeza, eu nunca senti. E a partir daquele dia, comecei a viver comigo mesmo, sendo minha própria amiga. E eu corria por estes vastos campos de grama rala, esses campos de solidão infinita, onde o crespar da terra entre meus dedos me traziam uma sensação acolhedora. &lt;br /&gt;ㅤㅤE eu comecei a montar minhas próprias coisas, para brincar. Sabia que eu já consegui empilhar dez pedras daquelas ali? Sim, uma em cima da outra. Ficou intacta por uns pouquinhos segundos, mas é meu recorde. Já escalei aquele monte mais ao longe umas dez vezes, também. Eu me machucava, mas com certeza, não era nada perto das pequenas feridas que eu tenho dentro de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤQuando você não tem por onde se orientar, eu acho que você acaba se perdendo nas suas próprias tangíveis rememorações do que já passou, e das prévias do que ainda pode vir. Eu, por exemplo, nunca parei para ver quando as flores desabrochavam, quando as folhas caíam, ou quando a neve começava a pintar a paisagem. Mas, eu sempre me peguei pensando se, num desses dias, algo diferente aconteceria. Ou tentando me recordar da última vez que os pássaros vieram me visitar. E vendo eles baterem asas para longe para numa mais voltarem, eu deixo novas lágrimas caírem. Me dá um aperto no coração, sabe? É como se a vida que eu tivesse, não valesse muita coisa sem algo mais. &lt;br /&gt;ㅤㅤHm? Então, isso é tristeza? &lt;br /&gt;ㅤㅤTem certeza? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤSe for assim, eu acho que... Bom, eu acho que, então... &lt;br /&gt;ㅤㅤEu..&lt;br /&gt;ㅤㅤEu...&lt;br /&gt;ㅤㅤPor que? &lt;br /&gt;ㅤㅤPor que, agora, as lágrimas não param de cair? &lt;br /&gt;ㅤㅤPor que eu estou chorando na sua frente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤEntão, é assim que é a sensação de ser abraçada? Sim, é bom. É caloroso, se parece com a lareira que eu acendo nas noites de frio. Como se a vida te desse um sopro de vontade. Será que eu posso ficar assim mais um tempo, abraçada com você? ...Obrigada. &lt;br /&gt;É, então, se a tristeza é isso o que você diz, me parece que vivi um mundo triste. Uma vida inteira triste. Mas isso não importa, não é mesmo? Afinal de contas, você veio me buscar. Não veio? Você veio aqui por mim, não veio? Se é assim, tudo bem. Eu te dou a minha mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤNão, eu não preciso carregar nada. &lt;br /&gt;ㅤㅤVamos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1574282440165348432?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1574282440165348432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/o-mundo-que-ja-acabou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1574282440165348432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1574282440165348432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/o-mundo-que-ja-acabou.html' title='O mundo que já acabou'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MWJfXjv00jo/TgTlBodRoiI/AAAAAAAAAN8/a0EXhp9kg_w/s72-c/clannad-girl.jpg%2Bw%253D300%2526h%253D237.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-7631316221504887766</id><published>2011-06-11T07:29:00.000-07:00</published><updated>2011-06-11T13:39:19.107-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Pseudo Nostalgia</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Dos anos, restou-me só a lembrança&lt;br /&gt;Andava com passos manjados na lua&lt;br /&gt;E, de apetrechos, tinha ainda a alma nua&lt;br /&gt;E os anos debocham, de pura vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinganças do toque (não) tocado.&lt;br /&gt;Lembranças dos lábios (quem sabe) doces.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-7631316221504887766?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/7631316221504887766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/pseudo-nostalgia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7631316221504887766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7631316221504887766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/pseudo-nostalgia.html' title='Pseudo Nostalgia'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-3772224848054512957</id><published>2011-06-11T07:17:00.000-07:00</published><updated>2011-06-11T07:26:48.505-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Antologia: A Guarda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><title type='text'>A Guarda - A Casa dos Tilintares</title><content type='html'>ㅤㅤ &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ei, ei! Ei, você! É, isso mesmo, estou falando com sua pessoa. Desculpe-me por acabar me intrometendo assim numa de suas noites solitárias, mas muitas vezes já te vi por aqui, sempre a beber só e de cabeça baixa. E, justamente por meus olhos poderem acompanhar-te a silhueta, que você me chamou muito a atenção. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Abstenho de dizer meu nome por enquanto, e também não me importo caso não quiser se apresentar a mim. O importante é que um diálogo entre nós parece ter começado. E, por falar nessa troca de palavras, notou como meu linguajar é moderado e bem compassado? Em tempos medievais, existiam pessoas que andavam pelos bares da época com estórias para contar, eram estórias de todos os tipos e com todos os finais que possa imaginar. Em troca, sempre lhe ofereciam bebidas e deixavam-no narrar a vontade, suas fantásticas estórias, noite adentro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Opa, não se acanhe, não estou aqui pedindo esmolas ou coisa do tipo. Você olha para mim e vê um esmoleiro? Espero que não. Enfim, eu sou apenas um rapaz de meia-vida que, na falta de um motivo mais feliz pelo qual viver, acabou por encontrar resquícios de alegria num ato bobo: O de contar histórias. Se me permite fazer a analogia, é isso o que você também, faz, não é? Com este líquido transparente no copo que tem em mãos... &lt;br /&gt;ㅤㅤ Bom, no fim, todos buscamos nossos resquícios de alegria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Deixe-me sentar ao seu lado. Gostaria de ouvir uma de minhas fábulas?&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;ㅤㅤ Pois bem, antes que sua imaginação voe longe e você tente fazer graça de mim; não, eu não começarei a contar estórias de reinos distantes e de príncipes, princesas e dragões. As narrativas que eu contarei nesta noite tratam daquilo que a sombra e a luz deste mundo ocultam. O outro lado da moeda. Aquilo que os homens podem ver, mas que não conseguem, de forma alguma, aceitar; e que, por isso, forçam a própria existência a esquecer o que presenciaram. &lt;br /&gt;ㅤㅤ As minhas fábulas contam de pessoas como as que você encontra na rua. Como o jornaleiro da esquina, como a velhinha chata do bairro, como aquela menina promíscua que sai nas noites de sexta e só volta no fim do domingo. É, alias, muito alta a chance de você acabar identificando alguns deles após estas histórias. E note que agora não são mais estórias, com e. E sim, histórias, com aga e i. De agora em diante, pois, tratem-nas como fatos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ E desta vez, tratarei de um fato que ocorreu aqui mesmo, nesta cidade. Já ouviu falar da &lt;i&gt;Casa dos Tilintares&lt;/i&gt;? Para quem nunca ouviu falar, deixe-me gastar um pouco de tempo nela: A casa dos tilintares fora construída já faz quase um século, talvez até mais. Ela está situada num bairro nobre e está abandonada por mais de seis décadas. Já faz cerca de um ano que alguns corretores de imóveis e investidores pensam em por tudo abaixo e colocar ali algum novo empreendimento – e, com o correr que vai nossa política para os mais bem favorecidos, não duvido que ainda neste ano ela seja demolida. &lt;br /&gt;ㅤㅤ De qualquer forma, o que nos importa não é o presente, e sim o passado recente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A casa dos tilintares, como você bem pode deduzir, recebeu tal nome pelo fato dos sons que ela produz em certas noites. Quem passa na região de noite sabe que, se ela não quer voltar para casa com olhos arregalados e coração palpitando freneticamente, não se deve passar em frente àquela casa. Assim como a escuridão é certa em todos os cômodos do sobrado, também é certo que sons característicos de casas abandonadas ressoem, tais como rangeres de portas velhas movidas pelo vento, ou o som de insetos e ratos se rastejando pelas velharias. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas, não só por isso que as pessoas evitam passar por ela, também é bem característico da &lt;i&gt;Casa dos Tilintares&lt;/i&gt; – e, convenhamos que este é um ponto que não existe em todas as casas abandonadas – soar pelos seus cômodos, o barulho de correntes pesadas se arrastando pelo lugar. Como se alguém estivesse preso numa liga de aço e tentasse desenfreadamente se soltar. Também não são poucos os que juram já ter ouvido gritos e lamentos no lugar. Só lhes é um pouco complicado especificar que tipo de lamentações e qual o timbre vocal, vez que a entonação era sempre aguda, fantasmagoricamente falando. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ E é neste cenário, meu caro ouvinte, que entra nosso Personagem. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Pois, afinal, histórias não fluem sem personagens. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ele estacionou seu velho opala preto na frente da casa e desceu, numa noite dessas, alguns poucos anos ou meses atrás. Ele, nosso personagem, se chamava Raul. E digo apenas seu nome, porque seu sobrenome pouco importa; mais vale é ressaltar a semântica do mesmo e a alcunha que recebera. “Raul”, aos poucos que sabem do assunto, significa “Ilustre Combatente”, e mesmo que muitas vezes os nomes das pessoas não fazem jus às suas índoles, com Raul, isso funcionava. E daí, vinha sua alcunha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ “Guerreiro” Raul. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Aquele homem de pele morena escura vestia-se com um largo sobretudo escuro de couro e usava roupas grossas e cheias de bolsos por debaixo da vestimenta de frio. Presa no ombro, estava uma bolsa de alça única de pano bege. Raul tinha feições sérias, e provavelmente passava dos trinta anos no que se tratava do quanto o tempo lhe maltratara. De porte grande e ombros largos, ele, só de vista, já fazia honrar seu nome e sua alcunha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ E naquele instante, Raul também provaria sua fama. Sua fama dentro da &lt;i&gt;Ordem dos Cavaleiros do Silêncio&lt;/i&gt;. Pois, quando uma pessoa surgia num lugar representando a Ordem, significava que havia trabalho a ser feito. E, naquele caso, Raul sabia muito bem o que tinha de fazer: Purificar uma Casa Abandonada.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ao primeiro passo que dera dentro do terreno, Guerreiro já pôde sentir a aura negra que rondava a casa. Aos olhos de qualquer um, seria apenas um sobrado de dois andares e um sótão caindo aos pedaços. Mas, para os olhos de um Cavaleiro da Ordem, olhos que foram treinados para estarem em situações como aquelas, o que se via era muito pior. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Não que seus olhos observassem aquilo que outros homem não vêem. O fato era que ele aceitava e desejava ver através do manto que separava os dois lados da realidade; e, por através do manto, o que se via eram os lamentos de uma pessoa morta. A pressão da aura negra recaiu sobre os ombros de Raul como se fosse um peso descomunal, e ele sentiu o quanto aquela casa estava amaldiçoada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Tsc. - Reclamou. - Infelizmente, para você, eu não tenho medo de cara feia.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Sua locomoção, como imaginado, estava bem mais difícil. Uma vez que a casa parecia saber muito bem que aquele que se aproximava era um risco para a entidade. Ao mesmo tempo, o fantasma que habitava o lugar começou a brincar com seus sentidos. Logo, os lamentos começavam a ficar mais altos e vultos esbranquiçados começavam a passar pela casa.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ “&lt;i&gt;Volte ou morrerá.&lt;/i&gt;” &lt;br /&gt;ㅤㅤ Foi o que Raul ouviu quando parou de frente para a porta.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Paremos o tempo aqui e vamos fazer um passeio pela mente de nosso protagonista. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Para aqueles que pensam que os heróis dos contos de fada eram guerreiros corajosos e destemidos, aqui vai um balde d'água: Não existe homem sem medo. Você sabe disso, não sabe? O caro era que Raul, por dentro, sentia muito bem o medo tentando apossar-se de seu bravo espírito; era o que acontecia quando um fantasma renegado anunciava que pretendia te matar caso continuasse o que iria fazer. &lt;br /&gt;ㅤㅤ E Raul iria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Num &lt;i&gt;flash&lt;/i&gt;, o moreno relembrou-se de alguns vários e solitários momentos de sua infância solitária. Viu-se novamente na cama do hospital no qual fora internado, viu-se novamente enfrentando os lamentos e súplicas dos mortos que ainda não queriam partir. Fantasmas que não sabiam que um pobre garoto podia ouvi-los, e que, por isso, gritavam mais alto. Raul gritou e chorou naquela noite, como em várias outras. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Piscou os olhos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Não, aquilo tudo havia passado. E ele tinha de cumprir sua missão. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ O Cavaleiro da Ordem abriu a porta com certa dificuldade, e, junto da ação, já colocara a mão no bolso do sobretudo para retirar dali uma lanterna. O salão de entrada do sobrado era grande, e ainda haviam por ali alguns velhos móveis carcomidos por cupins. A poeira formara uma espessa camada sobre todo o lugar, e Raul pôde muito bem ouvir alguns rastejares fugirem com sua aproximação. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Um passo adentro. Dois passos adentro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ BAM! &lt;br /&gt;ㅤㅤ A porta se fechou atrás dele com força e sem um mínimo ruído antes do baque, e aquela era a mesma porta que ele tivera de fazer força parar abrir por estar emperrada. O coração de Raul saltou dentro de seu corpo, e logo em seguida, para piorar a situação, as vozes começaram a aturdi-lo novamente, agora com mais força e intensidade, quase como um coral do terror, gritando palavras de desgosto sobre o moreno. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas o Guerreiro não se deixaria abalar. Firmando o olhar no local, ele começou a avançar. Para que não haja a possibilidade do fantasma se acolher à apenas um dos cômodos da casa após a purificação, Raul deveria ainda achar o local onde a energia negra se concentrava, o foco da aparição amaldiçoada do recinto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Aqui, eu vou parar para explicar um pouco sobre a Ordem dos Cavaleiros do Silêncio.&lt;br /&gt;Se você já começou a entrar no mundo que estou mostrando para você, eu acho que já notou que nossa sociedade esconde muitas coisas misteriosas. Não falo apenas de fantasmas e espíritos renegados, estendo-me para falar que também existem muitos outros seres míticos que surgem em livros aleatórios cá e acolá.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Acontece que, para os homens que descobrem esta realidade alternativa, só existem três caminhos a serem trilhados: O primeiro é tentar ignorar o que você vê, até que haverá o momento em que sua própria mente o ludibriara para que não enlouqueça – como acontece com muitos que não conseguem parar de ver através do manto. O segundo dos caminhos é aceitar esta realidade e tentar se mesclar à ela, daí, surgem os diversos clãs de Magos que existem pelo mundo. São homens que estudam e tentam dominar a magia de trás do manto. E, por fim, existe aqueles que se opõe a estas anomalias. E aí se encontra a Ordem dos Cavaleiros do Silêncio, assim como muitas outras organizações que se movem para tentar amenizar o máximo possível a existência destes seres na sociedade.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Geralmente, os guerreiros que seguem as Ordens são pessoas que sofreram de algum trauma extremo causado pelas criaturas do outro lado do véu quando mais novas e foram acolhidas por alguém da organização. Este era o caso de Raul, que, agora, era um dos principais alicerces da Ordem dos Cavaleiros do Silêncio, que tinha membros espalhados por todo o Brasil. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ O foco da aura negra não estava no primeiro andar, e foi com grande pesar que Raul observou aquelas escadas, que pareciam mais longas quando vistas numa noite daquelas. Seus ombros largos se projetaram para frente, e ele começou a subir os degraus de dois em dois, tentando ignorar o ranger delas, que parecia aumentar conforme subia as escadas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Guerreiro Raul já tinha os dentes quase para trincar, os gritos de terror nos seus ouvidos pareciam estourá-los; contudo, Raul avançou sem este medo, por ter a certeza no coração de que um fantasma nunca poderia afetar fisicamente um Homem. Pelo menos, era isso que Raul pensava até aquela noite. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Chegando no segundo andar, ele viu-se diante de um corredor estreito que levava para mais quatro portas, duas de cada lado. Mas, foi botando um leve sorriso no rosto de feições sérias que Raul virou-se para a esquerda. Não tinha de conferir cômodo por cômodo, a Aura Negra não mentia sua localização, ela vinha da última porta à esquerda. O que era ótimo e ruim ao mesmo tempo. Ali em cima, a Lua da noite parecia iluminar o local todo com clareza, o que fizera o homem desligar a lanterna e recolocá-la num dos bolsos de suas vestimentas.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Um passo na direção.&lt;br /&gt;ㅤㅤ “&lt;i&gt;Não Ouse!!&lt;/i&gt;” O Grito ecoou no meio do coral do terror. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Dois passos na direção. &lt;br /&gt;ㅤㅤ “&lt;i&gt;A Morte te aguarda a cada passo que avança!&lt;/i&gt;” Foi quase o guinchar de um pássaro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Três passos na direção.&lt;br /&gt;ㅤㅤ “&lt;i&gt;Não, não, NÃO!&lt;/i&gt;”  &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Guerreiro Raul ignorou os gritos fantasmagóricos e avançou correndo até a entrada do quarto. E foi com toda essa pressa que ele tentou abrir a porta. Agora, meu caro ouvinte, você sabe aquele momento crítico, em que o tempo parece parar para dar espaço para os acontecimentos que estavam por vir? Pois foi exatamente aquilo que aconteceu naquele instante. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Assim que o moreno membro da Ordem tocou na velha e enferrujada maçaneta, por um instante, seus olhos viram algo que não deveria estar ali. E, num instante, aquela noite temerosa e aterrorizante se transformara e outra. E ele sabia disso porque ele não estava mais na casa abandonada, e sim, numa casa bem cuidada e iluminada. O coral de gritos e lamentos não mais parecia ressoar no seu espírito, e agora Raul se via assolado por um silêncio igualmente perturbador. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A mão que segurava a maçaneta tremia, e foi com aquele mesmo temor que o Guerreiro abriu a porta para descobrir o que lhe aguardava naquela sala, no antro de todo o terror do fantasma.  Paremos aqui o tempo mais uma vez, meu ouvinte. E siga minha voz, pois agora tomaremos por emprestada a visão de Raul. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Imagine-se entrando em um quarto pequeno e muito escuro. A única luz que adentrava o lugar era a do astro da noite e noiva do sol, Lua; e era essa também a responsável por dar à você um vislumbre do que é o lugar: Os cômodos não são velhos, muito pelo contrário, pareciam ter sido comprados a pouco tempo. A parede era pintada de uma cor neutra, o que dava contraste ao chão com ladrilhos vermelhos. Talvez essa seja a descrição até mesmo do seu próprio quarto, não sei. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas o fato era que ali, caída ao lado da cama, estava um corpo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Uma mulher com um corpo magro e quase subnutrido estava jogada no chão. Seu corpo ainda parecia se movimentar, bem de leve, como se ele lutasse em cada suspiro que soltasse, para que não fosse o último. Ela vestia trapos que pareciam algum dia terem sido roupas de cama, talvez até uma camisola à moda antiga, mas eles estavam sujos de poeira e sangue seco. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Aquela pessoa não estava ali porque queria. E não digo isso por eu ser o narrador onisciente desta história. Eu digo isso porque, presa ao seu pé, estava uma corrente. Uma corrente que prendia seu tornozelo sem folga alguma, trancafiada por pelo menos cinco cadeados que pareciam pesar uma tonelada quando vistos daquela forma. A pele da mulher naquele ponto estava em carne pura, e o sangue já duro que se formava no chão abaixo do tornozelo e na própria corrente mostravam o quanto ela tinha lutado para tentar escapar. Ou, ao menos, para se livrar daquele item maldito. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Trim&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tilintou o silêncio.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Raul piscou com força, e se deparou com um velho quarto caindo aos pedaços. O ladrilho vermelho estava todo quebrado e rachado, isso nas partes em que ele ainda estava ali. A armação da cama, que fora o que restara ali, estava corroída por ferrugem e parecia contorcida por completo. O moreno lembrou-se da visão que acabara de ter, e olhara com receio para o lugar em que a mulher estava. Enfim encontrara a origem de todo aquele mal. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Sem demora, colocou-se sentado ao lado do ponto no qual lembrara de ver a mulher jogada e abriu a bolsa de pano que carregava consigo, retirando dali primeiramente um giz branco. E, com ele, Raul começou a desejar no chão alguns círculos e símbolos que muito se assemelhavam com pentágonos e outras figuras geométricas. Guerreiro Raul estava fazendo o círculo de magia para seu ritual. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Aqui, eu vou parar novamente a história para explicar um pouco mais sobre este mundo que é o nosso, e não é ao mesmo tempo: Se você agora está notando, Raul tem capacidades paranormais de se mesclar com pensamentos negativos muito fortes, isso se deu por causa de sua extrema relação com criaturas do tipo, durante o correr de seus duros anos. Da mesma forma, acontece que muitos outros humanos também recebem alguns dons – ou, se assim quiser chamar, maldições – por muito se relacionarem com o que está por debaixo do manto da sociedade. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Acontece que, uma vez que o mundo real se junta ao mundo “real”, sempre surgem aí as anomalias para ambos os lados. Existem, sim, por exemplo, casos de homens que se tornaram criaturas das trevas ou de luz; e também há boatos sobre o contrário. O espírito que cada um porta dentro de si e suas vontades e virtudes são o que influenciam nos fios do Destino.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ E é por isso, também, que Raul fazia naquele momento um círculo de magia. Ele poderia escolher qualquer coisa para representar sua intenção de purificação da alma do fantasma, como, por exemplo, uma bíblia sagrada, ou um manta budista; até mesmo rituais feitos por e recitados por ele mesmo representariam bem o papel. Pois, o que é realmente necessário para se fazer manifestar qualquer ato que quebre a realidade, são as vontades e virtudes. Guerreiro Raul precisa, mais do que tudo, acreditar que seu círculo de magia tem poder, e que ele tem a capacidade para ditar as regras que mandam nas almas.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Daí que surgem, por exemplo, as desavenças sobre os mitos populares. Um Vampiro não pode morrer com a água benta jogada por um padre que não crê em seu poder purificador. Mas, certamente a pele deste noturno queimará se esta água benta for jogada por alguém que acredita no poder ali contido, mesmo que tenha sido a água abençoada pelo mesmo padre que não crê no seu poder. Vendo por esse ângulo, pode parecer realmente fácil para qualquer um se tornar um caçador de monstros; mas não caiam nesta armadilha. Quando você fica cara-a-cara com seu pior medo, muitas vezes você começa a deixar de acreditar até mesmo na realidade, como então poderia acreditar na “realidade”? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Cavaleiros das várias Ordens que lutam contra o que há por debaixo do manto são tão comentados, tanto entre os humanos que os conhecem, quanto entre os seres míticos que habitam este mundo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Porque eles são realmente poderosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ Todo o ciclo de ritual de purificação de Guerreiro Raul estava pronto, exatamente como seu mentor havia ensinado ele a fazer. Os círculos se ligavam através das várias arestas que formavam ângulos e figuras com relação ao centro da imagem. Em volta do círculo, quatro velas de diferentes coras foram postas e acesas, muito embora o vento misteriosamente entrasse no lugar tentando apagá-las. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O Cavaleiro da Ordem sentou-se de joelhos ao lado do círculo e retirou do bolso uma pequena e gasta caderneta, também herança de seu mentor. Num rápido folhear pelo amarelo que se tornaram as folhas, encontrou a página desejada, onde, no meio de várias notas menores, havia algo que parecia quase um poema. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Espírito embebido em trevas e sombra&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ E, mesmo estando de olhos semi-cerrados, Raul novamente visualizou a cena que tivera quando entrou no quarto. Com a pequena diferença que a mulher agora parecia olhar para ele, e diretamente para ele. Com olhos que pareciam mais com duas lanças que gostariam de lhe perfurar a alma, eram olhos cheios de ódio. Ao mesmo tempo que a mulher parecia observá-lo diretamente, novas vozes recheavam sua mente, tomando de Raul o silêncio que o cercava. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Quantas vezes disse para você parar de tentar!? - Dizia uma nova voz. - Os convidados ouviram! Pare de mexer estas malditas correntes!&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;De mim, fiel servo, não mais recebeis afronta&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Um sorriso cínico e curto acompanhou o olhar que acompanhava Raul, e ele parecia realmente estar naquele dia, com aquela mulher ainda viva o observando. Seus lábios estavam secos e quebradiços, até mesmo com sangue seco entre algumas feridas abertas, mas mesmo assim a mulher sorria com dentes amarelados. Observava-o, fazendo o esforço quase mortal de levantar o rosto na sua direção. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Se você não me escuta, eu lhe trancarei neste quarto! - Vinha aquela mesma voz.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Já é a quinta vez só este mês! Quinta! Não serei eu quem vai cobrir as janelas com grades, para que todos vejam a vergonha pela qual tenho de passar. - E seguiu-se o barulho de vidro sendo quebrado, com toda a raiva necessária no ato. - Pois já chega! Vou mandar comprar uma corrente e não deixarei nem mesmo que saia de perto da cama. É o fim de suas escapadelas!&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Se cabe a este a mão amiga da luz...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Os olhos da mulher se arregalaram e se Raul naquele instante não estivesse dentro de uma ilusão, ou de uma pseudo-ilusão, ele sabia que ele também arregalaria seus olhos e se assustaria. Pois aquela mulher, aquela que estava presa na corrente mexeu seus lábios formando uma palavra. Uma palavra seguida de outra. E, mesmo não havendo som nenhum, o Cavaleiro pôde entender o que ela queria dizer naquelas palavras. &lt;br /&gt;ㅤㅤ “&lt;i&gt;Salve-se, Guerreiro.&lt;/i&gt;”&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Você realmente achou que eu queria que você viesse morar comigo? - Uma voz cheia de escárnio. - É tão idiota que chega a me dar raiva, é realmente possível que eu tenha uma relação de sangue tão próxima com você? Pois isso me enoja, você desgraçou a honra da minha família.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Que assim seja. Pois vem, minha alma te conduz.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Toda aquela visão se desfez na frente de Raul, e ele se viu novamente naquele recinto vazio. Entretanto, agora algo muito pior se fazia presente ali, naquele lugar. E quando disse “vazio”, quis dizer que não havia mais ninguém vivo ali, além do próprio Guerreiro. Pois naquele dia, Raul entendeu que até mesmo almas mortas, quando se desvirtuam e se tornam fantasmas, tem força de vontade a ponto de impor suas vontades. E naquele dia, ele também descobriu que fantasmas na verdade &lt;i&gt;podiam&lt;/i&gt; atacar um homem fisicamente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Na sua frente, o espírito renegado materializara-se. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A mulher surgira no plano material para impedir que sua maldição tivesse fim, e ali estava aquela mesma mulher que Raul vira nas suas visões. Entretanto, ela agora flutuava alguns centímetros acima do chão. Seu olhar era completamente escuro e seu corpo parecia emanar uma aura púrpura que chegava a cheirar como o enxofre. Presa ao seu pé, havia ali uma corrente prateada que fazia sangrar gotas que nunca tocavam o chão antes de desaparecer. A corrente esta presa ao nada e flutuava assim como a garota. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Trim&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ A corrente tilintou num estalo, e no momento seguinte Raul caiu para trás com o rosto marcado pelo golpe do espírito. O Cavaleiro estava quase atônito, pois já enfrentara inimigos materiais sim, mas nunca um fantasma que se tornara um oponente do mesmo plano. Seus membros tremiam, e ele via que pela primeira em muito tempo deixava-se dominar pelo medo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ E começava a novamente ouvir os lamentos dos que morriam antes da hora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ E começava a novamente ver-se no hospital em que fora internado quando criança, naquele lugar onde o terror rondava a sua mente e ele nunca entendia o porquê. Raul via-se novamente atormentado pelos vultos das noites inconstantes de sua infância e sentia sua vida esvair-se em cada lágrima que chorava por puro terror. Eram tempos terríveis. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ali, no plano que beirava entre a realidade e a “realidade”, o fantasma da mulher agora ria alto, e sua risada ressoava como se fossem tilintares de correntes que eram forçadas. A corrente que pendia do seu pé envolvera Guerreiro Raul e o apertava os músculos com uma força sobrehumana, força tamanha que faziam estalar os ossos e as juntas do corpo do Cavaleiro. Mas ele estava em estado de choque, nem sequer sabia do corpo, mais se importava com o medo que o assolava.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Cada vez menos o pequeno Raul conseguia dormir. Seus pais nunca vinham visitá-lo, ele não tinha pais. E, fora a família que nunca teve, também era a saúde frágil a interná-lo num hospital. O serviço social achava que estava fazendo o bem para o garoto, mal sabendo que o internavam no único lugar aonde nunca teria paz. Ele começava a criar olheiras enormes pelas noites à pio, e seu corpo ficava cada vez mais fraco, tal qual sua saúde. Pois são pessoas completamente diferentes, aquela que quer viver um próximo dia, e aquela que não mais suporta um único dia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas isso foi até aquele dia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Aquele dia em que um grupo de voluntários aparecera para alegrá-los com roupas de palhaços. Não, Raul não achava graça em nada que faziam. E por mais que tentassem, tudo que Raul conseguia fazer era balançar a cabeça, aceitando ou não o que lhe dissessem. Mas isso foi antes do Palhaço Paçoca entrar. E foi só naquele momento que ele levantou o olhar para observá-lo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Não sabia quantos anos tinha, a maquiagem lhe ocultava a idade e a identidade. Mas isso não importava. Pois aquele ser era diferente. Assim como os espíritos em sofrimento emitiam o terror, aquele homem emitia luz, uma aura de tranquilidade envolvia o corpo daquele homem, e, mesmo sem ter feito nenhuma brincadeira, tinha feito Raul esboçar um sorriso. O Palhaço Paçoca pareceu entender quem era o garotinho que ele observava, e o que ele tinha sofrido. Pois foi até ele saltitando e pulando, para logo em seguida lhe entregar, não uma bala ou um pirulito, mas um pequeno pingente com o símbolo da luz: O Sol.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Algumas semanas depois, Raul fora adotado por um homem chamado Charbel Vieira, também conhecido dentro da Ordem dos Cavaleiros do Silêncio como “Alegre” Charbel. O homem que se tornara seu mentor, o Palhaço Paçoca. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ E mesmo com o corpo envolto naquela corrente fantasmagórica, Raul conseguiu trazer seu braço até o peito, onde o pingente pendia por debaixo da camisa. Voltara a realidade, e junto, sentia as dores do corpo. Mas, junto disso, voltava também a vontade de viver e a coragem. E o medo fugia frente àquele que se chamava “Guerreiro” Raul. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Naquela noite Raul também descobriu que a Magia que se oculta por de trás do Manto não era algo completamente sombrio. Não era algo que deveria ser combatido pela força de vontade dos Cavaleiros da Ordem. Afinal de contas, a Força de Vontade, como ele bem pôde sentir naquela noite, também era Magia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Que assim seja. Pois vem, minha alma te conduz!!&lt;/i&gt; - Bradou o moreno, tentando ignorar a dor do aperto das correntes malditas. E naquele instante apertou na pala da mão o pingente do Sol, que começou a emitir um brilho forte e azulado.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Que assim seja. Pois vem, minha alma te conduz!!!&lt;/i&gt; - O tom de voz aumentou e a corrente pareceu apertá-lo ainda mais, ao mesmo tempo que o fantasma pousou a cabeça sobre as mãos e começou a agoniar de dor, onde os gritos ecoavam como correntes se quebrando e tilintando.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Que assim seja. Pois vem, minha alma te conduz!!!!&lt;/i&gt; - O grito de Raul Guerreiro foi forte, e, daquela vez, ele sentiu o pingente alterar-se nas suas mãos. Por um breve instante, Raul sentiu estar carregando, não uma simples memória de seu mentor, mas uma espada de luz. Uma espada que, num instante, cortou a corrente que o prendia, transformando-a em sombras que logo dissolveram-se no nada.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;E que tua alma descanse. Pois não há alma que não mereça a Luz.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Aqui, meu ouvinte, eu pauso a cena para mostrar algo muito peculiar: Aquele fantasma que materializara-se com seu puro ódio e rancor da vida e da casa que a aprisionara tinha aparecido para Raul no mesmo lugar onde ele criara um círculo de magia, segundos antes. E também era naquele mesmo lugar que aquela mulher tinha morrido, presa à uma corrente. E quão surpresa seria, se eu he dissesse que, na realidade, tudo que aquela moça queria, era que justamente Raul o salvasse? Pois naquele instante, Raul lembrou-se das palavras que a moça soletrara para ele na sua visão. E, curiosamente, agora as lembranças eram outras. &lt;br /&gt;ㅤㅤ “&lt;i&gt;Salve-me, Guerreiro.&lt;/i&gt;”&lt;br /&gt;ㅤㅤ E Guerreiro Raul ergueu seu pingente na direção do fantasma, e o item pareceu agora brilhar mais que o próprio sol, pois um clarão fez-se naquele quarto. E no instante seguinte, estava ali apenas o Cavaleiro da Ordem, de joelhos no chão, com o corpo dolorido e a alma aliviada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Trim&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ Tilintou a &lt;i&gt;Casa dos Tilintares&lt;/i&gt;, uma última vez. Mas aquele som não parecia o tilintar de uma corrente. Mais se assemelhava com o tilintar de um sino, de um pequeno sino que soou, bem perto da alma de Raul. E ele sentou-se no chão, ouvindo novamente aquela voz das visões. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Então, você é a minha irmã, não é?&lt;/i&gt; - Disse uma voz simpática, a mesma que gritava no espírito de Raul, instantes antes. - &lt;i&gt;Eu entendo que sente a mesma dor que eu, pela morte de nosso pai. Mas devemos seguir em frente. Estou construindo uma casa para morar com minha esposa, vai ser um sobrado dos mais requintados da cidade. Gostaria de morar conosco? Vai ser uma alegria tê-la comigo, para compensar todos os anos que me foram perdidos de convivência com você. Nesse tempo que nem sabia de sua existência. Sim, somos apenas meio-irmãos, mas de que importa? Vem comigo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ Sabe, muitas vezes eu comparo o paraíso idealizado dos homens com uma ilusão daquilo que eles mais desejam. Pois, se eu estava certo na minha comparação, eu tenho certeza que agora, uma Irmã corre de braços dados ao seu Irmão. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Em algum lugar do paraíso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-3772224848054512957?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/3772224848054512957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/guarda-casa-dos-tilintares.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3772224848054512957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3772224848054512957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/06/guarda-casa-dos-tilintares.html' title='A Guarda - A Casa dos Tilintares'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1140476489775334174</id><published>2011-05-18T10:25:00.000-07:00</published><updated>2011-05-18T10:31:54.765-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Esboços</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em traços de neve, criei-a.&lt;br /&gt;Formada em lábios de mel e suspiro&lt;br /&gt;Temporária, estava ali meu alívio.&lt;br /&gt;E sorria para mim, a sua maneira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em traços de grafite existia.&lt;br /&gt;Estátua de Afrodite; inerte, imóvel.&lt;br /&gt;Não obstante, meu ser era onócuo&lt;br /&gt;Diante da imaculada sua magia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em traços de lágrimas, lembro o que vivi.&lt;br /&gt;Pois na neve (não) há seu calor.&lt;br /&gt;Pois no grafite (não) há seu louvor. &lt;br /&gt;Mas dos traços, falta a ti. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1140476489775334174?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1140476489775334174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/05/esbocos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1140476489775334174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1140476489775334174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/05/esbocos.html' title='Esboços'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2284179331435399746</id><published>2011-04-19T20:18:00.000-07:00</published><updated>2011-04-19T20:22:18.204-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Sobre a Utopia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Fora não mais que uma tormenta;&lt;br /&gt;Tendo, o viver do impossível, vivenciar.&lt;br /&gt;O peito arde e a alma já não aguenta&lt;br /&gt;Era dor, do desejo jogado ao ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora muito mais que uma dádiva;&lt;br /&gt;cravou, lá no fundo, a Certeza. &lt;br /&gt;O toque que queria, ela lá estava &lt;br /&gt;Utópica, sonho de lábios, minha princesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, não é de noites insólitas que se faz vidas&lt;br /&gt;À você, doce amada, estas letras muito mais tem contidas.&lt;br /&gt;Àquela que une tormenta e dádiva, imploro em solo;&lt;br /&gt;Não mais venha nas nuvens, é nos seus reais braços que me revigoro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2284179331435399746?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2284179331435399746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/04/sobre-utopia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2284179331435399746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2284179331435399746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/04/sobre-utopia.html' title='Sobre a Utopia'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2712831798002680725</id><published>2011-04-14T19:39:00.000-07:00</published><updated>2011-06-11T07:25:49.841-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Antologia: A Guarda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><title type='text'>A Guarda - Introdução</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;i&gt;ㅤㅤPara você, caro leitor, tenho que, antes de tudo, deixar uma mensagem de suma importância: Tudo o que você lerá veio embasado em muita pesquisa, anotações e &lt;b&gt;deduções&lt;/b&gt;, vale a pena ressaltar este último ponto. O fato de eu usar da narrativa para descrever todas as cenas é puramente um efeito de estética e que facilitará o entendimento para aqueles que tiverem meus escritos em mãos. &lt;br /&gt;ㅤㅤTodos que pretenderem dedicar seu tempo aos meus últimos treze anos de busca, devem lê-los do modo que foram encontrados; ou seja, cada volume e capítulo por vez, já que que minhas descobertas foram escritas em ordem cronológica e muitas vezes uma depende diretamente de uma  anterior para fazer sentido. Válido também é notificar os leitores que, assim como ocultarei alguns fatos e descobertas, em muitos outros momentos usarei de descobertas futuras para melhor explicar um fato antecedente. Peço que compreendam que toda a modificação que eu faço é para o melhor entendimento daqueles que poderão prosseguir com meu último legado. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt; &lt;i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤSou Jair Darwinheart, e já fiz muitas coisas em minha vida. Mas, dentre várias delas, destaco duas coisas: A primeira é o trabalho ao qual me dediquei por quase toda minha vida, sendo um consultor investigativo para casos complicados em todo Brasil. Afinal de contas, é muito fácil, com a tecnologia e ciência atual, remontar todo um crime em seus mínimos detalhes, mas a mente humana continua sendo algo bem mais complexo que qualquer cena ou prova.  &lt;br /&gt;ㅤㅤO segundo ponto que destaco, é minha fascinação por casos paranormais. Uma vez que sou formado em muitas áreas de ciências biológicas e humanas, chega a ser quase um tabu para mim aceitar que no mundo existam incidentes inexplicáveis. Foi graças à junção destes dois pontos que hoje vocês têm nas mãos essas páginas e páginas de conhecimento adquirido.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤAntes de iniciar a narração da primeira de minhas buscas, resumirei um pouco sobre como me engajei em tamanha empreitada: Dois anos após me aposentar de meu trabalho e cinco anos após a morte de minha esposa, eu acabei sentindo um vazio enorme em meu peito. Meu filho eu já não via fazia oito anos, e, por motivos que oculto por agora, talvez ele nunca mais quisesse me ver; os avanços tecnológicos eram tantos que já quase não precisavam de minha ajuda; e uma vez que não tinha mais quase nada com o que ocupar-me a mente, notei como minha amada Pandora fazia falta naquela casa tão vasta. &lt;br /&gt;ㅤㅤFoi buscando um sentido para minha vida que viajava novamente para Londres para ingressar numa nova faculdade aos sessenta e oito anos. Já não estava tão motivado como na época da juventude, culpava a minha idade avançada, quando na verdade era por puro desinteresse que se  ocultava naquela minha tola tentativa. Todavia, foi por obra do destino  que durante a viagem eu me deparei com algo completamente inacreditável e inesquecível. Por hora, não revelarei mais sobre este ponto, mas haverá uma caderneta inteira explicando sobre o que ocorreu naquele dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤO fato é que aquilo que eu vi reanimou todo meu espírito e me deu finalmente algo novo para o qual me dedicar. Agora, já faz mais de dez anos que pesquiso sobre fatos relacionados a esta organização denominada “&lt;b&gt;A Guarda&lt;/b&gt;”. E, pelo medo de a morte me abraçar e do mundo perder todo o conhecimento que acumulei, é que estou organizando minhas anotações e descobertas desta forma. Se vocês agora estão lendo isto, provavelmente já devo estar morto, seja por causas naturais, ou por causas “naturais”.  &lt;br /&gt;ㅤㅤAos que adentram no universo d'&lt;b&gt;A Guarda&lt;/b&gt;, peço cautela em cada passo dado. Pois muitos serão os desafios e poucas serão as recompensações. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hehe, a inspiração e a empolgação finalmente vieram. E vieram fortes e sagazes. Isso é só uma prévia, aquilo que está antecedendo uma série de contos que tem como plano de fundo a organização "A Guarda". Vocês saberão mais das minhas idéias conforme escreverei cada uma das histórias! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2712831798002680725?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2712831798002680725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/04/guarda-introducao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2712831798002680725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2712831798002680725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/04/guarda-introducao.html' title='A Guarda - Introdução'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1452303101881078733</id><published>2011-04-12T13:24:00.000-07:00</published><updated>2011-04-12T13:28:29.114-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Postagens Atrasadas</title><content type='html'>&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Então, tem gente brava comigo porque faz um tempo que eu não escrevo nada para colocar aqui. Pois é... estão certos em ficarem nervosos mesmo! Até eu estou frustrado comigo mesmo. Então, vim fazer a pequena postagem explicativa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já tive uns vários surtos de idéias durante este mês e o mês passado. No total, tenho idéia para uns nove contos, que já estão com os enredos devidamente anotados na minha caderneta de notas. Fora isso, é claro que vez ou outra me vem os poemas que eu trago vez ou outra. Então, Tadashi, porque não posta? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples! Eu não estou com aquele "tesão" pra escrever ultimamente. Entrei numa fase um pouco... como eu posso dizer... zen? De qualquer forma, meus dedos já estão formigando pra eu digitar logo algumas histórias para o blog. Então, é só esperar vir AQUELA empolgação e eu despejo minhas idéias aqui! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1452303101881078733?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1452303101881078733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/04/postagens-atrasadas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1452303101881078733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1452303101881078733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/04/postagens-atrasadas.html' title='Postagens Atrasadas'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-7593953998657545083</id><published>2011-03-16T19:55:00.000-07:00</published><updated>2011-03-16T19:58:21.626-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><title type='text'>Da Hipocrisia ao Futuro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;    Este vai ser um texto um tanto... Diferente. Ou não. Vai saber, às vezes vocês entendem dos meus textos mais do que eu. Bom, o fato é que isto soará mais como uma conversa do que qualquer outra postagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Eu não sei se isso é válido, mas eu acho que todo o escritor de ficção é um hipócrita. Mas é um tipo de hipocrisia diferente. Ou... sei lá, é difícil de explicar. Sabe? Às vezes eu tento transmitir tantos tipos de sentimentos na minha escrita que eu acabo me esquecendo que a maioria deles, eu não vivi. Do tipo, a coragem de um personagem secundário; ou a força de vontade e o espírito incansável do protagonista daquele conto acolá; ou até mesmo um ato inesperado que um dos integrantes da história fez no meio da narrativa. Eu não passei por isso tudo. Não tive a coragem daquele fulano de tal numa hora que precisei ter, ou nunca tive a força de vontade daquele outro ciclano, ou então, eu nunca fui capaz de realizar um ato que era preciso. &lt;br /&gt;    Por isso, acaba que eu estou pensando assim: Meus personagens são melhores do que eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    E, geralmente não é só. Ultimamente, eu fico orgulhoso de mim mesmo por conseguir dar ótimos conselhos aos amigos meus que estão com problemas. Fico feliz em saber que eu consigo animar uma pessoa com palavras boas, e que consigo fazer um sorriso aparecer na face de outra pessoa. Isso é muito bom, uma das melhores sensações que eu já tive – e que espero ter pelo resto da vida. Todavia, agora eu parei e pensei um pouco: Aquelas palavras tão bonitas que eu falei. Eu estou as cumprindo? Não, acho que não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Eu já contei a vocês o porque de eu decidir escrever? Talvez já, talvez não. Mas, não ligo, falarei de novo: Eu fui cresci vendo aqueles desenhos japoneses, lendo aqueles livros, vendo aquelas séries, vendo aqueles filmes, lendo aqueles quadrinhos, ouvindo aquelas músicas. E eu me maravilhava com a forma com a qual os autores, desenhistas, atores, diretores, músicos e cantores conseguiam mexer com as minhas emoções. Era incrível. Foi com o tempo que eu notei que meu grande sonho era conseguir fazer o mesmo que eles! Criar emoções, brincar com as que já existiam.&lt;br /&gt;    Tentei uma pá de coisas; música (gaita e teclado, um desastre nos dois), mágicas com cartas, canto, desenho. Mas nenhuma deu muito certo. Foi então que eu me deparei com a escrita e me afeiçoei com ela. &lt;br /&gt;    Mas novamente eu paro pra pensar: Eu, como pessoa, não estou fazendo por onde. O que as músicas dizem, ou no ato daqueles personagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Então, depois de pensar muito sobre o assunto,(e já tentar me mudar quanto a este ponto várias vezes) eu decidi fazer isso de vez. Vou quebrar um pouco com a hipocrisia dos meus textos e dos meus conselhos e fazer por mim mesmo. &lt;br /&gt;    Eu preciso emagrecer, por questão de saúde e até por estética. Eu preciso estudar, pra entrar de uma vez na faculdade. Eu preciso treinar mais duro no Karatê. E eu preciso correr atrás de alguém pra mim. Que pelo menos a hipocrisia com a qual eu escrevi meus personagens possa se tornar um pouco real! &lt;br /&gt;    Então, minhas caras crias de contos e poemas, me emprestem um pouco de suas personalidades, tá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-7593953998657545083?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/7593953998657545083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/03/da-hipocrisia-ao-futuro.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7593953998657545083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7593953998657545083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/03/da-hipocrisia-ao-futuro.html' title='Da Hipocrisia ao Futuro'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1579470785424874740</id><published>2011-03-07T23:33:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T23:35:28.989-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Passos não dados</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   E essa é a dor, querido. &lt;br /&gt;   Finda na mente, na silhueta longe. &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;   Chuva caiu, não sem sentido.&lt;br /&gt;   Tido como contido, no fundo, na silhueta longe. &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;   Resquícios do nada, você consigo.&lt;br /&gt;   Caminha no infinito, busca o finito, a silhueta longe. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1579470785424874740?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1579470785424874740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/03/passos-nao-dados.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1579470785424874740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1579470785424874740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/03/passos-nao-dados.html' title='Passos não dados'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-7908900397168697434</id><published>2011-02-14T08:06:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T08:13:35.224-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Microcontos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Real'/><title type='text'>Suma Importância Nacional</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O modo mais fácil de destacar a importância que os Jornais Televisivos dão as suas matérias, é analisando o tempo que eles reservam para cada tipo de reportagem. Confira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Atual situação de desabrigados das chuvas: Nulo&lt;br /&gt;Situação política do Estado Egípcio: 30 Segundos&lt;br /&gt;Investigações policiais sobre quadrilhas: 1 Minuto&lt;br /&gt;Despedida do Jogador Ronaldo Fenômeno: 15 Minutos, e cobertura ao vivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população brasileira fica feliz com a adequação de temas e tempo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-7908900397168697434?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/7908900397168697434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/02/suma-importancia-nacional.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7908900397168697434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7908900397168697434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/02/suma-importancia-nacional.html' title='Suma Importância Nacional'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-8520843469786163019</id><published>2011-02-04T21:49:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T13:02:58.365-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Microcontos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Real'/><title type='text'>Renúncia à Divindade</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ㅤ Conforme adentrava o lar; mostrava-se, imponente, onisciente. Era de mármore, pele prateada, roupas que pesavam toneladas. Tocou nos lábios dela, mas ela só sentiu pó e pedra. Olhou-a por cima dos ombros e depois deixou correr sua purificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;ㅤ  A água desceu sobre o corpo. O prateado se substituíra pela cor do pecado; as roupas de mármore e pedra, jogadas num canto. Ele a viu sorrir. Renunciara ao posto de Deus. Agora era só o marido dela. Beijou-a, e agora sentira sua carne e amor.  &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://img280.imageshack.us/img280/6426/angelurbano3lb.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 444px; height: 640px;" src="http://img280.imageshack.us/img280/6426/angelurbano3lb.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-8520843469786163019?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/8520843469786163019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/02/renuncia-divindade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8520843469786163019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8520843469786163019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/02/renuncia-divindade.html' title='Renúncia à Divindade'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2545625085326133455</id><published>2011-01-22T21:21:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T13:01:54.744-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Imagens e Marcadores</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Olá para os leitores do Blog! Cá estou novamente para (des)entretê-los sendo apenas eu, rs. Enfim, esta postagem é algo que vou tentar fazer ser bem rápida e direta. A mensagem principal: Dei uma pequena modificada nos marcadores das minhas postagens - sendo mais preciso, nas postagens de contos -, e vim aqui para explicar melhor sobre eles. Junto, haverá uma sugestão minha, para o caso de estarem lendo pela primeira vez uma postagem minha. Vamos lá! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/search/label/Contos:%20Drama/"&gt;Contos: Drama&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;Onde colocarei as minhas narrativas que visam, como objetivo principal atingir meus leitores pelo sentimento de sensibilização do personagem ou do conto, por inteiro. Como podem ver pelo número de postagens, não é minha preferida. Minha sugestão, dentro do tema, é &lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/lagrimas-no-paraiso.html/"&gt;Lágrimas no Paraíso&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, que retrata a estória de um homem que perdera tudo na sua vida, e, subitamente, tem uma nova chance. Posso dizer com extrema certeza que me dediquei bastante a este escrito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/search/label/Contos:%20Fantasia/"&gt;Contos: Fantasia&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;O estilo que predomina nas minhas narrativas, porque simplesmente adoro entrar num mundo em que só se pode ter acesso pela imaginação. E também, a clara influência das literaturas infanto-juvenis em minha literatura. Deste estilo, eu aconselho lerem &lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/penas-e-cera.html/"&gt;Penas e Cera&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. Não é o conto ao qual mais me dediquei, e também não é o que mais gostei de escrever. Entretanto, é um texto recente e que mostra o nível de minha escrita, atualmente. A história tem saltos temporais, indo desde a pré-história até a atualidade. Com um laço que os envolve quase invisível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/search/label/Contos:%20Horror%20e%20Suspense/"&gt;Contos: Horror e Suspense&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Aqui se encontram a maioria dos meus primeiros escritos. Vez que eu escrevia estas narrativas - e ainda escrevo, vez ou outra - para um concurso de contos de Terror de uma comunidade a qual eu participo. Abordo, a maioria das vezes, temas pesados e gosto de retratar sem dó cenas com sangue e carnificina. Destaco, dentre os escritos, o conto surreal &lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/04/chaves-reflexos-espelhos.html/"&gt;Chaves, Reflexos, Sentimentos&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, onde narro a curta e terrível jornada de Daniel, que se viu repentinamente forçado a abrir treze portas que guardavam inúmeras surpresas relacionadas a sua vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/search/label/Contos:%20Humor/"&gt;Contos: Humor&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Estilo recente, que comecei após algumas influências de leitura e da internet - destaco aqui a presença dos textos do Cronista André Mansim, do blog Verdades e Bobagens. É divertido, e acabou que a maioria dos meus contos deste estilo podem ser encaixados, também, no marcador "Crônicas". Indico, deste estilo, &lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/o-natal-de-ariadne-leverson-e-greve.html/"&gt;O Natal de Ariadne Leverson e a Greve Surpresa&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, que narra, com toda a graça que eu tento colocar na minha literatura cômica, o que aconteceu de surpreendente na noite de natal da mesquinha e cética Sra. Leverson. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/search/label/Contos:%20Real/"&gt;Contos: Real&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aqui estão as histórias que não tem a pitada de fantástico. São poucas, mas eu gosto de grande parte delas. Estas são narrativas que destrincham fatos que poderiam realmente acontecer, vez ou outra. Quem sabe até apareceu na tela de sua televisão, semana passada. Deixo, de "Real", o conto &lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/relatos-mirins-reeditado.html"&gt;Relatos Mirins&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, que na realidade está mais para crônica, rs. É um escrito que relata de jeito cômico várias situações pelas quais as crianças e seus pais passam. Fruto de ingenuidade e lugares-comuns da relação familiar novata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/search/label/Contos:%20Surreal/"&gt;Contos: Surreal&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Aqui estão os textos em que eu, provavelmente, mais usei de introspecção e brinquei com a mente do meu leitor. São leituras que se moldam de um modo especial para cada pessoa, e as deixa com alguma ponta de reflexão sobre grande parte da estória. Do tema, eu deixo, com tranquilidade, o primeiro &lt;b&gt;&lt;a href="http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2009/08/monologo.html/"&gt;Monólogo&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;. Esta série de contos - sendo eles; Monólogo 1,2,3 e 4 - narram o personagem Pierrot. Atuando, no que parece ser o palco de um teatro, a um monólogo que trata de várias questões reflexivas da vida de cada um. O Pierrot salta nas emoções, indo da alegria contagiante à tristeza mórbida em poucos segundos. "Monólogo" é uma série de contos que nunca irei parar de fazer, por retratar, algumas muitas vezes, sentimentos contidos dentro de mim por muito tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, espero que essa nova maneira com a qual organizei as postagens do blog ajude alguém quando quiser procurar por escritos meus. Eu pretendia terminar a postagem aqui, mas me lembrei de um comentário bem antigo, sobre as imagens que eu posto nos blogs. Eu gostaria de dizer que todas as fotos de Céu que postei por aqui foram tiradas e editadas por mim. E, de folga, estou deixando aqui algumas fotos que me agradaram bastante. E, quem sabe, não agradam também a mais pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDia0JmjI/AAAAAAAAAL8/Nwy7PCDiMA4/s1600/P7290039.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDia0JmjI/AAAAAAAAAL8/Nwy7PCDiMA4/s400/P7290039.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565256760627403314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDiDAVcZI/AAAAAAAAAL0/PRVeGPppt4A/s1600/P1010042.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDiDAVcZI/AAAAAAAAAL0/PRVeGPppt4A/s400/P1010042.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565256754236060050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDh4K0EOI/AAAAAAAAALs/inIVxytQ13Y/s1600/P1250054.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDh4K0EOI/AAAAAAAAALs/inIVxytQ13Y/s400/P1250054.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565256751327219938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDh13SGWI/AAAAAAAAALk/zQG6xUrkvpE/s1600/P2030016.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDh13SGWI/AAAAAAAAALk/zQG6xUrkvpE/s400/P2030016.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565256750708431202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDhp49AHI/AAAAAAAAALc/duiCfnrZvS4/s1600/P3120047.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDhp49AHI/AAAAAAAAALc/duiCfnrZvS4/s400/P3120047.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565256747494211698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvET-MsijI/AAAAAAAAAMc/E4LDSfBRng4/s1600/P2040022.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvET-MsijI/AAAAAAAAAMc/E4LDSfBRng4/s400/P2040022.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565257611939187250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvEToEVBRI/AAAAAAAAAMU/NxQuJ8KX6Q8/s1600/P2070023.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvEToEVBRI/AAAAAAAAAMU/NxQuJ8KX6Q8/s400/P2070023.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565257605998511378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvETY2k_BI/AAAAAAAAAMM/V2R_J2-qflc/s1600/P1250051%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvETY2k_BI/AAAAAAAAAMM/V2R_J2-qflc/s400/P1250051%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565257601914305554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvETF_B3KI/AAAAAAAAAME/lzJAm08nqJY/s1600/P3120051.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvETF_B3KI/AAAAAAAAAME/lzJAm08nqJY/s400/P3120051.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565257596849478818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2545625085326133455?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' 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src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTvDia0JmjI/AAAAAAAAAL8/Nwy7PCDiMA4/s72-c/P7290039.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-6160072602410687124</id><published>2011-01-19T13:29:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T13:06:47.344-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Microcontos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sem Pátria</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;No Japão, sou Brasileiro.&lt;br /&gt;No Brasil, sou Japonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Cocei a cabeça, procurei apoio moral.&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;E agora&lt;/i&gt;? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-6160072602410687124?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/6160072602410687124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/sem-patria.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6160072602410687124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6160072602410687124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/sem-patria.html' title='Sem Pátria'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-3210108933175832409</id><published>2011-01-19T13:26:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T13:07:29.659-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Microcontos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Real'/><title type='text'>Prático, Útil...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;João Carlos, morto na catástrofe das chuvas em Teresópolis&lt;/i&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Assassino Luís acendeu um cigarro, deixando de lado a parte de óbitos do jornal.&lt;br /&gt;- Poupar bala, sempre bom. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-3210108933175832409?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/3210108933175832409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/pratico-util.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3210108933175832409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3210108933175832409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/pratico-util.html' title='Prático, Útil...'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-131127709536249748</id><published>2011-01-13T16:18:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T13:08:28.954-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Pratici(Bruta)lidade</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;b&gt;Guia do Matador de Insetos, Volume 4, Página 476: &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Artigo n°967: Sobre a relação banho x barata. Caso um matador interceptar um protozoário baratóide durante seu momento de pura higienização, há três modos com os quais se seguir.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;A: Conforme artigo n°967, a primeira solução é, com toda a destreza natural possível, saltitar pelo chão enquanto o insetóide corre desordenadamente – como é de sua natureza. A direção que deve seguir é a da porta do box, para sair dali o mais rápido possível e voltar com nossa melhor arma.&lt;br /&gt;B: Conforme artigo n°967, a segunda solução é, usando do jato de água proporcionado pela mangueira de banho, virar nossa arqui-vilã de costas. Logo após isso, a técnica é uma mescla de puro bom uso de química, física e experiência no ramo de Matador de Insetos. Segure o sabonete com a mão e o molhe, logo após, girando o sabonete na mão – caso não haja destreza suficiente para o ato, use as duas – deixe com que o líquido, mescla de água e sabonete líquido, caia sobre o corpo da barata. Uma vez que ela respira pelos poros daquela parte do corpo virada para cima, seu ataque será igual ao de quando alguém joga água nos seus tubos respiratórios. Dura apenas dez segundos até completa morte da barata. &lt;br /&gt;C: Conforme artigo n°967, a terceira solução é, compartilhando de grande prática no ato, pisar no inseto. Uma vez que está banhando-se, basta se desfazer dos restos do inseto e higienizar-se.” &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-131127709536249748?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/131127709536249748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/praticibrutalidade.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/131127709536249748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/131127709536249748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/praticibrutalidade.html' title='Pratici(Bruta)lidade'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-8840065209034048973</id><published>2011-01-10T23:52:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T13:25:59.551-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Última Vez</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TSwM2stvcdI/AAAAAAAAAJU/l-P4iLTQHII/s1600/P6110041.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TSwM2stvcdI/AAAAAAAAAJU/l-P4iLTQHII/s400/P6110041.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560833773751202258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;“Vai-te”, me dissera, “leva seu destino”, só uma vez;&lt;br /&gt;Fraterno, o abraço me fizera a vida.&lt;br /&gt;Digo, certo, não saber, do fundo de minha (in)sensatez,&lt;br /&gt;Como e tanto a voz por mim se fez acolhida.&lt;br /&gt;&lt;span class="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;Foi em marrom outonal, bem lembro.&lt;br /&gt;E, da secura de uma desperdiçada transparência dos olhos,&lt;br /&gt;vi ali a cura de qualquer ferimento.&lt;br /&gt;Passos de firmeza, de alma hesitante, sem remorsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já de longe, a alma fez tremer.&lt;br /&gt;E meus passos se projetaram de volta, só no meu coração.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-8840065209034048973?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/8840065209034048973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/ultima-vez.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8840065209034048973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8840065209034048973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/ultima-vez.html' title='Última Vez'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TSwM2stvcdI/AAAAAAAAAJU/l-P4iLTQHII/s72-c/P6110041.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2658075697060978866</id><published>2011-01-10T11:11:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T20:45:10.828-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Horror e Suspense'/><title type='text'>Destino Desatino</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;b&gt;I – Cinzas do Passado&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Depois de tanto desejar se ocultar na escuridão, lá estava Januário – de boca seca e olhos vidrados no nada – desejando, agonizante, por um feixe de luz. Mais a frente, na mesa suja e cheia de garrafas de pinga vazias, jazia ela.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;b&gt;II – Tentativas do Presente&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Querida Mariana,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ (Largou a caneta, respirou fundo. Havia pouca tinta e tinha certeza – ou queria ter a certeza – de que ela não terminaria aquele escrito. As folhas, amareladas, eram as últimas da gaveta. E, bem no fundo, Januário sentiu que não haveria mais cartas. Alcançou novamente o objeto e pôs-se a escrever.)&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Esta será, provavelmente, a minha última chance de atar os nós que, há muito tempo, eu deixara soltos. Agora que já não reflito, reviso e reescrevo meus escritos; tenho a total certeza que tudo o que está escrito aqui sou simplesmente eu. Não minha máscara porca e imunda, não minha técnica na escrita; será simplesmente eu, Januário Lopes.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Para que possa entender com exatidão toda a complexidade das minhas palavras, Mari – se é que posso ainda chamá-la assim –, devo começar onde todos os romancistas tradicionais geralmente começam: Pelo início.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Será que você, por ventura, é capaz de se lembrar de como nos conhecemos? Da maneira com a qual, naquele bar de Jazz da zona norte, nós nos cumprimentamos e trocamos aqueles olhares tão íntimos, apresentados um ao outro pelo camarada Batista? Pois, se sim, eu posso dizer que estas memórias que carrega consigo, eu também levo dentro do que resta da minha alma. Aquela era uma época em que eu realmente era feliz. O Batista, hoje me pergunto se foi realmente uma benção na minha vida, estava arrumando tudo para mim com todas as editoras onde tinha contatos. O nome “Olive Golden” começava a aparecer cada vez mais nos cadernos B dos grandes jornais do país, meu pseudônimo virou uma febre entre os adolescentes que – tão crentes de lerem um célebre e jovem escritor norte-americano, que só fora descoberto no Brasil – faziam a questão de espalharem a minha literatura comercial de todas as formas possíveis.&lt;br /&gt;ㅤㅤ E, depois de três livros entre os mais vendidos dos escritores nacionais da atualidade, você me surgiu. Uma luz na minha vida, que servia um café adocicado nas minhas madrugadas insólitas e me dava sorrisos em momentos que eu nunca cogitaria ter dado um. Casamo-nos um ano e meio depois de termos total certeza que fomos feitos um para o outro; e, três anos depois, tínhamos uma casa longe da correria da grande São Paulo, o carro do ano e uma poupança de dar inveja em muitos. Mesmo eu podendo bancar tudo, Mari, você ainda queria trabalhar. Seu ofício como bancária sempre fora um fardo para você, eu bem sei. Mas hoje eu agradeço por você não o ter parado por nada. Ao menos assim eu retirei um dos pesos dos meus ombros, em saber que, ao nos separarmos, você viveria bem.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Mais um ano destes segundos tão valiosos se sucedeu, meus livros já tinham perdido aquela fama – como toda boa febre adolescente –, mas mesmo assim vivíamos bem e ríamos. Eu me lembro bem daquela noite, minha querida, aquela na qual saí com Batista para uma prosa descontraída e algumas latinhas de cerveja. Cheguei em casa tarde, mais de onze da noite, tenho certeza, mas você me esperava na sala. Os cachos castanhos levemente caídos para a direita e os olhos selados num leve sono. Fechei a porta com cuidado para não acordá-la, sem sucesso algum. Você abriu os olhos e, quando eu pensava vir uma reprovação pela minha tentativa de vida boêmia, sorriu para mim de um jeito inesperado.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Não preciso dizer o quão desconsertado fiquei, preciso? Levantou-se do sofá com uma leveza com a qual nunca vira se mover, e, com um derradeiro amor, você me teve nos braços. “O que foi, Mari?” perguntei, provavelmente sentiu o hálito forte que tinha. Demorou-se a me responder, apenas aconchegando seu corpo tão pequeno ao meu. Num misto de serenidade e alegria, “Estou grávida”, você me disse. A notícia no início me veio como um tapa, pegou-me desprevenido. Mas, como todo tapa de um casal no auge de seu amor, o tapa veio seguido se um aconchego, de uma reconciliação e de uma confirmação: De que você viera para ficar para sempre na minha vida. Ah, Mari, como eu gostaria de novamente beijá-la como a beijei naquele momento. Com tanta emoção no peito.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ (Deixou a cabeça cair sobre os braços, e, com toda a saudade do mundo, Januário se deixou chorar lágrimas de redenção. Mariana, como queria ter continuado a ficar com ela. O desalento aumentou e o escritor falido pouco notou das lágrimas que borraram o papel.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Conteve o grosso das gotas do passado e agruras do futuro e levantou a face. Precisava terminar o que se comprometera a começar mais uma vez.)&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Meses se passaram rápido, eu vivia agora numa alternância entre cuidar de vocês duas e cuidar de mim mesmo, de meus escritos. Passávamos por uma fase um tanto difícil, economicamente falando, os contratos com algumas editoras se encerrara e elas não quiseram renová-los. Também as idéias pareciam não fluir tão bem como antes. Mas eu pouco percebia daquilo tudo. Para mim, só bastava amá-la. Mimá-la. Ríamos sem motivo e passamos muitas noites em claro, apenas deitados abraçados e conversando sobre nossa querida Amanda. Era um hábito que tínhamos ganho havia pouco tempo, uma vez que eu já não passava noites em claro na frente de um teclado.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Nos mudamos para um apartamento, vendemos nossa casa para podermos ter uma nova que se adaptasse para nossa filha. Na realidade, nós dois sabíamos que nos desfizéramos da casa para que pudéssemos devidamente comprar tudo o que fosse necessário para nossa pequena; Amanda seria filha de pais felizes e atenciosos.&lt;br /&gt;ㅤㅤ E, foi só então que ela nasceu. De parto natural, numa madrugada de segunda, ela nasceu.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ (Levantou-se um pouco e caminhou com passos pesados pela pequena sala. Por um momento, ele deu graças por toda a bebida alcoólica ter acabado. No momento seguinte, sentiu-se desgraçado em confessar para si mesmo que queria ter ao menos mais um copo de vodka.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Coçou a barba mal cuidada e sentou-se na cadeira novamente.)&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Aquela foi a segunda época de ouro de nossa vida, não foi, Mari? Cada segundo após o nascimento de Amanda foi pensando apenas nela. As roupas, os móveis, o carinho, o amor. Ficávamos quase o dia todo juntos, tanto, que mal notara que já não escrevia nada que prestasse havia vários meses. As contas que se atrasavam, eu pensava na época, podiam ser resolvidas depois. Eu mal me lembrava que já não tinha mais contratos e que a comissão pelas vendas de meus livros já eram uma mixaria.&lt;br /&gt;ㅤㅤ O pior, é que senti tudo isso da pior maneira, tudo de uma vez. Estávamos caminhando no parque, nossa Amanda tinha quase dois anos e agora dava seus primeiros passos livres, saltante e dançante. Nós caminhávamos todos os dias, era uma atividade tranquila e revigorante – além de não tão caro. A pequena correu um tanto para longe de nós, saindo de nossa vista momentaneamente, seu aviso de desaprovação de nada serviu. Quando corremos para acompanhá-la, lá estava ela. Amanda estava parada na frente de uma pequena loja no meio do parque, uma loja que vendia souvenirs e pequenos itens. Os olhos da pequena estavam presos num ursinho de pelúcia, olhos de quem se apaixona.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Alcançamos nossa filha e ela se virou para nós com uma calma espetacular, um segundo depois, apontou para o ursinho e tentou, naquelas palavras tão doces e carinhosas, dizer para nós que o desejava. Movido pelo puro impulso de alegrar minha garota, entrei na loja e apontei o item. A funcionária fora rápida em alcançá-la e logo estava pagando por ele no caixa.&lt;br /&gt;ㅤㅤMari, como eu desejava que aquilo não tivesse acontecido. O cartão de crédito não foi aceito com um “limite estourado” piscando na tela do aparelho. Quando virei-me para fora da loja, lá estava ela, no meio de suas pernas, toda esperançosa. Eu nunca pude me esquecer do seu olhar de tristeza quando disse que não podíamos levá-lo naquele momento. Prometi a mim mesmo que viria outro dia só para pegá-lo para Amanda.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Todavia, querida, este dia não chegou.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Quando chegamos em casa, depois do passeio, descobrimos que a luz fora cortada pela falta de pagamento. O terceiro aviso de pagamento do aluguel do apartamento estava caída na entrada, e a montanha de contas nos recepcionou, com a caridosidade do vento da janela que deixamos aberta, jogada por toda a sala.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ (Deixou seus olhos passearem pela sala, aquele pequeno quarto em que morava agora não era nada, comparado ao apartamento em que vivera com Mariana. Comparado à casa em que moravam, ainda antes. Olhou para a caneta, ainda havia bastante tinta. Teria de terminar.)&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Por cerca de um mês inteiro, eu tentei voltar a escrever. Voltar a fazer dinheiro com a minha literatura, para que não pagássemos todas as contas com o seu puro esforço no banco. Fora um mês inteiro de frustração, e, quando eu notei que nada iria sair, vi-me com Batista novamente. O velho amigo, que agora raramente víamos, chamou-me para sair, para relaxar um pouco, por conta dele.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Carente de consolo, aceitei o convite de minha danação. Naquela noite, bebi tanto que Batista sentira-se culpado em chamar-me para sair. Minha cabeça girou, pensando em tudo que eu tentava não pensar, pensando em tudo que eu tentava pensar em, pensando em tudo. E, cambaleante, Batista me deixou há uma quadra de casa.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Foi exatamente ali que encontrei-o. Quando tentava discernir qual era a chave que abria a porta de entrada do bloco, deixei minha percepção porca notá-lo, um metros atrás de mim. O homem de pele branca e roupas desgastadas me observava com uma calma aterradora. Seu olhar tão cheio de nada me fez levemente estremecer, assim como toda a aura de terror que ele parecia emanar. Nervoso, esbravejei qualquer coisa.&lt;br /&gt;ㅤㅤ "Vim porque nós podemos fazer bons momentos juntos”, ele respondeu. “Porque eu sei algo que aliviaria sua tensão”, ele respondeu. Naquele primeiro encontro, deixei-o falando sozinho e entrei em casa. Acabei discutindo com você, e tenho a leve impressão que Amanda vira tudo, do pequeno vão aberto na entrada de seu quarto. Dormi caído no sofá da sala.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Depois daquele dia, resolvera sair para beber sempre que me sobrava dinheiro. O pouco dinheiro que eu recebia de comissão por livros vendidos rendia-me a saída alternativa para os problemas em goladas doloridas e boas. E era sempre nesses momentos que ele aparecia, aquele homem pálido. “Me chamo Macedo”, disse um dia, “Sou um homem de mau com a vida, assim como você”. E, aos poucos, eu acabava dando corda para conversas com ele.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Pelo que me dizia, ele também já tivera muito e agora nada tinha. E insistia que agora era um homem feliz, por ter conseguido sua “válvula de escape”, como ele mesmo disse. Eu sei, Mariana, que nunca me ouviu falar nada de Macedo, mas eu realmente não sabia o que falar. Ele era diferente, os olhos dele eram hipnotizadores, incitavam-me para cair em sua ladainha.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Nossas conversas, querida,  já eram sempre piores, sempre discussão, sempre brigas, e o choro alto de Amanda mostrava que ela sabia bem do horror em que estávamos entrando. E a dor de culpa por estar sendo um péssimo pai fazia-me sair de casa para esquecer dos problemas. E lá, sempre estava Macedo. Fui cedendo a suas persuasivas, a cada golada aquilo se tornava mais agradável, se tornava mais excitante. E foi numa noite de sexta feira que decidi aceitar o convite dele. Naquela noite, Macedo fez-me tomar uma garrafa a mais de pinga, que me fizera perder por completo a noção de espaço e tempo. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ (Quando relembrara daquelas cenas, um calafrio cruel e cheio de espinhos lhe subiu o corpo.)&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Quando o peso da sobriedade caíra sobre meus ombros, eu já tinha o feito. E, ao contrário do que imaginava – no antro de minha sensatez abalada –, não me sentira mal. Voltei para casa quase ao amanhecer, com um sorriso na face. Beijei você, Mari, contra a sua vontade e fedendo a álcool. Eu tirara toda a tensão de mim, e é difícil explicar o porque. Talvez, por eu ter feito algo tão pior do que simplesmente ser um mau marido e mau pai, eu agora me sentia disposto a encarar minha vida.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Naquele dia, quando acordei, barbeei-me como a muito tempo não fazia. Limpei a língua das camadas de álcool impregnadas nela e abracei-a com amor. “Que passarinho verde você viu?”, você me disse, ainda surpresa pelo bom humor que eu tinha. Ainda naquele dia, sentei-me na frente de minha escrivaninha e produzi como há muito tempo não fazia. Talvez meus atos me dessem idéias, talvez o fato de ter extravasado minhas angústias tivesse me dado a calma para produzir minha inspiração novamente. Tinha todo um romance pela frente. E, para todo ele, eu decidira fazer do uso de Macedo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Assim que a irresponsabilidade debruçava-se sobre minha alma e eu sentia-me novamente um completo nada, ia ter com Macedo. Sempre o encontrava por lá, perto do boteco, com uma nova roupa velha e seu olhar penetrante. Todo aquele jeito nefasto e cativante, e a ilusão que ele fazia na mescla daquela dança de palavras com a dança das bebidas, me faziam a cabeça novamento. Novamente, via-me entretido com as maiores atrocidades que pensava nunca cometer, desgastando todo o meu prazer anormal e toda minha tensão em quem mal merecia. Macedo sempre estava por perto, sempre cuidava para que nada me interrompesse. Também, era ele quem limpava tudo e não deixava rastros para ninguém. Fazia tudo com uma perfeição milimétrica.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas, mesmo assim, eu sentia que ele próprio não estava satisfeito por completo. Seu olhar macabro parecia pedir por mais, sua pele branca contorcia-se num sorriso mal cuidado sempre que chegava no ápice de meu ato, mas não era um sorriso verdadeiro. Eu sabia que Macedo algum dia iria mandar-me fazer algo inusitado, iria convencer-me a fazer algo inusitado. E, com todos aqueles planos arquitetados, eu bem sabia que Macedo seria capaz de muito para atingir seus desejos.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas eu não ligava.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Mari, você se acostumou, lembra? Eu quase sempre estava feliz, e algumas editoras menores começaram a aceitar meus trabalhos. Meu pseudônimo americano foi deixado de lado e iniciava-me com meu próprio nome, Januário Lopes. Dois livros de contos e um romance já publicados e um bom dinheiro entrando. Parecia que estávamos reconstruindo nossa vida do zero.&lt;br /&gt;ㅤㅤ E só naquele ponto eu notara o quanto Amanda pareceu diminuir no meu conceito. Não que eu não a amasse, claro que amava, era minha querida e amada filha. Mas, não sei porque, os momentos que passávamos com ela já não eram tão agradáveis e rápidos. Suas falas bonitinhas não me cativavam como antes. Naquela época, ela já tinha seis anos e ia para o colégio infantil.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Foi quando coloquei um “Fim”, num novo romance, que Macedo fizera o impensável. Os minutos que se sucediam aos meus escritos eram sempre os piores, os mais terríveis e carrascos. Para não cair na armadilha de ter de procurar Macedo, eu geralmente procurava dormir depois que digitava meus textos. Mas, naquele dia, a campainha tocou.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Era no meio da tarde, nossa pequena estava no colégio e você, Mari, estava trabalhando. Macedo entrou para dentro da casa logo que abri a porta. Era a primeira vez que ele estava ali, e por instinto, fechei a passagem. Ele não era digno de estar na minha casa. Na verdade, eu também não era, mas isso eu sempre ignorava. Contudo, mal pude pará-lo. Ele me segurou pelos braços e vi no seu rosto uma expressão alegre e diferente. “É hoje, Januário”, ele me disse com entusiasmo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ "Faremos mais uma vez, já preparei tudo para você. Vamos para o bar, nos distrair até dar o horário”, ele disse, “dessa vez é incrível, você vai amar de verdade. Vamos, Januário”. E, quase por pura pressão dele, saí de casa e entreguei-me aos tragos novamente. Duas horas depois estava bêbado e insensato de todos os meus atos, movendo-me puramente pela minha ânsia de ser ainda pior do que sempre era. O local que ele escolhera fora realmente incrível, um casebre de madeira discreto e um tanto isolado. Foi ali que aconteceu. Fiz novamente.  &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;b&gt;III – Agruras do Futuro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Depois de tanto desejar se ocultar na escuridão, lá estava Januário – de boca seca e olhos vidrados no nada – desejando, agonizante, por um feixe de luz. Mais a frente, na mesa suja e cheia de garrafas de pinga vazias, jazia ela. Amanda estava morta, as pernas abertas e o sêmen do próprio pai saindo de suas partes íntimas nunca antes violadas. O novo pseudônimo, Pedófilo Maníaco – que a mídia dera a ele desde seu segundo assassinato daquela forma –, nunca fora tão pesado. A marca de seus dedos envoltos na garganta de sua tão amada filhinha fizeram doer seu peito.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Agora não sentia-se aliviado. Não poderia mais viver sua vida miserável, não era o consolo de poder ser pior que o faria viver bem. Ele já era o pior, tanto para ele, quanto para sua família. A sobriedade, daquela vez, fora cruel ao extremo com o pobre Januário. Dera a ele a visão de sua filha, mostrara como ela debatia-se com um horror na face, horror provocado pelo próprio pai, bem na frente de seus olhos. &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;b&gt;IV – Torturas do Sempre&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;i&gt; ...foi por isso, Mariana, que eu nunca fui o mesmo depois que a encontraram naquele casebre. Eu já não tinha forças para continuar, a minha alma foi roubada, e apenas um resquício de culpa incrustado numa pequena faceta dela fora deixada para trás. Sou eu, Mariana, o assassino de nossa querida filha.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Nunca te dei o devido consolo, nunca apartei suas noites chorando na sala, nunca abracei-a quando, simplesmente do nada, você se ajoelhava e começava a chamar pela nossa filha. Mas, como eu podia? Seria hipocrisia minha, seria não ser quem sou. O vício pelo álcool aumentou dentro de mim, e, mais do que nunca, aquela parecia ser a saída mais fácil, mais simples.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Fiquei realmente feliz quando pediu o divórcio e saiu de casa. Fiquei feliz por você, por saber que estava tentando reconstruir sua vida de alguma forma. E, agora, é quase uma tortura para mim tentar te trazer de volta um sofrimento tão maior. Esse foi um dos motivos, Mari, por eu nunca ter conseguido enviar uma de minhas cartas para você. Todas minhas tentativas terminaram em chamas e, por conseguinte, cinzas. Já foram tantas que me perco na poeira do meu lixo que nunca tiro.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Já pensei em tantas formas de te contar que me dói pensar que usara de minha técnica literária para um eufemismo hipócrita. Uma música, sete poemas, incontáveis cartas anônimas; e agora eu me deparo com a primeira vez que tento escrever-lhe, sendo eu mesmo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas ontem, quando fiquei sabendo que você e Marcos vão ter um novo bebê, algo em mim mudou. E, novamente, eu tento escrever para você. Esta é minha última tentativa de contar a verdade, e, caso eu realmente consiga enviar estar carta, saiba que agora que a lê, eu estarei morto. Tirarei minha vida de desgraça.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Peço sinceras desculpas por trazer à tona tanto horror. E espero que prossiga bem com sua vida. Ainda penso em você, sempre pensarei, como sendo meu eterno amor.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Ass. Januário Macedo Lopes.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;b&gt;V – Cartas do Nunca&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Depois de tanto desejar se ocultar na escuridão, lá estava Januário – de boca seca e olhos vidrados no nada – desejando, agonizante, por um feixe de luz. Mais a frente, na mesa suja e cheia de garrafas de pinga vazias, jazia ela.&lt;br /&gt;ㅤㅤ As cinzas foram levadas por um vento que entrou pela janela e a carta antes intacta desfez numa pequena nuvem cinza pelo quarto. Januário bebeu mais um gole da vodka barata, enquanto tinha os músculos dos ombros levemente massageados.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Você fez bem, querido. - Dizia Macedo, para ele, em sua presença aparentemente espectral – Você fez bem.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Januário olhou para a gaveta e viu uma última folha de papel amarelado. Talvez, houvesse uma nova última tentativa em breve. Caso ainda houvesse tinta na caneta. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2658075697060978866?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2658075697060978866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/destino-desatino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2658075697060978866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2658075697060978866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/destino-desatino.html' title='Destino Desatino'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1373996454846288576</id><published>2011-01-03T03:48:00.000-08:00</published><updated>2011-01-23T00:45:22.209-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Drama'/><title type='text'>Sussurros Engasgados</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;li, mais uma vez, postara-se. Pronto, estava.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;E&lt;/b&gt;ra com grande ternura que já confessara seus feitos: &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;S&lt;/b&gt;ubiu ao alto do Olimpo, mas lá, nem sinal da presença;&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;T&lt;/b&gt;arde da noite, Hercule Poirot o considerara suspeito. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;R&lt;/b&gt;(←“)apaz de punho forte”, Quixote, a força de sua crença. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;(←`) poucas lágrimas, dissera tudo, o Sujeito,&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;D&lt;/b&gt;e cabeça baixa, frente àquela divina Senhora, e sua clemência.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;li, depois de Aurélia, postara-se. Mais livros.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;L&lt;/b&gt;apidou na alma cada gota do suor.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;O&lt;/b&gt;nde, em cada qual, vivenciaste tanto, e por tanto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;N&lt;/b&gt;ão a encontrara. E torcia para que não fosse por força maior.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;G&lt;/b&gt;astou de anos, todavia não cairia por seu próprio pranto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;li, mais uma vez, postara-se. Mais folhas.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;E&lt;/b&gt; fechou os olhos. Idealizava-a.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;Á&lt;/b&gt;timo de tolice, jogara-a lá. (Hah!) Fazia tanto tempo! &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;R&lt;/b&gt;oubou dela a vida jovem, condenou-a ao carrasco&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;D&lt;/b&gt;as folhas, do seu mágico dom que viera com o vento. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;U&lt;/b&gt;ma vez divertido passear por eles, agora, só espasmo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; biblioteca soava sombria, não tinha mais seu antigo envolvimento. &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;(...)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;(...)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;(...)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;(...)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;F&lt;/b&gt;altavam poucos anos de vida, vida de arrependimento. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;I&lt;/b&gt;ncansável, a busca terminava. Terminava incompleta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;N&lt;/b&gt;ão havia sucesso, e sua amada perdida para sempre. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;li, frente a mais um, agora um livro cinzento,&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;L&lt;/b&gt;ábios de leve soaram, “das minhas tentativas, a última faceta”.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;M&lt;/b&gt;al-acomunado da desgraçada do peito ardente, &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;E&lt;/b&gt;le nem ao menos vira qual o livro. Cego de desalento.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;N&lt;/b&gt;ão soubera, mas aquele amontoado de poeira da gaveta,  &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;T&lt;/b&gt;udo poderia ter, menos letras. Como bom livro em branco.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;E&lt;/b&gt; ali postara-se, como em toda sua vida. Vestiu-se do mágico manto.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;C&lt;/b&gt;arregou sua alma para dentro do nada.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;H&lt;/b&gt;ora de desgraça, abriu os olhos e encontrou-se vivendo atrás do horizonte.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;E&lt;/b&gt; ali, só ele existia.... Ou não.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;G&lt;/b&gt;alopando no vácuo, montado num cavalo de mentira, ao longe, a  amante.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;li, reencontrada a esperança. Retomada.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;os berros, lágrimas e juras de amor, ele correra. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;O&lt;/b&gt; coração saltitante, fim de tristezas de uma era.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;F&lt;/b&gt;(←")IM", Gritara.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;I&lt;/b&gt;(←"F)M", Gritara.&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;M&lt;/b&gt;ago amante de livros, aquele que aprisionou sua amada dentro da literatura finalmente a reencontrara na sia infinita biblioteca. Abraçou-a com gosto e deixou que todo seu arrependimento se transformasse em mais pura demonstração de amor. Ela também envelhecera, perdera toda sua juventude perdida no nada de um livro em branco, assim como ele perdera toda a juventude procurando pela amada. Mas já pouco importava. Feliz, abraçou-a, beijou-a. E juntos, saltaram para fora do livro, cobertos pelo mágico manto branco. Desabando em pranto, lembrou-se de todos os “FIM”s pelos quais já passara, procurando apenas o seu. Aos leves sussurros, para a amada, confessou: “&lt;b&gt;A estrada longa e árdua, meu amor, finalmente chegou ao fim&lt;/b&gt;”.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;b&gt;FIM&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1373996454846288576?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1373996454846288576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/sussurros-engasgados.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1373996454846288576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1373996454846288576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/sussurros-engasgados.html' title='Sussurros Engasgados'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2896038718749428669</id><published>2011-01-02T00:21:00.000-08:00</published><updated>2011-01-02T00:23:39.697-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Postagem de Ano Novo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Que tal começar o ano com uma boa música? Deixo aqui &lt;b&gt;Ryuichi Sakamoto - Merry Christmas Mr. Lawrence&lt;/b&gt; tocando. Que seja do agrado de todos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/5mfyCI82lWM&amp;?fs=1&amp;amp;hl=en_US&amp;autoplay=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="5" height="5"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2896038718749428669?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2896038718749428669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/postagem-de-ano-novo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2896038718749428669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2896038718749428669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2011/01/postagem-de-ano-novo.html' title='Postagem de Ano Novo'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-4361801090524431351</id><published>2010-12-30T10:59:00.000-08:00</published><updated>2010-12-30T11:04:57.777-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Triangulo Amoroso? Fora!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por querer, eu acho que não é, &lt;br /&gt;Nem simplesmente acaso do acaso (do acaso).&lt;br /&gt;Rancor! Sabe que nunca foi amado!&lt;br /&gt;E agora, chispou! Mancando num só pé!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Culpa, a vizinha, a outra;&lt;br /&gt;Seguiu o adúltero, cheia de malas sem alça, &lt;br /&gt;De puro peso (sobre outros). Sua atraente saia marota,&lt;br /&gt;Agora, não mais, chega de correr descalça! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficou lá a Alegria, sem marido e sem vizinha. &lt;br /&gt;Solteira, livre e dando pra todos. &lt;br /&gt;Sendo casado e traído, você a amaria! &lt;br /&gt;Só a Culpa e o Rancor? Hah! Largue de desgostos!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O Poema saiu da cabeça. Não me perguntem sobre nexo, haha. Feliz ano novo!&lt;/I&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-4361801090524431351?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/4361801090524431351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/triangulo-amoroso-fora.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4361801090524431351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4361801090524431351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/triangulo-amoroso-fora.html' title='Triangulo Amoroso? Fora!'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-3195734180526766124</id><published>2010-12-24T08:10:00.000-08:00</published><updated>2010-12-24T08:27:03.691-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Postagem de Fim de Ano</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;p class="western" align="CENTER" style="margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;b&gt;Leia acompanhado de silêncio e calma&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;b&gt;I  &lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Sobre fatos passados. Sobre a falta dos olhares certos. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;i&gt;Folheando um antigo álbum, &lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;i&gt;Disse, em voz baixa, “obrigado”.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;i&gt;À pessoa que vive sempre &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;i&gt;em meu coração&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;i&gt;Por sempre me encorajar. &lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; As pessoas que estão lendo este escrito provavelmente me conhecem, me tem como amigo, como parente, como uma pessoa que não passa despercebida. Grande maioria de vocês, amados parentes e amigos,  já traçaram ao menos uma linha na minha vida. Já fizeram algo que me agradara, ou mesmo algo que alterou minha personalidade ou meus atos. É justamente por esta capacidade mágica que todos nós temos de moldar, de dar vida, de dar serenidade àqueles que nos cercam, que novamente decidi escrever sendo apenas eu – não um narrador de contos, não um poeta de meia-pataca –, só o Tadashi; com o claro intuito de brotar em vocês um sentimento que, só agora,  eu notei em mim.  &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; Por tantos anos, vivenciei o que, acho eu, qualquer garoto pode ter vivido; estudava – e dormia, como dormia! – no colégio; ia para o clube com a empolgação de poder encontrar toda a galera; ria desgraçadamente de fatos tão simplórios, e nem por isso indignos de risadas alheias; ajudava meus pais com os serviços da feira e visitava a casa de meus avós. Eram segundos, minutos, horas e dias que passavam tão rápidos por meus olhos; fatos bobos que eu nunca pensei que pudessem ser dignos de sequer uma linha de minha capacidade de expressar com letras.  &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; Mas o destino me guardou inúmeras surpresas.  &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Repentinamente, uma carteira no fundo da sala, perto de dois caras estranhos me fizeram extrema falta. Repentinamente, uma conversa de casualidade se tornou rara. Repentinamente, as risadas intensas eram escassas. Repentinamente, o ato de ajudar na feira ganhou uma importância e um significado tão superior e nobre. E, repentinamente, visitar a casa de meus avós, me serviu como berço de nostalgia, novos olhares e, às vezes, até de amarga mágoa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Percebi que os fatos espontâneos nunca recebem, e talvez nunca receberão, seu devido valor. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; E nem devessem receber; como se, por serem assim tão rotineiros, tornassem-se assim tão especiais. Cravei na minha alma o valor inestimável de uma memória da nossa vida, num álbum guardado no fundo do nosso ser, no antro da nossa existência. E isso raramente vai mudar, os segundos mágicos continuarão a nos passar sem os olhares atentos. Contudo, acho que o fato de saber – depois, bem depois – que eles foram únicos e insubstituíveis, estes atos sim se caracterizam pelos olhares certos. Quem sabe, basta apenas uma reflexão de poucos minutos, como a que faço agora, para notar isso.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; Portanto, eu deixo aqui o quanto eu gostaria que estes momentos chegassem até vocês. Que meus sentimentos, tão parcos frente a todas as minhas vivências, consigam atingir o coração de vocês, mergulhá-los numa nostalgia simpática. E como eu dou risada lembrando de uma gordisse minha, ou me empolgo lembrando de um treino pesado, porém descontraído; que vocês consigam o mesmo. Que suas lembranças dêem ao silêncio desta calma leitura, tudo o que for necessário.  &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;E, caso desejarem, deixem ali, para trás, uma pequena lágrima. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Um preço bobo para rever, com intenso sentimento, tudo aquilo que já fora considerado simples, e agora vale tanto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;II   &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Sobre sorrisos e derrotas. Sobre choros e vitórias. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Tanto no sol, quanto na chuva;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Consigo lembrar daquele sorriso.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Memórias estão remotas &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;e desbotadas,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Mas, se eu procuro, &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;seu vulto ressurge.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Fazendo-me derramar lágrimas.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;E será; caro amigo, querido parente ou agradável conhecido; que você consegue resgatar do fundo do baú seus piores choros? Os marcos que eles fizeram na sua vida? Será que a tola mente humana não limita as imagens gravadas? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Nunca haverá uma última derrota ou uma vitória definitiva, você voltará a sentir o peso que é a tristeza, você voltará a sentir-se aliviado após a conquista. Este ano, eu pude notar, pesadamente, como a minha irresponsabilidade pesara sobre aqueles quem eu mais prezo. Como um fracasso bobo – bobo comparado à magnitude que sua vida torna-se –, que é entrar na faculdade, é sentido, não por mim, mas por aqueles que me cercam. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Tomei-me de arrependimentos e de incessantes “E se...”. E, realmente, e se eu realmente tivesse me dedicado aos estudos? E se passasse na faculdade? E se meu avô pudesse ter me visto como um acadêmico? O choro já me foi inevitável, a tristeza fora limitadamente incessante. Tanta, que mal pude ver um outro lado: E se eu não passasse, como seria? Adentrei o cursinho, e lá aprendi muito mais que matéria. Muito mais do que datas e nomenclaturas. As amizades formadas ali, os risos das pausas das tardes de estudo, tudo isso me valeu. Me mostrou que a vida havia escondido, bem escondida, uma pequena caixinha de felicidades. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;Hoje, eu me torno para as perdas mais importantes que já me ocorreram.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.75cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;E, diante delas, eu busco uma real forma. Um sorriso que os dias me esconderam. Realmente, uma ou outra coisa eu pude notar. Aprendi a valorizar, aprendi a crescer pelos outros, aprendi a avançar, mesmo que em passos lentos. É algo pouco, algo que ainda não me preencheu por inteiro e ainda me deixa com as mágoas passadas. Mas eu sei, sei bem, que ainda está lá, uma nova caixinha. Algo guardado para mim, e que eu só poderei abrir quando minha alma estiver pronta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.75cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Quando o momento chegar; primeiro, eu chorarei pelo passado, agradecerei pelo passado, sorrirei para o passado, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;compreenderei o passado&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;. E então, de cabeça erguida, de peito inflado; empreenderei os passos para o que eles me deram. O caminho para se seguir. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.75cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.75cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Pude notar que o Destino nunca vai ser o que você previu. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Que ele sempre te surpreenderá. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.75cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;Agradavelmente. Desagradavelmente. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.75cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Num vulto eu notei que o passado foi bom, foi ruim. E que eu sinto falta de tudo. Mas também já sei que o futuro também vai ser bom, vai ser ruim. E eu o temo por ainda não ter chegado. Encontrei, esse ano, os maiores medos da minha vida. Eu vi amizades que achava inquebráveis, se partindo por pura besteira, ou pelo simples passar do tempo com uma distância entre as almas. E meu coração teve suas desesperadas tentativas de querer fazer algo, hoje eu me arrependo por não ter seguido estas súplicas de meus sentimentos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Amigos, vejam em volta. Será que todas essas lembranças boas, essas tentativas de previsões para o futuro; são moeda de troca tão simples para um mero desentendimento? Não seria uma queda, o melhor momento para verem se estão andando corretamente? Uma segunda, uma terceira, uma quarta chance sempre são possíveis. Eu? Eu apenas gostaria que, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;memórias tão remotas e desbotadas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;, não sejam vistas como um &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;vulto &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;para se &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;derramar lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;III&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Sobre as pessoas. Sobre impressões e pensares. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Rezar à primeira estrela, &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;acabou tornando-se um hábito. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Entre os céus do entardecer, &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Procuro você, &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;dentro do meu coração. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Hoje, agora, nestes meus últimos meses; eu finalmente tive algo para o qual me orgulhar com razão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Eu percebi que, mais importante que impressões e pensares, sempre estará a realidade. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Que, mesmo que eu taxe alguém como chato, que eu diga que alguém é estranho, que alguém não presta; há sempre a realidade. E a realidade não pode ser questionada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Hah, Ele só faz merda. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Ou, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Quando isso afundar, a culpa é sua.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; São pensamentos que eu decidi tentar evitar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Eu notei que por mais que alguém esteja fazendo algo errado, muitas vezes, ela o faz tentando fazer o bem. Pensando que faz o certo. Que, talvez por um raciocínio errado, ela entristeceu alguém. Há pouquíssimos motivos para se criar inimigos; e as inimizades, geralmente são tão artificiais que um simples passar de tempo, ou dois minutos de conversa, as desfazem. E, quando você olha para trás, você acaba pensando: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;É, eu fui tolo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;É, eu realmente poderia ter feito isso de uma forma melhor. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Contudo, nunca faltará tempo para se consertar um erro. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Existem momentos em que engolir o orgulho e trocar um olhar mal-encarado por um sorriso e um “Ei, que tal a gente tentar fazer isso certo dessa vez?”, surtem muito mais efeito. Rezar para a primeira estrela como um hábito é um literário modo de dizer que você deve expressar seus desejos por atos, e não por pensamentos. Porque, procurar entre os céus do entardecer por algo que está dentro de seu coração, é algo tão difícil que raramente atingimos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Tão duro, que é, realmente, o que causa estas tantas brigas e desentendimentos sem final feliz.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Este ano, eu vi gente tão próxima de mim discutindo bobeiras. Talvez essas bobas contrariedades de idéias sempre aconteceram, mas só esse ano eu pude notá-las com mais clareza. Vi eles apontando os erros entre si, tentando botar a culpa no outro e conter a razão para si. E nunca me doeu tanto ver, no meio disso, os que se machucam sem querer, por simplesmente observar. Não perceberam, tão facilmente, que acima de atos errados e de errados comportamentos, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;todos se movem para um bem em comum.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Que todos ligam para as mesmas coisas.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Que, sobre tanta discussão boba que nada gera além de mais desavenças, existem os laços fraternos. Que eles nasceram e cresceram como pilares, pilares que sustentam algo tão bonito que é a família ou um grupo de jovens. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Nunca antes eu pude perceber que, trocar palavras agressivas ou palavras contidas por palavras amáveis fosse tão importante. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Hoje, eu me orgulho de tentar dividir minha amizade com o máximo de pessoas possíveis. De tentar mostrar para os outros, através de minhas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Rezas&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;para as primeiras estrelas&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;, que por trás de impressões e pensares, geralmente existem boas pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;IV   &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Sobre o futuro. Sobre vida e morte. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Tanto na tristeza, &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;quanto na alegria;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Costume lembrar-me &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;daquele sorriso.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Vou vivendo com a esperança &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;de encontrá-lo,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Um dia, quando você me avistar, &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;do seu lugar.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Eu ainda me pego pensando sobre o que vai ser do meu futuro, e costumo compará-lo com o que eu imagino ser meu futuro e o que eu desejaria que fosse meu futuro. São três modos de pensar, que, eu garanto, serão sempre bem diferentes um do outro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Como sempre, brota-me um sentimento de medo.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Afinal de contas, quem nunca teme o desconhecido?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;É hipocrisia dizer que não. Talvez ignorância. Contudo, algumas coisas já estão lá, prontas para mim. Existem certos sentimentos que conseguem quebrar a barreira do tempo, coisas que vão te manter no seu caminho. Coisas que aconteceram, hoje você sente as consequencias de terem acontecido, e sabe que, futuramente, continuará a sentir. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;O fato é que o futuro nunca acabará. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;E, no fundo, você espera pelo dia tão idealizado por você. Eu, ao menos, ainda aguardo alguns momentos, alguns que eu torço para que aconteçam. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Isso é o que chamamos de Sonho.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Eu já tive, sim, a oportunidade de encontrar várias pessoas, com vários sonhos. Alguns tão simples, e outros, tão grandes e poderosos. Mas, nunca, descartáveis. Desistir de um Sonho é quase como deixar de lado uma parte de sua alma, uma parte de seu ser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;São minhas esperanças para o futuro que me moldam adiante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Mais que o medo,&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; eu notei o quanto é necessário haver a &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;expectativa &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;pelo que irá bater na sua porta. Porque, cedo ou tarde, você já bem sabe que a única certeza absoluta virá, com braços gelados e aconchegantes, te levando deste mundo para algum outro lugar. E isso não pode ser encarado apenas como um terror. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Também, e mais importante, isso deve ser encarado como uma premissa, uma motivação para você, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;ainda mais&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;, buscar por aquilo que procura. Não, eu não digo para você largar sua vida e todo o resto e correr atrás dos seus sonhos loucamente. Mas, digo que, parar de procurá-los devido ao seu grau de dificuldade, é extrema tolice. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Uma pessoa de grande valor partiu de minha vida, e para eu continuar &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;vivendo na esperança de encontrá-lo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;, eu só preciso persistir na minha caminhada. Eu começo a notar que sempre haverá algo daqueles entes amados naquilo que alcançamos, esta é a forma de encontrá-los no futuro, nos atos rotineiros e nos atos marcantes. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;Essa é uma hora de se agradecer.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Um momento em que você percebe que seus Sonhos, na realidade, não são só Seus. Que eles são idealizados por você, contudo, recebem sustentação de todos a sua volta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Nunca deixarei as conquistas de lado. Sejam as que já vivenciei, as que vivenciarei ou as que estou vivenciando. Tudo isso para que, um dia, quando &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;você me avistar, do seu lugar, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;eu saiba que deixei para trás apenas sorrisos, risos e sonhos concretizados. E para que, de lá, eu possa observar meus amados; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;tanto na tristeza, quanto na alegria&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;V   &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Sobre amizades. Sobre familiares.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Tanto no sol, quanto na chuva;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Consigo lembrar daquele sorriso.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;As memórias estão remotas &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;e desbotadas.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Novamente, eu tentei me recordar de todos os amigos que eu já tive; novamente, eu percebi o quão árdua é esta tarefa. E também o quão difícil é definir um amigo; seria ele apenas aquele cara de uma ou duas conversas confortáveis? Ou seria ele aquele rapaz de anos à finco bem ao seu lado? Dizem que amigos são aqueles que o acompanham nos bons e maus momentos. Eu, já começo a duvidar disso. Divido sorrisos, divido memórias com pessoas que só me conheceram na felicidade. Não as culpo por isso, eu gosto de reter meus problemas, de guardá-los só para mim. E, mesmo assim, elas continuam lá, me dando risadas, me dando momentos tão felizes e recordáveis. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Eu noto como minha vontade de ajudar aqueles me cercam já me dera tantos bons amigos. E como uma simples música bem cantada às vezes nos instiga a coisas tão maiores. Nestes momentos, noto que não é o tempo que faz uma amizade. Talvez, nem mesmos as conversas. Aquilo que realmente monta os laços tão fortes com aqueles a sua volta, é um simples tocar de almas. Uma relação que vai bem além de materialidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Consigo lembrar daquele sorriso&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;. Consigo lembrar daqueles bons momentos juntos. Ou, simplesmente, consigo lembrar daquela pessoa. Muitas vezes, isto basta como um consolo; saber que tanto já se passou e que talvez tanto ainda está por vir. Queridos amigos, já pararam para perceber como que, muitas vezes, ao chegar no clube, a recepção é sempre tão calorosa? Da próxima vez que entrarem, notem. Notem como os atos  corriqueiros podem se tornar tão importantes. Como um simples “Olá!” algum dia pode te fazer uma tremenda falta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;As pessoas não deviam viver no passado, é suficiente viver no presente. O fato de eu estar viva é uma coisa tão encantadora e maravilhosa que me faz querer viver mais e mais&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;. São frases que eu retirei do Drama Japonês &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Ichi Rittoru no Namida, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;ou, em português, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Um litro de lágrimas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;, baseado em fatos reais. São frases ditas por uma pessoa que tinha deficiências físicas extremas, por uma pessoa que já sabia que sua doença não tinha cura, e que ela só se degradaria mais. E mesmo assim, a força dela é tanta que me fez retratar aqui um pouco disso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Será que realmente é preciso reclamar tanto das coisas erradas, quando existem tantas coisas certas perto de você?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Da última vez que escrevi algo desse estilo eu falei bastante sobre minha família. Sobre uma variabilidade de coisas enormes que pensei sobre eles. Agora, eu apenas deixo aqui uma pergunta:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt; Você está dando a eles o devido valor? &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Às vezes fica fácil criticar essas pessoas tão próximas por um pequeno deslize, por um ato que você declarou como errado ou por uma atitude rígida demais frente as suas ações. Mas isso importa?  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Eu aprendi muito nesse último ano. Talvez por ser o único neto que ainda está próximo da minha avó. Talvez por notar cada vez mais o quanto meus pais se sacrificam por mim. É apenas uma questão de pensar um pouquinho que você nota estas coisas todas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;VI   &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Sobre vocês. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Por sentir a falta de você,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Ainda derramo lágrimas. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Por querer encontrá-lo,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Ainda derramo lágrimas. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 7.5cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Esse ano, meu avô faleceu. Talvez seja ele a figura de quem mais me lembrei durante cada palavra que escrevi nestas seis páginas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Sempre que precisar, me chame.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Foi isso a última coisa que ele me falou, alguns dias antes. Eu guardei essas palavras pra mim, por elas representarem uma dantesca relação de coisas que já passaram na minha vida. Mas, eu percebi que, só guardá-las, não é o suficiente. Essas letras tão simples, ditas num português difícil de ser expresso, exemplificam o quanto essa pessoa tão importante para mim era para aqueles a sua volta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;De sorriso simpático, De criatividade gigante, De espírito livre.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Agora, bom, é isso que tento passar para vocês. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Cada um destes capítulos foram feitos com todo o meu capricho, tentando expressar em palavras cada parte de meus sentimentos, tentando, ao menos um pouco, mostrar que a vida às vezes é muito mais do que parece ser. Ou que ela &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;pode ser&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; muito mais do que ela está sendo. Disse e repeti inúmeras vezes o quanto engolir o orgulho e aceitar as pessoas, às vezes, pode ser gratificante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;Contudo, este não é um escrito só meu. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Conto quantas vezes eu já pude dar risadas com amigos de anos, quantas vezes eu já tive de consolar uma amiga com problemas, quantas vezes conversei com amigos entre uma música e outra, quantas viagens já realizei para a casa de minhas tias e, até, quantas vezes já comi o bife à milanesa da minha avó. Novamente, minha capacidade matemática não chega aos pés dos atos que já vivenciei. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;E tudo isso, porque vocês estavam lá.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Tudo isso porque, às vezes uma simples troca de palavras já me arrancava um sorriso; ou um treino físico de matar me fez gargalhar de minha própria resistência. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;E tudo isso, porque vocês estavam lá.  &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Caso vocês tenham recebido estes papéis, ou caso ao menos tenham lido isso no meu blog; vocês já podem ter certeza que fazem parte da minha vida, que já pensei em vocês enquanto escrevia todas estas linhas. Que já me moldaram a personalidade, o humor, o dia. Contudo, aqui, eu faço uma nota especial: Alguns de vocês estarão recebendo estas folhas dentro de envelopes. Vocês, a quem enderecei especialmente uma das cópias de meus escritos, eu gostaria que refletissem realmente sobre as linhas escritas. Porque, para vocês, estas linhas guardam muito mais que uma mensagem para a vida, elas levam para si um pedido. Um pedido meu, guardado nas entrelinhas das palavras escritas. Qual é, exatamente, o pedido? Podem ter certeza que pessoalmente eu nunca direi. Contudo, com um mero esforço vocês podem identificá-lo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;Por terem &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt;lido tudo, até aqui. Ou até mesmo para os que passaram os olhos pelas palavras, deixo aqui, neste fim ou começo de ano, um &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;b&gt;muito obrigado.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-weight: medium"&gt; Não por se darem ao trabalho de apreciarem meu trabalho, mas sim, por fazerem parte da minha vida.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;Abraços e Felicidades. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium"&gt; &lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;E, aproveitando as mensagens das palavras de meu avô. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Sempre que precisar, vocês podem me chamar. &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Eu, farei o possível.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;--------------------------------------&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O Poema é a letra de uma música japonesa chamada "Nada Sou Sou". &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-indent: 0.84cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Caso queiram ouvi-la, o link de youtube para ela é &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4231084605578214794"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4231084605578214794"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif; "&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Y2hKVBDWw2Y"&gt;Este&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, a canção veio da banda Okinawana BEGIN, e, querendo ou não, tanto pela sua letra poética, quanto pela sua história na minha vida - meu avô gostava muito dela, e sempre desejou que eu a cantasse -, ela se tornou uma canção importante na minha vida. Espero realmente que a postagem seja de bom grado a todos. Feliz Festas.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-3195734180526766124?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/3195734180526766124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/postagem-de-fim-de-ano.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3195734180526766124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3195734180526766124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/postagem-de-fim-de-ano.html' title='Postagem de Fim de Ano'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-6555368321109305469</id><published>2010-12-22T22:58:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T20:47:20.167-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><title type='text'>Penas e Cera</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;I&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Sobre a Nostalgia.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vou repetir: Largue o controle com calma, coloque as mãos sobre a nuca e deite! Armas estão apontadas para você, qualquer mínimo movimento e leva um tiro no meio da testa, rapaz! - Falou pelo Microfone. A voz ressoou por todas as caixas de som do estádio.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Contudo, o homem parecia não responder às falas em Inglês transbordado de sotaque brasileiro. Quem diabos era aquele homem? Ícaro franziu o cenho, a feição daquele ser lhe causava arrepios, gostaria de mandar seus homens atirarem nele, mas os riscos eram muitos.&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;II&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Sobre o Passado.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Os grandes campos de vegetação rala, que cercavam aquela dantesca floresta, se mantinham por milhares de quilômetros. Grunhidos guturais e a terra que constantemente tremia serviam de avisos para mostrar para qualquer um que, quem ali habitava, conquistara seu direito para tal após anos de sobrevivência no primitivo. Entretanto, aquele dia estava calmo; talvez até mesmo as formas de vida irracionais sabiam da grandiosidade do que ocorreria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ao longe, as batidas fortes das asas contra o vento começavam a ser ouvidas ao tempo que a sombra colossal cobria grande parte do verde rasteiro. A silhueta finalmente pôde ser vista no horizonte, cativando a visão, audição e olfato de seus habitantes naturais. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Os olhos gigantes e a feição aterrorizante do escamoso cretáceo se inclinavam para os céus, aquele pássaro ele nunca tinha visto na sua vida não tão longa. E logo ele, que reinava naquelas terras, sentira-se enormemente ameaçado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Leves e hesitantes passos foram dados, aproximando-se dele pelas costas, e rapidamente o Carcharodontossauro torceu o pescoço, rugindo com agressividade para sua parceira e proles. Exigia que se afastassem, que não buscassem a sombra que crescia no horizonte tanto quanto ele mesmo buscava. E, obedecendo ao rugido dominante, os filhotes recuaram em passos apressados, seguidos pela mãe, enquanto o Carcharodontossauro voltava o olhar para cima. &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Agora os fortes movimentos aéreos podiam ser ouvidos claramente, cada batida de asas parecia soar como o ribombar de um trovão. Sentindo-se cada vez mais ameaçado pela nova e peculiar figura, o Dinossauro Rei rugiu na direção da silhueta negra; mas o monstro rugiu em resposta; mais alto, forte e agressivo. Aquele ser finalmente aproximava-se de modo que a parva visão do Rei pudesse distinguir mais do que sombras:&lt;br /&gt;ㅤㅤ De pele dura como a do próprio Carcharodontossauro, o Dragão tinha escamas que se encontravam paralelas umas as outras numa simetria encantadora. Cada pequena parte do nobre ser parecia ter sido talhado cuidadosamente, garantindo a ele um porte de soberba e superioridade perante a qualquer outro ser existente. As asas começaram a diminuir a constância dos movimentos,   pouco a pouco, o gigante vermelho começava a projetar seu corpo na direção do solo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Ao contrário do esperado, o pouso foi suave e ensaiado. O Dragão pôs-se diante do Carcharodontossauro, erguendo eu largo e forte pescoço para colocar sua face acima da do Rei. Um silêncio mórbido fez-se presente, só sendo quebrado por passos agitados e nervosos do Dinossauro que encarava a criatura lendária com grunhidos e leves rosnados. Mas o Dragão apenas se mantinha obstante, seus olhos de um forte vermelho demonstravam que ele detinha de uma alma poderosa e de uma capacidade ilimitada de poder. &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Não demorou muito para os outros seres finalmente saírem de suas tocas, formando uma roda de animais centralizando o Dragão. Mais do que instintos selvagens de sobrevivência, os grandes répteis e aves pareceram subitamente minados de curiosidade. A Presença mágica do Dragão parecia fazer com que seres que, antes, não tinham a capacidade de interpretar, agora estivessem cheios de personalidades próprias. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Velociraptores pareciam discutir entre si falando rápido – em grunhidos – e saltando uns nos outros. Triceratops ranzinzas resmungavam e cochichavam – também em grunhidos e rosnados – sobre a falta de liderança do grande Carcharodontossauro. Do outro lado, próximo ao oceano que ficava mais adiante, Pteranodontes agitavam suas asas e guinchavam como se fofocassem. E mesmo assim, o Dinossauro Rei permanecia bufando e andando de um lado para o outro, sempre encarando o Dragão com a feição de que ele fosse uma ameaça, agora não só para sua prole, mas para todo o mundo cretáceo – não que definisse isto em nomes. &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Por fim, após minutos torturantes, o Dragão bufou pesadamente enquanto seu olhar não parava de encarar os do Carcharodontossauro. Abriu suas asas com força e levantou seu corpo, de modo a crescer bruscamente sobre as duas pernas traseiras, rugiu com força para o Dinossauro Rei, era a última tentativa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Todos os répteis, mamíferos e outros seres direcionaram seus olhares para que o seu representante iria fazer. E naquele instante o próprio Rei notou que todos aqueles seres fariam o que ele faria. Que, se avançasse contra o Dragão, os outros também avançariam. Era o que devia fazer. Ao longe, sua prole firmava-se oculta entre largas árvores da floresta e rochedos da planície; após um último olhar para eles, virou-se para o invasor com o cenho irritado e rugiu avançando alguns passos na direção dele. Incitando toda a horda primitiva, o Carcharodontossauro comeu algumas dezenas de metros avançando na direção do Dragão enquanto disparava rugidos e gritos colossais. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O olhar rubro daquela nobre existência pareceu agradar-se com a ação e desceu sobre as quatro patas novamente, fazendo o chão tremer e avançando alguns passos na direção do Rei, rugindo temível e agressivo. A terra tremeu e o urro dracônico calou todos os presentes, cessando também a breve caminhada do Rei. Os olhos corajosos do Carcharodontossauro se esvaziaram da agressividade e foram substituídos por puro medo; recuou alguns passos enquanto ouvia mais rosnados bruscos e altos do Dragão. Olhou a volta: Alguns dinossauros e animais que avançaram quando ele avançou pararam suas marchas também, fariam como o Rei faria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ E, por fim, o Rei acabou fugindo covardemente em passos apressados, levando consigo sua prole. Deixou para trás guinchados e ruídos turbativos de seu reino cretáceo, seus antigos súditos agora riam de sua falta de coragem. &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Parando frente aos que ainda permaneceram para ver o que aconteceria, o Dragão mostrou decepção, não era para terminar daquela forma. Recolheu as asas e fechou os olhos por um segundo enquanto sua face dura e concisa tocou o solo, estava refletindo. Finalmente, levantou a cabeça, os olhos mostravam determinação. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Logo em seguida, ergueu-se para os céus e rugiu alto, como se suas rústicas cordas vocais chamassem por algo. Aquele som ensurdecedor foi o suficiente para que mais dos animais que presenciavam a cena fugissem, fazendo restar ali apenas os mais curiosos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O olhar do nobre ser continuava para cima, até finalmente poder distinguir no céu aquilo que buscava, aquilo que respondera ao seu chamado. Uma estrela cadente? O pedaço grosso e incandescente de rocha caía dos céus, perfurando todas as barreiras atmosféricas. O Dragão bem sabia, que caso o Rei continuasse em sua marcha de combate, ele sairia vitorioso contra o ser de escamas vermelhas. Sairia vitorioso e reinando sobre criaturas agora dotadas de personalidade e espírito. Mas, falhara. &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;III&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Sobre o reencontro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Ninguém ainda sabia como aquele homem surgira ali, no meio do novo estádio do Corinthians, em plena abertura da Copa de 2014. Era inexplicável como, no meio do discurso da valorosa presidenta Dilma, um homem albino vestido em terno Hugo Boss e de sapatos Mocassim aparecera bem ao centro do palco. Identificações e fiscalizações armadas e de última tecnologia haviam sido feitas em todas as entradas para o estádio, toda a competência da polícia federal e do exército brasileiro foram postas em xeque por causa da súbita aparição. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Quão mais fácil seria caso ele fosse simplesmente um homem bem vestido e penetra.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Sentado sobre uma grande maleta prateada, o homem segurava na mão direita algo que parecia um controle remoto, com um grande botão vermelho bem ao centro. Fora a partir daquele momento que toda a situação colocou no comando das operações de segurança o Capitão Ícaro, das forças especiais anti-terroristas. Homem grisalho de porte duro e agressivo, Ícaro já se deparara com inúmeras situações de risco. Mas aquela era a primeira vez que sua carreira – e, por que não, toda sua vida – estavam em jogo de maneira tão arriscada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ele, o misterioso, só abriu a boca uma vez, para dizer em Inglês Britânico: &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ninguém entra ou sai. Ninguém se move. Ou eu faço tudo explodir. &lt;br /&gt;ㅤㅤ E não houve tempo para tentar rendê-lo, a mão dele já estava sobre o botão vermelho. &lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vou repetir: Largue o controle com calma, coloque as mãos sobre a nuca e deite! Armas estão apontadas para você, qualquer mínimo movimento e leva um tiro no meio da testa, rapaz! - Falou pelo Microfone. A voz ressoou por todas as caixas de som do estádio.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Contudo, o homem parecia não responder às falas em Inglês transbordado de sotaque brasileiro. Quem diabos era aquele homem? Ícaro franziu o cenho, a feição daquele ser lhe causava arrepios, gostaria de mandar seus homens atirarem nele, mas os riscos eram muitos. Já sabia, sim, que não era nenhum radical islâmico, caso contrário, a explosão já teria ocorrido, e Pelé e Dilma não mais estariam entre os vivos. Caso ele apertasse o botão e a suposta bomba realmente explodisse, ele também morreria, o que levava todos a crer que ele pouco ligava para a própria vida. Contudo, mesmo os tiros mais certeiros ainda dariam tempo para o homem pressionar o botão, o que fazia Ícaro tentar o que era mais óbvio: Ganhar tempo. Em breve as forças especiais e alguns enviados da CIA e Interpol trariam notícias e planos bem mais avançados do que os que os brasileiros tinham para a segurança da Copa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas, quanto tempo demorariam? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ícaro novamente via-se tentado a dar a ordem. Havia uma chance, caso seus atiradores acertassem no meio da testa e no braço ao mesmo tempo. Seus dedos tamborilavam no teclado enquanto pensava no que fazer. Ao seu lado, toda a equipe técnica pronta para digitar e soltar ordens, estavam a algumas centenas de metros do Estádio. Mas, o fato do invasor estar olhando diretamente para a câmera fazia com que Ícaro tivesse a sensação de estar ali, a menos de dois metros dele. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ele tinha um ser de superioridade e soberba, e provavelmente, caso estivesse vestido em trajes nobres, poderia ser dado como um príncipe herdeiro de algum alto cargo simbólico de algum país europeu. Um sorriso sereno e sábio estava formado em seus lábios, o olhos de íris azuis penetravam dentro da alma de Ícaro. Permaneceu naquele silêncio por alguns segundos, até finalmente os lábios do desconhecido se mexerem, deixando sua voz ressoar em português:&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Quase lá. - Disse. - Mas, você falhou novamente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O anjo da renovação deixou de encarar o espírito do escolhido que poderia fazê-lo mudar de idéia. Soltou o controle com leveza, para no instante seguinte levar um tiro no meio da testa e cair para trás. Mas os olhos estavam abertos e o sorriso se mantinha face. Ele olhava para o céu, onde uma estrela cadente parecia surgir. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-6555368321109305469?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/6555368321109305469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/penas-e-cera.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6555368321109305469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6555368321109305469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/penas-e-cera.html' title='Penas e Cera'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-7195452503973420716</id><published>2010-12-15T00:16:00.000-08:00</published><updated>2010-12-15T13:04:44.869-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Criatividade!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Criado. Criatividade. Criativo!&lt;br /&gt;É sentado no suor que te espero&lt;br /&gt;Envolto no glorioso mito,&lt;br /&gt;De prateleiras do ursinho materno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criando. Criarei. Crias! &lt;br /&gt;Expresso-me puro, só por você&lt;br /&gt;São letras, de palavras minhas&lt;br /&gt;Mares, céus, emboladas pra quem lê! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criei. Criação. Criais! &lt;br /&gt;Salto louco para aquelas montanhas&lt;br /&gt;Metas dos olhos, novos ideais!&lt;br /&gt;Expurgo as idéias, leituras castanhas! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-7195452503973420716?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/7195452503973420716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/criatividade.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7195452503973420716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7195452503973420716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/criatividade.html' title='Criatividade!'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-5678393624172203834</id><published>2010-12-14T21:49:00.000-08:00</published><updated>2010-12-15T00:17:28.184-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Postagem Descontraída e Selos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Então, gente, já entrando no ritmo de fim de ano. Resolvi fazer uma postagem mais light. Ou, pelo menos, é uma postagem que não receberá literariedade explícita. Ainda esse ano, eu postarei aqui minha última postagem, uma postagem em que eu não serei narrador nem poeta, serei apenas eu, o Tadashi aqui! É algo que eu resolvi ter o costume de fazer em datas que, de certa forma, contribuem para que eu possa refletir tanto. São seis páginas de Word - então, Mansim, desculpe desde já! rsrs - em que coloco um baita sentimentalismo que eu sempre tenho guardado comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eeeenfim, esses dias aí, eu recebi, da Marina do &lt;b&gt;&lt;a href="http://myriad-daydreams.blogspot.com/"&gt;Devaneios&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, dois selos. E, bem, não posso negar que fiquei largamente feliz por ela ter escolhido justamente a mim para enviar. Uma vez que isso é mais do que prova que seu trabalho fora reconhecido! Então, muito obrigado mesmo, Marina! E, bem, aqui vão os Selos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;IMG SRC="http://4.bp.blogspot.com/_7r2e8IVaQH4/TPb4upljxzI/AAAAAAAAAKE/n8Gzu-DmHPQ/s1600/selo2.JPG"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o que o Selo Dardos pede: &lt;br /&gt;1. Mostrar a imagem. &lt;br /&gt;2. Mostrar o link de quem o enviou. &lt;br /&gt;3. Indicar outros Blogs, sem limites. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo aqui, então, meus convites para: &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://cantinhodasilene.blogspot.com/"&gt;Cantinho da Silene&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://ventosemrumo.blogspot.com/"&gt;Ventando...&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://amansim.blogspot.com/"&gt;Verdades e Bobagens&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://milfacesdaloucura.blogspot.com/"&gt;Mil Faces da Loucura&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://estounumailhadeserta.blogspot.com/"&gt;Estou numa Ilha Deserta&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://contosfranqueados.blogspot.com/"&gt;Contos Franqueados&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://apt404.blogspot.com/"&gt;Apartamento 404&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o selo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;IMG SRC="http://1.bp.blogspot.com/_7r2e8IVaQH4/TPb45g-hvqI/AAAAAAAAAKI/CG1Xkv17pd0/s1600/selo1.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pede para dizer 10 coisas de mim: &lt;br /&gt;- Apaixonado por Música &lt;br /&gt;- Treino Karate faz mais de 10 Anos&lt;br /&gt;- Sei fazer truques de mágica com Baralhos&lt;br /&gt;- Amante de épico-ficções&lt;br /&gt;- Consigo estalar meus dedos a qualquer hora! (rs)&lt;br /&gt;- Coleciono Marca-páginas&lt;br /&gt;- Apaixonado por Cultura Okinawana&lt;br /&gt;- Eu tenho descendência Okinawana( Okinawa = Ilha ao sul do Japão )&lt;br /&gt;- Meu cachorro se chama Pokemon, e o nome foi escolhido por meu pai.&lt;br /&gt;- No teto do meu quarto, está grudado um amoeba, faz uns 10 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo selo pede, também, que eu indique 10 Blogs. Contudo, eu não tenho um ramo tão grande de leitura entre os blogs, rs. Então, me resta poder dizer que indico para este selo os mesmos que indiquei para aqueles ali, logo acima! :D&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-5678393624172203834?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/5678393624172203834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/postagem-descontraida-e-selos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/5678393624172203834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/5678393624172203834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/postagem-descontraida-e-selos.html' title='Postagem Descontraída e Selos'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7r2e8IVaQH4/TPb4upljxzI/AAAAAAAAAKE/n8Gzu-DmHPQ/s72-c/selo2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1855144051810476741</id><published>2010-12-11T00:20:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T21:46:09.560-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Real'/><title type='text'>Relatos Mirins - Reeditado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤE ainda vale a pena ressaltar a genialidade infantil.&lt;br /&gt;ㅤ – Filha da Puta?&lt;br /&gt;ㅤ A funcionária parou o que estava fazendo. &lt;br /&gt;ㅤ – É, ué. - Respondera o garoto. &lt;br /&gt;ㅤ – Por que me chama assim?&lt;br /&gt;ㅤ – Mas, seu trabalho não é colocar preço nas coisas? &lt;br /&gt;ㅤ – Quase sempre, é sim. O que é que tem? &lt;br /&gt;ㅤ – Então! Meu pai sempre te chama de filha da puta. &lt;br /&gt;ㅤ – Mas eu nem conheço seu pai! &lt;br /&gt;ㅤ – Mas eu acho que ele te conhece bem, fala de você toda hora. Qual seu nome? &lt;br /&gt;ㅤ – Evellyn. &lt;br /&gt;ㅤ – Ah, desculpa, acho que confundi. - Dizia, observando o resto o mercado. Como se tentando achar alguma velha gorda chamada Inflação colocando frangos congelados nas prateleiras refrigeradas.&lt;br /&gt;ㅤ Mas confundir termos com realidade ainda é algo bobo e fácil de se corrigir. &lt;br /&gt;ㅤ – Desculpa, moça, ele acaba entendendo errado o que a gente fala por aí. Sabe como é né? Crianças.  &lt;br /&gt;ㅤ Pior é quando vem aquela pergunta tão matadora para seus progenitores. &lt;br /&gt;ㅤ – Mãe! Como é que eu nasci? &lt;br /&gt;ㅤ Deixando de lado todas as cegonhas e repolhos do universo, sempre há aquele: &lt;br /&gt;ㅤ – Pergunta para o seu pai. Estou ocupada.&lt;br /&gt;ㅤ – Não sei, vê lá com sua mãe, Guri. &lt;br /&gt;ㅤ Como se seus pais conspirassem na tentativa de gerar um novo acelerador de partículas, botavam o filho no maior loop infinito de sua vida; enchendo a mente do pobre coitado com todas as mentiras possíveis, desde uma novela nos capítulos finais que não poderia ser interrompida pela irritante voz aguda do moleque, até os desvios clássicos.&lt;br /&gt;ㅤ – Não tem tarefa pra fazer, não? &lt;br /&gt;ㅤ Ou, quem sabe: &lt;br /&gt;ㅤ – O Papai te conta depois, tá? &lt;br /&gt;ㅤ E assim a mente hiperativa do garoto permanecia naquela utopia mágica, quem sabe não tivesse sido encontrado na frente de casa num cesto de madeira? Olhava-se no espelho constantemente, procurando por ali uma marca de raio feita por mago malvado, ou talvez olhava para o céu antes de dormir, pensando que seus verdadeiros pais estivessem salvando planetas e aguardando para que ele crescesse. &lt;br /&gt;ㅤ É toda essa brincadeira maldosa que molda os filhos para seus atos espertinhos, anos mais tarde. Como se deixar o termômetro encostado na lâmpada fizesse a mãe acreditar que estava com febre e não poderia fazer aquela bendita prova de ciências. &lt;br /&gt;ㅤ – Mas olha, mãe, tá marcando 38! &lt;br /&gt;ㅤ A mãe vinha com aquele ultimato, pior que os avisos do BOPE antes de acabar com a graça dos traficantes:  &lt;br /&gt;ㅤ – Levanta logo ou eu chamo seu pai, heim! &lt;br /&gt;ㅤ A figura do simpático Seu Joaquim se distorcia na mente do menino – ignorando todos os presentes de natal atendidos, cujo agradecimentos, infelizmente, se voltavam para o velhinho de roupa vermelha, assim como todos os doces comprados sem que a mãe soubesse. Subitamente a silhueta idealizada tinha cinco metros a mais de altura, largura, espessura; carregava um grande chicote de couro numa mão e na outra um machado idêntico ao que o garoto vira &lt;br /&gt;ㅤ Dali, era um único salto para abandonar a cama. &lt;br /&gt;ㅤ O menino ia para o colégio e causava a maior tragédia mundial: &lt;br /&gt;ㅤ – Colando, filho? Não foi isso que eu te ensinei! &lt;br /&gt;ㅤ Mas pouco ligava para mãe, tremia mesmo era para a imagem do carrasco Joaquim se materializando novamente, agora montado no dragão novo que apareceu no Bakugan e seus amigos lhe contaram durante a aula, antes da prova. &lt;br /&gt;ㅤ Todavia, pior do que tudo isso, é quando o garoto tenta se endireitar. &lt;br /&gt;ㅤ Geralmente, tudo acontece para provar que ele continua sendo o moleque pimentinha do bairro, mostrando toda a verossimilhança da Lei de Murphy. O menino se depara com a cartinha especial e brilhante – praticamente irresistível! – que o amigo deixou cair quando ia embora; ou, ele se vê de frente para o pacote de bolachas que a empregada, Dona Soraia, ingenuamente deixara sobre a mesa, aos ávidos alcances dos braços do menino. &lt;br /&gt;ㅤ Não demoraria dois minutos para o amigo voltar com os pais e dar de cara com o garoto batendo bafo com a cartinha brilhosa. Não demoraria dois segundos para seus pais voltarem para a cozinha, dizendo que esqueceram de pegar a lista de compras, só para se depararem com ele com a mão na massa – ou na bolacha. &lt;br /&gt;ㅤ Quando tudo isso não acontecia, a coisa ficava séria: &lt;br /&gt;ㅤ – Conta pra gente, filho o que está acontecendo? &lt;br /&gt;ㅤ E aí, começou! O garoto vira o anjo da família, e, em troca, os pais fazem uma busca desenfreada pelo que está errado, como se devesse, por natureza, ser uma peste. Câmeras para ver se a Dona Soraia não batia nele, visitas ao colégio em busca de pedófilos ou mal-encarados, e, no fim, termina sentado num divã. Um homem de óculos e cabelo penteado milimetricamente lhe mostrando um monte de borrões escuros e lhe pedindo para ver o que via, como se ele fosse cego. &lt;br /&gt;ㅤ Desistia! Que os pais sofressem porque a puberdade estava chegando! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1855144051810476741?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1855144051810476741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/relatos-mirins-reeditado.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1855144051810476741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1855144051810476741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/relatos-mirins-reeditado.html' title='Relatos Mirins - Reeditado'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-4302854116283259660</id><published>2010-12-07T09:01:00.000-08:00</published><updated>2010-12-07T09:02:45.299-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Relatos Mirins - 1</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ – Filha da Puta?&lt;br /&gt;ㅤ A funcionária parou o que estava fazendo. &lt;br /&gt;ㅤ – É, ué. - Respondeu o garoto. &lt;br /&gt;ㅤ – Por que me chama assim?&lt;br /&gt;ㅤ – Mas, seu trabalho não é etiquetar os preços? &lt;br /&gt;ㅤ – Quase sempre, é sim. O que é que tem? &lt;br /&gt;ㅤ – Então! Meu pai sempre te chama de filha da puta. &lt;br /&gt;ㅤ – Mas eu nem conheço seu pai! &lt;br /&gt;ㅤ – Mas eu acho que ele te conhece bem, sempre fala de você. Qual seu nome? &lt;br /&gt;ㅤ – Evellyn. &lt;br /&gt;ㅤ – Ah, desculpa, acho que confundi. - Disse o menino, olhando o resto do mercado. - Quem é a Inflação por aqui?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-4302854116283259660?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/4302854116283259660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/relatos-mirins-1.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4302854116283259660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4302854116283259660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/relatos-mirins-1.html' title='Relatos Mirins - 1'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-1522406521161784197</id><published>2010-12-04T00:12:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T20:47:48.604-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><title type='text'>O Natal de Ariadne Leverson e a Greve Surpresa</title><content type='html'>ㅤ &lt;b&gt;I&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ ㅤㅤ&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ – Até amanhã, Sr. Reuben. &lt;br /&gt;ㅤ Foi desta forma que Ariadne Leverson se despediu de seu funcionário. Era noite de natal, e provavelmente aquele jovem trabalhador não gostava nem um pouco da alma avarenta de sua patroa. Mas, que mais se podia dizer? A velha senhora viúva que levava os negócios do falecido marido nas costas sempre tivera a mesma fama. Era ela a mulher de poucos amigos e muitos bens, que nunca realizara um ato de bondade na vida, senão doar algumas moedas para a igreja – numa paca tentativa de salvar a sua alma. &lt;br /&gt;ㅤ Nunca ligara para o natal. Não era algo que lhe interessasse, não moralmente falando – afinal de contas, não poderia negar que a época do ano vinha a calhar para seus negócios. Reuben Naylor sabia que nunca seria presenteado com um peru de natal, mas já aceitara o fato, e apenas dava graças ao nosso senhor salvador por lhe dar um emprego digno por mais um ano de vida. &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ Sra. Leverson entrou em casa tremendo, logo se desfez do casaco de peles para aceitar o calor que vinha da lareira da sala. Seu valoroso mordomo, Owen Garfild, surgiu no saguão de entrada para ajudar-lhe com a pequena bolsa e ademais pertences.  Ela o cumprimentou com um sorriso paco e um leve meneio de cabeça.&lt;br /&gt;ㅤ – Ah, Owen, meu bom Owen! Não sabe como o frio me deixa em frangalhos. &lt;br /&gt;ㅤ – É comum desta época do ano, Sra. - Ele disse, inflexível como todo bom mordomo teria de ser.&lt;br /&gt;ㅤ – Compreendo. É como se o natal e toda esta baboseira conspirassem contra mim. Nota como todo ano, nesta época, o inverno se torna mais intenso? Ah, Owen! Nem mesmo meus melhores vestidos de seda posso usar, sempre me atendo com estes casacos pesados. &lt;br /&gt;ㅤ – Caso a Sra. instalasse um aquecedor no seu escritório, Madame - Disse o careca Garfild -  Talvez pudesse usar de seus vestidos. &lt;br /&gt;ㅤ – É realmente uma boa idéia. - Ela disse, os passos se direcionando para a sala. - Mas deixemos para pensar nisso um outro dia, Owen. Só desejo jantar e subir para meu quarto. &lt;br /&gt;ㅤ – Como quiser. &lt;br /&gt;ㅤ O jantar fora silencioso como sempre fora. E Ariadne subiu para o quarto, cansada de seu trabalho, mas já sabendo que haveria mais itens a se resolver no dia seguinte. Com uma lembrança boba que lhe viera na memória – logo após passar pela janela e observar de lá uma grande árvore de natal – a senhora riu sozinha, pensando se naquele ano eles viriam visitá-la.  &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;b&gt;II&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ A euforia e as vozes se faziam cada vez mais altas no recinto luminoso. Se é que se podia dizer que aquele local era um recinto, ou mesmo uma construção. Apenas havia branco para tudo quanto é lado; e o chão, a parede e  teto se mesclavam numa cegante luminosidade. &lt;br /&gt;ㅤ Quebrando a calma e a harmonia daquele lugar tão belo, estavam eles: De todas as formas e tamanhos, de todos os jeitos e desjeitos. Alguns vinham em forma de espírito, e flutuavam com asinhas de anjo nas costas, havia também aqueles que ainda adotavam o estilo antigo, carregando foices enquanto acobertados por mantas negras. Grande parcela até mesmo tinha se modernizado, um usava um terno de cetim e uma gorda tentava ocultar suas protuberâncias dentro do glorioso vestido vermelho de seda oriental. A mescla de estilos e cores faziam o salão mais parecer o famoso carnaval brasileiro que começava a ganhar fama mundial. &lt;br /&gt;ㅤ – Com calma, Senhores! Com calma! - Dizia um velho barbudo sentado numa cadeira imaginária. As roupas vermelhas e a pele alva em mescla com as bochechas rosadas mostravam claramente quem era a figura. O Papai Noel, depois de alguns segundos de insistência, finalmente conseguiu silenciar a multidão. - O que é, este ano?    &lt;br /&gt;ㅤ – Continuamos trabalhando no natal! - Reclamou uma voz aleatória, que recebeu o apoio de outros.  &lt;br /&gt;ㅤ – Ainda não recebemos nosso bônus pelas horas extras! &lt;br /&gt;ㅤ Mais consentimentos. &lt;br /&gt;ㅤ – Será que não poderíamos trabalhar num horário mais oportuno? - Falou uma terceira voz, um tanto mais insegura que a dos outros. - É tão embaraçoso ter de acordar as pessoas no meio da noite. Sabia que algumas delas dormem despidas? &lt;br /&gt;ㅤ Desta vez, ninguém se manifestou a favor. &lt;br /&gt;ㅤ – Enfim, nós queremos recobrar nossos direitos! - Disse novamente o primeiro que tinha levantado a voz. &lt;br /&gt;ㅤ Noel deu um longo suspiro e coçou as sobrancelhas grossas com seus dedos enluvados de couro. A parte fácil de entregar alguns presentes pelo mundo valia muito bem a pena. Não, era mais do que óbvio que ele não descia de chaminé em chaminé para colocar presentes. O que realmente fazia era despejar o espírito natalino sobre as casas, e deixar que eles cuidassem do resto. Infelizmente, sempre haviam os mal-encarados. Seres que nasceram para repelir de suas almas, o bom gosto do velhinho vermelho. E para isso existiam aqueles senhores ali. Contudo...  &lt;br /&gt;ㅤ – Mas, pelo amor de deus, vocês são os Fantasmas da noite de Natal! Vocês &lt;u&gt;só&lt;/u&gt; trabalham no natal. Só na &lt;u&gt;noite&lt;/u&gt; de natal! - Disse o Noel. &lt;br /&gt;ㅤ A legião de fantasmas, espectros, espíritos e almas levantou novamente a voz de uma única vez, causando uma nova pontada de dor de cabeça na mente do bom velhinho. Santo Nicolau pressionou as têmporas com os dedos indicadores, numa tentativa infeliz  de calar as vozes na sua mente, já bem bastavam as marteladas da Senhora Noel, toda noite. &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ – Os fantasmas do Presente deveriam receber mais. - Disse um parrudo de pele amarela brilhosa, vestido como um pirata. - Passear pela cidade numa noite tão fria é certamente bem mais trabalhoso e desgostoso. &lt;br /&gt;ㅤ – Ora! - Um anjinho do tamanho de um bebê levantou-se, ele irradiava em luz azulada. - E quanto a nós do Futuro? Garanto que avançar no tempo é bem mais cansativo. &lt;br /&gt;ㅤ – Além do mais, é um futuro incerto! - Levantou-se em pleno ar um companheiro anjinho. - Fora as lamentações! Vocês são sortudos de não terem de ouvir os choros e súplicas dos bastardos! Nós que ficamos por último que sempre sofremos. &lt;br /&gt;ㅤ – Ao menos, quando vocês entram em cena as pessoas já estão prontas - Disse, ao que parecia, a mesma voz que comentara sobre pessoas que dormem despidas. - Não é nada bom visitar a Sra. Lounge depois que ela venceu o campeonato de mais comilona de panquecas da cidade. &lt;br /&gt;ㅤ E mais uma vez começou o bate-boca espectral, que nada se diferenciava de um humano. O velho Noel pressionou com ambas as mãos o couro cabeludo grisalho, em mais uma fula tentativa de conter as vozes. Se havia algo ruim em ser imortal, era o fato de que você teria de viver toda a eternidade com a enxaqueca. Já estava quase a ponto de se comprimir em posição fetal na sua pseudo-poltrona, quando estourou os limites da paciência e levantou-se da cadeira num ato raivoso com um grito quase gutural. A horda de fantasmas se calou e direcionou os olhares para o bom velhinho. &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ – Mas que – desculpe, Senhor – diabos vocês pensam que estão fazendo!? Ora, vocês são fantasmas da noite de natal, deveriam trabalhar para reavivar o espírito natalino dentro da alma daqueles que a rejeitam. Mas o que eu vejo aqui – Ah, meu bom Deus –  é exatamente o tipo de comportamento que vocês deveriam estar erradicando no planeta. Será que não notam, ora pois, que vocês nada estão diferentes dos carrancudos que visitam? Deste jeito, terei de achar fantasmas da noite de natal para fantasmas da noite de natal.  &lt;br /&gt;ㅤ Papai Noel sentou-se, exasperado. &lt;br /&gt;ㅤ – Que me dizem? Que tal pararmos de discutir e começarmos a distribuir o espírito natalino? &lt;br /&gt;ㅤ O silêncio continuou por alguns segundos, somente pareado por alguns cochichos aqui e acolá. O Santo Nicolau parecia finalmente ter conseguido o apoio dos fantasmas, e, relaxado em sua pseudo-poltrona deixou escapar um suspiro de alívio. &lt;br /&gt;ㅤ – Não! Ainda queremos nossos direitos! - A voz rompeu, quase fazendo Noel cair de seu encosto. &lt;br /&gt;ㅤ E, para delírio do velhinho, as vozes começaram a se levantar em apoio. Não uma, não duas. Todas elas começavam a gritar: “Greve! Greve! Greve!”. Noel fechou os olhos com força, perdera as esperanças. Quando abriu novamente os olhos, deixava que fitassem o teto esbranquiçado do local. &lt;br /&gt;ㅤ – Ai, Jesus, e agora?  - Disse para si mesmo.&lt;br /&gt;ㅤ A figura do homem de cabelos castanhos e uma paz celestial na feição surgira no céu para o Santo Nicolau. E, antes que lhe desse esperanças, Jesus deu de ombros.   &lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ &lt;b&gt;III&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤ Ariadne acordou naquela manhã como sempre acordava em todas as manhãs. Sem espíritos, sem fantasmas, sem visões do futuro e sem gente pegando-a desprevenida. Realmente, a baboseira de natal era sempre a mesma. Era aquele apenas mais um dia de trabalho, só o que lhe arrancaria o humor seria a face aborrecida do Sr. Reuben e o fato de ainda não poder usar seus vestidos de seda. Realmente deveria comprar um aquecedor. &lt;br /&gt;ㅤ Retirou o pesado cobertor de peles de cima do corpo e pisou no chão coberto pelo tapete persa. Buscou com a mão o roupão para lhe cobrir o corpo; definitivamente era ótimo dormir despida.&lt;br /&gt;ㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;b&gt;IV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤAssim que as botas de couro reforçado saíram dos pés do velho Noel, ele soltou um suspiro de puro alívio. Acabou que, no fim das contas, ele não conseguiu conter os Fantasmas das noite de natal, que saíram da audiência todos com a idéia de "Greve" ainda em mente. Ao menos, e ficou feliz com isso, pôde viajar pelo mundo na companhia das renas para entregar o espírito natalino pelo mundo. Puxou a fivela do cinto para soltá-la e logo em seguida pousou o gorro vermelho no criado-mudo.&lt;br /&gt;ㅤㅤO Sofá da sala nunca fora tão confortável para ele, mas a Sra. Noel deixou bem claro o que ocorreria caso ele se atrasasse. "Os Fantasmas entraram em greve e tentei contê-los", ora, até mesmo contos de fada e seres imaginários tinham seus limites de sensatez; Mamãe Noel nunca acreditaria na história. Puxou o cobertor macio sobre seu corpo e já ia fechar os olhos quando um baque perto da janela o fez saltar do sofá, caindo com o nariz no chão. &lt;br /&gt;ㅤㅤ- Claro! Agora assaltam a casa do velho Noel! - Disse, consigo mesmo. - Que ótima forma da noite acabar! &lt;br /&gt;ㅤㅤE, com toda a tranquilidade da imortalidade, dirigiu-se para o corredor, de onde viera o som. Mas ali, viera sua surpresa. Atônito, Noel observava a figura verde-brilhosa de um velho em seus pijamas caros; o nariz avantajado não o fazia errar sobre a identidade do sujeito. &lt;br /&gt;ㅤㅤ- Scrooge! &lt;br /&gt;ㅤㅤ- Feliz Natal, velho Nicolau! - Respondeu, bem humorado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ- Mas o que faz aqui, homem de deus? - Noel falou, coçando os poucos cabelos grisalhos que sobreviveram na parte central da cabeça.&lt;br /&gt;ㅤㅤ- Fiquei sabendo do que aconteceu com meus velhos parceiros. Decadência, né? &lt;br /&gt;ㅤㅤUm leve olhar raivoso passou pela face de Noel.&lt;br /&gt;ㅤㅤ- Ora, Scrooge, então foi voc...&lt;br /&gt;ㅤㅤ- Opa! Opa! Calma aí, Nicolau! Sabe muito bem que, desde aquela noite, até o fim de meus dias, eu nunca mais fui uma má pessoa. Tanto que me colocaram aqui, nesta posição. - E com um gesto mostrou-se a si mesmo. - Se eles tem agora um fiasco de ambição na mente, não é por minha culpa! Na verdade, eu bem estranhei que meus parceiros não vieram para me dar as coordenadas, estava ansioso para visitar o mal-encarado do ano. É um caso bem peculiar, bem parecido comigo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ- Entendo. - O Velho Noel escorou-se na parede. - Mas, por que veio até aqui? Só para me dizer isso que não foi. &lt;br /&gt;ㅤㅤ- Na verdade... - Ele disse, deixando transparecer um pouco da esperteza que o jovial Scrooge tivera para ganhar a vida através de um sorriso. - Tem como me emprestar o trenó? Dizem que ele tem a capacidade para levar as pessoas para onde desejam ir. &lt;br /&gt;ㅤㅤOs olhos do velho Noel arregalaram.&lt;br /&gt;ㅤㅤ- Ora, você não...&lt;br /&gt;ㅤㅤ- Está afim de fazer uma horinha extra como Fantasma, velho Nicolau? &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤE o natal passou como todos os outros para Ariadne Leverson. Ao menos, todos desde o dia em que os pais se separaram na mesma data. Brigou com o digníssimo Sr. Reuben por estar tão distraído no trabalho e fez a encomenda do aquecedor, chegaria uma semana depois, de modo a fazer a velha Ariadne começar a escolher que vestidos de alta classe e costuras impecáveis ela iria usar. &lt;br /&gt;ㅤㅤJantou com toda a calma e serenidade, o velho Owen sem dizer uma palavra desnecessária. Levantou-se e foi dormir com a calma de sempre; durante a caminhada, deparou-se com a mesma árvore de natal despontando na janela. As lembranças vieram novamente e ela soltou um suspiro baixo e contido, de decepção. Naquele ano, eles também não vieram. &lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤSerá que Ariadne acreditaria em Fantasmas da Noite Seguinte ao Natal? &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-1522406521161784197?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/1522406521161784197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/o-natal-de-ariadne-leverson-e-greve.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1522406521161784197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/1522406521161784197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/12/o-natal-de-ariadne-leverson-e-greve.html' title='O Natal de Ariadne Leverson e a Greve Surpresa'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-3284865053310090832</id><published>2010-11-19T10:00:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T20:48:17.503-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Horror e Suspense'/><title type='text'>Moeda</title><content type='html'>ㅤㅤ&lt;span style="font-family: arial;"&gt; &lt;b&gt;I&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Thomas? Thomas? Pode me ouvir, Thomas? - A voz desesperada vinha destorcida e longínqua. - Thomas, caso esteja escutando a minha voz, tente pressionar minha mão. Você a sente, não?&lt;br /&gt;ㅤㅤ Pseudoconsciente e perdido, decidiu seguir os pedidos da voz. Mandou o comando, não soube se chegou ao seu braço, nem ao menos sabia se tinha braço. Não podia sentir muita coisa além do mundo rodando a sua volta, no escuro.  Ouviu novamente a voz, mas agora, parecia mais distante, incompreensível. E, como se – com passadas rápidas e desesperadas – se afastasse, Thomas não pôde mais sentir seu interlocutor. O inconsciente o abraçou e ele decidiu que estava cansado e era hora de relaxar. Até quando? Para sempre? Ninguém sabia, nem mesmo &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;. Cara ou coroa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;II&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ Piscou, a cena mudou bem na sua frente, e agora o jovem Thomas não se lembrava de nada. Estava sentado numa velha cadeira de madeira, uma lâmpada fraca e falha ficava oscilando acima dele, iluminando apenas um círculo mínimo de luz em volta de si. Não tinha a mínima idéia do porquê de estar ali; mas também pudera, encontrava-se num paradoxo mental gigantesco: Seu passado parecia ter ido por ralo abaixo, só sabia seu nome e quiça sua idade; o local onde estava, que parecia um infinito de escuridão com o centro luminoso onde se postava, também lhe era completamente imemorável. Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que devia estar ali. Sabia que era para estar ali e que aquilo era sua vontade. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Todavia, qual era a sua vontade? O que diabos um garoto de quinze anos poderia ter de força de vontade para lhe mover até ali, sem memórias ou idéia do que fazia? Conforme sua mente ia adaptando-se ao local onde estava, o raciocínio voltara e Thomas começou a tentar deduzir alguma coisa. Mas nada ajudou. Estava nu; de roupas, de passado, de pensamentos lógicos. A cadeira dura e chata começou a incomodar-lhe a posição, ótimo motivo para levantar e explorar aquele lugar surreal. Apoiou suas mãos nas laterais de seu encosto e levantou-se. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Você veio! - A voz tão súbita fez Thomas jogar-se com tudo na cadeira, caindo para trás junto dela. Tinha sido um som alegre, uma exclamativa animada e feliz, alguém o esperava ali. O jovem levantou-se, hesitante e desnorteado pela surpreendente nova presença.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Quem está aí? - Disse, a voz falha.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Ora, não se lembra de mim? - E antes que o garoto pudesse responder, a voz complementou. - É claro que não se lembra! É impossível para alguém de Lá, lembrar-se de algo quando vem para Cá. Guarde suas dúvidas, Thomas, não quero ficar respondendo questionamentos por tempo demais. Não que tenhamos um limite de tempo para falarmos, Cá o tempo não existe!&lt;br /&gt;ㅤㅤ Seja lá quem fosse a pessoa detentora da voz, ela parecia emanar por todo o local. Não como caixas de som artificialmente transmissoras; era pura! Dizia e parecia ser onipresente a cada palavra nova que esbanjava para o menino! &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Mas eu...&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Certo! Certo! Tudo bem, responderei apenas três perguntas suas!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Sério?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Duas!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Mas eu..&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Certo! Certo! Tudo bem, responderei apenas três perguntas suas!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Hã?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Duas!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Você está me...&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Faça suas perguntas, Thomas! - A voz disse em tom terminal, quebrando com a tranquilidade e vivacidade com a qual falava até o momento. - Não quer me ver nervoso, sabe como é quando estou nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ Arrepios subiram a coluna do garoto, que instintivamente encolheu-se com os ombros para frente, em posição quase fetal. Pôs os pés sobre a cadeira de madeira e abraçou os joelhos com os braços finos e alongados. Algo naquela voz lhe parecia familiar, familiar e extremamente bipolar; quem sabe não conhecesse sua detentora, no fim das contas. Olhou em volta, na tentativa de achar o interlocutor para o qual direcionar suas milhares de dúvidas, sem sucesso. Vacilou na primeira tentativa, mas na segunda, a voz saiu firme e alta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Onde estou?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - &lt;i&gt;Cá&lt;/i&gt; está! - Disse, voltando ao tom normal.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Mas onde é &lt;i&gt;Cá&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Ora, &lt;i&gt;Cá&lt;/i&gt; é &lt;i&gt;Cá&lt;/i&gt;!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Você não está colaborando!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - E você só tem uma última pergunta!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Mas eu...&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Só uma pergunta, Thomas! Vamos! Vamos! Esta conversa está ficando chata!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Certo, então, minha última pergunta. - Thomas virou o olhar para o lado, instintivamente. - Quem é você?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Eu sou &lt;i&gt;Eu&lt;/i&gt;! - E antes que o menino pudesse novamente contestar as resposta da voz amigável, ela completou. - Então, como está se sentindo agora, Thomas?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Estou... Perdido. Não sei de nada, nem mesmo lembro onde moro e quem são meus pais!&lt;br /&gt;ㅤㅤ Thomas ouviu um aparente suspiro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Hah, menino! E eu que pensava que sua resposta seria ao menos um pouco mais peculiar. Acho, realmente, que falho sempre que tento me comunicar com vocês, vocês de &lt;i&gt;Lá&lt;/i&gt;. - A voz pausou, como se procurasse palavras. - Será que não tem um mínimo senso de criatividade!? Ora, tantos que já sentaram nesta sua cadeira de madeira, e nenhum veio com uma novidade. O cérebro humano tem inimagináveis capacidades, atinge o ecstasy facilmente e níveis de hormônios pipocam e afloram; e, mesmo assim, quando se vêem num ponto enigmático e misterioso, tudo o que fazem é se recolher ao medo detestável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ A voz se calou, como se parecesse querer ouvir uma resposta de Thomas. Mas o menino estava ocupado demais tentando tragar algo à tona. Qualquer coisa que pudesse lhe dizer como chegara ali, qualquer correlação d&lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; com o resto da sua vida perdida no passado. Sim, já tivera conversas com aquele sujeito, a nostálgica sensação de &lt;i&gt;Dejàvú&lt;/i&gt; inundou sua mente e imagens começaram a se formar, aos poucos, tímidas e singelas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Se atém ao passado e ignora a minha voz. - A nova fala d&lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; o tirou do transe temporal no qual quase entrou; agora melódico, triste. - É realmente preciso do passado para se prender a uma existência, Thomas? Não, logo você, que tanto disse para mim como queria deixar tudo para trás.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Eu disse?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Disse! - Gritou &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;, num início de choro. - Foi assim que falou comigo pela primeira vez, jovem, numa súplica para que o mundo real se desfizesse! Para que o surreal tomasse conta de você e para que sua vida fosse mais do que aquele básico.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Eu... - Imagens vinham a mente. Fracas, vacilantes. - Eu não me lembro de nossas conversas.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Você não lembra, você queria esquecer tudo! E agora... Agora que você... - E a rouquidão da voz, quase imperceptível, subiu a um extremo dela tornar-se um bestial rugido. - ...Quer tudo de volta!? Joga toda sua ideologia fora como lixo!? Hah, Thomas, eu deveria agarrá-lo pelos braços e puxá-lo até que se dividisse em dois! Deveria espremer sua cabeça para que seus olhos e seus dentes saltassem fora! Deveria ir e vir na ausência do tempo, causando as mais diversas torturas para seu material casulo!&lt;br /&gt;ㅤㅤ Quentura, sentiu a sua pele esquentar-se na parte das pernas. Urinara-se de medo, o jovem e rebelde Thomas. A voz tão multifacetada lhe causava cada vez mais imagens indo e vindo, podia finalmente localizar-se no passado. Sabia de faces e nomes, mas nada lhe agradava. Nada lhe era tão bom quanto queria. Sim! Ele queria por mais, queria por algo diferente de tudo e todos. Foi aí que... &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Foi aí que você me conheceu, Thomas. - &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; dissera, como se a mente do garoto fosse um livro aberto para sua consulta. Agora, tinha um tom calmo e leve. - Foram horas de ótimas conversas sobre um mundo novo, um mundo onde os tabus de sua existência fossem quebrados e as leis do universo fossem inversas ou nulas. Hah, Thomas! Como eu gostava do tempo que gastamos juntos! Houve época que sua voz era tão encantadora aos meus sentidos que eu mal esperava pelo seu chamado, que te visitava, que ia até &lt;i&gt;Lá&lt;/i&gt;, vê-lo em sonho. Vinha lhe dar meu amado “olá” ao qual tão bem você me respondia. E, aos poucos, meu jovem garoto, fui pensando que você poderia ser diferente. Que, quando finalmente viesse à este mundo, achasse a companhia ideal para mim.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - ... - O garoto manteve-se calado.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Mas vejo que estou enganado, Thomas, não estou? Parece-me que novamente as ações humanas foram simples gestos hipócritas e manipuladores, persuasivos e cruéis, malévolos e vazios! - O tom melódico. - Vejo, na minha frente, neste vínculo, agora, apenas alguém que mija nas calças frente a presença de alguém a quem, antes, sentia excitação e ereção! Vamos, diga, Thomas! Diga com todas as palavras o quanto sua covardia me posta como idiota!&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ De repente, Thomas sentiu-se sozinho na escuridão. Como se a presença do ser que falava consigo simplesmente desaparecesse. E ele pôde sentir como a falta dela era terrível, o coração murchou num mundo onde agora mais nada existia. De repente, os pais que tanto lhe enchiam de cuidados miseráveis pareceram caridosos. De repente, as notas na escola pareceram castigo infantil frente àquilo. De repente, teve vontade de voltar à sua realidade. De deixar para trás aquele seu último ato de bruxaria, no qual ateou fogo no seu próprio corpo; convencido pela melódica voz d&lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; – sua primeira e única invocação sobrenatural. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O escuro da sala mudou de súbito, chamas saltaram de todos os cantos e o chão de concreto tornou-se rochoso e brasil, a iluminação fosca foi trocada por um céu escuro-vermelho que saltava em trovões malévolos e risadas rústicas. Vulcões ao longe faziam saltar lava e fumaça negra para todos os lados, e Thomas acuou-se ao nada, caindo nu sobre a rocha. As nuvens vivas começaram a tomar forma no céu, até uma arrebatadora e cruel face cortada surgir primitivamente acima de sua cabeça. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Sua voz me dá nojo! THOMAS! - Gritou como trovão, &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;. - Pois saiba que agora, tudo o que me guardo a ti é raiva! Raiva e rancor! Explodo em terror e medo na sua mente, deixo que seu corpo sinta suas penas devidas! - Conforme falava, Thomas começou a sentir a queimação invadir seu corpo. De leve início, uma formicação, até elevar-se à dor insuportável de queimar, de queimar em carne e espírito. Sentia agora como seu ritual lhe fora cruel e tenso. Como sua vida começava a vacilar entre seus dedos abertos e fracos. Gritava e chorava, ao som dos gritos d&lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;. - Clame! Clame pela sua miserável vida, Thomas! Mostre-me o quão insuportável é!&lt;br /&gt;ㅤㅤ E, como se os gritos de dor aguda finalmente pudessem se canalizar, Thomas começou a gritar pela sua vida. Chorava e deixava as cordas vocais vibrarem ao máximo pelos seus pais, pela sua antiga vida. Os sentimentos contidos e rejeitados começaram a lhe parecer tão amáveis, que agora, tudo o que queria era voltar no tempo e poder novamente sentir seus entes queridos. Todos que queriam seu bem e ele achava que era pura paparicação. Queria-os, queria-os muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;III&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ - É isso, então. - Disse &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Thomas caiu da cadeira novamente, em susto e arfante. Seu corpo estava suado e ele completamente perdido, um segundo antes, estava queimando em brasas internas. Brasas apenas suas. E agora, voltava ao cenário inicial. Caído, sob o pequeno círculo de luz da lâmpada que oscilava. Olhou em volta, podia sentir sua presença ali, na espreita. &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Quer voltar para &lt;i&gt;Lá&lt;/i&gt;, certo?&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Sim. - Disse, de pronto.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Certo, mas eu tenho uma muito má notícia a ti.&lt;br /&gt;ㅤㅤ E passos foram ouvidos, passos vindos de uma só direção. Thomas ajeitou-se e ficou sentado no chão, a respiração finalmente se regulando. Logo, uma figura entrou no local, vestido de Menestrel, o homem de pele branca pura com véu de noiva estava metido em cores vivas. O chapéu de Bufão era grande o suficiente para caber cinco de sua cabeça, mas estava muito bem apertada na testa com um fio de tecido. O mais impressionante, porém, era sua face lisa. Face sem face. O homem não tinha expressões porque seu rosto não tinha boca, nem olhos, nem nariz, nem orelhas. &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; ajoelhou-se em frente a Thomas e pareceu ficar observando-o por bons segundos.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Sabe, uma vez que se vem até &lt;i&gt;Cá&lt;/i&gt;, Thomas, é duro voltar. É duro que sua vida prossiga. Sabe qual a chance? - O garoto respondeu balançando a cabeça negativamente. - A chance é uma cara!&lt;br /&gt;ㅤㅤ Disse &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;, apontando para a sua própria, que emanava sons por todo o lugar. Ficou parado por alguns instantes, até finalmente cair na risada, sentando-se no chão, junto do menino. Agora, &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; parecia mais jovem, tinha a quase a mesma estatura e porte físico de Thomas; se não fosse pelas roupas extravagantes e pela face paradoxal, talvez pudessem ser amigos, transeuntes de um shopping na sexta à noite.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ - Desculpe, não aguentei a piada, Thomas. A cara que eu digo, é esta. - E, num movimento de mão rápido. Surgiu ali uma moeda grande e oval, &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; a girou entre os dedos, mostrando que um lado carregava uma face sem face, e a outra mostrava uma incógnita “?”.  - Isto define se você, &lt;i&gt;Lá&lt;/i&gt;, vive ou deixa de viver. Cara ou coroa. Mesmo assim, quer tentar? Pode ficar aqui, comigo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ - ... - Thomas pareceu pensar na decisão. - Quero tentar.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;, caso tivesse uma face, provavelmente sorriria para Thomas. Não era necessário mais palavras, ambos já sabiam que aquele era o último adeus depois de horas de rituais de invocação e conversas, frutos de uma bruxaria baseada em espíritos e sentimentos reclusos. &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;  jogou a moeda ao ar, ela girou loucamente. E, quando foi atingir o chão, tudo ficou escuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ - Thomas? Thomas? Pode me ouvir, Thomas? - A voz desesperada vinha destorcida e longínqua. - Thomas, caso esteja escutando a minha voz, tente pressionar minha mão. Você a sente, não?&lt;br /&gt;ㅤㅤ Pseudoconsciente e perdido, decidiu seguir os pedidos da voz. Mandou o comando, não soube se chegou ao seu braço, nem ao menos sabia se tinha braço. Não podia sentir muita coisa além do mundo rodando a sua volta, no escuro.  Ouviu novamente a voz, mas agora, parecia mais distante, incompreensível. E, como se – com passadas rápidas e desesperadas – se afastasse, Thomas não pôde mais sentir seu interlocutor. O inconsciente o abraçou e ele decidiu que estava cansado e era hora de relaxar. Até quando? Para sempre? Ninguém sabia, nem mesmo &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt;. Cara ou coroa? &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-3284865053310090832?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/3284865053310090832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/11/moeda.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3284865053310090832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/3284865053310090832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/11/moeda.html' title='Moeda'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-774468929078892563</id><published>2010-11-11T23:20:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T20:49:01.865-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Real'/><title type='text'>Vozes</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM&lt;/b&gt; – Há 4 Dias do ENEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;junirz diz: aff.. to mto com medo dessa prova cara&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: nem me faaaale,esse enem nao serve pra nda!!! &lt;br /&gt;junirz diz: é...  e ainda cai bem no dia do jogo do chelsea cara!! quase que não vou fazer essa prova, ma sorte q meus pais tao me obrigando&lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi, alguma gata afim de tc? &lt;br /&gt;Nickole diz: Qual é gente vcs vão escolher um jogo ao futuro de vcs? &lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: nao ééh isso amiga, so q esse enem eh uma porcaria &lt;br /&gt;Nickole diz: Mas vc vai ter que fazr, não vai? Olha, eu quero mto entrar pra medicina, e n tem jeito senão fazer a prova msm gente!! &lt;br /&gt;junirz diz: pra mim tanto faz vo pegar qulquer curso msm &lt;br /&gt;Jackz_s2: ainn... tbm quero medicina, sera q tá dificl? &lt;br /&gt;Nickole diz: Olha, já faço cursinho faz 2 anos, acho que dessa vez dá pra eu passar. &lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi, alguma gata afim de tc??&lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi alguma gata afim de tc???? &lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi nickole td bem? &lt;br /&gt;Nickole diz: Tá na sala errada cara. &lt;br /&gt;Voz do Futuro diz: Esse ENEM vai dar problema, e vocês vão acabar fazendo ele para nada. &lt;br /&gt;Nickole diz: Do jeito que tá é bem possível&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: o vz do futuro para com esse ar negativo, aiiin, to nervosa gnt!!! &lt;br /&gt;junirz diz: opa! vai passar CQC, vo la ve gnt, flw! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM&lt;/b&gt; – Há 1 Dia do ENEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: nossa gent axo q nao vo passar. chorei mt hoje por causa da nota de redação q me deram, fui mto mal!! to nervosa gnt que eu faço?????/?? &lt;br /&gt;Nickole diz: Fica tranquila amiga, agora já não dá pra fazer mais muita coisa. So vai lá e faz aquilo que você pode, só se esforça ao máximo, tá? &lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi jackz quer tc no reservado? &lt;br /&gt;Nickole diz: Qual a sua cara? Para de achar que vai conseguir algo aqui! &lt;br /&gt;Nickole diz: Tanta gente ignorante, por isso que a gente tá fazendo o ENEM!! &lt;br /&gt;Voz do Futuro diz: De nada adiantará o ENEM. &lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: para de fala essas coisa cara, vc fika com esse negocio de voz do futuro mas n sabe nda de nda! só fica aqui pra tirar com a gente&lt;br /&gt;Nickole diz: Verdade, voz. Larga disso que eu acho que vc podia fazer coisa melhor. &lt;br /&gt;Voz do Futuro diz: E, se por um acaso, o ENEM falhar? O que vão fazer? &lt;br /&gt;Nickole diz: Obvio né? Só a gente ir reclamar nossos direitos, ninguém pode fazer estudante de palhaço desse jeito. (se bem que o enem já é uma piada) &lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: verdade qualqr coisa só a gnt protesta!!! &lt;br /&gt;junirz diz: opsss, tava jogando lineage galera, foi mal não aparecer aqui hj. &lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi Julia quer tc?? &lt;br /&gt;junirz diz: julia? Cara vc deve ta mto na seca pra confundir meu nome assim. &lt;br /&gt;junirz diz: bom gente vou voltar a jogar, boa sorte pra vcs amanha. vo jogar até as 4 madruga ai depois vo lá, té mais gnt.&lt;br /&gt;Nickole diz: Eu já vou dormir, boa prova pra vocês, gente. E calma Jack, so relaxa pra amanha.&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: brigada amiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM&lt;/b&gt; – Horas Após o ENEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: aiiin geeeeeeeeeeeeeeeeeeent, fui mto mal! Desesperei no meio da prova e comecei a chorar! n acredito q vo ter q ficar mais 1 ano pra passar!!! &lt;br /&gt;Nickole diz: Hm, eu acho que fui bem!! corrigi minha prova com o gabarito e fiz umas 168 questões de 180! Fora isso o tema da redação estava tranquilo! &lt;br /&gt;Nickole diz: Não fica assim Jack, importante é que você se esforçou pra fazer a prova! &lt;br /&gt;junirz diz: po minha prova veio mto estranha. tinha umas questões repetidas e outras puladas... &lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: ENEM TA FAZENDO A GENTE DE PALHAÇO GALERA!!!!! &lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: UM MONTE DE GENTE VEIO COM GABARITO COM PROBLEMA!!&lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: TAO FALANDO QUE VAI ANULAR E FZER DE NOVO! &lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: VAMO GENTE! TD MUNDO PRECISA RECLAMAR! &lt;br /&gt;Nickole diz: Nossa, será que vão mesmo anular a prova? Mas eu fui tão bem... ai, não. Tinha que ser esse enem mesmo! Ai, comecei a tremer aqui.... &lt;br /&gt;junirz diz: hehe entao minha prova não foi a unica &lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: aff além de nao prestar esse enem ainda fica dando problema!!! não presta msm! Temo que fazer algo gente! &lt;br /&gt;Nickole diz: Ai! Tõ quase chorando aqui, não pode dar problema gente! Estudei muito, e fiz bem a prova, e se anular todo esse esforço. Já estou faz 3 anos tentando entrar pra medicina e logo agora.... Ai, que droga de enem! &lt;br /&gt;junirz diz: nossa gente pra q tanto? bom, se vcs vao fazer algo eu ajudo. &lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi nickole, ocupada? &lt;br /&gt;Nickole diz: Porque nunca baniram esse cara daqui? Aff, que raiva. &lt;br /&gt;Voz do Futuro diz: .... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM&lt;/b&gt; – 2 Dias Após o ENEM &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM! &lt;br /&gt;Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;junirz diz: v&lt;br /&gt;junirz diz: ops falhou o cntrl v, hehehe &lt;br /&gt;junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi jack, td bom? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM&lt;/b&gt; – 3 Dias Após o ENEM &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM! &lt;br /&gt;Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;junirz diz: v&lt;br /&gt;junirz diz: ops falhou o cntrl v, hehehe &lt;br /&gt;junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi julia, td bom? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Folha Brasil: Estudantes protestam contra o ENEM&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através da internet, cerca de mais de 35 mil estudantes do país inteiro se revoltam contra o ENEM. O ministro da educação, Fernando Haddad, pediu desculpas a todos que realizaram as provas no Brasil inteiro e diz que está tentando um acordo com a 7° Vara de Justição do CE, que foi responsável pela liminar que suspende o Exame Nacional do Ensino Médio. Segundo o ministro, a proposta inicial é realizar uma nova prova apenas para aqueles que levantaram queixas e foram realmente prejudicados. “Não há necessidade de anular o ENEM e refazê-lo para todos” disse Haddad durante uma coletiva. Resta, agora, aos alunos, que continuem esperando pelas decisões; muito embora as ondas de protesto – centradas principalmente nos sites de relacionamento – estejam fazendo um grande papel de pressão ao MEC e ao INEP – instituto organizador da prova. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM&lt;/b&gt; – 4 Dias Após o ENEM &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM! &lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM! &lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM! &lt;br /&gt;Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Nickole diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi Nickole, quer tc?? &lt;br /&gt;junirz diz: cara vcs não cansa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome – Sala: Educação – ENEM&lt;/b&gt; – 8 Dias Após o ENEM &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: eae galera &lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: oi revoltado!!! tava sumido heim!! &lt;br /&gt;REVOLTADORJ diz: é, viajei com uns amigos esse fim de semana, mto legal praia, sol, rsrs&lt;br /&gt;Jackz_s2 diz: sei, eu sai cm umas amiga ontm tbm pra flar a verdade kkkkkk &lt;br /&gt;Nickole diz: Oi gente... &lt;br /&gt;GostosoCAM diz: oi nick, vm brinca hj? &lt;br /&gt;Nickole diz: Oi lindão. Vamo sim... &lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome diz:&lt;/b&gt; GostosoCAM e Nickole foram para a sala Privada.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;junirz diz: afffffffffffffff vao fazer otro enem!!!! &lt;br /&gt;junirz diz: e bem no dia que ia ter evento com uns item novo no lineage AFFFF&lt;br /&gt;junirz diz: se nesse pais msm...  vmo protesta gnt!!! &lt;br /&gt;junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;junirz diz: ABAIXO AO GOVERNO E A PALHAÇADA! CHEGA DE ENEM!&lt;br /&gt;junirz diz: aff gent kd vcs? &lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Chat Welcome diz:&lt;/b&gt; Jackz_s2 e REVOLTADORJ foram para a sala Privada.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;junirz diz: AFFFFFFFF falow pra vcs!!!!&lt;br /&gt;Voz do Futuro diz: ....&lt;br /&gt;Voz do Passado diz: Quem dera eu fosse você, Futuro. &lt;br /&gt;Voz do Futuro diz: Pois é.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-774468929078892563?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/774468929078892563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/11/vozes.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/774468929078892563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/774468929078892563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/11/vozes.html' title='Vozes'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-8800072672114774981</id><published>2010-10-17T20:27:00.000-07:00</published><updated>2010-10-17T20:29:02.396-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas e Poesias'/><title type='text'>Vivazes Virtuais</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;E, por mais que sejam as supérfluas separações,&lt;br /&gt;Sentimentos mais longe chegam; conquistadoras, conquistadas.&lt;br /&gt;Quadrado cheio de tudo, sem vilões.&lt;br /&gt;De você me deu ciência; espírito livre, sem amarras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por que, “&lt;i&gt;que nada te abale&lt;/i&gt;”, Alma independente? &lt;br /&gt;Se tanto em tão poucos girares temporais, atado estou a me sentir.&lt;br /&gt;Até onde podes voar?  Corrente não será suficiente.&lt;br /&gt;Sobre seus pés, seguindo em frente, “&lt;i&gt;e que por nada você irá cair&lt;/i&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de digitadas palavras, surgiu o fino fio&lt;br /&gt;Que esbelta e cintilante, laços fraternos, súbitos vivazes, se formaram. &lt;br /&gt;Coexistem, sim, saudades de um abraço macio, &lt;br /&gt;Mas que há de se reclamar; quando almas certamente se tocaram?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-8800072672114774981?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/8800072672114774981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/vivazes-virtuais.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8800072672114774981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/8800072672114774981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/vivazes-virtuais.html' title='Vivazes Virtuais'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2655394735030380146</id><published>2010-10-13T10:39:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T10:41:28.345-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Referências Literárias'/><title type='text'>Referências Literárias: André Mansim</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;b&gt;Estreando este novo tipo de postagem do blog, chamado &lt;u&gt;Referências Literárias&lt;/u&gt;, eu resolvi, ao menos uma vez ao mês, entrevistar algum amigo ou conhecido meu que admiro por sua interação com algum tipo de arte. E, nada melhor para começar o quadro, que o grande amigo André Mansim. Cartunista e Cronista, já famoso entre os ciclos de blogs da internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala Mansim! Para o começo da entrevista, faça-nos uma breve apresentação de você.&lt;br /&gt;Olá amigo Tadashi.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu tenho pra falar sobre  mim? Bom, eu sou casado com a Andréia, minha linda esposa, tenho a Fridona e a Chambinha, uma cachorra e uma gata, hahaha. Trabalho em uma loja a 23 anos!! Sou professor de história também, mas atualmente não estou lecionando. Gosto muito de música e de escrever baboseiras. Hahahaha, minha cabeça é um poço de baboseiras, hahaha. E gosto muito de desenhar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como e quando você começou a escrever e desenhar? E a idéia do blog, qual foi o pontapé inicial disso tudo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desenho desde criancinha, esses dias minha mãe pegou um livro de receitas que ela tem desde antes de eu nascer e me mostrou o que ela julga ser meu primeiro desenho. Hahahaha era um capitão América, hahaha, bem feinho coitado!!!&lt;br /&gt;De escrever eu acho que meu principal incentivador foi um professor que eu tive. Ele disse que eu tinha idéias incríveis mas que não sabia colocar no papel. Então de teimosia eu comecei a escrever sem parar. Hahahahaha.&lt;br /&gt;Quanto ao blog, eu fiz pra tirar uma onda e acabou que muita gente gostou e acabou me incentivando. Tem muita gente que gosta de coisas ruins mesmo, hahahahahaha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Analisando seus vários escritos, Mansim, eu sempre noto a clara preferência pela crônica caprichada em ironia e humor. Quais suas influências literárias? Quem foi ou foram as pessoas que moldaram seu talento para a alcunha de Cartunista e Cronista?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, eu sempre gostei muito de ler. Já lí uma biblioteca inteira, hahaha, mas o jeito irônico eu acho que me inspirei no Mário Prata e no Marcos Rey que eram gênios nesse tipo de escrita. Gosto muito também do jeito do Eduardo Bueno de escrever coisas sérias de um jeito leve. Mas essa minha tática de escrever sempre a partir de alguma coisa que aconteceu comigo e que eu mesclo com umas coisas inventadas, é uma coisa que eu mesmo pensei e acho que deve ser original. Mas como dizem: Nada se cria, tudo se copia!&lt;br /&gt;Quanto aos desenhos eu tenho vários mestres que não me conhecem: Laerte Coutinho, Angeli, Glauco Vilas Boas, Henfil, Will Eisner, Gil Kane e atualmente o mais importante e melhor cartunista/desenhista do Brasil, Spacca! Quem ainda não leu D.João Carioca, Jubiabá, Santô e os pais da aviação, tem que procurar pra ler! São obras primas!&lt;br /&gt;E um mestre amigo e companheiro que me ensinou e incentivou muito num jornal aqui de Barretos é o Wilson Cassi. Esse é o cara! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você teria um top 10 de Livros e Filmes que gosta? Mostra pra gente!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livros:&lt;br /&gt;D. João Carioca, escrito por Lilia Moritz Schwarcks desenhado por Spacca.&lt;br /&gt;A trilogia escrita por Marcos Lozekan chamada “Uma entrevista com Deus”.&lt;br /&gt;Jubiabá, adaptada em quadrinhos pelo Spacca.&lt;br /&gt;Não faça tempestade em copos d’agua, Richard Carlson&lt;br /&gt;Chatô o rei do Brasil, de Fernando Morais.&lt;br /&gt;Noticias do planalto, de Mario Sérgio Conti&lt;br /&gt;A viagem do descobrimento, de Eduardo Bueno.&lt;br /&gt;O enterro da cafetina, de Marcos Rey.&lt;br /&gt;Os 3 mosqueteiros, de Alexandre Dumas. (O melhor da minha infância).&lt;br /&gt;100 crônicas de Mario Prata, do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmes:&lt;br /&gt;Uma lição de amor.&lt;br /&gt;Teoria da conspiração.&lt;br /&gt;Inimigo do Estado.&lt;br /&gt;De volta para o futuro 1,2,e 3.&lt;br /&gt;O suspeito da rua Arlington.&lt;br /&gt;O livro de Eli.&lt;br /&gt;Todos os 3 da trilogia Bourne.&lt;br /&gt;Mentiras de um cara de pau.&lt;br /&gt;Quatrilho.&lt;br /&gt;Os irmãos cara de pau, 1 e 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem mais filmes pra fazer o top 500, mas só esses já tá bom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sempre muito bem ligado com tudo a sua volta, Mansim, seus escritos demonstram que você, além de crítico, é um formador de opinião – visto os vários visitantes que acessam seu blog todos os dias. Cada escrito seu pode alterar a forma de pensar de alguém sobre alguma coisa, como você lida com esta responsabilidade?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tudo o que escrevo eu procuro não dizer a verdade absoluta, até porque ela não existe. Eu sempre deixo uma margem para a pessoa tirar sua própria opnião, deve ser por isso que as pessoas gostam, (ou pelo menos falam que gostam, hahahaha). Mas se alguém for influenciado pelo que escrevo eu não vou achar ruim, afinal, o que escrevo é o que acredito como sendo correto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ainda na esfera virtual; o quanto o início do blog e sua interação com os blogueiros fez você crescer? Grandes amizades já surgiram por aqui? Conte-nos de sua socialização com internautas!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece incrível, mas tem muita gente que hoje é meu grande amigo que fiz via Orkut e blog, e acho isso muito legal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Já pensou em explorar novos ramos literários, Mansim? Contos, Poemas, Novelas, Romances; lhe interessa tentar algum deles algum dia? Ou, indo mais longe; música, teatro, cinema?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que ainda vou escrever um livro, tenho muitas idéias, até demais, hahahaha, mas falta coragem para começar a escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Qual foi, considerando os seus escritos e cartuns, o retorno mais gratificante que já recebeu pelo seu esforço? E, já pensou em desistir disso tudo? De largar mão dos escritos e desenhos? Porque?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo eu desenhava e escrevia num jornal aqui de Barretos, o dono me prometeu até salário por isso, mas nunca pagou nada, hahaha. Mas foi bom porque amadureci muito com isso. Hoje escrevo e desenho em outros dois jornais aqui da cidade, hahahaha, ainda não ganho nada, hahaha, mas as pessoas pelo menos comentam e elogiam. O que já é bom.&lt;br /&gt;No blog o que mais me dá prazer é ver amigos comentando e seguindo sempre. Isso já dá prazer e vontade de continuar.&lt;br /&gt;Já pensei em parar, mas foi por uns 3 segundos, depois passou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Esta é uma pergunta que um amigo de uma comunidade de contos sempre faz para os entrevistados dele, e, eu acho que é uma boa pedida para você também, Mansim: Diga-nos cinco coisas que não sabemos sobre você.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou cristão da Igreja Presbiteriana, sou sãopaulino doente, jogo bola mal pra caramba (mas jogo toda semana), não tenho carta de carro (que vergonha), hahahahahaha, Gosto de punk rock, e blues!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Bom, encerrando a entrevista, tem algumas palavras finais? Muito obrigado pelo tempo gasto com este grande apreciador do seu trabalho, e desejo-lhe todo o sucesso e retribuição que se pode ter com seus escritos, Mansim. Afinal, você merece! Valeu e abração! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado amigo, você é um grande cara por quem tenho muito carinho e é um grande incentivador.  Alí em cima quando falei das relações de amizade virtuais, com certeza vc é uma das melhores! Obrigado e se lembre que estou esperando seu livro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Eu que agradeço pelo seu tempo, André! E, é isso, meus poucos e caros leitores! Vou deixar, aqui para finalizar a postagem, o link para o blog do grande Mansim. E, a gente se vê na próxima postagem. Provavelmente um conto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Link para o blog do Mansim:&lt;br /&gt;http://amansim.blogspot.com/&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2655394735030380146?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2655394735030380146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/estreando-este-novo-tipo-de-postagem-do.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2655394735030380146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2655394735030380146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/estreando-este-novo-tipo-de-postagem-do.html' title='Referências Literárias: André Mansim'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-956434790430479968</id><published>2010-10-03T16:05:00.000-07:00</published><updated>2011-01-22T20:49:42.676-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><title type='text'>O Golem e a Intangível</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;I&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;i&gt;Novamente, apareceu. O deserto no qual eu vivia por uma eternidade – ou, pelo menos, nunca me lembro de ter saído daquele lugar – parecia ganhar mais brilho quando ela surgia. Tinha cachos dourados e uma pele alva, brilhante; envolta numa manta branca que a fazia ficar ainda mais divina. Aproximou-se de mim com passos ensaiados, brincalhões; e tocou de leve no meu ombro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Você parece estar mais vivo dessa vez. - Ela disse. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Não acontece muito. - Retruquei. - Talvez só quando você resolve me visitar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Ângela riu do meu comentário e virou-se de costas, afastando-se dois passos antes de se virar novamente para fitar a minha face com seus olhos azuis e uma feição um pouco mais séria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Desculpe não por não vir até você tanto quanto antes. É que eu tenho tido muitas coisas para fazer, sabe? Mas agora, eu acho que posso me dedicar um pouquinho mais a você – o meu melhor amigo. Dessa vez, Hiroshi, eu vim para te levar comigo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Me levar... com você?  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  A dúvida recheou meu ser, afinal, minhas lembranças – falhas e miúdas – nunca me mostraram nada além daquele universo de areia no qual eu vivia, solitário quase sempre, só sendo visitado por aquela existência cheia de vigor. Desviei o olhar para encarar o céu escuro e sem estrelas que jamais tinha mudado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Realmente há algum lugar diferente deste aqui? - Complementei. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  A garota angelical deixou sua face envolver-se num antro de preocupação, e acabou que novamente se aproximou de mim, aquecendo-me num abraço quente e acolhedor. Demorei para retribuir àquele ato de carinho e caridade que ela demonstrava, não sabia se algum dia já tinha sido abraçado por alguém. Acabou que, depois de alguns poucos segundos, meus braços se moveram e eu também deixei meus braços repousarem sobre sua pele macia. Mantemo-nos naquela posição por tempo incontável, para mim quase uma nova eternidade que eu gostaria que perdurasse ao infinito, até que afastou seu corpo do meu, o suficiente para que pudesse penetrar seu olhar dentro de minha alma, através de minhas orbes negras e desgastadas. Acariciou minha face e sorriu. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Há, meu querido, há um lugar muito melhor. Um lugar que é – e sempre foi – seu por direito, e é hora de reconquistá-lo. É hora de buscar sua vida de verdade, de enfrentar seus medos e fronteiras. Você me deixa levá-lo embora deste mundo sem vida? &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Me calei, por alguns segundos, até que finalmente senti confiança naqueles dois mares azuis que tinha em suas orbes. Dois mares que sempre me convenceram que eu era especial à ela, com feições ternas e amorosas. Ousei, toquei os lábios da moça de pele alva com os meus rachados e secos. Não houve resposta de início, até que finalmente ela se entregou ao amor e beijou-me de volta. Quando afastei minha face da dela, duas lágrimas escorriam pelas suas bochechas pouco rosadas. Ângela, a única que viera até  mim e conquistara meu coração, estava mais feliz do que nunca estivera. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Hiroshi, vamos? Vamos embora daqui? &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Eu assenti com a cabeça, levemente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Vou, com você, para onde for necessário.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;II&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Centro Revolucionário do Novo Brasil. 13 de Março de 2045, 23h30min.&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  As vozes inundaram seus ouvidos, tirando Messias do sono leve. O homem levantou-se do amontoado de colchonetes que eram sua cama e olhou para o relógio de pulso, já era a tão esperada hora. Zanzou pelo pequeno cômodo improvisado na rocha, colocando uma camiseta regata. Se pudesse e a ocasião fosse mais informal, teria ido sem a parte de cima de suas roupas; vez que o calor de cinquenta e oito graus que fazia ali – cem metros abaixo da superfície – era quase insuportável. Sua cabeça latejava a cada vez que um grito sobrenatural soava em seus ouvidos, tornando difícil a simples caminhada que ele precisava fazer pelo pequeno corredor escavado na pedra. A euforia sonora, que só ele e mais alguns poucos no mundo podiam ouvir, indicavam o quanto &lt;i&gt;Eles&lt;/i&gt; estavam agitados e inquietos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Não era para menos, aquele era o dia do contra-ataque. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Encontrou poucas pessoas nas teias de túneis da Resistência, a maioria dos soldados estavam prontos para saltar de volta à superfície para reclamar seus direitos. Poucos meses antes, ninguém mais tinha esperança de um dia reconquistar o planeta perdido, mas fora então que os escolhidos foram surgindo em volta do globo, e a precária comunicação entre os rebeldes de todos os continentes começou a se unir para uma retomada. O último ser deixado dentro da caixa de Pandora, a Esperança, começava a se reavivar dentro do coração de cada um dos seres humanos que não foram dominados. Os passos de Messias se apressaram conforme se aproximava da sala de meditação, acenou para alguns poucos homens que ficaram no CR do Novo Brasil para a proteção dos Escolhidos e das – poucas – crianças. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Virou à esquerda numa bifurcação dos túneis mal-iluminados e logo encontrou uma pequena porta de aço, vigiada por dois soldados que se espremiam na parede com fuzis ainda munidos da antiga pólvora.  Messias acenou para eles e aproximou-se da porta, batendo nela pesadamente. Poucos segundos até uma pequena escotilha se abrir e dois olhos fitarem os de Messias com tensão, estavam todos nervosos. A porta se abriu em seguida, dando passagem ao Escolhido, que se viu junto de mais três homens e quatro mulheres. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Sentou-se em sua cadeira e deu as mãos para os que sentavam ao seu lado. Agora, Messias já quase não estava no mundo físico. As vozes – diversificadas em gritos, sussurros, pedidos e choro – dominavam-no por completo, assim como dominavam a todos naquela sala. De mãos dadas e almas unidas, eles eram mais fortes, poderiam assim comandar o outro lado da revolução. Messias fechou os olhos e entraram em transe, os oito escolhidos da antiga América estavam unidos e prontos para o confronto, esperando que, no resto do mundo, os outros também estejam em seus lugares.&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;III&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;i&gt;Trocávamos carícias e aconchegos desde o momento do primeiro beijo. Ângela se entregava a mim assim como eu cedia a cada encanto daquela moça de cachos dourados, como se fossem séculos de paixão contida agora extravasados em poucos minutos. No meio de mais um daqueles beijos longos e românticos, parou, deixando a cabeça pender um pouco para trás. Seus olhos azuis se reviraram nas órbitas, para meu desespero, e Ângela pareceu estar fora daquele corpo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Segundos agonizantes, até que a minha amada voltou a si e seu olhar novamente se direcionou para o meu. Agora, ela estava com uma feição séria e preocupada na face. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - O que foi, Ângela? &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - É chegada a hora de levá-lo para a realidade. - Ela falou. - Siga corajoso como sei que é. Pode se mostrar confuso nos primeiros momentos, mas todos vão precisar de sua ação, de sua liderança; toda ajuda é necessária. Você me promete que enfrentará, sem medo, aquilo que o fez tão mal?&lt;br /&gt;ㅤㅤ  Não entendendo tanto do que falava, apenas confirmei com a cabeça. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - É por isso que me apaixonei por você, mesmo visitando a tantos outros iludidos em seus mundos surreais. - Ela falou, seguindo um beijo e um abraço mais forte. - Estarei sempre ao seu lado durante o confronto, meu amor. Você, Hiroshi, lutará bravamente; e eu me orgulho por poder ter trazido a luz da verdade para você. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Agora, mesmo que tentasse dizer mais alguma coisa, não pude. As dunas do deserto infinito que era meu lar começaram a tremer com força, ao mesmo tempo em que o céu parecia rasgar-se para algo luminoso entrar naquele vácuo de vida. Me senti flutuando junto de minha Ângela, enquanto tudo a nossa volta parecia se destruir. Não, destruir não era a palavra certa, tudo em volta parecia se refazer em pura luz. Num momento em que não posso dizer qual é, senti que eu mesmo estava desaparecendo, me tornando parte daquela mágica situação. Senti meu corpo queimar e em seguida formigar. Estava, sim, desaparecendo, saindo daquele universo chato e solitário. E Ângela estava indo comigo. Fechei os olhos.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;IV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Uma forte queimação invadiu sua nuca. Hiroshi, instintivamente, levou a mão até lá e encontrou algo metálico e quente preso à seu corpo. Segurou com força e arrancou, contendo a dor do &lt;i&gt;desplugue&lt;/i&gt;. Caiu no chão um dispositivo eletrônico com faíscas saltando de dentro dele, mais parecia uma aranha mecânica, ainda parecia estar viva! Num ato de puro reflexo, disparou contra o bicho com a arma presa no pulso, um &lt;i&gt;laser&lt;/i&gt; púrpuro disparou por comando mental contra o aracnídeo metálico, transformando-o em nada mais que sucata tecnológica. A luz vermelha,  encontrada num painel ao centro do corpo minúsculo, apagou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  O descendente de japoneses olhou em volta, onde estava? A sala velha parecia estar abandonada fazia décadas. Caminhou até um espelho empoleirado e viu a si mesmo. Estava mais forte, mais musculoso do que se lembrava. Uma armadura que mesclava placas prateadas e negras cobria todo seu corpo, fazendo-o parecer um soldado. Olhou para o pulso, ali, um cano cilíndrico parecia estar acoplado à sua pele, passando por debaixo da armadura; fora aquele aparato que disparou o &lt;i&gt;laser&lt;/i&gt; que dizimou a criaturinha no chão. Concentrou seu pensamento no item, e logo a arma modificou-se girando em torno de engrenagens que saltaram de seu pulso, até formar, então, algo semelhante a uma metralhadora giratória. Ouviu o chiado de mecanismos perto ao seu ouvido, fitou o espelho e encontrou sobre o ombro uma outra arma um canhão, talvez. O que ele havia se tornado? Deixou de ligar para seu corpo e concentrou-se na mente, nas lembranças e memórias. E, de súbito, todas elas começaram a invadir seus pensamentos de uma única vez. Ele cambaleou na sala velha e caiu sentado no sofá cheio de mofo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;i&gt;"As naves de formato cônico surgiram ao redor do globo, cobrindo bairros inteiros de cidades e metrópoles famosas de todo o mundo. Nenhum país tomou responsabilidade pelos aeromodelos, e a ONU convocou uma reunião de emergência para decidir o que será feito. Exércitos estão cercando os OVNIs, e o decreto de evacuação foi dado logo na primeira hora na maioria dos países. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  A única manifestação feita pelas naves foram pequenos cilindros metálicos disparados por toda a cidade. Cientistas, Físicos e outros estudiosos já se reuniram em laboratórios de última tecnologia e estudam os artefatos; por hora, é informado que parece ser uma espécie de dispositivo eletrônico que armazena alguma sorte de itens dentro deles. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Mais informações serão dadas a qualquer momento. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Aqui é Lídia Carvalho, direto para o Noticiário Plantão.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Hiroshi urrou de dor, a cabeça parecia que ia explodir com tantas informações vindas tão rápido para dentro de sua mente. Pressionou-a com as mãos e fechou os olhos, contendo lágrimas sofridas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;i&gt;- Vamos, Hiro! Rápido! &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Calma! Calma, cara! - Hiroshi gritou com o colega de quarto, enquanto via as pessoas correndo pela estrada, deixando os carros e motos para trás no engarrafamento colossal formado na BR. Um grande acampamento do exército se encontrava a cerca de dois quilômetros dali, e podia ser avistado facilmente. Havia uma gigantesca tenda, da onde um estrondo devastador fazia crianças e pessoas com sensibilidade auditiva tamparem os ouvidos. O ministro de defesa fora bem claro: Todos deveriam evacuar para aquelas áreas militares o mais rápido possível. As cidades não eram mais pontos seguros, e os Extraterrestres eram inimigos. Não deviam confiar nas palavras mal traduzidas daqueles seres cinzentos de quatro pares de mãos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Que calma nada, mano! - Messias insistiu. - Tão falando que o mundo vai ser dominado por esses ETs loucos, os caras que chegaram lá na frente tão espalhando boatos que tem uma escavadeira gigante dentro da tenda e que a gente vai pra debaixo da terra. Não tem tempo pra você ficar com suas frescuragens agora, Hiro!&lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Mas e se os bichos cinzas estiverem falando a verdade? E se eles vieram pra trazer o desenvolvimento? Eu acho que a gente poderia... &lt;br /&gt;ㅤㅤ  - Não, cara! Vamos seguir pra onde todo mundo tá indo!  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Por pura insistência do amigo Messias, Hiroshi deixou de lado suas idéias malucas e seguiu com ele. Para aonde a esperança ainda tinha lar, para os braços da organização que agora comandava a população.&lt;/i&gt;  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Arfante, o nipônico começava a ligar os fatos e voltar à realidade. Lembrava-se da invasão na terra. Lembrava-se de seus antigos amigos. Lembrava-se de tudo, até que...  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;i&gt;"Esta é uma missão de reconhecimento de área. Vocês, voluntários, devem seguir a finco todas as nossas ordens! Sei que o calor os deixa desconfortáveis, mas devem se acostumar! Ficaremos abaixo da superfície, numa temperatura que os cinzentos não aguentam, o tempo que for necessário. Nossa equipe fará reconhecimento de área em uma antiga liga de túneis de esgoto vinte metros acima de onde estamos agora.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Lembrem-se: As aranhas metálicas são a coisa que devem evitar mais do que tudo! Elas sobem pelo seu corpo e se fixam na nuca, atrelando-se ao sistema nervoso com mecanismos avançados. Caso elas conseguirem o feito, pá! Vocês estão dominados pelos aliens e se tornam nossos inimigos. Eles estão em número muito reduzido em comparação a nós, precisam dos escravos mentais, dos Golens! Não dêem a eles a chance de dominar mais ainda nossa Terra! Adiante, Rebeldes! ” &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Lágrimas caíam dos olhos descendente nascido e criado em São Paulo. Lembrou-se, com amargura, de quão trágica terminou aquela missão de reconhecimento. Lembrou-se do exato momento em que seu fuzil de pólvora não conseguiu penetrar na proteção metálica do aracnídeo que subiu em seu corpo e o dominou, deixando sua alma vagar num universo paralelo e sem vida alguma, senão a dele. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Tentou conter a emoção e os sentimentos e fixou-se nas últimas lembranças que tivera. Ângela. Olhou para o lado e deixou sua mente e espírito acalmar, aos poucos, a figura linda de sua Amada se formou. Olhando para ele com um sorriso encantador. Estendeu o braço para tocá-la, mas os dedos do ex-golem trespassaram a forma etérea do espírito. Ângela era um fantasma, uma moça que já morreu; assim como outros milhões que foram dizimados no primeiro ano da invasão extraterrestre, espíritos que resolveram ajudar os que ainda habitavam a terra. Espíritos que formaram escolhidos para dizer-lhes de seus planos. De suas ousadias que agora mostravam-se efetivas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Hiroshi lembrou-se da promessa feita a sua amada. Ele precisava lutar, lutar pelo seu planeta e pelos seus irmãos. Caminhou até a janela, e de lá observou vários outros ex-golens, todos livrando-se de suas aranhas dominadoras; todos acompanhados de figuras esboçadas e esbranquiçadas, seus fantasmas libertadores. O cenário era devastador, a cidade tinha prédios caindo aos pedaços e ruas abandonadas havia muitos anos; olhou para o horizonte e encontrou uma nave cônica pairando sobre a cidade, a algumas dezenas de quilômetros.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Voltou seu olhar para a rua. Dos bueiros, começavam a sair centenas de homens vestidos com pouca roupa e armas de fogo antigas. Saíam espantados no meio dos escravos mentais libertos que também não tinham muito em ordem os pensamentos e só agora começavam a se recordar de seus feitos antes de serem dominados. Hiroshi sentiu o espírito de Ângela tentar abraçá-lo por trás – sensação semelhante a um calafrio, e sua voz ecoou em seus ouvidos, terna e limpa. &lt;i&gt;Todos vão precisar de sua ação. &lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ  O ex-golem saiu para a sacada do apartamento abandonado que era sua guarita, quando ainda servo dos cinzentos, e levantou o punho aos céus, enchendo os pulmões de ar para seu grito forte.&lt;br /&gt;ㅤㅤ  Ouviu alguns gritos de comando, e da janela pôde observar alguns líderes das tropas da resistência chamando todos para a luta. O ex-golem saiu para a sacada do apartamento abandonado que era sua guarita, quando ainda servo dos cinzentos, e levantou o punho aos céus, enchendo os pulmões de ar para soltar um forte grito de ânimo. Soldados da resistência e ex-golens se juntaram ao grito. Agora, com aquelas armas extraterrestres acopladas aos corpos de homens sãos, talvez pudessem contra os inimigos cinzentos.   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-956434790430479968?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/956434790430479968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/o-golem-e-intangivel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/956434790430479968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/956434790430479968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/o-golem-e-intangivel.html' title='O Golem e a Intangível'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-6781477134807043741</id><published>2010-10-02T01:34:00.000-07:00</published><updated>2011-01-22T20:50:32.573-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Drama'/><title type='text'>Lágrimas no Paraíso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;I&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Até o odor mais horrível começou a desvanecer. O peso que desmontava a cabeça do, agora frágil, homem subitamente deixou de existir enquanto ele abria os olhos, sóbrio uma vez em muito tempo. Daniel demorou a distinguir o que o cercava, e mesmo quando seu raciocínio conseguiu acompanhar a visão, a mente confusa não captou sentido; nunca estivera ali, e não acreditava que sua bebedeira pudesse levá-lo até tão belo lugar.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Suas roupas estavam leves, muito diferentes do terno impregnado de suor e de acidez do álcool, se viu vestindo uma camisa de lã folgada e um short de seda. Deu um passo sobre a sala simples de tablado de madeira, aquele lugar exalava paz em cada mínimo canto. Onde estava?&lt;br /&gt;ㅤㅤ   &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;II&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Definhando. O cheiro desgostoso – quase insuportável – inundava a saleta sem vida que um dia já fora antro de tantos risos. Daniel estava definhando, aos poucos, dolorosamente; o mundo e sua maldade mostravam-se mais fortes que a antiga coragem do garoto, agora homem. O deszelo pela vida, tão destacado nos inúmeros itens jogados para todos os lados e nas garrafas de bebida abertas em momentos aleatórios, cada vez mais recheava a mente do diminuto ser que se tornara. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  O corpo – que só se movimentava para alimentar o vício há pouco adquirido – parecia que não era seu, não o sentia, não conseguia expressar-se no mundo material quando dragões inescrupulosos destroçavam e engoliam sua alma todos os dias, em cada golada. E, quando conseguia manter-se dentro de sua sala, parecia sofrer ainda mais; como se a realidade quisesse expulsá-lo novamente para a derradeira loucura do álcool. A face de Daniel caiu de lado, e seus olhos cansados de pálpebras tombadas fitaram o seu terror, carrasco impiedoso; que antes era o motivo que o fazia seguir firme e forte. A foto continuava ali, mesmo depois de tentar queimá-la, de atirá-la pelo corredor sombrio, de quebrar sua proteção; a imagem de Ana com o pequeno Joel nos braços mantinha-se agregada a seu resquício de vida. Era o que o destruía, e ao mesmo tempo, era o que o mantinha vivo. Afinal, se ele morresse, teria de enfrentá-lo. Preferível a feição de nojo da ex-esposa que encarar as incertezas de um pós-suicídio. Já fazia três anos desde aqueles dias de tormento. Três anos de decadência, de amigos se afastando e padrão de vida despencando. Ele já estava no fundo do poço, e mesmo assim, parecia sempre insistir em afundar ainda mais.&lt;br /&gt;ㅤㅤ  Mergulhado na cratera temporal no meio do sofá de couro rasgado, Daniel estendeu o braço na direção da vodka barata. Mais um gole e um engasgo, seguido de uma série fulminante de tosse, como se seu corpo tentasse expelir todo o mal do líquido maldoso, sem sucesso.  Virou o rosto para o chão e deixou que seu organismo já surrado reclamasse por melhoras, o vômito saiu branco e ralho, não comia direito já fazia algumas semanas, apartando a fome com salgadinhos míseros e cheios de mal elementos da vida. A cabeça girou, e repentinamente faltou-lhe forças para sequer permanecer desperto. O mundo se fechou e a escuridão se apossou de sua sanidade. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;III&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Não tinha a mínima idéia de como aguentou o enterro todo. Daniel estava inflexível, imóvel; pessoas vieram dar-lhe a mão e abraços caridosos. Entretanto, só respondera com simples balançares de cabeça, sem prestar atenção alguma à quem lhe dirigia a palavra. Ana, sua esposa, caía em prantos próximo ao cimento fresco. Não era para menos, toda aquela cena de tristeza e choque nunca deveria ter acontecido; Joel não devia ter morrido daquela forma, por uma bobeira, por tão pouco e tão cedo. Ele ainda mal tinha começado a andar! Ana desviou o olhar, fitando seu marido, procurando achar naquelas orbes negras, antes tão aconchegantes, algum consolo para seu resquício de lógica. Mas Daniel não tinha como estar pior, balbuciava palavras sem-nexo; verbos e substantivos que se formavam num plano surreal, que perguntavam a si mesmo um mar de dúvidas cruéis e inumanas. Será que, caso se encontrassem após sua morte, ele saberia seu nome? Joel seria capaz de lembrar do próprio pai?  E, supondo que ele se lembrasse, seria capaz de perdoá-lo? &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Cada novo questionamento fazia o homem sair mais de sua consciência, deixar o tempo passar sem acompanhá-lo. E, quando menos percebia, implorava por mais. Seu simplório viver estava de joelhos para que ele saísse daquilo tudo, para que não partisse para o outro lado, e mesmo assim abandonasse este. A única e mal-formada resposta que encontrou; veio amarga, forte, e descia goela abaixo. A pseudo-salvação. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;IV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  A luminosidade não vinha do astro-rei, ela simplesmente brotava de todas as partes e deixava o local com aquele clima: Tranquilo. Daniel sentiu que seus pés podiam alcançar mais longe, defronte tanto sofrimento dos últimos três anos em que se via perguntando se era o autor da morte do filho, agora podia-se dizer que estava relaxado por completo. Sentiu-se mal por isso, não era certo alguém que merecia a sofridão e a solidão ter tanta liberdade. Lembrou-se, numa inundação de recordações, de tantos vários momentos que passou com Ana e Joel. O calor do menino segurando seu dedo com suas pequenas mãozinhas superava qualquer abraço que já fora lhe dado, um pequeno engasgo do moleque o fazia sorrir feito bobo por uma tarde inteira. Fora um pai-coruja. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  E, como por consequencia, lembrou-se da fatídica tarde. Resolvera levar Joel para passear pelo bairro, mesmo o bebê tossindo em seus braços e com indicação de chuva para o céu tão claro. Tão claro que fez Daniel desacreditar das previsões, que o fez sentir segurança para levar sua cria para tomar ar livre. Mas a chuva veio, súbita e tenebrosa, pegando pai e filho desprevenidos. A tosse virou gripe, e a gripe tornou-se pneumonia. A pneumonia virou dor para os pais, a &lt;i&gt;causa mortis&lt;/i&gt; de seu pequeno e único fruto do amor. Derramou lágrimas sofridas que há muito não saíam, sempre contidas pelo poder ilusório do álcool. Abraçou os joelhos e se viu jogado no canto da saleta de luz, expressando todo seu sentimento em urros e mais choro. Todo o conforto do lugar esvaiu-se. Sumiu. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  A sala perdeu seu brilho, assim como o coração de Daniel agora tinha plena certeza de que conviveria com a dor por toda eternidade. A luz começou a se apagar e Daniel se recolheu ao canto da sala. Estava sóbrio, sóbrio demais; tanto que podia distinguir o que pensava do que tinha como alucinação antes. A mente se viu cheia das mesmas dúvidas, do mesmo psicológico terror. Em resposta, a luz da sala mingou por completou e a escuridão mais uma vez tomou conta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Daniel continuava a pensar. Afinal, morrera e aquele era o purgatório? Se fosse, que bela chance seria de ver Joel. Não queria, tinha medo e insegurança; mas o coração de pai falava alto contra qualquer desafeto que ele tinha com a coragem. Cerrou os punhos e levantou a cabeça, os raios luminosos misteriosos começaram a surgir novamente. Levantou-se do chão e manteve-se ereto, era a derradeira hora da verdade. As luzes eram quase ofuscantes de tão fortes. Descalço, o homem caminhou até a única porta do tranquilo cômodo. Ele se tornara um paradoxo, continha dentro de si extremos de sentimentos. Sentia dentro de si medo e coragem, hesitação e ímpeto, tristeza e felicidade. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Abriu-a de uma vez só. E teve como resposta mais daquele cegante branco, pôs a mão sobre os olhos para tentar distinguir qualquer coisa. Um passo adiante na luz, uma sensação de alívio e paz assomou seu corpo. Mais um passo, Daniel colocou na face um sorriso, algo que desconhecera já fazia tanto tempo! Tomou fôlego, correu e se jogou no infinito de tranquilidade. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Veio, como resposta um simples e baixo sussurro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;i&gt;Pai.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;b&gt;V&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Tonto, o homem despertou. Aquele cheiro tão desgostoso naquele dia parecia pior ainda. Rolou no chão sujo e fedido, afastando-se do que seu corpo expulsara. Estava ficando farto daquilo tudo. Desabotoou a camisa branca encardida e jogou o terno de lado, ao tempo que se levantava. Descalço, caminhou pela sala silenciosa até a janela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Fazia três anos desde que Daniel deixara de prestar atenção para o quão belo era o nascer do sol por aquela janela. Respirou fundo, recebendo os primeiros raios de luz do astro-rei na face e peito nu. Abriu um sorriso, algo que desconhecera já fazia tanto tempo.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Talvez fosse tempo de mudanças para ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FIM&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que conhecem - e também para os que não conhecem, rs - o conto foi baseado na música &lt;i&gt;Tears In Heaven&lt;/i&gt; de Eric Clapton. &lt;br /&gt;ㅤㅤ   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-6781477134807043741?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/6781477134807043741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/lagrimas-no-paraiso.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6781477134807043741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6781477134807043741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/10/lagrimas-no-paraiso.html' title='Lágrimas no Paraíso'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-4535491420988708364</id><published>2010-09-11T23:06:00.000-07:00</published><updated>2011-01-22T20:51:30.866-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Horror e Suspense'/><title type='text'>O valor de Sapatilhas de Cristal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Cinderela limpou as lágrimas novamente, elas não paravam de cair! Talvez nem fosse pelo fato de não poder ir ao baile encontrar e ver o príncipe, motivo tão fútil, mas sim por ter suas espectativas despedaçados no último momento e em frente aos seus olhos. O vestido feito de retalhos de velhas roupas e panos estava ali, alimentando a fogueira de seu sujo e pequeno quarto. Talvez aquela fosse a simbólica imagem de como sua vida se tornara um inferno, desde que seu pai casou-se novamente. O velho homem morava em outra cidade, dirigindo o comércio que tanto o enriquecia, deixando assim a madrasta e suas duas filhas para morar com sua querida menina.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Mal sabia ele que mal-tratos a moça suportava todos os dias, que sua bela e encantadora Cinderela era agora a criada inútil. A jovem ouviu a porta fechar-se no andar de baixp, indicando que as três tinham ido ao baile. Até mesmo a madrasta se caprichou para ir, como se pensasse que poderia atrair os olhares do príncipe. Mas, se analisado com calma, melhor a conquistadora de comerciantes viúvos que suas duas horrorosas filhas. Uma nova onda de lágrimas brotou dos olhos, ao tempo que via pela pequena janela a carruagem que as levava afastar-se. Tanta era a tristeza que mal notou quando as chamas começaram a expelir uma fumaça de tom púrpuro. Logo a imagem formada por tão estranha combustão começou a tomar nitidez e vida. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Jovem menina... - A voz rouca e tenebrosa soou. Cinderela levantou-se de supetão, direcionando o olhar para a imagem do demônio sobre a lareira. - Deseja, sim, mostrar que você muito mais deveria ir à festa que aquelas bruxas, certo? &lt;br /&gt;ㅤㅤ A voz de Cinderela voltou aos poucos, assim como ela tentava controlar sua surpresa. O demônio era algo conhecido, assim como as criaturas mágicas da floresta. Era dito que quase toda pessoa tinha um vínculo com a natureza primitiva através de uma criatura mágica, a própria Cinderela tinha pássaros e coelhos que correspondiam ao seu canto. Foram os pequenos que lhe ajudaram a fazer o vestido de retalhos com o qual iria ao baile, vestido que fora queimado com uma desculpa esfarrapada qualquer.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sim... - Ela passou as costas da mão sobre as lágrimas, limpando a face. - Eu teria muito mais chances com o príncipe que elas. Não que isso importe, apenas me entristeço por notar que minha vida afunda cada vez mais na escuridão.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Pois, aqui, te ofereço a chance da vingança. - Disse o demônio levantando a voz. - Te levo ao baile, te deixo aos olhos do príncipe. Apenas me promete que volta antes das doze badaladas da meia-noite. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Prometo! Vou e volto antes que a noite avance! - Ela disse com um sorriso no rosto. - Mas por que me deixa esta chance? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Porque adoro ver a angústia na face dos outros. E nenhuma será melhor que as três ao observarem você entrando no baile. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A voz não deu chance de mais nenhuma  de resposta. Sumiu, subindo pela chaminé. Ao mesmo tempo, uma aura mágica envolveu Cinderela, e no meio de estrelas próprias e pontinhos brilhosos, se viu posta num vestido branco e bordado de diamantes. Seu cabelo loiro e descuidado estava alisado e preso num coque prateado, assim como seus pés repousavam em duas sapatilhas lindas de cristal. Cheia de felicidade, Cinderela saiu da casa, sendo esperada por uma carruagem pomposa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Chegou na festa tragando os olhares de todos para ela. Que bela dama era aquela? O baile promovido com o intuito do príncipe escolher sua noiva mostrara seu resultado no momento em que ela entrou no grande salão branco. Ninguém sabia de Cinderela, ela estava diferente demais, de modo que só as três tenebrosas que moravam com ela a identificaram. Mas não ousaram fazer nada em frente ao príncipe, que parecia encantado com ela. O jovem de olhos azuis e cabelo louro sentiu-se fisgado pela beleza, já não importava mais nada, ela era bela e hipnotizante. Pouco importava se seria chata ou pobre, queria possuí-la. Avançou no salão e convidou-a para uma dança. A madrasta dispensou o cortejo de um velho nobre para remoer-se de raiva. Suas duas filhas; gordas, cheias de sardas e de dentes amarelados pareciam querer se lançar em cima da Jovem que dançava com o Príncipe. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Uma, duas, três... Os dois perderam a noção do tempo e de todo o resto, alguns mais velhos juravam ver uma aura púrpura e mágica acobertando o casal. Dançavam e riam em pequenas e bobas conversas. Tanta era a diversão, que Cinderela esquecera-se do aviso do demônio. E, em frente as megeras irmãs de criação, madrasta e ao príncipe, mostrou sua cara de pavor quando as badaladas começaram a soar. Tinha de partir!  Largou o herdeiro do trono no meio da dança e corria na direção da entrada enquanto a mágica começava a se desfazer. O vestido começou a simplesmente apodrecer e desintegrar-se, deixando sua carne pura e pálida a exposição. Abriu as portas, e desceu as escadas freneticamente, acabando por deixar para trás a sapatilha de cristal, que saiu de seus pés num tropeço. Nua, triste e abadalada; a moça embrenhou-se na mata ao lado do castelo. E dali voltou para sua casa, deixando para trás o príncipe com a sapatilha de cristal agora nas mãos. A peça não desaparecera simplesmente porque saíra dos seus pés antes que o feitiço terminasse por completo.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Houve ao menos um ponto positivo no fato de ter se esquecido da hora do término do feitiço: A madrasta e suas filhas não lhe esculacharam por ela ter roubado o príncipe, simplesmente riam e caçoavam do vergonhoso modo com o qual saiu do baile. Também, alguns moradores vizinhos espalharam o boato de Cinderela voltar para casa nua no meio da noite, deixando agora sua honra despedaçada. A menina, que deveria estar feliz pela chance que teve, agora estava ainda mais abalada, nem ao menos saindo de seu quarto nas horas em que não estava trabalhando para as outras. &lt;br /&gt;ㅤㅤ E foi por causa dessa desolação toda que não estava presente quando o mensageiro do rei anunciou que em breve o príncipe ali passaria, para procurar pela sua amada do sapato brilhoso. E nem mesmo estranhou quando as duas filhas da madrasta compararam os pés gordos e feios delas com os seus delicados. O tempo continuou a passar para Cinderela, que agora desistira por completo de retomar suas esperanças de um dia ser feliz. Dias e meses, até aquele fim de tarde.&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Cinderela tinha terminado de torcer as roupas da casa, e fora dispensava mais cedo de suas obrigações pela Madrasta, que dissera que ela poderia descansar porque iriam comer junto de amigos e pretendentes para as filhas. A pobre menina nem ligou para o informe, agora trabalhar ou não trabalhar só ditavam como esperaria a morte abraçar-lhe. Subiu as escadas, e já ia entrar no seu quarto – o último e menor do corredor – quando ouviu o choramingo vindo do quarto das meninas. Logo em seguida, o grito contido da outra. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Movida por uma curiosidade inesperada, Cinderela deixou seu corpo mover em direção à porta. Meteu o olhar pela fechadura e perdeu o fôlego com a imagem. Ali dentro, as gordas meninas choravam com mordaças nas bocas, sentadas sobre poças de sangue  tenebrosas. Os pés esquerdos delas estavam destruídos; uma tentara arrancar os dois dedos menores, e agora tinha o mindinho caído na poça vermelha e o outro dedo pendurado, preso por um naco de pele e carne. Já a outra tinha feito ainda pior: No porte de uma navalha, tinha raspado a carne protuberante de seu pé, fazendo com que grandes maços avermelhados rodeassem o que restara de seu ex-apoio, deixando o sangue vazar aos montes.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Desnorteada, Cinderela abandonou a imagem proporcionada pela fechadura e afastou-se. Indo descansar à beira da escada. Parou ali e silenciou-se, pensando no motivo da loucura delas. Quando ouviu as batidas na porta. Segundos depois, ouviu a voz do segundo criado da casa – um garoto que ia embora poucas horas após o anoitecer – falando com alguém de timbre pomposo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vim para ver se as moças dessa casa possuem o pé da noiva do Grande Príncipe! - Ele disse. - Que todas desçam para provar lealdade ao Herdeiro do trono, que veio em pessoa para acompanhar os testes! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Cinderela encaixou seus pensamentos e tudo fez sentido. Era óbvio! Queriam lhe tirar seu príncipe! Talvez o único que pudesse retirá-la daquela miserável vida que levava. A raiva e o ódio assomaram sua cabeça e ela levantou-se, pronta para fazer o que deveria.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Por ordens do príncipe, ordeno que as moças logo desçam! - Gritou o porta-voz. - Ainda temos três casas a visitar! &lt;br /&gt;ㅤㅤ O menino subira fazia alguns bons minutos, mas não retornara. Mas então, como que obedecendo à voz grossa e poderosa do funcionário real, passos foram ouvidos no tablado de madeira da casa. Passos compassados e pesados em direção à escada. Logo foi surgindo a imagem de Cinderela. A moça tinha olhos arregalados e o vestido sujo de vermelho, de sangue. O tom doentio de sua face assustou os homens, talvez mais que o que carregava nas mãos. Levava entre os dedos os pés maltratados das duas irmãs, pés que ela mesmo decepou das desgraçadas que agora sofriam lentamente da morte por facadas que lhes arrancaram braços e pernas. O menino também não tivera sorte, tendo a garganta perfurada rapidamente, para que Cinderela pudesse descer com toda a calma que queria. Os homens do Príncipe olharam com horror à moça, que finalmente chegara à sala de entrada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Cinderela jogou os pés no chão. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Estes são as traidoras! Malditas que queriam me roubar meu príncipe! - Ela quase gritou, e aproximou-se do sapato de cristal repousado num travesseiro vermelho. Logo encaixando seu pé perfeitamente no calçado. Com um sorriso largo e sádico ela levantou os olhos. - Aqui estou, meu príncipe! Vamos, e me leva para teu castelo, mata as que moram nesta casa que me causaram tanta dor e tristeza, tenha a mim! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Cinderela olhou para seu amado príncipe que lhe tiraria dali, queria encontrar nele a imagem do homem salvador, de seu justiceiro. Mas não foi aquilo que encontrou nele. Também não foi horror pelos seus atos que o príncipe demonstrava, ele parecia nem ter notado a mulher com face sanguinária calçando a sapatilha. Seus olhos estavam vidrados naquela que descia a escada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A madrasta vestira um vestido muito mais lindo do que o que usara no baile. Envolta num tom púrpuro e em bordados trabalhadíssimos, ela parecia uma moça de vinte anos, esbanjando beleza e sensualidade. Os lábios cobertos de uma cor vermelha fortíssima hipnotizavam o príncipe. Para os infernos com a moça do sapatilho de cristal! Aquela era muito mais linda, muito mais conquistadora. Seu perfume parecia ter vida, deixando até mesmo os serviçais e soldados do príncipe cativados pelo odor, era praticamente a luxúria em pessoa aquela mulher que os excitava apenas com o olhar. Era aquela a mulher que o Príncipe levaria nua para a cama. Era com ela que se casaria, aquela mulher pálida, de olhos e madeixas negras, de seios fartos e cintura arranjada.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Cinderela assistiu abismada à figura de sua Madrasta sendo envolta nos braços do príncipe. Quase sem notar a figura púrpura e endemoniada que a cercava e protegia. O demônio brincalhão e maldoso que amava gerar discórdia e mudava de lado sempre que bem lhe agradasse parecia rir da menina. Sua alma fora destruída naquele instante, tanto que nem notou quando os soldados do príncipe fincaram as lâminas em seu corpo. A louca sanguinária deveria morrer, o príncipe já escolhera sua dama. Viveriam juntos, &lt;b&gt;felizes para sempre&lt;/b&gt;.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-4535491420988708364?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/4535491420988708364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/o-valor-de-sapatilhas-de-cristal.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4535491420988708364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4535491420988708364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/o-valor-de-sapatilhas-de-cristal.html' title='O valor de Sapatilhas de Cristal'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-4272416738647155839</id><published>2010-09-11T10:12:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T10:19:42.984-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Desviando de rumo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ &lt;br /&gt;Essa é uma postagem atípica. Dando uma pequena pausa nesses vários e vários mundos que minha cabeça inventa, e na qual eu convido vocês a ingressarem. Estou aqui para cobrar. Cobrar uma coisa de vocês, meus poucos - porém muito valorosos - leitores. Eu quero apenas que vocês não parem. A vida não é só escrever, não é só cantar, não é só fazer o que a gente gosta. Estudem, cresçam, evoluam!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um protesto bobo e mal-formado. Mas apenas cresceu dentro de mim, esses últimos dias. Espero que minhas palavras, assim como os levem para a fantasia, também os tragam para a realidade onde vivem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo aqui a letra de Outra Frequencia, do Engenheiros do Hawaii, junto do link de duas das melhores músicas deles. Também, duas das melhores músicas que já ouvi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seria mais fácil fazer como todo mundo faz&lt;br /&gt;o caminho mais curto, produto que rende mais&lt;br /&gt;seria mais fácil fazer como todo mundo faz&lt;br /&gt;um tiro certeiro, modelo que vende mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas nós dançamos no silêncio&lt;br /&gt;choramos no carnaval&lt;br /&gt;não vemos graça nas gracinhas da tv&lt;br /&gt;morremos de rir no horário eleitoral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seria mais fácil fazer como todo mundo faz&lt;br /&gt;sem sair do sofá, deixar a ferrari pra trás&lt;br /&gt;seria mais fácil, como todo mundo faz&lt;br /&gt;o milésimo gol sentado na mesa de um bar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas nós vibramos em outra freqüência&lt;br /&gt;sabemos que não é bem assim&lt;br /&gt;se fosse fácil achar o caminho das pedras&lt;br /&gt;tantas pedras no caminho não seria ruim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=dhZM5z3lQJw&amp;feature=related&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=T1jkm_E6TuA&amp;feature=related&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-4272416738647155839?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/4272416738647155839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/desviando-de-rumo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4272416738647155839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/4272416738647155839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/desviando-de-rumo.html' title='Desviando de rumo'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2064622560592577210</id><published>2010-09-10T22:32:00.000-07:00</published><updated>2011-01-22T20:53:32.445-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos: Horror e Suspense'/><title type='text'>O Eterno Noturno dos Meus Pesadelos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Estela estava ficando realmente preocupada. Tentava afastar-se daquele som repetitivo e terrível que a atormentava, mas em nenhum momento os passos deixavam de soar atrás de si. E, sempre que virava para trás, não achava nada além da companhia do silêncio da madrugada. Ela estava próxima de casa, mais algumas quadras e aquela palpitação que crescia no seu peito iria se encerrar. Acelerou a caminhada, ouvindo as passadas atrás dela também acelerarem. Estela fechou os olhos com força, tentando conter as lágrimas de cair, todo seu corpo tremia; fato só não tão claro pelo fato de não estar parada. Mais três quadras. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Avançou a esquina, desviando o olhar para a pequena rua, apenas para constar que nenhum veículo passava. O bairro Norte-Vila ficava completamente deserto àquela hora. Assim que voltou seu olhar para frente, ela estacou no meio da faixa de pedestres, com olhos arregalados e a boca trêmula: Ali, no fim da calçada, um estranho sujeito a observava, com um sorriso medonho na face. Vestia camisa e jaqueta pretas, em conjunto de uma calça jeans da mesma cor. Os olhos verde-oliva do pálido homem estavam fincados nos dela, observando cada pequeno movimento da mulher com atenção. O Vampiro sabia que ela era sua próxima vítima. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Estela afastou dois passos, tentando encontrar apoio para se sentar. Ela não era do tipo que sabia enfrentar situações complicadas, alias, todos no trabalho a chamavam de infantil. A Bobona. Tentava com todas as forças virar-se e correr, mas as pernas não a obedeciam. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ezequiel alargou seu sorriso, a presa estava desesperada. Aquela era a melhor expressão que ele podia achar em suas pobres vítimas. Avançou dois passos, descendo da calçada para o asfalto da rua. Acompanhava minuciosamente cada movimento de Estela – a mulher loira e de face bela desmanchava sua beleza com o descuido com o resto do corpo, estava gorda e com os cabelos desarrumados –, para apreciar com mais gosto o medo que ela exalava. Talvez a única coisa que se comparasse ao prazer de tomar o maldito líquido da imortalidade vampírica, fosse o terror que os meros mortais demonstravam perante a morte certa nas garras do Eterno. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O medo é tanto que não se move, querida? - Indagou Ezequiel. - O que me diria caso seus olhos encarassem algo ainda pior? &lt;br /&gt;ㅤㅤ E, mantendo ainda a expressão maldosa na face, o vampiro abriu a boca ao mesmo tempo que deixava os caninos pontiagudos crescerem absurdamente. Seus olhos fluíram do verde-oliva para o vermelho-brasil em segundos. Ezequiel rosnou para Estela, enquanto encarava a face da mulher. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A Loira deixou os olhos crescerem ainda mais para fora das órbitas quando o estranho revelou sua paranormalidade. Ela novamente perdeu a força nas pernas, agora bambeando-as a ponto de não conseguir nem ao menos manter-se de pé. Ficou ali, de boca aberta, definindo os traços da horrível criatura. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Meu deus.... - Balbuciou ela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Agora sabe que sua vida está selada às minhas garras! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vampiro... - Ela continuou no quase transe. - É mesmo... um vampiro? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ezequiel riu alto, aproximando-se mais alguns passos da loira. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ainda tem dúvidas!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ai, meu deus.... - Ela disse novamente, para a felicidade do vampiro que adorava sem entorpecer do medo dos outros. Então, subitamente, ela formou um sorriso enorme na face. - Eu sabia! Eu sabia que vocês existiam! Que demais! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Confuso, o vampiro desfez o cenho feroz e ameaçador. Agora encarando a vítima com clara irritação, aquela não era a resposta esperada. Estela levantou-se e aproximou-se dele em passos rápidos, enquanto mexia na bolsa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Olha! Olha! - E puxou da bolsa um pequeno pedaço de papel plastificado: “Fã n°99, Twilight Lovers”, empurrando na face do eterno noturno. A excitação da garota era quase doentia, os olhos continuavam arregalados e os dedos tremiam, mas agora eram de uma felicidade sádica. - Eu A-M-O vampiros, sério! Nossa, sua pele é tão branca, parece que é até mais que a do Ed. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ed? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Edward Cullen, nossa, o melhor de todos os vampiros. Hah! Mas que se dane o Ed, agora eu estou aqui, de frente pra um vampiro de verdade! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Um tapa foi desferido pelo furioso Ezequiel na face de Estela, jogando a mulher no chão de uma única vez. O golpe foi tão forte que abriu dois largos arranhões na face dela. Ele, Ezequiel, já obviamente procurou saber sobre aquela nova crônica vampírica que se popularizara tanto. Não gostou de nada, não eram aqueles os vampiros reais. E aquela mulher caída na sua frente, aquela Estela, ela não era para ser uma doente daquelas. Já tinha mais de trinta anos, deveria estar com um namorado e uma vida boa pela frente, não mergulhando de cabeça em febres adolescentes. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ela demorou alguns segundos, a dor que sentia não era reprimida, e sim recebida com um sorriso alargado. Fora um tapa dado por um noturno, um imortal! Um vampiro deixara sua marca nela! Olhou para o pálido homem novamente, arranjando forças para se levantar sorridente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Insolência! O que tem na cabeça, Mulher!? - E empurrou-a para cair novamente. - Não vê!? Vim aqui para açoitar sua vida! Vim aqui para arrancar cada gota de seu sangue! Pouco importa os fictícios frouxos sanguinários que já viu, este, cá a sua frente, é um real. Um que deve temer! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Temer porque!? - Ela retrucou, novamente saindo do chão. - Eu amo vocês! Daria minha vida de mão beijada para ter esse momento. O momento em que um de vocês estivesse aqui, comigo. Não ligo... Não ligo se vou morrer. - Ela alternava a fala em risadas histéricas e enlouquecidas. - É só um prazer estar aqui à sua frente.  Olha, querido, olha! &lt;br /&gt;ㅤㅤ E Estela levou as mãos até a borda da camisa que apertava suas gorduras saltadas. Sem qualquer cerimônia abriu os primeiros botões, enquanto deixava o sangue que brotava na sua bochecha escorrer pela face, passando pelos lábios até cair sobre a vestimenta. Ali, na frente do atordoado Ezequiel, abriu a camisa social com que trabalhava. O Vampiro transfigurou sua face em nojo. Em meio as estrias, pelos não depilados e espinhas acumuladas; se encontrava a figura de uma boca mordendo a pele de Estela. Uma tatuagem. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Porque não me morde!? Vamos, morde! Aqui! &lt;br /&gt;ㅤㅤ O Eterno desviou o olhar da grotesca visão, os mortais tornavam-se cada vez mais nojentos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos! Estou pronta! Sugue todo meu sangue, por favor! - Os olhos dela criavam veias vermelhas saltadas, ela parecia não querer piscar para não perder um momento do vampiro. O sorriso descuidado deixava a saliva escapar pelos cantos da boca, deixando-a toda babada; o que contribuía ainda mais para o estado de loucura em que aquela loira estava para idolatrá-lo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ezequiel explodiu em raiva. Avançou contra ela, fincando as mãos fortes sobre o ombro e o pulso dela, e num movimento raivoso e seguido de um urro inumano, arrancou o membro de Estela. O braço caiu no meio da rua, imóvel e deixando exposto parte do osso que o ligava ao resto do corpo. O ombro de Estela encharcou-se de sangue, mas a única reação da mulher foi gargalhar histericamente com lágrimas descendo pelos olhos enquanto caía de joelhos no chão. Seu herói. Seu vilão. O motivo para sua existência estava ali lhe fazendo o mal, lhe causando emoções maiores do que seu monotonismo que geralmente só era quebrado quando mergulhava a mente no mundo deles, dos noturnos. A dor envolvia seu ser, mas mais que isso, o prazer enchia sua alma. Sentia-se excitada sexualmente, de modo que seus órgãos sexuais atingiram o orgasmo seguido pela folga onde relaxou os músculos vaginais, deixando a urina infestar o chão, mesclando-se com o sangue derramado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O vampiro pôs a mão sobre o nariz de faro aguçado e afastou-se dois passos, olhando com desgosto para a decadente loira. A mulher chorava e ria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos! Não espere por mais! Venha e me dê o abraço da morte, tome de meu sangue! &lt;br /&gt;ㅤㅤ A raiva acobertou o nojo, e Ezequiel avançou mais uma vez sobre a mulher, agora desferindo um chute na boca do estômago dela, que a fez voar alguns centímetros para trás, cuspindo sangue pela boca. O ar lhe saiu dos pulmões e ela não podia falar, o que – pensava o vampiro – a calaria. Estela levantou o olhar sádico para ele, o sorriso agora imbuído de sangue e lágrimas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – M...ma....    - Respirou fundo. - Mais.... S-sou... sua. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ele avançou passos na direção dela e segurou o outro braço dela com ambas as mãos, apoiou a sola do pé sobre as costelas da moça e deu um tranco. O segundo membro dela saiu voando, esguichando sangue sobre a face do irritado Ezequiel. Agora ela havia gritado de dor, os olhos arregalaram-se ainda mais e ela encolheu-se por um breve momento, tão breve que Ezequiel mal pôde apreciar. Logo o grito emendou-se numa risada medonha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Venha.... antes... antes da minha... morte. - A falta de ar ainda lhe assomava. - Meu sangue... seu.... &lt;br /&gt;ㅤㅤ O vampiro limpou o sangue em sua face com as costas da mão e olhou diretamente sobre o olhar louco da mulher. Realmente, amava os vampiros. Ajoelhou-se ao seu lado, e envolveu com uma das mãos o pescoço dela, apertou com força e levantou-se, colocando-a de pé, mesmo que vacilante. A moça cambaleava parada, sem forças para muito mais atos, ao centro da poça de seu sangue e dejetos. O sorriso dela se alargou ao passo que os dentes pontiagudos do vampiro se aproximavam da sua jugular. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Sentiu o toque dos caninos raivosos sobre sua pele e fechou os olhos para apreciar a mordida da morte. Mas, ela não veio, não sentiu os dentes afundando na carne e o sangue vazando pelas feridas. Ezequiel era quem agora sorria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Seu sangue é podre. - Falou. - Viva com seus vampiros de mentira. Morra com eles. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Jogou-a na calçada – sobre o próprio sangue e urina – e virou-se, começando a caminhar. Estela, jogada para a morte no asfalto cinzento, arregalou os olhos, e pela primeira vez desde que fizera a descoberta do noturno, sua face encheu-se de terror. Ela começou um choro desenfreado, alternado com gritos e súplicas para que Ezequiel voltasse, para que seu vampiro acabasse com sua vida. O terror de não morrer como muitos morreram naqueles livros que tanto amava cobria sua mente. Será que nem na hora do abraço frígido da foice negra, ela poderia ser feliz? Será que a vida fora sempre aquele horror onde só os livros dos noturnos deixavam ela sorrir?  Clamou pela sua vida, as cordas vocais ao máximo e pedindo arrego não suportaram, estouraram na garganta da moça, e ela novamente engasgou-se no sangue. No seu sangue podre. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O pálido rapaz afastou-se rapidamente, limpando o sangue nojento da mulher na camisa negra. Os gritos e grunhidos inumanos de Estela foram ficando para trás. Por fim, após alguns sórdidos minutos, abriu um sorriso. Não tomara o líquido da eternidade, mas fizera alguém sofrer, dera para alguém o tormento de uma morte lenta e horrível. Virou-se para ver se carros passavam na rua e atravessou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O bairro Norte-Vila ficava realmente deserto àquela hora. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2064622560592577210?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2064622560592577210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/o-eterno-noturno-dos-meus-pesadelos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2064622560592577210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2064622560592577210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/o-eterno-noturno-dos-meus-pesadelos.html' title='O Eterno Noturno dos Meus Pesadelos'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-5068033124801219783</id><published>2010-09-09T23:23:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T23:24:29.299-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olhos Vermelhos - Capítulos'/><title type='text'>Olhos Vermelhos - Capítulo 11</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;XI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Todos para dentro, agora! - Felipe gritou irritado, saltando para o volante da primeira das vans. Uma pequena confusão se formou para entrarem nos veículos, irritando ainda mais o discípulo de Tobias, que ligou a chave do carro e acelerou, deixando os dois homens que iam subir no carro para trás. Virou a esquina com rapidez, ainda havia tempo de achar e capturar a Isca. O maldito velho vidente ainda iria pagar pela sua insolência com ele, o futuro Rei do mundo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tobias, que estava a escrever algum rabisco qualquer num pequeno e amassado caderninho que carregava consigo, fechou suas anotações e colocou sua cabeça para frente, encarando Felipe. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sendo passado para trás por um Charlatão, Guri? - A pergunta veio seguida de uma gargalhada nojenta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não enche, velho. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Iria até dirigir algum comentário mais agressivo ao mestre, quando o som de estalos fortíssimos soaram no capô. Estavam atirando contra ele. Os contratados destravaram suas armas e se aglomeraram nas janelas, abrindo o suficiente para o cano das armas ficarem para fora, um dos mercenários, João Paulo, estava caído no fundo da van, ao lado de um buraco no vidro. Fora atingido no peito, e agora respirava com dificuldade, tentando clamar alguma ajuda para si. Mas, bem no fundo, sabia que ninguém iria auxiliá-lo; ninguém estava ali por demasiada bondade.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Do lado de fora, a falta de iluminação do bairro contribuía para que Romanov se ocultasse da van. Ele havia disparado dois cartuchos cheios contra a Van, mas sua pouca idade e falta de prática com armamento de fogo não permitiu que os segurasse por muito tempo. Saiu de sua tocaia, atrás de um amontoado de lixo para disparar as últimas balas do terceiro cartucho. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O som de pneus queimando veio as suas costas, Romanov sentiu um forte puxão, o tragando para o monte de lixo amontoado na beira da calçada. Seu coração só se acalmou ao ver a expressão quase imutável de Azaias ao seu lado. O negro mago estava diferente, os olhos estavam sem as orbes negras de sempre. O que indicava a presença de mais um espírito, além da do próprio Azaias, dentro do corpo. A segunda van virava a esquina, apressando-se para seguir a de Felipe. Romanov impressionou-se ao ver o parceiro de seu pai engatilhando a pistola facilmente e disparando com facilidade sobre o veículo negro. Duas balas certeiras atingiram a cabeça do motoristas, e outras duas fizeram as rodas dianteiras do carro murcharem. O carro ziguezagueou alguns metros antes de subir a calçada e ir de encontro ao muro de uma velha casa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Um breve silêncio tomou conta do local, seguido de um segundo roncar de motor e tiros em seguida, vindos do outro lado da quadra. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos, mais ninguém virá deste lado. - Disse ao garoto. A voz do homem soou, fazendo até mesmo Romanov – que já estava acostumado com o mundo da magia, se arrepiar de leve. Não fora um único timbre, e sim dois que soaram. Duas vozes na mesma entonação e sincronia, dizendo a mesma coisa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Assim que Azaias tinha pulado o muro da casa, instantes antes, ele se escondeu atrás de uma grande mangueira plantada no quintal da casa. Ali, puxou do bolso esquerdo do terno um velho livro de couro batido, fechado com uma amarra de barbante amarelado. Pousou a arma no chão e arrancou o barbante fora, começando a folhear o papel velho do livro de ritos que lhe fora passado pelo seu antigo mestre, já falecido há muito tempo. Os dedos acostumados com as folhas foram rápido em identificar a página. Na verdade, Azaias já sabia de cor e salteado as palavras que precisava pronunciar, mas o rito pedia o uso do livro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Começou a ladainha em voz baixa, quase um sussurro incessante.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Januário Leite, pistoleiro de renome, que já havia há muito tempo sido assassinado por inimigos feitos durante a vida, sentiu sua alma vibrar novamente. Estava sendo chamado, novamente aquele homem o convidava para ingressar no reino dos vivos e açoitar mais almas. Alegre e excitado a alma respondeu ao chamado no mesmo instante. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Azaias piscou. Agora, não era apenas ele quem habitava o corpo. Seu forte e manipulador espírito envolveu a alma de Januário, deixou que ele parcialmente regojizasse novamente dos ares terrenos. Segurou a arma com a experiência de um mestre, girou-a no dedo e saiu de trás da mangueira, saltando para o lado de onde ouvira os primeiros tiros. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Dimitri encontrou sua tocaia atrás de um muro inacabado, calculou que aquela pequena barreira só seria capaz de ocultá-lo, pois era frágil demais para segurar balas que provavelmente poderia enfrentar. Buscou com os olhos por outro abrigo, mas a audição lhe tragou toda a atenção, pneus cantando. Voltou seu olhar para a esquina a ponto de ver os faróis saltando de trás da casa de madeira velha na ponta da rua. Não haveria tempo de se esconder em outro lugar, só podia era se ocultar ali e torcer para que demorassem a achá-lo, dado a rua também escura. Engatilhou a pistola e acomodou-se da melhor maneira possível atrás da mureta.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Josué estava pegando o celular para contactar Felipe na primeira van, quando o vidro do seu lado estilhaçou e atingiu o motorista de raspão, fazendo o gigante brutamontes frear e virar o carro bruscamente. O pistoleiro de carteirinha quase bateu a testa no vidro, visto que ainda não tinha colocado os cintos. Xingou o maldito e sacou a pistola, apontando para fora, exatamente para a mureta onde Dimitri estava. Josué tinha prática com tiroteios, os que enfrentara no Paraguai eram bem mais sangrentos e loucos que aquela simples troca de tiros, ele apontou a arma com precisão porque os anos lhe indicavam de onde vinham os projéteis. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Dimitri ouviu um estalo, e viu o tijolo ao lado da cabeça estourar, fazendo o ouvido tinir. Jogou-se no chão a tempo de ver outros cinco furos se fazerem no lugar onde estava de cócoras. Os tiros vieram de uma única pistola, apenas um dos malditos sabia onde estava, mas aquilo não duraria muito. Provavelmente o resto dos mercenários da van seguiriam o primeiro na direção dos tiros. Levantou a mão e disparou contra o carro. A falta de prática não ajudava muito, entretanto, perfurou o vidro do carro, e ouviu mais uns dois gemidos vindos de dentro. Cartucho vazio, recarregou rapidamente. Já ia se acocorar para atirar novamente com mais precisão, quando uma algazarra de disparos assolou seus ouvidos. Tiros pipocavam no chão a sua volta e na parede, no susto de ter de se abaixar, a pistola escapou da mão e voou alguns centímetros para fora da proteção da mureta que mais parecia queijo suíço agora. Dimitri sentiu uma leve ardência no ombro, mas ignorou a dor que provavelmente tinha sido causado pela sua brusca tentativa de se salvar indo ao chão. Bufou, dando um sorriso de leve, fruto de sua personalidade suave. Se pelo menos Tobias estivesse dentro da van, ele estaria sendo atrasado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Olhou novamente para a pistola ali ao lado. Os tiros tinha cessado, mas a van ainda estava no mesmo lugar, o carro ligado e fazendo barulho do outro lado da rua. Talvez pudesse se aventurar e pegar a arma. Ficar ali, imóvel, era o que não poderia fazer. Respirou fundo, juntou as forças e flexionou as pernas fora do chão, deixando apenas a ponta dos pés sobre a terra da calçada. Tinha de tentar agarrar a pistola de uma única vez e em seguida correr, sua salvação seria caso chegasse mais adiante, atrás de um amontoado de tralhas velhas que só agora tinha notado. Deixou o silêncio lhe tomar o pensamento por alguns segundos e em seguida abriu um riso, afinal, se morresse ali, aquilo não seria o fim de sua jornada. Saltou com todas as suas forças para alcançar a pistola. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Dentro do carro, a mira impecável de Josué apontava para um lugar diferente da do resto dos seus homens. Eles pararam de atirar a mando dele, e agora aguardavam suas ordens, mirando todos para a mureta. Mas não seria ali que o inimigo estaria. Aquele desgraçado que tentara parar eles agora iria reaver sua arma de fogo, Josué estava pronto para disparar, a mira fixa alguns centímetros acima da pistola caída na calçada. Nos bancos de passageiros, dois homens estavam caídos, um com um sangramento feio no braço gemia feito uma morsa. O outro, com um buraco feio na jugular, jazia imóvel no chão do carro. Movimento, Dimitri saltou de trás da mureta e entrou perfeitamente na mira de Josué, ia puxar o gatilho, quando sentiu uma pontada de dor no ombro e a mira se desfez, fazendo seus disparos acertarem o muro atrás do pálido algoz dos mercenários. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Josué! - Gritou um dos homens dentro do carro, olhando para ele e abaixando o fuzil. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Anda com o carro, homem! - Foi o que ele conseguiu falar, direcionando seu olhar para o motorista ferido no braço, ao seu lado. O pistoleiro profissional arfava enquanto segurava com força o ombro ferido, uma bala certeira o atingiu ali. A van disparou pela rua, ganhando distância do tiroteio. Três tiros ainda soaram, quebrando o vidro de trás da van e arrancando a vida de mais dois homens. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Azaias abaixou a pistola, apoiado sobre o muro. Romanov estava ali atrás, dando seus ombros como apoio para o negro não precisar saltar o muro, e sim, atirar usando-o como barreira. Do outro lado dos tijolos, Dimitri sentava-se cansado na calçada, deixando o peito ir e vir freneticamente em busca de ar. O mago descendente de russos tinha um sangramento leve no ombro, fruto de uma bala que o atingira de raspão, instantes antes.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe acelerava quase sem pensar que possíveis carros pudessem se colocar no seu caminho. Furava sinais vermelhos e deixava buzinas enlouquecidas para trás. Estava entrando para a área pavimentada da cidade, o trânsito aumentava, assim como os riscos de se dirigir daquela forma. Os dedos batucavam o volante, escondendo sua tensão. Queria fumar, relaxar, mas não era a hora exata para isso. Agora, tinha de se concentrar em achar a isca, ela já sabia da existência dele. Já sabia que não eram apenas sonhos e pesadelos, que não estava ficando louco. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tentou, novamente invadir a mente de Hiroshi, mas descobriu que mais uma vez os laços feitos entre sua alma e a dele estavam obstruídos. Malditos Magos da liga! Queixava-se em silêncio. Olhou de relance para trás, vendo vidros estilhaçados e um homem gemendo no fundo com um ferimento à bala. Eles estavam agindo mais rápido do que pensavam. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não preciso voltar a dizer o quão estúpido você foi, preciso? - A voz de Tobias soou, rouca e grave, atrás do banco. - Dimitri, Azaias e Vicente são homens que não brincam em serviço. Quando você os atraiu, deixando as informações vazarem de seu computador, pensava que seriam meros peões no seu jogo todo. Mas a merda foi, guri, que você esqueceu-se que cada um deles é igual a mim. E eu não sou qualquer brincadeira, qualquer bostinha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ "No início, eu formulei todo o plano pra você. Te dei as dicas e indicações, e até mostrei como entrar em contato com a liga. Mas olha só, cabra, agora é com você. Eu, Tobias, sou só um velho arretado que está dando auxílio ao aprendiz. Se você não se cuidar, eles te derrubam. Principalmente o Vicente, quando o cabra enfia algo na cabeça, dificilmente ele larga mão.”&lt;br /&gt;ㅤㅤ Não houve resposta para o monólogo de Tobias. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe acelerou mais e virou bruscamente uma esquina, com um sorriso na face. Vira, de relance, a um outro veículo grande e quadricular virando a esquina adiante. Ignorou qualquer coisa que seu mestre falasse, ainda alcançaria a Isca. Ainda podia senti-la, mesmo que fracamente, dentro de seu ser. Afinal de contas, a decadência de Hiroshi era a sua ascendência. Piscou os olhos, deixando a energia maligna dominá-lo por um segundo, no qual soltou um grunhido inumano: Já sentia as forças crescendo dentro de seu corpo, logo tomaria seu lugar de direito. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não, não. Espera, mano! - Carlos gritou no ouvido de Hiroshi, só assim se fazendo escutar.&lt;br /&gt;ㅤㅤ O nipônico passava acelerado pelas ruas, havia poucos minutos, tinham entrado numa parte pavimentada do bairro, dando a eles um pouco mais de estabilidade da direção. Deixou toda a confusão da sua cabeça de lado e virou-se para Carlos, dando-se ao luxo de estacionar no acostamento para dar atenção ao amigo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Nossa, cara, tô te chamando faz tempão. Ficou surdo? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não, Carlos. Só... só estou tentando pensar direito. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É. Mas nessa aí quase atropelou meio mundo. Olha, a gente não pode dirigir feito louco sem saber para onde ir. Tu vai pra algum lugar agora? Voltar pra casa ou ir pra casa de alguém? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não sei. Acho que vou pra um hotel ou coisa do tipo, não quero arriscar a vida dos velhos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É uma boa. - Respondeu Carlos, emfim podendo racionar melhor. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Subitamente, a menina colocou a face de pele escura no meio dos dois. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não. - E olhou para Hiroshi. - Você tem que ir para quem há de lhe revelar tudo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Os dois olharam para a garota como resposta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – E quem seria essa pessoa, menina? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Luana. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Luana? - Indagou Hiroshi, tentando lembrar de alguma que conhecia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não, Luana é meu nome, não precisa me chamar de menina. A pessoa que você deve procurar é alguém que conhece você desde sua infância, vi vocês brincando juntos.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Melissa? - O nome veio quase que de imediato. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não é uma mulher. É um garoto. Assim como você, é japonês – ou chinês, sei lá. Ele é pálido e magro, quase sempre parece ter uma cara de sono. Ele vai contar para você, de alguma forma, tudo que você precisa saber. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Viu tudo isso? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Mais ou menos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Certo. Eu já sei para onde vamos. - A fala de Hiroshi assustou ambos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Mas já? - Carlos perguntou, descrente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Só há uma pessoa que eu conheço que se encaixa nessas descrições todas. E acho que ele tem o jeito perfeito de encontrar tudo que precisamos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Bom, se tem tanta certeza, vamos rápido. - Luana disse, voltando a se sentar em seu banco. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Certo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi já ia ligar o motor da van novamente quando Carlos intercedeu. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Opa, opa. Calma lá, Hiro. Deixa eu dirigir. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Você!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Já dirigiu antes? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Já sim. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Mas você não tem carro, eu tenho mais prática. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu sei, mas só que você anda feito um louco pela cidade, cara. Se tu quer andar rápido, tem que fazer direito. E pra isso é preciso algo que você não tem. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O que? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – A Malandragem. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Com o grandioso argumento, Hiroshi não mais questionou. Apenas trocou de lugar e deixou Carlos dirigir. O mulato, logo ao sair, passou raspando com o carro em dois veículos de jovens que se aventuravam na madrugada. Arrancando xingamentos dos meninos. Carlos riu em resposta, deixando tanto Hiroshi quanto Luana com medo da decisão de deixá-lo no volante. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Enquanto isso, no último um celular preto de última geração vibrava, sem chamar a atenção de ninguém. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Nada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Marco já estava bem melhor agora. Sabia que Raquel, a moça, ainda não havia morrido, mas que em breve sua alma seria devorada por completo. Deixaram-na na casa abandonada desacordada, e assim ela ficaria até o fim de sua vida. Morreria, tendo como causa da morte um infarto. Mas na verdade, seu subconsciente lutaria até não poder mais para se livrar dos demônios. Balançou a cabeça, afastando os pensamentos e se voltou ao monitor do &lt;i&gt;laptop&lt;/i&gt; ligado, no seu colo. Marco usava fones de ouvido e microfones. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Mas que droga! O que diabos Dimitri e os outros estão fazendo!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Estavam com o vectra estacionado numa rua onde rachaduras e buracos rompiam em vários pontos da estrada, o bairro pobre começava a ganhar novas infra-estruturas, mas havia muito tempo desde que o governo se importara em cuidar bem do que davam a eles. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Marco deitava os dedos sobre as teclas rapidamente, deixando o barulho de teclar rechear o carro sedã. Fazia duas coisas ao mesmo tempo, a primeira, era ligar para Azaias e Dimitri. A segunda era tentar invadir a rede de localizadores GPS da van que eles alugaram. Se não entravam em contato com eles, pelo menos poderiam segui-los. Ficou alguns minutos em novas tentativas de ligações, mas nenhum dos números discados tinham resposta. Finalmente, desistiu das ligações e começou a se concentrar na invasão do programa de ligazação. Entrou no site da empresa pelo &lt;i&gt;prompt&lt;/i&gt; de comando e, de uma abertura da segurança do site, invadiu a rede de computadores. Os dedos viajavam enquanto ele quebrava defesa por defesa do &lt;i&gt;firewall&lt;/i&gt; da rede. Não demorou muito, uma imagem do mapa da cidade, surgiu. E, nele, um ponto vermelho piscando em movimento, numa rua. Abriu um sorriso e virou-se para Vicente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Pronto, localizei. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Está muito longe daqui? - O mestre foi direto, já ligando o carro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O discípulo olhou para fora, identificando a rua em que estavam e o número de uma casa da quadra. Jogou informações no sistema aberto e logo outro ponto apareceu na tela. Seus olhos se arregalaram e ele se virou para vicente, que estava começando a sair do acostamento. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Chefia... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Diga, Marco. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Lá. &lt;br /&gt;ㅤㅤ No exato instante, uma van passou cruzando a toda velocidade na esquina. Segundos depois, uma segunda van passou correndo atrás da primeira. Vicente demorou um pouco mais para compreender a cena e tirar alguma conclusão. Provavelmente, Tobias descobrira que a Liga já estava ali, e estava os perseguindo. O vectra cantou com os pneus e disparou atrás da perseguição. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ O Tiradentes já estava ficando para trás, em breve a van agora dirigida por Carlos alcançaria a avenida. Hiroshi estava ainda tenso, sentia que ainda não estavam seguros, alguma coisa dentro dele dizia. Ainda conseguia controlar sua raiva, que antes o deixava desenfreado, mas agora voltava a sentir aquela grande presença sobre seu corpo, como se estivesse sendo observado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Um toque gelado o fez quase saltar o banco. Luana segurava seu braço, a menina tinha os olhos vidrados a frente e a boca parecia tentar balbuciar alguma coisa. Estava da mesma forma que na primeira vez que a encontrara, na porta do quarto de Amaro. Ela respirou fundo, segurou o ar dentro de si por alguns segundos, para então soltá-los lentamente. Um sussurro veio junto de seu alívio. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – ...Perseguidos. - Disse apenas para Hiroshi. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Assustado o nipônico ajeitou-se no banco e olhou pelo retrovisor, no exato instante em que a van entrou no campo de visão.  Calafrios passaram por todo o seu corpo, estavam atrás dele. Chacoalhou Carlos com tanta força que ele quase perdeu a direção. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Estão nos seguindo. - E apontou para trás. - Acelera, cara! Acelera! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Pode deixar, mano. Eles não alcançam a gente, mas nem a pau! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Engatou a próxima marcha e afundou o pé no acelerador. Não era o melhor veículo de corrida, mas por sorte o veículo do inimigo também era uma van. Felipe acelerava furioso a van, o pé deixando o acelerador praticamente encostado no solado. Ali atrás, ouviu seus capangas destravarem armas e fuzis. Sem desviar o olhar da estrada, Felipe comandou seus homens.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Nenhum tiro certeiro! Apenas parem o carro, quero o cara ali dentro vivo! &lt;br /&gt;ㅤㅤ A maioria não respondeu a ordem do garoto, mas eles já tinham entendido o comando. Janelas se abriram dos dois lados do veículo, e três homens colocaram metade do corpo para fora, mirando com as armas contra o carro a frente. Agora não precisavam esconder o poderio de fogo, os fuzis contrabandeados começaram a disparar periodicamente contra o carro a frente. As vans furavam sinais vermelhos e vez ou outra tinham de desviar dos carros no caminho, forçando movimentos bruscos que quase derrubavam os atiradores de Felipe e faziam Luana e Hiroshi se segurarem firms no carro a frente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Os tiros, em suma maioria, não acertaram o veículo. Homens com miras excelentes eram difíceis de se achar, mesmo no submundo do crime. O fato de aquilo ser um tiroteio em movimento e de que Felipe os queria vivos dificultava ainda mais as rajadas de tiro. Carlos suava frio, e seus olhos mau piscavam enquanto mantinha-se focado na rua. Não havia nem mesmo ousado virar em alguma esquina, aquela pequena avenida teria de levá-lo o máximo de tempo que pudesse. Os vidros do carro, por algum sacro milagre, ainda estavam intactos e eles não haviam recebido nenhum tiro, mas os ouvidos tiniam com o barulho dos estalos na lataria da van. Estavam sob fogo inimigo. A concentração fora tanta que nem vira quando Luana se esforçou para jogar o corpo para frente, deixando com que metade do tronco ficasse no banco da frente, ao lado do motorista. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi observou a menina, a feição dela ainda era extremamente estranha, e mantinha-se focada na estrada. Até que subitamente, ela desviou o olhar, encontrando-o com o seu. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sabe onde deve ir? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O que? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Estou perguntando se você sabe onde ir. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sei! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ela apenas meneou a cabeça positivamente e virou-se para Carlos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – No seu ritmo, chegaremos ao fim dessa avenida em instantes. Preciso que, quando vir uma grande placa vermelha, vire imediatamente na rua de sua esquina. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Nem rola, guria. Acelerando assim a gente ganha distância, ou pelo menos a gente não deixa eles se aproximar. Diminuir velocidade pra uma curva é arriscado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tem de fazer isso, caso contrário, morreremos todos! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Como é que você sabe!? - Carlos virou-se, encarando-a por meio segundo antes de voltar o olhar para a direção. A resposta não veio dos lábios da mulata, e sim de um maldito solavanco que atingiu o carro. No instante seguinte, Carlos lutava para manter a direção e um barulho ensurdecedor vinha da lateral do carro, haviam estourado um dos pneus. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vire. Ou não conseguiremos! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tá! Tá! - Gritou Carlos, quase sem dar mais atenção a menina. O carro perdera velocidade e agora os tiros que acertavam a lataria eram cada vez mais constantes. Olhou atentamente a rua, realmente, estava para terminar. A menos de dez quadras a rua parecia se bifurcar em duas menores que iam uma para cada lado. Meteu os olhos nas casas ao lado procurando a tal placa vermelha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Sorriso brotou do seu rosto quando viu “Americanas Express” na esquina da rua seguinte. A rede de lojas havia se expandido na cidade não tinha nem dois anos, e agora, em quase todo lugar haviam as Express. Era quase tão comum quanto os inúmeros supermercados Comper que haviam na cidade. Mas o que importava não era o fato da loja estar ali, e sim de sua placa estar ali: Um grande poste de ferro com o letreiro no centro de uma bola vermelha. Carlos diminuiu a velocidade e virou-se na esquina com tudo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Entrou numa ruela pequena, porém pavimentada, que parecia levar até o início do núcleo central da cidade, que se fazia presente ao longe. As mãos do churrasqueiro estavam calejadas e doloridas de tanta força que implicava no volante para manter a direção reta. Agora, a van estava quase na cola deles, virara a esquina há poucos segundos dele. Luana cutucou seu ombro e apontou para o velocímetro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Você precisa chegar a noventa quilômetros. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Como se fosse fácil! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Você precisa! Senão nós... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tá! Senta lá, Luana! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Carlos desviou o olhar para Hiroshi, para tentar ver o que lhe arremetia. Assustou-se ao ver o nipônico repousando no banco, segurado pelo cinto de seguranças. Dormindo!? Numa hora daquelas!? Um &lt;i&gt;flash&lt;/i&gt; veio a sua cabeça, lembrando da história que ele havia contado. Se tudo fosse verdade, talvez agora estivesse num dos tão horríveis pesadelos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Luana chamou sua atenção novamente. Os tiros quebraram o vidro de trás, e uma bala atravessou todo o carro fazendo uma rachadura no painel da frente, bem próximo ao assento do motorista. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Noventa! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Cala a boca, guria! &lt;br /&gt;ㅤㅤ E, num último esforço, Carlos desceu todo o peso no acelerador e estacou os braços no volante. A van num último esforço acelerou com tudo e atravessou uma rua, deixando para trás um enorme vulto que tampou tudo atrás deles. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Miguel não via a hora de voltar para casa. O caminhão de tantas viagens estava todo sujo da poeira da estrada, e agora ele teria três dias de folga para relaxar e lavá-lo quando desse vontade. A distribuidora que o contratou oferecia um bom salário e um ótimo seguro para seu parceiro de tantos anos, o caminhão Janete, como o apelidara. Morava no subúrbio da cidade, no Tiradentes. Tranquilo, estava a menos de cinco quadras de sua casa, passando com o gigante veículo pela estreita rua onde morava. Ia avançar uma esquina onde ele tinha a preferência, quando um vulto branco passou com tudo a sua frente. A reação de Miguel veio atrasada, e ele só consegui frear depois que a van passou, e seu gigante caminhão parara no meio do cruzamento. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Já ia botar a cabeça para fora para xingar o barbeiro que passara, quando ouviu um pneu patinar no asfalto do outro lado. Logo em seguida o som estrondoso de um carro tombando, por fim, um forte impacto sacudiu o caminhão, mas não o tirou do lugar. Assustado, Miguel soltou-se de seu cinto e foi para o assento do passageiro para ver pela janela. Ali, do outro lado, uma segunda van estava tombada, a lataria do carro grudada na Janete. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe, enfurecido e atordoado, abriu a porta do carro e desprendeu-se do cinto. Esqueceu-se que o carro estava de lado, e logo seu corpo caiu com tudo. Grunhiu de raiva e levantou-se ali dentro, juntando forças para novamente sair do carro. Nem deu bola para os outros, a maioria ali ainda estava juntando forças e tentando recuperar a consciência. Até mesmo Tobias ainda estava parado de olhos fechados, segundos atrás ele gritava e urrava feito um louco, apreciando aquela perseguição maluca. O jovem discípulo fechou os olhos e reuniu toda a raiva dentro de si, abriu-os furioso e como reposta um brilho avermelhado emanou-se de suas orbes. Saltou para fora do carro de uma única vez, caindo sobre a lataria tombada da lateral da van. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Miguel gritava com o garoto louco, e já estava para descer do caminhão e cobrar explicações daquela maluquice. Quando por um instante seus olhos se encontraram com os de Felipe, o garoto tinha brasas nos olhos e uma feição quase demoníaca. Por impulso, Miguel se jogou para dentro da cabine novamente e benzeu-se, como crente que era. O garoto era o capeta!  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tudo o que o caminhoneiro fez foi se encolher ainda mais, quando ouviu um urro de raiva vindo de fora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Vicente freou o carro bruscamente na esquina. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ali, adiante naquela pequena rua viam um grupo de homens saltarem para fora de um veículo tombado na frente de um caminhão. O grisalho esboçou um sorriso faceiro quando identificou Tobias no meio deles, conversando com um jovem que só podia ser seu discípulo. Marco, por sua vez, apenas desviou o olhar por um segundo para fora e em seguida voltou-se para seu computador portátil. A tela mostrava um mapa no canto da imagem, junto de vários outros programas abertos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – A nossa van está indo na direção da... Avenida Eduardo Elias Zahran. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Certo. Acho que agora eles vão nos contactar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Já estão. Mas o número não é o dos celulares deles. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Como é? - Vicente desviou o olhar do acidente por um instante vendo a tela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Uma pequena janela piscava no canto, mostrando um número desconhecido. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É um orelhão. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Pois atenda! - Disse impaciente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O discípulo respondeu apenas apertando uma tecla, que abriu a janela e a ampliou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Alô? - Uma voz baixa e suave soou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Romanov? - Marco respondeu pelo microfone. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sou eu, Papai e Azaias me deixaram para trás para que eu ligasse para vocês para lhes dar as informações novas. - Agora, prestando mais atenção, parecia que Romanov falava pesadamente. - Nós não conseguimos proteger a Isca, entretanto, demos nosso carro para que ele fugisse. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Vicente e seu pupilo se entreolharam por um segundo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eles escaparam, acabamos de presenciar uma perseguição digna de filmes da &lt;i&gt;Holywood&lt;/i&gt;. Pensávamos que eram vocês, e que Tobias estivesse atrás de nós. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não. Tobias e seu discípulo estão atrás da Isca, querem tê-lo como prisioneiro até o fim do rito. Contrataram um monte de capangas para fazer o trabalho sujo, estão enfiados em três carros. Nós fizemos um entrar dentro de uma casa, mas os outros dois escaparam. Tomem cuidado, se vocês estão de olho em apenas uma van, tem outra rondando a área ainda. ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ Como que por instinto, Vicente levantou os olhos e olhou em volta. Em seguida voltou-se, deixando sua face também perto do microfone. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não há perigo. De qualquer forma, não tem do que desfiar de nós, o carro em que estamos tem os vidros com &lt;i&gt;insulfilm&lt;/i&gt; . Somo um veículo comum parado no acostamento, neste instante.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ - ... - Romanov demorou a responder. - Certo. Azaias ainda consegue localizar a Isca através dos espíritos, ele e o Papai vão atrás dela. Acharam uma moto velha na frente de uma casa da quadra onde o tiroteio aconteceu. Vão oferecer nossa proteção em troca de que ele coopere para o fim do ritual. Eu vou me arranjar por aqui, acho que assim que o Papai se estabilizar com relação à Isca, ele vai me contactar através de nosso elo, e vou direto para lá. O que vocês vão fazer? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Vicente olhou novamente para a rua, Felipe falava no celular. O grisalho concluiu que não demoraria muito para a outra van aparecer ali para pegá-lo. Trocou um olhar com Marco e em seguida meteu os olhos na maleta prateada no solado do banco de trás. Virou-se novamente, deixando com que a voz soasse pelo microfone. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Nós vamos tentar raptar o garoto do Tobias. É essencial para que nós consigamos quebrar o ritual. E acho que não devemos deixar para última hora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Romanov mais uma vez custou a responder, como se pensasse no assunto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Romanov? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tudo bem. -  Disse finalmente. - Vou repassar todas as informações... Tome cuidado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Certo, vocês também, ajam rápido! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Marco fechou a linha e olhou para o mestre. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos mesmo tentar isso, chefia? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É o jeito, meu caro. - Disse Vicente, arrumando coragem. - É o jeito. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-5068033124801219783?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/5068033124801219783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/olhos-vermelhos-capitulo-11.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/5068033124801219783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/5068033124801219783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/olhos-vermelhos-capitulo-11.html' title='Olhos Vermelhos - Capítulo 11'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-753089409958307336</id><published>2010-09-02T22:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T22:39:21.658-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olhos Vermelhos - Capítulos'/><title type='text'>Olhos Vermelhos - Capítulo 10</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;X&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Aquele foi o primeiro sono em que Hiroshi pôde realmente relaxar desde a fatídica tarde em que entrara na estação ferroviária abandonada com sua amiga. Entretanto, não fora completamente tranquilo. Os grunhidos e rosnados das criaturas negras chiavam perto dos ouvidos, ao mesmo tempo que o bater das asquerosas asas faziam vento perto de seu ser. Eles não estavam longe, disso tinha certeza. Mas, pelo menos, não fora para aquele lugar terrível mais uma vez. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Quando abriu os olhos, não sabia onde se encontrava. Tudo estava silencioso e escuro, de modo que Hiroshi demorou alguns segundos para acostumar-se com a falta de luminosidade. A cabeça pesava e custou a lembrar as últimas visões antes do desmaio. Lembrava-se de estar montado sobre o corpo de um monstruoso homem de pele escura, também, tinha &lt;i&gt;flashes&lt;/i&gt; de golpes que ele desferira e levara de um possível combate com aquele mesmo homem. Mas, nada ele podia se lembrar direito. Olhou pela janela do lugar, já era noite. Ficou imaginando agora se dormira por mais de um dia, aquele descanso foi revigorante, de modo que agora seu corpo parecia mover-se mais facilmente a pedido do corpo. Pôs os pés no chão na exata hora em que ouviu os passos no corredor. Passos solitários. Gelou a espinha, só agora se pegou pensando em onde estava, e quem o trouxera ali. Juntou o corpo na quina da parede e pegou uma garrafa de cerveja vazia que estava em cima do cômodo ao lado da rala cama. Reagiria se necessário. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A porta abriu, liberando dentro do quarto um pouco mais de luminosidade, parecia haver lâmpadas acesas no resto da casa. Uma mão passou pela porta e apertou um interruptor, logo acendendo uma luz fluorescente no teto, que iluminou o quarto modesto. A face de Carlos surgiu no vão da porta, e Hiroshi demorou a associar os fatos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hiroshi! Que bom que acordou, cara, pensei que ia dormir a noite toda! &lt;br /&gt;ㅤㅤ E entrou no quarto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Carlos... Por que estou aqui? Me achou aonde? É sua casa? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Opa opa, uma pergunta por vez, mano. - E sentou-se ao lado da cama. - Essa aqui é uma casa que eu comprei faz um tempinho. O dono do terreno voltou pro nordeste, terra dele, e me vendeu baratinho o lugar. Como ainda tá em construção, não mudei ninguém pra cá ainda. Achei seguro te trazer pra cá, por esse lado do bairro a galera não me conhece ainda. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Seguro? Seguro porque? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Orra, Hiroshi! Tu não lembra de onde eu te achei não!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Rapá! Tu tava capotado em cima do Alcidão! Tu deu cabo da vida do maior matador de aluguel das redondezas! Acho que nem vão tentar botar você em cana, mas o perigo mesmo é os trutas do maluco virem te procurar. Por isso te trouxe pra cá correndo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Espera... espera... Eu matei um cara? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tá com problema na cabeça, mano? Tu matou e muito bem matado! Meteu o facão dele no coração do desgramado. Capotou na hora! Me contaram que ele encrencou contigo, mas que tu nem deu chance dele revidar na sua primeira porrada. Bem que o seu Hideo disse que tu lutava bem o kung fu, ou karate, sei lá.... Mas não esperava que fosse tanto assim. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu matei... um cara? - Ele dizia, ainda pensando naquelas palavras. As imagens iam voltando com ferocidade na mente, cada uma como uma pancada nele. Estava ficando louco, só podia. E não era uma loucura normal, era algo de outro mundo, algo do diabo ou coisa do tipo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É! Que porra tu tava fazendo pra cá, de qualquer forma!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi não respondeu, parecendo quase em estado de transe. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ei, responde, cara! - E Carlos deu um empurrão de leve no ombro do garoto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Por puro instinto assassino, misturado com aquele ódio maluco que sentia, ele voltou o empurrão com um muito mais forte. E já levantou, preparando-se para socar o amigo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Opa! Opa! Calma lá, maluco! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Carlos conteve o garoto a tempo de não levar um golpe. As palavras romperam o quase formado lapso de loucura dele, os olhos voltaram a feição de antes. Hiroshi fechou os olhos e pôs as mãos em volta da cabeça, pressionando-as ali. Soltou um grito de raiva enquanto se afastava e socou a parede, fazendo feridas abrirem na mão. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ali atrás, o churrasqueiro benzeu-se. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Cruz Credo, cara. Que tá acontecendo contigo? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu... Eu não sei, Carlos. Desculpa, mano, eu tô alterado. Não sei porque... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É droga? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não! - Rebateu, quase raivoso. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Então desembucha, não dá pra te ajudar se não falar. Nem liguei para os seus pais ainda, pensando que tu pudesse estar metido em alguma mutreta que eles não sabem. - E sentou-se na cama, que logo seria da sogra dele. - Tu dormiu a tarde toda, tá de noite. Se tu não deu notícia, eles devem estar preocupados contigo, te caçando por aí. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu... Eu.... &lt;br /&gt;ㅤㅤ Desistiu de tentar reter tudo aquilo. Sentou-se ao lado do amigo e começou a contar tudo. Desde o início, como sua vida havia se tornado um inferno em menos de um dia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ As três vans chamavam uma atenção gigantesca naquela rua tão pobre. Eram carros caros, não era qualquer um que podia pagar por eles. Raramente eram vistos veículos novos e bem lustrados naquele lado do Tiradentes. Os homens contratados por Felipe estavam amontoados dentro dos carros, eram mercenários do tráfico, a maioria foi recomendado pelo cara que contrabandeou as armas do Paraguai. Homens discretos, que faziam o trabalho sem questionar. Tobias, que estava no mesmo carro que Felipe, dera algumas instruções básicas para os capangas. Disse para não recuarem diante de coisas &lt;i&gt;estranhas&lt;/i&gt;, que receberiam muito bem por isso. Não especificara muito mais, deixaria que o dinheiro falasse por si próprio. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe, sentado no bando de passageiro ao lado do motorista grande e parrudo, estava com os olhos tensos num cenho raivoso. Seu joelho ia e vinha, mostrando a irritação. Até que desferiu um forte golpe que quase quebrou o apoio lateral, bufando de raiva. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Droga! Por que não consigo manejar a isca!? - Disse, virando-se para Tobias no banco de trás. O velho riu em resposta, uma gargalhada alta e tranquila. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eles já estão aí, moleque. Se bem conheço o Vicentão, ele já deve ter começado a mexer os pauzinhos dele. Sabe como deixar os bichanos ocupados com uma coisa ou outra. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Também não consigo mais puxar o rastro da alma. Ficou difícil saber exatamente onde o garoto está, isso também é coisa deles, não é? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hmm.... - Tobias coçou a barba. - Acho que o filho do Yohan pode ter feito isso. Faz anos que não o vejo. Mas agora, deve ser ele quem tem o alfinete de diamante. Dimitri o nome, eu acho. Eu te disse que não é tão fácil, garoto. Tu devia ter deixado as informações vazarem para eles mais tarde, mas tu teimou que já era hora. Viu no que dá? Nunca ouve meus conselhos e se fode legal. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Emendou uma gargalhada junto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe socou novamente o apoio lateral, agora o tirando do lugar. Não era para estar dando errado para o lado dele. Não mesmo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ  No fim daquela tarde, Raquel descansou tudo o que pôde antes de sair do expediente. O trabalho, como atendente da loja Anita Calçados no centro caíra-lhe como uma mão na roda num momento em que precisava do dinheiro extra para pagar parte da faculdade. Teve de juntar forças para avançar até a praça Ari Coelho e pegar seu ônibus. Por sorte, a sua condução era um dos poucos que saíam vazios da praça. Ia para um lugar onde muita pouca gente precisava de ônibus para rodar a cidade. Os arredores da universidade particular onde cursava jornalismo ficava perto de seus melhores alunos, os ricos filhos de fazendeiros e empresas da cidade.&lt;br /&gt;ㅤㅤ  Sentou-se numa cadeira qualquer, e deixou o corpo relaxar ali. Ânimo para estudar após o dia cheio era sempre bom, mas quase nunca adquirido. Os olhos começaram a viajar pelos cenários da cidade, quando alguém bateu na lataria do veículo, quase perdendo o ônibus. O motorista, generoso e com tempo adiantado, parou uma última vez para subir o rapaz. Era um garoto bonito, com cerca de vinte e poucos anos. Pele branca e cabelos castanhos escuros. Carregava uma única mochila, pequena e que parecia de marca. Os olhos do garoto cruzaram com os de Raquel e ele sorriu para ela, a moça virou-se, olhando para fora novamente, envergonhada. Era boba ou o que? Só um garoto bonito, um garoto bonito que sorrira para ela. Ele passou pela catraca e caminhou com o ônibus em movimento. Até para ao lado dela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Posso sentar aqui? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Claro. - A resposta veio antes que ela parasse para pensar. A condução estava vazia, não era necessário ele sentar-se do lado dela. Só sentava ali porque queria. Ela corou com o pensamento e retirou a bolsa do lugar vago ao seu lado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  O rapaz acomodou-se bem ali. E sorriu mais uma vez para ela, enquanto colocava a mochila retangular sobre o colo. Passaram-se poucos minutos até que o garoto lhe dirigisse a palavra de novo. Ele virou-se para ela e olhou-a nos olhos, sem hesitação alguma. O sotaque carioca soou claro.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sabe, eu poderia ter pegado qualquer outro ônibus, mas eu resolvi pegar esse aqui. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Por que? - A pergunta saiu antes que ela mesma pudesse pará-la, novamente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Porque eu te vi pela janela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Raquel corou, ele estava a cantando claramente, e ela mesma parecia estar gostando. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Quinze minutos depois, os dois saltaram do ponto, rindo e trocando conversas como se fossem íntimos de anos. Tinham se afastado um pouco do centro, indo na direção de alguns bairros menores que ficavam entre a área principal da cidade e o núcleo da universidade. A menina iria faltar aula naquele dia, tinha coisas mais interessantes a se fazer. O garoto, Marco, era simpático e charmoso, além de dar cantadas e respostas que fariam qualquer garota virar um tomate. Por que não relaxar um pouco? Um dia, ou outro era bom se descontrair. Quem sabe aquilo não daria em algo mais excitante para ambos? &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Caminhavam pela calçada, tinham decidido tomar uma bebida ali perto. Ela guiando o rapaz, que estava de passagem na cidade, visitando parentes. O garoto, que antes segurava na mão dela, agora deixava sua mão pousada na cintura dela, caminhando bem juntinho ao corpo dela. Viraram uma esquina, entrando numa ruela que adiantava umas duas quadras no caminho até o barzinho charmoso onde iriam. Raquel nem notou o carro que seguira o ônibus o caminho inteiro e estava ali, andando de farol desligado um pouco atrás. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Marco ria, e já ia começar um novo assunto quando uma música baixa soou. O celular do garoto tocando. Marco o retirou do bolso o suficiente para ver o nome ali: Vicente. Era o sinal. Nada de códigos ou coisas avançadas, era simples demais. Guardou o celular, ao mesmo tempo que agarrara um pano molhado que estava ali. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Marco, quem é er....!!!! &lt;br /&gt;ㅤㅤ  A pergunta da garota não chegou a um fim. O pano tampou seu nariz e boca, dificultando-lhe a respiração. Um cheiro forte e nauseante a dominava e sugava suas forças, Marco fazia força para ela não escapar daquele maldoso golpe. Em poucos segundos, Raquel desmaiou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Abriu os olhos, quase sem forças. O lugar era escuro, e ela mal podia distinguir uma forma cá e outra acolá. Podia ouvir um leve murmúrio a sua volta, quase parecendo um cântico. A mente doeu quando ela tentou recordar-se o que havia acontecido, apenas poucas visões lhe vinham, um garoto, uma rua escura e um carro. Mais nada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Percebeu pequenos pontos luminosos dispersos a sua volta, demorando mais alguns segundos para notar que eram velas posicionadas em arco à sua volta. Agora, a visão estava quase perfeita. As velas estavam colocadas junto de círculos negros desenhados no chão. Os desenhos – quase tribais – formavam diversas formas à sua volta. Eram pelo menos cinco voltas pretas, que pareciam ter sido pintadas a pouco, visto que ainda parecia úmida próximo às velas. Tentou mexer-se, mas além da dor na cabeça, ainda percebeu que não conseguia mover-se. Estava presa, imóvel por completa presta numa coluna, ou algo do tipo. As vozes agora estavam claras, e ela pôde definir da onde o cântico vinha. Dois homens estavam sentados à frente dela, fora do círculo, um apoiado nas costas do outro. Pareciam imóveis, fora a boca que se mexia rapidamente formando o coro audível. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – .... - Raquel tentou falar. Mas a voz simplesmente não saiu, travada em seu peito, como se algo a impedisse. Tentou gritar, pedindo ajuda, mas nem um som conseguia emitir. Chacoalhou as correntes que a prendiam em volta do pilar de tijolos velhos, também não poderia se mover. Lágrimas brotaram de seus olhos, agora lembrando-se da bobeira que fizera, de como caíra na lábia do garoto tão facilmente. Deixou o corpo cair, sentando-se escorada à sua prisão. Lá fora, o sol acabava de deixar por completo aquela face do mundo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Ela já não podia sentir o corpo. As vozes que antes eram um cântico silencioso agora pareciam gritar dentro de sua cabeça. Os dois homens estavam lado-a-lado, fora do círculo, olhando para ela com olhos inexpressivos como bolas de vidro. Um deles era Marco, o outro, parecia bem mais velho. O que era aquilo, Macumba? &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Seja lá o que fosse, começava a mexer com ela. Ela estava tendo alucinações, loucuras percorriam sua mente conforme as vozes aumentavam. Ela ouvia cochichos maldosos e incompreensíveis perto de si, mas nada via. Podia ouvir passos e outros sons vindos de todos os lados, mas nada observava. A voz dos dois aumentou novamente, e agora, junto delas, as luzes das velas aumentaram magicamente. Os gritos maldosos ecoavam em sua cabeça, a loucura tomando conta da jovem estudante e esforçada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Gritou, mas a voz não saiu, então, se limitou a fechar os olhos. No mesmo segundo, as vozes pararam e um silêncio aterrorizante tomou o local. Ela levou alguns segundos para abrir os olhos novamente. Os dois homens iam embora, estavam se dirigindo a entrada daquela casa velha e abandonada. Deixando-a ali, sozinha com seus medos. A luz das velas, que antes estava fortíssima, agora se encontravam estranhamente fracas. Quase miúdas a ponto de Raquel não ver mais tanto à sua volta. Ela suspirou, tentando ver um lado bom naquela situação toda: Agora, não havia mais os cânticos. Não seria mais atormentada, era questão de tempo até alguém achá-la ali. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Cochichos tomaram conta de seus ouvidos, os mesmos de antes. Ela abriu os olhos, saindo de seu breve cochilo. E seus olhos arregalaram-se ao mesmo tempo que perdia o fôlego. Ali, fora dos círculos, sombras sem dono rondavam a velha casa. Elas giravam rapidamente, como uma aura negra de morte que estava ali unicamente para ela. Raquel levantou-se novamente e tentou se soltar mais uma vez, sentindo os pulsos doloridos pelas inúmeras tentativas em vão. A voz ainda não saía. Os cochichos agora eram gargalhadas maquiavélicas, que soavam por todo o lugar, deixando o pouco que restara de lógico na garota se dissipar. Ela apenas queria sair dali, debatia-se como podia, mas nada acontecia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  As sombras pareciam querer tentar entrar no círculo a todo momento, mas as velas sempre oscilavam quando eles chegavam perto. E logo a penumbra viva se afastava novamente, voltando a rodar em torno dela como aquela aura maldita. A menina chorava alto, lágrimas sujando toda a face e parte do chão abaixo dela. Não era para estar ali, deveria estar estudando, dando duro para dar o futuro que os pais mereciam por educá-la tão bem. De repente, ela pôde ouvir o choro. A voz voltou. Limpou a lágrima dos olhos com o ombro, e sorridente começou a gritar por ajuda enquanto focava-se no lugar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  O sorriso morreu. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  As velas haviam se apagado e novamente um silêncio assolava o lugar. Mas Raquel sabia o que aquele silêncio significava. Sabia que não mais voltaria para casa. Uma risada monstruosa soou novamente, mas agora, pareceu estar bem ao seu lado. Cheirando seu cangote. Gelou o corpo, e tentou se encolher no seu canto. Como se ele pudesse dá-la a proteção que necessitava contra aqueles demônios terríveis. &lt;br /&gt;ㅤㅤ  &lt;br /&gt;ㅤㅤ  Já longe dali, Vicente dirigia o carro que alugara às pressas. Marco estava ao seu lado, de cara fechada, olhando pela janela. O mestre olhou seu pupilo pela quinta vez nos últimos cinco minutos, e novamente suspirou profundamente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Foi necessário, Marco. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O menino permaneceu em silêncio, olhando para fora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Caso isso não fosse feito. Eles estariam se amontoando em cima da Isca. E, em pouco tempo, não só a garota, como todo o resto do mundo estaria sofrendo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Marco não respondeu, ainda. Vicente acelerou, Azaias havia ligado havia pouco tempo, já sabiam aproximadamente onde estavam a Isca e Tobias. Dimitri e Romanov fizeram um ótimo trabalho, dificultando as conexões espirituais que ocorressem nas proximidades; e Azaias, sempre saindo de seu corpo para conversar com os espíritos, não demorou muito à achar uma alma que o levara até a localização tão chamativa daquelas anomalias. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Demorou muito mais que alguns poucos segundos para Carlos associar toda aquela história. Em menos de dois dias, ao que parecia, a vida de Hiroshi virara do avesso. Do nada, ele se tornou um assassino raivoso compulsivo, tinha pesadelos tão reais que sentia o calor na pele e ainda sentia-se sempre perseguido por uma estranha presença. O nipônico coçou a cabeça, sentindo dor nos cortes e machucados que a luta com Alcides fizera nele, ao que parecia, Carlos havia cuidado dos cortes, limpando-os e passando gaze em volta deles. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É difícil de acreditar em histórias tão cabreiras assim, cara. - Finalmente ele falou, quebrando o silêncio. - Mas eu acho que te dou o valor dessa história. Meu tio Zé me contava umas coisas mais loucas que essa aí, e além disso, aquela estação ferroviária tem mesmo alguma coisa do cão, do capeta mesmo.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Então, o que acha que eu devo fazer agora? Eu ainda estou tentando entender como estou conseguindo conter minha raiva, e como a sensação de perseguição diminuiu. Mas, é melhor não relaxar por causa disso. Quero resolver isso logo, cara. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Acho que sei quem pode te ajudar... - Disse Carlos, pensando um pouco. Então, como se a idéia se firmasse em sua mente, ele levantou-se de impulso e foi em direção à porta do quarto. Abriu-a e passou por ela, enquanto desligava a luz. - É! Acho que só ele pode dar uma idéia melhor do que tu tem! Vamos lá! &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Já passava de meia noite quando bateram na porta. Mas Amaro, novamente, não conseguira ter uma noite de sono sossegada, estava ali, suando frio com os olhos arregalados virados para o teto. Uma vez um homem lhe dissera sobre a natureza de suas habilidades, disse que ele tinha o dom de ver o fluxo da vida e das almas, e por isso, tinha pequenas chances de vislumbrar o que ocorreria a uma alma, ou a um grupo de almas futuramente. Era um visionário. Na época, o homem ficou feliz com a revelação do motivo dos sonhos perturbadores que tivera durante infância e adolescência. Mas agora, arrependia-se todo dia pela maldição que lhe fora imposta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Apenas pouquíssimas pessoas, entre elas nem sua esposa estava, acreditavam em seu dom. E fora graças a ela que ele ainda podia tentar sustentar sua filha, a única coisa que ainda fazia sua vida mover. Luana, jovem como era, sempre tinha energia e ânimo. Já arranjara emprego num bar do bairro, ajudando a pagar as contas de casa. Além disso, estudava duro, tinha planos para o futuro. Amaro estava feliz por ela não ter puxado seu dom, tinha certeza disso, ela nunca mencionara nada sobre ver coisas. Aquelas visões que só traziam desgraça. Aquelas visões que agora o tragavam para entrar na pior aventura de sua porca vida. Levantou-se, era hora de encarar aquelas pessoas que seus  sonhos a tanto tempo diziam que encontraria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Carlos estacionou a moto na frente da casa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tem certeza que esse cara pode ajudar, Carlos? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi tinha perdido a esperança de achar algo de útil ali. A casa caindo aos pedaços e as pixações denegrindo o nome do humano com dons sobrenaturais em questão não deixaria ninguém esperançoso. Parecia realmente a casa de um charlatão. Um farsante qualquer. Mas o churrasqueiro voltou o olhar para ele com uma seriedade enorme. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Se engana não, mano. O Amaro aí já ajudou pra caramba uns primos e outros camaradas meus por aí. Chegou do nada e disse para o Lucas, meu primo, tomar cuidado com a família nos próximos dias. Não deu outra, três dias depois uns encrenqueiros que perderam uma aposta com ele apareceram na casa de tarde, na hora que meu primo estava trampando. Iam pegar toda a família do coitado. Mas, graças ao aviso, o primo Lucas ficou em casa junto de mais uns amigos e parou os desgraçados. - Disse, avançando na direção da casa. - Ele é gente boa, e a filha dele é uma lindeza do bairro. Acho que ele pode dizer algo dessas coisas anormais que te ocorrem. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sei... - O japonês ainda não acreditava muito nas palavras do amigo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Passaram pelo portão enferrujado e entraram na casa. Poucos segundos e Carlos bateu na porta de madeira velha. O silêncio respondeu de volta nos próximos segundos, era de se esperar, dado o horário. Já ia bater de novo, chamando pelo nome de Amaro, quando ouviu passos. Quase correndo, o homem veio à porta e abriu-a. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O sujeito era pequeno, não passava do ombro de Hiroshi. A barba branca e mal feita despontava na face, e o pouco de cabelo desarrumado mostravam que estava tranquilo. Era muito magro, dado o fato de que não bebia álcool e nem comia direito. O velho mulato observou os dois com os olhos quase saltando das órbitas, ele não parecia ter dormido. Não deu muita atenção para Carlos, mas quando seu olhar se encontrou com o do nipônico, ele estacou, imóvel. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Amaro! Precisamos da sua ajuda! - Carlos cortou o transe. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu sei que precisam! O garoto aí está com tantos problemas que eu não consigo pegar no sono faz dias! Entrem logo, e não façam barulho, porque minha filha parece estar dormindo ainda. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A resposta inesperada fez os dois entrarem abobados, sem nem perguntarem mais nada. Amaro afastou-se para deixá-los passar, tendo muito cuidado para não encostar em Hiroshi, quando este passava. Fechou a porta em seguida, com uma grande rapidez e trancou-a. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Os dois visitantes olharam a pequena sala onde Amaro fazia o pouco de dinheiro que podia com suas visões. Estava todo sujo e empoleirado, mas tinha lá seu tom de mistério, dado principalmente as lâmpadas de abajus e os grossos lençóis que cobriam as janelas. Pararam ao centro da saleta, encostando-se à mesa circular. Amaro tinha ido a cozinha, e agora voltava, tomando um copo de água. Definitivamente, o velho não parecia descansar a um bom tempo. Agora, com mais iluminação, Hiroshi e Carlos podiam ver as largas olheiras nos olhos fundos do velho, fora a tremedeira que fazia o corpo d'água quase derramar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sabia que eu viria? - Disse Hiroshi, finalmente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sabia que você estava em perigo, e que coloca muita coisa a perder. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Coisa a perder? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É. Se você não fazer o que deve, nada vai ser igual. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A conversa estava confusa demais. Hiroshi coçou a cabeça e sentou-se na cadeira de madeira da mesa, tomando ar e contendo a irritação que crescia dentro dele. Agora era fácil contê-la. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Calma, calma. Amaro, certo? Olha, eu nem queria vir aqui, o Carlos que insistiu que você podia me ajudar. Mas você vir até mim dizendo um monte de coisas complicadas e estranhas não vai ajudar em nada. Pode ser um pouco mais claro? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Amaro deixou o copo em cima da mesa e tentou respirar fundo, contendo o nervosismo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Olha... Eu nem sei por onde começar. - Falou ele, sentando-se em outra das cadeiras. - O Carlos deve ter te contado que eu tenho visões do que acontece vez ou outra. Isso sempre vem em forma de sonhos ou quando estou distraído. O problema é que, nos últimos dias, eu estou tendo pesadelos horríveis, coisas que nunca vi antes surgiam aos meus olhos. E, no centro de toda essa trama, eu vi você. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É. Eu nem faço idéia do seu nome ou de quem é você. Mas eu te vi, em várias visões, junto de várias pessoas diferentes em situações de risco ou situações anormais. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Como o que? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vi você com os olhos brilhando num verde cabreiro e forte. Vi você no meio de um descampadão quente e arenoso. Vi você se jogando contra um monte de capetas num corredor. Vi você sozinho dentro de um lugar escuro pra caramba. Mas as cenas que mais me assustam nessa porra toda, não tem você no meio. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tipo em quais? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu vi um par de vezes, um velho fedido e um garoto conversando. Sempre quase trocando insultos, dado o grau de agressividade dos dois. O Velho parecia sempre contestar, mas o garoto ignorava qualquer palavra dele. Esse garoto... Ele é quase um capeta em pessoa, rapaz. Quase um capeta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Espera, no que eles se encaixam nessa história toda? Não tem algo a ver com uma assombração ou coisa do tipo? Que diabos tem um velho e um garoto no meio disso? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É aí que você se engana, guri. Teu inimigo não é o Macedo, também tive visões dessa alma penada e sem lugar pra ir. O garoto foi só uma vítima, como você. Teu inimigo tá bem vivinho, e sempre na sua cola. - Amaro olhou para a frente de casa, como se estivesse com medo de encontrar alguma coisa pela janela. - Todo cuidado é pouco. Olha, rapaz, qual seu nome? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hiroshi. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hiroshi, eu nem faço idéia de como você chegou aqui. O Carlos aqui, primo do Luquinhas que eu ajudei outro dia,  deve ter mexido os pauzinhos dele para te colocar aqui dentro. Eu sabia que tu viria de algum jeito, estava no seu destino. Mas, deixando tudo isso de lado... Hiroshi, você acredita em magia? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Magia? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É, magia. Acho que posso te dar mais informações que vão te ajudar daqui pra frente na sua jornada. Mas, para isso, preciso saber se tu acredita nessas coisas... &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi acomodou-se na cadeira de madeira. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Olha, não sei, não, Amaro. Eu acredito nessas coisas de fantasma, de assombração, tanto é que eu me meti nessa enrascada por ajudar minha amiga nisso. Não foi? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Foi. A primeira das visões que eu tive foi sobre esse dia aí. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Então, nisso eu acredito. Mas nunca soube nada de magia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Mas está tudo interligado, guri. - Amaro apoiou os cotovelos na mesa, gesticulando com as mãos. - A magia se baseia em pessoas com dons e treinamentos para manejar almas e coisas relacionadas a ela. Como para onde ela vai, de onde ela veio, das ligações dela aqui e das que tem casos especiais; como almas penadas e assombrações. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Se magia for isso, acho que acredito. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Amaro abriu um sorriso na face. Sorriso, que esmoreceu alguns poucos segundos depois. A filha surgiu na porta do pequeno quarto, os observando. Antes fosse que ela estivesse com uma cara sonolenta, acordada com a conversa deles; Luana tinha os olhos arregalados e as mãos seguravam com força a quina da porta. Ela olhou para Hiroshi como se já o conhecesse. E Amaro sabia muito bem daquela reação, foi daquela forma que ele mesmo encarou o homem que apareceu em sua primeira visão. Ele sonhou com o senhor que vendia jornais na esquina, sonhou que o via agonizar e morrer com tiros. Na semana seguinte, ele apareceu morto na banquinha dele, vítima de assalto que terminou em homicídio. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Luana avançou alguns passos, tentando conciliar algumas das coisas que rondavam na sua cabeça. Naquela noite, ela havia conseguido dormir, mas o sono veio carregado de tantas imagens que mal conseguira lembrar-se delas por um todo. O pior foi abrir a porta do quarto e dar de cara com o protagonista da maioria das visões. Estava descrente do destino. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Minha filha... - Disse Amaro aos gaguejos. - Volta, a dormir, querida. São amigos do pai. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Precisam... - A voz baixa da menina mulata soava. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eles já vão sair daqui a pouco, querida. Pode ir dormir... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vocês precisam sair.... - Disse ela, quase inaudível. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Como é? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Carlos calou-se de seu silêncio de ouvinte. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vocês precisam sair.... &lt;br /&gt;ㅤㅤ Falou mais uma vez, agora apontando pela janela. Do outro lado da rua, uma van branca e uma preta estavam estacionadas, com os faróis ligados. Amaro direcionou o olhar para van e entendeu, com horror, que a filha também tinha o seu dom. Aqueles veículos apareciam em várias das imagens que inundavam seus sonhos. E sempre surgiam como um mau agouro.   &lt;br /&gt;ㅤㅤ O velho levantou-se apressadamente, correndo ao quarto e voltando em segundos com um bolo fechado por jornais na mão, colocou na mão da filha e deu leves tapas no rosto dela, de modo que ela saísse em partes do transe dos sonhos. Ela piscou repetidas vezes, estava ciente do que acontecia, mas agora não agia como um oráculo inexpressivo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Filha, desculpa por tudo. Não era pra tu ter um pai tão maldito a ponto de ter essas coisas, e pior ainda, não era pra você ter herdado isso desse velho aqui. - Disse em lágrimas, apertando o bolo na mão da filha. - Aqui tem todo o dinheirinho que eu consegui juntar pra quando tu entrar pra faculdade. Desculpa, amor, como queria te ver formando! &lt;br /&gt;ㅤㅤ A menina também chorava. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Pai... Não Pai, tem algum outro jeito. Tem que ter... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Você viu o que eu vi, não? Sabe que não tem jeito, querida. Essa é a hora que eu mais temia. Agora você tem que ir. - Olhou para os dois, que quase nada entendiam daquilo que falavam. - Tem que levar eles pra longe daqui, sabe que ainda vai ter um papel importante nisso tudo, não sabe, querida? Então, precisa ir! &lt;br /&gt;ㅤㅤ O velho Amaro limpou o rosto de lágrimas e abraçou e beijou a filha uma última vez, para então ela se afastar um passo, na direção da cozinha. A garota voltou seu olhar triste para os dois homens e fechou o maço de dinheiro na mão. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos, tem uma porta dos fundos na cozinha. A gente tem que sair daqui, agora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não, espera, eu não estou entendendo nada agora. - Hiroshi se pronunciou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É, complicou até pra mim, Amaro, que tá acontecendo? &lt;br /&gt;ㅤㅤ O velho foi até os dois e pôs uma mão sobre o ombro de cada um deles. Olhou-o nos olhos com toda a coragem e dignidade que tinha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Esse velho aqui tem que cumprir seu papel nessa história, rapazes. - E voltou-se pra Carlos. - Você também ainda tem algo muito importante a fazer, algo que só você vai conseguir. - Virou-se então para Hiroshi. - E você, guri, tudo depende de você. Olha, sei que tá difícil entender qualquer coisa, mas coloca algo na cabeça, dentro dos próximos dois dias, sua vida vai complicar ainda mais. Mas você vai ter que se mostrar firme, porque o mundo todo depende de seus atos. Eu podia ficar falando um monte pra vocês, mas só dá tempo de dizer uma coisa: Comece a agir contra seus inimigos. Procure sobre o termo “Olhos Vermelhos”. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Olhos Vermelhos? - Um calafrio subiu pela espinha ao ouvir o termo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É, isso mesmo. Olhos Vermelhos. - E apontou para as vans, tinha gente saindo de dentro delas. Amaro apagou as luzes da sala, deixando-os na penumbra. - Aqueles caras ali são os capetas vivos. Se eles ganham, vocês e todo o mundo morrem. Só tu consegue fazer algo, moleque. Agora vai! Vai e deixa minha filha protegida! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Amaro empurrou os dois para a cozinha onde a menina já aguardava eles. Carlos, ainda perdido naquilo tudo, resolveu confiar nas profecias do velho Amaro, ele sempre estava certo, afinal. Seguiu junto de Hiroshi pela cozinha, saindo para a porta dos fundos. Ali, Luana já estava pronta, com o maço de dinheiro num bolso do pijama ralo que usava. Os muros do fundo da casa eram baixos, e ele já estava subindo ele quando os dois chegaram. Chegou ao topo e olhou para ambos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos. Precisamos correr para não sermos pegos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe desceu do carro com um sorriso na face, sabia que o garoto estava ali. Tinha total certeza, afinal, havia pouco tempo, sua capacidade de localizá-lo tinha voltado. Tobias preferiu esperar no carro, sabia que aquela jornada toda tinha como protagonista o seu pupilo, e não ele. Deixaria que o garoto decidisse como agir ao modo dele. Metade dos homens também desceram junto, cada um portando uma arma, presa a cintura. Aquelas eram as pistolas, discretas e chamativas. Não mandaria eles usarem fuzis iraquianos numa situação daquelas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Atravessaram a rua com pressa, e Felipe fez sinal para que a maioria esperasse lá fora. Apenas Josué e o Cabide foram apontados para avançarem junto dele. A disposição dos homens em volta da casa formava um arco, e, no centro, os três homens avançavam. Felipe abriu o portão de ferro e adentrou com calma e um sorriso na face. Parou novamente apenas na frente da porta de madeira, virou-se para Cabide, o capanga mais forte que contratara, e acenou com a cabeça. O gigante chutou a porta, que tombou para dentro de uma única vez.  Josué entrou em seguida, sacando a arma e apontando para dentro, Josué era o extremo contrário de Cabide, era esguio e ágil com uma pistola, mas não tinha força alguma. Cabide entrou atrás do companheiro, sacando sua arma.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Só depois de ambos, Felipe aventurou-se porta adentro, andando com calma e paciência. Mas o sorriso morreu na face assim que não encontrou a figura de Hiroshi ali na sala. No lugar dele, havia apenas um velho senhor, sentado numa mesa ao centro da velha sala, com os cotovelos sobre a madeira. Ele acendeu um pequeno abajur na mesa, fazendo a luz amarelada e oscilante percorrer a sala. Amaro sorria para os invasores. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Boa noite. Vieram ver a sorte? - Disse, em som de deboche. - Tá meio tarde, mas minhas cartas ainda estão na mesa e eu posso fazer uma forcinha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Onde está o garoto, velho? - Cortou Felipe, nervoso. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Amaro fez uma cara cínica de não ter entendido o que o garoto falava e sorriu em seguida, vendo os dois homens com as pistolas apontadas para sua cabeça. Sabia que morreria ali, mas também sabia que poderia comprar o máximo de tempo para os três escaparem com segurança. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Olha, sou apenas um velho vidente. - Começou Amaro. - O guri veio aqui pedindo ajuda e tudo mais, quando vocês apareceram. Ele ficou desesperado quando vocês desceram do carro. - O vidente diminuiu a voz e sorriu, apontando para o quarto. E, num sussurro, continuou. - Se escondeu no Armário.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe sorriu para o velho, pelo jeito, o charlatão estava querendo cooperar com eles. Acenou para os dois capangas. Josué continuou com a arma apontada para o velho, enquanto o Cabide avançou na direção do quarto. Um novo chute fez outra porta cair, e o gigante entrou no quarto escuro. Demorou alguns segundos, até que voltou à sala, com um sinal negativo balançando na cabeça. Mais uma vez o sorriso de Felipe encolheu-se, e ele voltou a face para o velho. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não estão lá, caduco. - O próprio Felipe sacou uma arma, destravou-a e encaixou o cano dela na testa de Amaro. - Por que você não larga de brincadeirinha e me diz logo onde eles estão? &lt;br /&gt;ㅤㅤ No exato instante, ouviu-se um ronco de motor vindo de trás da casa, do outro lado da quadra. Não era preciso ser um carro potente para que o barulho fosse ouvido, afinal, a quadra toda estava silenciosa. Felipe demorou alguns segundos até entender o que ocorria, voltou-se furioso para ameaçar o velho ainda mais. Mas encontrou o velho Amaro sorridente em sua mesa velha. Ele olhou para Felipe com seus olhos de sabedoria e graça. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Nunca vai conseguir pegá-los, capeta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe urrou de raiva e disparou, dando cabo à vida do velho Amaro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Luana, Hiroshi e Carlos cruzaram duas casas até chegar ao outro lado da quadra. Quase tiveram de se defender de um grande cachorro pastor-alemão numa casa, mas tiveram tempo de correr. Estavam cruzando o último muro que os separavam da rua. Luana foi a primeira a saltar, seguidos de perto por Hiroshi e Carlos. Tocaram a calçada despavimentada do outro lado. Seria hora de correr. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Seria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Da esquina, a van branca surgiu, dirigindo com certa velocidade até eles. O coração de Hiroshi gelou e Carlos já começava saltar de volta o muro. Luana estava imóvel, junto do japonês. Carlos virou-se para trás para dar-se conta que apenas seu coração malandro e espertinho soube reagir à nova van. Os outros eram lerdos demais! Saltou de volta e puxou-os pela manga. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Esperando o que!? Vamos logo! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não dá tempo, Carlos. - Respondeu secamente Hiroshi. - Melhor encarar agora. Eles tem um carro, podem nos achar facilmente se estão cercando a quadra com vans. Acho que o plano de fuga não deu muito certo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A van parou em frente a eles, o vidro escuro os limitava de ver quem estava dentro do veículo. Encostaram-se os três na parede, observando atentamente aos movimentos dos passageiros do veículo. A porta destravou-se, e um breve segundo se passou, até que as portas se abriram, tanto a do motorista, quando a dos passageiros. Surpresos ficaram eles quando o primeiro que desceu foi uma criança de pele alva, vestida em camisa e gravata, com um sobretudo por cima. Em seguida, desceu atrás dele um outro homem, também de pele branca, vestindo-se praticamente igual ao garoto. E, do banco de motoristas, o negro alto surgiu, deixando a porta aberta e o carro ligado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Os três estranhos ficaram de frente para Hiroshi, Carlos e Luana. Até que finalmente, Dimitri apontou o dedo na direção de Hiroshi, acenando positivamente com a cabeça. Romanov e Azaias apenas assentiram. Logo em seguida, os estranhos da Liga se afastaram da van, correndo Dimitri para um lado da quadra e Romanov para o outro, enquanto Azaias se preparava para saltar o muro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Quem são vocês!? - Finalmente conseguiu soltar Hiroshi. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O negro que subia o muro, ao lado deles, olhou-o rapidamente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Use a van para fugir daqui. Nós o encontraremos em breve, Isca. Vamos segurar os homens de Tobias por um instante, mas não sabemos o quanto podemos atrasá-los, saiam daqui, rápido. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Azaias saltou o muro, não deixando tempo para que eles fizessem mais pergunta alguma. Hiroshi demorou dois segundos para entender que essa van não estava do mesmo lado que as outras vans. Talvez esses fossem até aliados. Olhou para Carlos, e Luana, aguardando confirmação deles. A menina, ainda quieta, apenas concordou com a cabeça. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vâmbora daqui. - Complementou Carlos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Saltaram para dentro da van e Hiroshi pisou fundo no acelerador. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-753089409958307336?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/753089409958307336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/olhos-vermelhos-capitulo-10.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/753089409958307336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/753089409958307336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/09/olhos-vermelhos-capitulo-10.html' title='Olhos Vermelhos - Capítulo 10'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-43795323953631687</id><published>2010-08-31T14:54:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T15:06:14.095-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olhos Vermelhos - Capítulos'/><title type='text'>Olhos Vermelhos - Capítulo 9</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;IX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hideki ouviu a campainha na porta, afastou-se da sua grande escrivaninha com um impulso das pernas, fazendo sua cadeira presidencial rolar pelo pequeno quarto. Já fazia alguns bons meses desde que decidira morar sozinho, os pais acabaram o apoiando. Afinal de contas, Hideki já tinha o trabalho de programação de sistemas e o bico com os tios. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Levantou-se, deixando a sua querida companheira de todas as noites para trás. Era um complexo de três computadores e um &lt;i&gt;laptop&lt;/i&gt;. Haviam cerca de quatro monitores no local, fora o embutido no computador portátil. Nas diversas telas, imagens diferentes, todas ligadas pela rede poderosa que ele portava. Descalço, o magro nipônico cruzou a sala da &lt;i&gt;kitnet &lt;/i&gt; e foi até a porta, abrindo-a sem precisar conferir quem era. Naquela hora da noite, só podia ser uma pessoa.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – Oi, Hideki. - Melissa o cumprimentou rapidamente com um beijo e passou por ele. Sua face não estava nada boa. A garota, na verdade, não estava muito bem desde a tarde do dia anterior. Sentia-se pesada e com uma estranha sensação de incômodo dentro de sua própria mente. Mas, o rapaz tinha outra suposição para o porquê daquele mal-estar que a fizera marcar com ele ali. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O Hiro tá estranho....  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Confirmada a hipótese. Realmente, Melissa sempre vinha ter com ele, quando o assunto eram as fases mal dormidas de Hiroshi. Ele fechou a porta atrás dela, e sentou-se na pequena banqueta de madeira, ao lado da entrada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – A Tia Yumi me disse a mesma coisa. Perguntou pra mim sobre ele, alias. E, desculpe por quebrar sua confiança, Lissa, mas eu não estou sabendo de nada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A face da garota desmontou. Esperava que o primo, tão companheiro de Hiroshi, soubesse de alguma coisa. Ela deixou o corpo cair sobre o sofá, e relaxou, realmente, algo estava muito errado em toda aquela história. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Voltando um pouco no tempo. Aquele fora realmente um dos piores dias de Hiroshi. Seus olhos abriram vacilantes naquela manhã. A mente estava trabalhando a mil por hora, segundos atrás estava transformando demônios em fumaça negra, e agora lá estava ele em sua cama. Levantou-se lentamente, e observou o corpo: nenhuma marca ou arranhão. Deixou o corpo pender para trás. Podia estar livre de qualquer ferida física, mas sentia seu psicológico frágil. Carregava toneladas na mente, era como se todo o terror que vivera agora se incrustasse no que restava de são em seus pensamentos. Estava duro manter-se lúcido o suficiente para começar a distinguir realidade de novas alucinações, e também, havia &lt;i&gt;aquilo&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Uma sensação incômoda o circundava, uma aura de baixo astral e mal estar. Era como se estivesse sendo observado, como se olhos estivessem montados em suas costas e rissem de cada sofrimento e confusão que seu cérebro gerava. Ele sentia-se como se não estivesse sozinho nem dentro de sua alma, estava junto de uma má companhia, que mexia com todas as suas ações. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Manteve-se olhando para o teto do quarto por alguns segundos, e depois deitou o rosto, observando a janela do quarto. Estava intacta, mesmo sendo por ali que o primeiro demônio investira contra ele. Ficou perturbado com as lembranças, e subitamente desejou afastar-se dali, para encontrar qualquer outra coisa. Tudo a sua volta começou a causar irritações em seu ser. Vestiu a primeira roupa decente que achou e desceu as escadas com pés pesados. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hiro! Já acordou? Mas que rarida... &lt;br /&gt;ㅤㅤ A voz da Senhorita Yumi se calou quando o filho passou reto pela cozinha, sem nem ao menos lhe dirigir um olhar. Estava estranho. O pai, sentado à mesa da cozinha, observou o gesto de descaso de seu garoto com maus olhos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Volta aqui, Moleque! Cumprimenta sua mãe direito! - Bradou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas, como resposta, só conseguiu ouvir os passos se afastando cada vez mais. Enervado, levantou-se aos berros indo atrás do filho. Hiroshi parecia inerte a tudo que lhe ocorria a sua volta. A mãe lhe irritava, o pai também; por que nunca percebeu isso antes? Seria tão melhor que eles morressem de uma vez por todas! Os gritos do seu velho ficaram distantes de sua mente, ele abriu a porta da frente enquanto olhava para os bolsos, verificando se celular e carteira estavam ali. Quando foi avançar, deu de cara com Melissa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Estacou na entrada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Oi, Hiro! - Ela disse, sorrindo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – .... - Desviou o olhar, fechando o punho para conter aquela personalidade tão diferente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Que foi? Não vai me cumprimentar direito não? Vim ver como está a ferida na sua mão... Hah, seu pai está te chamando. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Foram os gritos do Senhor Hideo que o trazeram de volta àquela insanidade. Afastou Melissa com um empurrão e saiu pela porta da frente, deixando a garota abobada para trás, junto de seus pais, visivelmente preocupados com a atitude revoltosa do filho. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Que todos fossem para os ares! Quem pensavam que eram para gritar com ele!? Nem sabiam pelo que ele estava passando. E Melissa? O que diabos ela vinha fazer ali? Só de lembrar dela sentia os nervos aflorarem, afinal de contas, se não tivesse entrado na maldita estação ferroviária, talvez nada daqueles estranhos sonhos viessem a ele. Sentia que estava tudo interligado, simplesmente &lt;b&gt;sabia&lt;/b&gt;.  Garota persistente e chata, não entendia o porquê de tê-la como amiga, seria melhor se estivesse morta também! &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi respirou fundo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Já estava a tantas quadras distantes da casa que não ouvira nada da algazarra que ele criou no portão. O que ele estava dizendo? O que era toda aquela fúria? O garoto não era daquilo, não aquele que treinou por onze anos a filosofia de vida do Karatê, que aprendeu os cinco lemas e tentou segui-los tão fielmente. Era um homem disciplinado, de caráter e boa índole. Como pensou tão mal dos pais... e de Melissa? Ele era apaixonado pela garota! Vivera com ela por tantos anos e nunca se confessou por puro medo de perder a amizade que construíram com tanta perfeição. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Deixou o corpo apoiar-se no muro: Precisava relaxar. Esfriar a cabeça. Caminhou até o próximo ponto de ônibus que achou, e subiu na primeira condução que estacou-se a frente dele. Agora, um pouco mais relaxado, tentava ligar os fatos, compreender o que estava acontecendo com ele e um modo de voltar à normalidade. Percebeu que sempre que deixava a mente fluir livremente, os pensamentos começavam a se tornar malévolos e raivosos, como se tudo que ele era fosse por água abaixo. Tinha de se policiar. E, mais que isso, encontrar algo que o tirasse daquela pseudo-loucura. Olhou para a mão, o corte feito com a navalha dentro do quarto sujo estava estancado e envolto por gaze. O nipônico sentia extremo mal estar, sempre que direcionava os pensamentos para a cena, ou sempre que se concentrava demais na ferida. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Como fora companheiro de Melissa por todos estes anos, ele não duvidava de algo místico. De alguma coisa além do normal estando apossado nele, fora isso, ele não tinha nem certeza que Melissa estava bem. Ela não parecia na melhor das condições quando a deixou em casa. E, somado ao tormento que vivia, ainda havia aquela sensação de estar sendo observado. Como se os grandes olhos flutuassem a sua volta, olhando-o com graça e desdém. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tinha de entender o que estava se passando. Mas agora, só se preocupava em tentar esfriar a mente das visões, das dúvidas, dos sonhos e da insanidade. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Era uma plena segunda-feira de manhã, de modo que Hiroshi pegou um ônibus abarrotado de gente. Mas, conforme o veículo passava pelo centro e pelos pontos próximos às escolas, houve espaço suficiente para Hiro se acomodar num banco e apreciar a paisagem urbana que passava por seus olhos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Achou impressionante como o sul mato-grossense tinha uma tranquilidade para certas coisas. Mal havia começado a semana, e ele encontrara algumas rodas de amigos recém-despertas, sentadas na frente das casas, desfrutando da boa erva-mate gelada, popularmente chamada de &lt;i&gt;Teréré&lt;/i&gt;. Apoiou a testa no vidro e deixou que a imagem trocasse diversas vezes na frente de seus olhos. Até que finalmente, sentiu-se cansado demais para qualquer coisa. Um peso desceu sobre sua mente e o forçou a dormir novamente. A entrar no mundo dos pesadelos, no mundo cercado de &lt;b&gt;Olhos Vermelhos&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tobias enchia a boca com o pão quente que comprara no supermercado Comper, passava manteiga rudemente sobre as bordas, mordendo-a em seguida, e fazendo questão de mastigar com a boca aberta. A outra mão brincava com a pequena lasca de diamante suja e empoleirada, símbolo que pertencia à Liga. Seus olhares, que normalmente estavam voltados para a televisão, estavam fixos no seu discípulo aplicado. Havia poucos segundos, ele havia ligado novamente para um advogado da família. Já tinham sido inúmeras ligações naquela semana, alguns para o advogado dele, e algumas para alguém que Felipe chamava de Risada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas agora, o jovem aprendiz de magia negra se encontrava sentado no sofá, com a cabeça pendendo para trás, apoiada no acosto do móvel. Seus olhos novamente brilhavam num vermelho intenso, e um sorriso novo era esboçado nos lábios. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Olá, minha presa. Hora de provocá-los com o que tem a oferecer novamente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Não! De novo não! Mas o que diabos estava acontecendo com minha mente!? Não conseguia mais compreender nada! Meus pés se moviam sem que eu precisasse fazer muito, eles se afastavam do nada para ir ao nada por puro desespero. Correr no meio daquele deserto sem fim, para onde já tinha ido uma vez. Tudo por causa de uma maldita assombração ou coisa do tipo! Não... Eu não queria vê-las novamente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ouvi um riso e um sussurro dentro da minha mente, algo como um “Hora de provocá-los... novamente”. Tremi nas bases, era aquela voz que assoprava em seu ouvido e atiçava sua raiva, era aquela presença que o irritava, que o enchia de pavor e rancor. A terra tremeu e um chiado eu pude ouvir a distância. Não... eles estavam vindo novamente...&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ei! Garoto, acorda! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi levantou-se de súbito com o cutucão. O cobrador estava de pé ao seu lado, parecia que já estava tentando acordá-lo faz um bom tempo, dado a cara enraivecida que tinha. Mas Hiroshi não adormeceu, tinha certeza de que aquele súbito sono não era algo normal. Afinal de contas, mal fechou os olhos para a realidade e entrou naquele mundo surreal, onde fora novamente torturado e dilacerado pela presença das criaturas macabras. Naquele momento, parecia até mesmo que o cobrador lhe era um salvador, que o tirara das garras do mal. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Já demos duas voltas de rotina. Vamos voltar para a cooperativa agora, guri. Você dormiu o tempo todo, sorte que ficou do lado da catraca, e eu pude cuidar pra que ninguém botasse a mão nos seus bolsos. Até tentei de acordar umas vezes, mas você pareceu ter morrido aí! Desce agora que é o último ponto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Uma fagulha de raiva lhe subiu o peito, aquele velho senhor de pele escura estava o expulsando do ônibus. Aquela raiva anormal, ele começava a notar agora as anomalias que lhe atarracavam desde a aventura com Melissa: Sonhos loucos, Ódio incontrolável e aquela sensação de que alguém o estava espiando a cada passo.  Conteve e apagou o fogo de rancor em seu peito e desceu do veículo de cabeça baixa. Demorou alguns segundos até a curiosidade lhe tomar contar, e ele levantar o rosto para ver onde estava. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A estrada estava destruída, grandes rachaduras rompiam o cimento, junto das falhas tentativas de tapar alguns dos grandes buracos que se seguiam na pista. A calçada era de terra marrom e ele podia ouvir os gritos aqui e acolá. Acabou parando num bairro pobre de Campo Grande. Um sorriso lhe envolveu a face quando viu os casebres em volta. O prefeito ainda dizia que aquela era uma cidade sem favelas. Ótimo, não haviam favelas, mas a situação continuava precária. O Sorriso esmoreceu segundos depois, quando parou para analisar a própria situação. Estava largado num bairro que, até o momento, nem fazia idéia de qual era. A recepção dos marginais de regiões como aquela com gente de fora – fora o fato de ser nipônico e usar roupas boas – não era das mais apreciadas. Loucura! Tinha que falar com a Melissa logo, perguntar para a desgraçada o que ela tinha feito com ele naquela tarde. Vai ver o fantasma que ela procurava tava estava montado em seus ombros. A raiva tomou conta de sua mente novamente, o deixando isento de raciocinar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ As duas senhoras passaram de cabeça rápida e passos rápidos por ele. Alcides sorriu com a reação delas, aquilo mostrava o quanto já era respeitado pelos arredores do Tiradentes. Também, não era para menos, não passava dos quarenta, e era conhecido como o matador de maior eficiência. Ele tinha prazer na profissão que exercia; sendo contratado por traficantes, ameaçando vidas, extorquindo dinheiro e matando pessoas. Era experiente, não matava com pistola, dava muita trela. O facão que sempre usava era sua companheira fazia mais de dez anos, já tinha passado ela pela garganta de tanta gente que sangue seco já era decoração da lâmina. Por sorte, também, os jornalistas e policiais eram burros ou subornados; só a família dava por falta de um filho ou um marido que não voltou nunca mais. Dias depois, os entes apareciam na televisão, dando-os como desaparecidos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Nunca esperavam que eles já estivessem em cinzas e jogados em algum canto da mata alta, acabavam sendo mal-interpretados. “Fugiu com a vizinha”, falavam uns. “Foi se droga por aí”, falavam outros. Mas mal sabiam que todos tiveram o fim no mesmo facão.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Alcides ainda não tinha entendido o porque de ter acordado cedo, talvez fosse por não ter bebido na noite passada, ou por não ter traçado alguma garota charmosa do bairro. Agora estava ele ali, sentado com as pernas esticadas em frente à sua casa. A construção era a maior das quadras ao redor, única com um quintal e sobrado até bem cuidados, embora ainda demonstrando precariedade de cuidados. O movimento era murcho, a maioria das pessoas do bairro tinham ido para o centro, ou seja lá para onde, tirar o ganha-pão. Ficando ali apenas os aposentados, as donas de casa e os vagabundos. Nada muito bom a se apreciar.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Já estava para fechar os olhos e tirar um breve cochilo, quando a figura lhe chamou a atenção. Um japonês cruzava a calçada, do outro lado da rua. Em toda a sua vida, Alcides só tinha visto um ou dois nipônicos no bairro, e nunca a pé. O jovem parecia rico, tinha roupas bonitas e falava ao celular, também aparentemente caro. Mas o que mais chamava a atenção nele, exceto o fato de ele simplesmente estar ali, era a feição. Ele esbanjava raiva e indignação a tudo em volta, uma face fechada que fazia as pessoas desviarem dele na rua. Alcides sentiu um calafrio lhe passar pela espinha, a primeira vez em muito tempo. Era... Medo? Impossível. Pousou a mão na cintura, onde estava o facão e agradou saber que estava ali. Hora de brincar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O sono e o tédio haviam partido, levantou-se e cruzou a rua em passos mais que rápidos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Mas que porra toda é essa? - Tobias, truco como era, observava abismado àqueles homens parados na frente dos carros estacionados na avenida Calógeras, em pleno horário de pico. Eram três vans, duas brancas e uma preta; e, na frente delas, vários trogloditas e mau-encarados olhando para Felipe. O garoto, por sua vez sorria. Voltou-se para o seu mestre. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Contratei-os. Eu acho que em breve os magos da Liga estarão por aqui. Não quero arriscar nada. Eu sei que eles serão a próxima refeição após a Isca se esvair, mas são perigosos demais para simplesmente ignorarmos a existência deles até chegada a hora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O velho gordo coçou a barriga. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tu acha que esses palermas seguram aqueles caras? Tá muito louco. Só cara de bandido não faz nada, Guri. Já te falei deles, te falei muito, antes de a gente bolar essa joça toda. Sabe quem são.&lt;br /&gt;ㅤㅤ – As vans estão cheias de munição de alto nível, trazidas do Paraguai. - Ele disse num sussurro para Tobias. - Podem não ser o suficiente, mas vão quebrar um belo galho caso qualquer coisa acontecer. Não concorda com isso? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Apertava insistentemente a lasca de diamante no bolso do short velho e abarrotado com a outra mão. Deu alguns passos de um lado para o outro, como se imaginasse as estratégias do menino que ele ensinara. Ali estava a explicação de tantos telefonemas nos últimos dias, antes mesmo de marcada a Isca, a Presa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Como conseguiu grana pra juntar isso tudo? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Meus pais &lt;i&gt;curiosamente&lt;/i&gt; entraram em estado vegetativo durante um passeio. - Ele sorriu, desviando o olhar para a rua que agora borbulhava de carros. - O advogado me ligou, e, como único herdeiro, assumir temporariamente o controle das finanças. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tobias sorriu. Realmente, apenas Felipe servia para ser seu aluno. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Aproveitou do laço espiritual entre você e seus pais para mandar eles pra outro plano, mantendo os corpos. Mas que filho-da-puta você é. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não tanto. Estão no limbo, perdidos, largados. Melhor que se mandasse-os para o inferno. Aquilo deve estar uma algazarra ainda pior com a liberação da Isca. E, também, não quero assombrações em cima de mim, por causa do destino que dei a eles. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O velho se dirigia para dentro da pobre loja de calçados velhos e sentou-se na cadeira de cordas de plástico no fundo, mantinha um sorriso torto e amarelo na face. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tá ótimo, então, guri. Faz o que tu quiser por enquanto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe avançou no meio dos trogloditas contratados e acomodou-se no passageiro da primeira van. Os homens entraram em seguida, cada um tomando sua posição nos carros alugados. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vou atrás da Isca, agora. Chega de deixar ela solta por aí. Ele morto agora não ajuda em nada, só vai atrasar nossos planos em alguns meses ou anos. Precisamos agir agora, ou os malditos da Liga podem querer interferir no meio termo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Azaias já estava naquele estado por mais de meia hora. Seus olhos abertos com as órbitas viradas eram inconstantes, assim como os lábios tremiam enquanto palavras baixas e sem nexo soavam dele. Vez ou outra, soltava um grito ou dois. Gente sensitiva, veria em volta do grande negro, uma aura púrpura tão densa que quase engolia-o por completo. Dimitri dirigia o carro alugado por Vicente antecipadamente. A van estava esperando no pequeno aeroporto de Campo Grande, fora questão de minutos até que ali estivessem. Seguido pelo GPS embutido no carro, Dimitri seguia rumo ao centro da cidade, o Jandaia Hotel marcado num ponto vermelho piscando na pequena tela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O terno negro do mais alto da liga estava impecável, assim como ele permanecia imóvel, deitado na última fileira de bancos da Van. Vicente estava na primeira fileira de bancos, logo atrás do pálido russo, que dirigia. Seus dedos batucavam com cerca velocidade o couro do assento ao lado. Ele parecia o mais tenso, perto da inexpressão normal de Azaias, ou da tranquilidade incrível de Dimitri. Respirou fundo e olhou para trás, Marco mexia no &lt;i&gt;laptop&lt;/i&gt; concentrado em algo interessante para ele; ao lado estava o pequeno Romanov, deliciando-se com um suco de caixinha que Dimitri comprara para ele no aeroporto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ As batucadas dos dedos aumentaram de ritmo e então pararam subitamente. Vicente deu um tapa no assento e decidiu livrar-se logo de toda aquela tensão. Só tinha de fazer algo, pressentia que precisava agir. Tobias e seu discípulo faziam alguma coisa. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Bateu no ombro de Dimitri. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Pare o carro assim que puder, Dimitri. - A fala tragou a atenção de todos na van, exceto de Azaias, ainda em transe. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O que pretende? - Rebateu o motorista. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu e Marco vamos ir atrás de Tobias, assim poupamos tempo. Eu sei de um jeito com o qual podemos localizar o velho gordo. Acho que ainda estamos na cola dele. - Vicente olhou para trás, vendo os pés para fora do assento no último banco. - Também tenho total certeza que eles já marcaram a Isca. A Presa. Só esperem a confirmação e as informações que Azaias tenta extrair com os espíritos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A van estacionou num espaço vago na avenida Afonso Pena. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Assim que souberem onde está a Isca, vão até ela. Dêem proteção e vigilância, e tentem fazer algo para retardar o processo de consumo da alma dele; mas, não soltem mais informações do que o necessário. Eu e Marco, assim que acharmos o velho, tentaremos descobrir qual dos dois foi o invocador do rito. Tendo essa certeza, tentaremos um rapto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Rapto!? - Marco quase deixou seu aparelho cair. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sim. - Disse olhando o discípulo. E logo em seguida voltando seus olhares para Dimitri, antes observando a inexpressão de seu filho. - Precisamos agir em conjunto, em tempo ágil. Acho que estamos em cima da hora, enrolamos demais para nos reunirmos para vir aqui. Eu vou indo então... &lt;br /&gt;ㅤㅤ Pegou uma maleta prateada grande abaixo do banco, foi em direção a porta de passageiros da van e tentou abri-la. Trancada. Olhou para Dimitri, que lhe devolvia com um olhar um tanto mais sério que o comum. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O que foi? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vicente, o que descobriu e está escondendo? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Nada, é apenas pressentimento... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não me engana. Diga logo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O grisalho fitou o descendente de russo por alguns bons segundos, sem alterar a séria expressão que sempre lhe tomava a face. Entretanto, subitamente soltou um suspiro e desviou o olhar, colocando sobre o banco onde estivera sentado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Invoquei um deles dentro de minha alma, quando cochilava no avião. Ele estava tão cheio de energia e empolgado que quase não consegui contê-lo dentro de mim. Olhos Vermelhos, Dimitri, eles já estão com o rito em andamento. E, presumo, que a Isca já deva estar bem fraca. Chuto que é o discípulo quem está fazendo o rito. Uma vez que, quanto maior a jovialidade e a energia, mais rápido o rito procede. O velho Tobias tem mais experiência, mas o rito demoraria bem mais para ser feito, se ele usasse de seu corpo acabado.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Romanov ajeitou-se em seu banco, dando passagem para Marco, que carregava a mochila com seu &lt;i&gt;laptop&lt;/i&gt; nas costas. O discípulo parou ao lado do mestre, com as costas encurvadas, e olhou para Dimitri, que parecia processar os fatos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Precisamos agir, Dimitri. - Vicente finalizou o monólogo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A porta destravou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vê se não cai na cilada deles, Vicente. - Disse Dimitri. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Até logo. - Romanov emendou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Fiquem atentos aos seus celulares, ligarei a qualquer momento para pedir ou mandar informações. Quero terminar isso em menos de dois dias, embora acho que tenhamos menos tempo que isso para nos virarmos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Vicente saiu, carregando a maleta prateada e Marco desceu atrás dele. Olhou uma última vez para Dimitri e acenou com a cabeça, antes de fechar a porta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mal se passaram cinco minutos desde que saíra da vaga na Afonso Pena, a voz ecoou vinda do fundo do veículo. Romanov, quase sempre quieto e calmo, aparentemente assustou-se com a voz. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Esqueçam o hotel. Precisamos agir. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Azaias levantou-se, passando a mão pelo cabelo raspado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Onde está Vicente e o garoto dele? &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tentou ligar pela trigésima vez para alguém pelo celular. Aparentemente, estava fora de área, o que contribuía para o rancor do jovem aumentasse ainda mais. Hiroshi virou a esquina, nem observava por onde andava com sua caminhada apressada, talvez estivesse andando em círculos e nem sabia. Estava mergulhado em pensamentos, que vinham um após o outro, sem dar a ele tempo para fazer mais nada direito. Imaginava como sairia dali, por onde começaria a achar a solução para a perturbação que sentia, que tipo de esporro daria em Melissa pelo grande presente que ela lhe dera, que tipo de assombração estava montada em cima dele.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tão compenetrado em suas dúvidas, mescladas à raiva, ele estava, que nem ao menos percebia os gritos do homem que estava quase aos seu calcanhares. Quando finalmente pôde voltar um pouco para a realidade e encarar a sombra que se formava às suas costas, virou-se, dando atenção as berros nada suaves. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Garoto filho-da-puta! Não me ouve não!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ A figura de Alcides assustaria qualquer um; era um moreno alto e de musculatura definida, olhos de gente sofrida ele tinha, além das duras feições que lhe esculturavam a face. Entretanto, o medo pareceu minguar dentro dos sentimentos de Hiroshi, só havia espaço para raiva, rancor e ódio. &lt;br /&gt;ㅤㅤ O rapaz observou Alcides de cima abaixo, com desdém, e logo em seguida virou-se, voltando a caminhar, mergulhando nos próprios pensamentos mais uma vez. Estava claramente perturbado. O matador de aluguel sentiu o sangue subir o corpo e sua face esquentou de uma única vez: Ninguém nunca o tratava daquela forma. Segurou o garoto pelo ombro e deu um forte puxão, enquanto a outra mão pousava sobre o facão. Mas não teve tempo de reagir, Hiroshi virou-se, usando da força do próprio Alcidez como impulso e virou com o braço já se projetando para frente. O soco encaixou-se perfeitamente no nariz do matador, que tombou para trás de uma única vez. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Filho da.... &lt;br /&gt;ㅤㅤ Agora, ele também parecia mover-se por ódio. A situação invertera-se de um modo completamente inesperado para Alcides; era ele quem devia estar ameaçando, causando dor e medo ao garoto, não o contrário. Pelo único soco bem colocado e doloroso que sentira, definiu que o japonês não era um alguém qualquer, ele sabia lutar e usava disso sem escrúpulo algum. Já estava para se colocar de pé, já com o facão em mãos, quando o chute acertou seu estômago, tirando-lhe o fôlego e o fazendo cair novamente no asfalto de terra. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Para Hiroshi, agora estava num mundo completamente surreal. Tudo o que podia ver eram &lt;i&gt;flashes&lt;/i&gt; de visões que ele era para estar vendo nitidamente. Novamente perdera o controle do corpo, novamente sentia sua alma definhar e perder a força para assumir o mundo material. Mas o que mais o assustava era o pouco que enxergava. Via-se batendo num mulato grande e parrudo, de relance, pudera ver que carregava uma arma, algum tipo de faca. Hiroshi nunca reagiria assim, o Karate lhe ensinara a saber quando reagir: Apenas em situações de extremo risco. Ele poderia ter fugido do grandalhão, claramente era mais leve e rápido que o gigante, mas lá estava, montado sobre o corpo pesado dele, o contendo e enchendo o maluco de golpes atrás de golpes. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Alcides urrava de raiva, seus olhos percorriam rapidamente o que acontecia a volta. E podia ver a face de donas-de-casa assustadas com a posição humilhante na qual o maior matador das redondezas se encontrava. E realmente, sentia-se humilhado. Queria esmigalhar o japonês ninja que achara, mas o peso dos joelhos dele estavam caídos sobre seus braços, e o corpo dele pressionava o do mulato, o impedindo de fazer mutia coisa senão levar golpe atrás de golpe. Seu rosto já sangrava aos montes e o nariz estava quebrado, imaginava até se algum dente tinha saído do lugar. Pelo menos, o nipônico não estava ileso. Hiroshi sangrava no braço e na perna com dois grandes cortes do facão de Alcides, além de vários pequenos arranhões e cortes num pequeno combate antes de domá-lo. O assassino entendeu que estava naquela posição pela sua própria burrice, por ter subestimado e ter feito graça do moleque sem ter se precavido. Em situações normais, já teria desmembrado o rapaz e enterrado cada parte dele em lugares separados. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas, mesmo tentando sobrepor a lógica por cima da humilhação que sentia, ele ainda tinha de confessar uma única coisa: A feição do moleque não era normal. Os olhos dele expressavam pura raiva e ódio, como se ele nunca tivesse amado nada em sua curta vida. E Alcides conhecia olhos de rancor, ele mesmo tinha os dele; mas nada eram perto da raiva contida no garoto, em cada soco que ele disparava. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Apagou aqueles pensamentos, não era hora de filosofar sobre os pesadelos da vida. Mexeu as mãos dormentes pela falta de sangue bloqueada pelos joelhos pesados de Hiroshi, o facão não estava mais ali. Contudo, ainda tinha seu último recurso, ainda podia pegar o coldre da pistola enganchada no seu short, na parte de trás. Só uma bobeira de Hiroshi, e fim de jogo. Até lá, ficava resistindo aos golpes dele. Parecia que, quanto mais raiva ele continha, menor era a técnica nos socos. Os primeiros eram raivosos e precisos, socos de artistas marciais, mas agora, socava pior que os moleques de rua, só se aproveitando dos músculos dos braços. Sentiu o joelho esquerdo do garoto levantar-se um pouco, num ato de fúria para um soco que o pegou na têmpora, aquela tinha era sua chance. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Puxou com tudo seu braço e deixou o garoto desequilibrar-se em cima de seu corpo. Tempo suficiente para puxar agora o outro braço e ver-se livre do moleque montado em seu peito. Fechou os punhos e desferiu dois potentes socos contra ele, fazendo Hiroshi cair para trás e rolar no chão, ralando braços e pernas. Alcides levantou-se com velocidade, já puxando a pistola do coldre e apontando para o nipônico. Os olhos arregalaram-se quando viram que ele já não estava onde tinha caído. Ouviu um barulho na esquerda, virou-se apontando a arma, mas não houve tempo. Hiroshi salto para cima dele, afundando o facão no peito de Alcides, que disparou as armas para pontos desconexos do céu. Sentiu o corpo perder a força, ao mesmo tempo que uma dor que nunca antes sentira assomava seu corpo. Estava morrendo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ A clareza começou a voltar à mente de Hiroshi. Via-se caído sentado sobre o peitoral de um homem gigantesco, fitou o rosto do homem com calma, enquanto seu próprio peito arfava loucamente. Começou a recordar-se das visões que estava tendo no seu momento de fúria, aquele era o mulato contra quem lutava. Levantou as mãos, colocando-as em seu campo de visão. Estavam empapadas de sangue. Sangue que não era dele. Mais uma vez, um cansaço descomunal tomou-lhe a mente. O sono terrível que o levaria para o terror do deserto dos demônios. Seu corpo bambeou de um lado para o outro; até cair, cansado e sem os sentidos na terra da calçada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ A moto já tinha ido para a oficina por causa de um problema no motor. Mas não havia do que Carlos reclamar, afinal, pagara uma pechincha no veículo. A tarde de segunda sempre era agradável para ele, um dia de descanso após a loucura de três dias trabalhando incessante na Feira Central. E, naquela tarde em especial, lá estava ele, andando com sua moto recém-adquirida. Deixava o vento passar no rosto, deixando a sensação de frescor levar embora os minutos gastos no pequeno passeio pelo bairro. Alguns conhecidos gritavam ao longe, acenando para ele e dando-lhes os parabéns pela nova moto; pessoas queridas, amigos de infância com quem vivera muitas das loucuras que os moleques daquela classe social aprontavam. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Virou a esquina, para voltar para casa. Em breve, o almoço já estaria na mesa. Passou de relance por uma ruela aonde não entrava muito e viu, ao longe, algumas pessoas aos berros e outras correndo em direção a um mesmo ponto na calçada, no meio da quadra. Movido pela pura curiosidade, virou na ruela e aproximou-se diminuindo a velocidade. Pôde distinguir dois corpos caídos no chão. Um sobre o outro. O de baixo, parecia ter uma faca enfiada no peito e criava uma grande poça de sangue abaixo dele, enquanto o de cima, mais peculiar ainda, tinha pele branca e não parecia nem de longe daquelas redondezas. Desceu da moto e abriu caminho pelo pouco de gente que crescia a cada novo berro dado. Estacou imóvel e sem reação ao ver o rapaz ali. O grande mulato caído era o Alcidão, matador de aluguel temido na região, morto pelo próprio facão que usava como ferramenta de trabalho. Entretanto, não era nem o velho alcides que lhe chamava a atenção. O pior, era aquele que estava desacordado acima dele. O que diabos Hiroshi, o filho do patrão e amigo de conversas rápidas, fazia ali!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-43795323953631687?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/43795323953631687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-9.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/43795323953631687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/43795323953631687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-9.html' title='Olhos Vermelhos - Capítulo 9'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-2302955765229629219</id><published>2010-08-28T10:11:00.000-07:00</published><updated>2010-08-28T10:12:24.162-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olhos Vermelhos - Capítulos'/><title type='text'>Olhos Vermelhos - Capítulo 8</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;VIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ De alguma forma, Hiroshi sabia que estava sonhando. Que aquilo não era a mais pura realidade. A temperatura ali parecia ser muito alta, cinquenta graus, talvez mais. Nunca tinha provado de tanto calor antes. Seus olhos abriram-se lentamente, tentando definir formas e ganhar foco, sentou-se e coçou-os com força. Só conseguiu voltar a enxergar alguns segundos depois, quando já se colocava de pé. E quando finalmente pôde observar a paisagem, o nipônico se arrependeu da pressa que teve. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Estava no meio de um grande desertor, ou algo do tipo. O chão mesclava areia negra e areia branca, fazendo do chão um mosaico surreal. No céu não havia sol, entretanto, um brilho vermelho-sangue trespassava as nuvens negras que acobertavam tudo acima do horizonte. No solo, Hiroshi podia ver algumas poucas árvores dispersas aqui e acolá, mas nenhuma tinha sequer uma folha. Estavam secas e retorcidas. Limpou o suor da testa e começou a caminhar. Aquilo só podia ser um sonho, mas estava tão real que não parecia ser um.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Minutos, horas, segundos; Hiroshi já não sabia definir exatamente por quanto tempo caminhava, a infinidade de areia parecia brincar com com ele, deixando-o caminhar à deriva, sem esgotar suas energias, mas cansando seu psicológico. Depois de muito tempo – ou, o que supôs Hiroshi – ele finalmente perdeu a força de vontade de continuar seguindo. As pernas bambearam e falharam, deixando os joelhos tombarem ao chão, seguidos do resto do corpo. As roupas estavam encharcadas de suor, e ele podia sentir a areia pinicar a pele conforme seu corpo chafurdava mais e mais no solo. Começou a bolar com mais calma as hipóteses de como estar ali. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Centenas delas surgiram, algumas completamente malucas, e outras com um pouco mais de nexo. Mas nenhuma era tão convincente quanto a de que estava sonhando. Seus pensamentos iam e vinham, Hiroshi tentando sempre inventar uma nova teoria sobre como chegara ali. Perdeu mais uma eternidade toda perdida no mundo de sua cabeça, só foi puxado de volta para a realidade com um leve ruído. Parecia com um chiado. Um chiado que vinha de longe e de todas as direções. Levantou a cabeça e direcionou seu olhar para todos os lados, o som parecia aumentar, mas nada aparecia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Agora, o chiado parecia mais com uma gigantesca televisão com caixas de som grotescas, colocadas sem sinal perto do seu ouvido. O barulho era tão alto que quase não sobrava espaço para ouvir os próprios pensamentos, que segundos antes eram tão claros. Fechou as mãos em volta dos ouvidos e encolheu-se na areia em posição fetal, comprimindo também a boca e os olhos, como se isso ajudasse a anular o som. Não demorou mais alguns segundos para o solo começar a tremer. No começo, algo fraco e quase imperceptível, mas que em curto espaço de tempo, cresceu a ponto de parecer um terremoto de larga escala. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi abriu os olhos para ver se agora tinha algum sinal de mudança no cenário. Assim que conseguiu definir sua visão, ele perdeu o fôlego. Ficou olhando, atônito, para aquela onda negra terrível. Uma gigantesca nuvem vinha por todas as direções, tampando o céu e colocando no lugar dele, milhares e milhares de pares de olhos vermelhos. Cada qual pertencente a um pequeno diabrete, demônio, ou seja lá o que era aquilo. Tinham o tamanho de cachorros de médio porte, formato de morcegos, olhos chamejantes e garras prateadas que refletiam o brilho do olhar. Mas, a pior observação que o japonês teve, é que todos eles se focavam num único centro: Ele. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Não havia nem ao menos para onde fugir. Para todos os lados, via a nuvem negro-avermelhada acobertar o céu. Encolheu-se na areia e pôs as mãos em volta da cabeça. Agora o som era ensurdecedor, Hiroshi não conseguia pensar em mais nada, só tinha medo, temia pela própria vida. Seja lá o que fosse aquilo, só estava piorando. Os demônios agora começavam a voar em círculos a sua volta, eram milhares, de modo que ele se sentia no centro de um tornado assassino, mas nenhum ousava atacar. Os grunhidos que eles soltavam pareciam expressar desdenho e graça de seu medo. Como se, caso ficassem voando ali por horas, Hiroshi ficasse gritando feito uma menininha para eles. Ele até poderia mudar de atitude, futuramente, mas agora estava preocupado demais com a própria segurança, encolhido próximo a areia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ E foi então que, sobreposta a toda aquela algazarra, Hiroshi ouviu a voz maníaca e sácida na sua mente. Risadas, alguém ria de seu medo, alguém achava graça do modo como agia. Não era como aqueles demônios, era algo ainda pior. Sentia a voz soar dentro da própria cabeça, e podia vê-la em partes. Um par de olhos em brasa engolia sua mente de dentro para fora. Abriu os olhos para o terror a sua volta, os demônios, todos, de uma vez, investiram contra ele. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – HAAAAAAAH! - O nipônico gritou, imediatamente caindo da cama. A camiseta estava encarda de suor e o peito subia e descia desregulado. Que maldito pesadelo era aquele!? Seus olhos e sua mente estavam ativos, não aparentava ter dormido, apenas aparentava ter piscado os olhos, e agora estava de volta ao seu quarto. Estabilizou a respiração, e logo depois passou a mão na testa, limpando o suor que também o enchia ali. Levantou-se do chão, precisava tomar algo antes de voltar a dormir, tirou a poeira das pernas e já ia rumar na direção da porta quando os olhos fixaram-se na janela. Ali, do outro lado do vidro, postava-se mais dois pontos brilhantes, um diabrete arranhava o vidro freneticamente, tentando adentrar o quarto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ As garras, o olhar, a pelagem, a forma; tudo era idêntico, aquilo era uma das feras que o atazanara no sonho. Mas agora, aquilo era real. Ou aparentava ser bem mais real que o sonho.  Perdeu tanto tempo olhando abobado para a janela que a criatura teve finalmente a força necessária. Arremessou as garras contra o vidro e rachou-o, formando um mosaico tendo como centro o local do golpe, em seguida jogou seu corpo contra a barreira. O demônio caiu sobre os cacos de vidros, no chão do quarto de Hiroshi, que instintivamente afastou-se na direção da porta, sem desviar o olhar da criatura. Ela levou alguns segundos para se levantar, atordoada pelo golpe, e depois, virou-se na direção do nipônico. Esboçou um sorriso grotesco e avançou na direção dele com um salto. Hiroshi interceptou a criatura em pleno vôo, um chute bem dado trespassou o monstro e o transformou numa nuvem negra que desapareceu um segundo depois. Nunca pensava que poderia usar seu Karatê contra algo que não fosse humano. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ficou olhando, abobado, para o nada, exatamente onde o diabrete estava. Tão fácil? Não poderia ser. Tinha de fazer alguma coisa, contar para alguém. Pensou nos seus pais, dormindo no quarto abaixo. Mas descartou a idéia de imediato, queriam ele, não valeria a pena arriscar entes queridos. As idéias sumiram quando ouviu grunhidos e sentiu um golpe trompar-se na porta do quarto. Estaria encurralado se ficasse ali. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Certo... Hora de retribuir ao sono perdido. - Comentou para si mesmo. Abriu a porta de uma vez, fazendo com que dois diabretes tombassem juntos aos seus pés. De uma única vez, deixou seu corpo cair sobre eles, e mais dois se tornaram nuvens negras. Saiu para o corredor e perdeu o fôlego com a visão. Aparentemente, aquelas criaturas só tinham fraquezas a golpes originados dele, afinal de contas, elas haviam destruído grande parte dos móveis, janelas e tablados do segundo andar. Não tardaria muito para seus pais subirem as escadas e derem de cara com os bichanos. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Tomou fôlego, era quase um ato suicida, mas a única idéia que estava tendo. Avançou contra a horda de figuras negras, desferindo socos, pontapés e trombões à torto e à direito. Uma a um, eles foram desaparecendo. Sentiu cortes se formarem por todo o corpo, as garras e presas das criaturas se fincando e relando em sua pele, abrindo sangramentos aqui e acolá, mas mesmos assim, estava na vantagem. Ganhava das criaturas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A última delas se tornou um vulto negro e dissipou-se em seguida. Hiroshi tombou, arfante, no canto do corredor. Já haviam se passado alguns minutos, mas os pais não vieram até ele. Onde estariam eles? Estava cansado demais para continuar, os cortes ardendo no corpo inteiro. Olhou para o corredor todo destruído, soltou um suspiro desconsolado. Aquele tipo de coisa estranha nunca aconteceu com ele, sempre com Melissa. Por que logo agora ele era avítima? E de algo tão monstruoso quanto aquelas criaturas? Fechou a boca e se arrependeu do que dissera, melhor ele do que Melissa. Os olhos arregalados procuravam um culpado, mas não achavam nenhum. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Um formigamento lhe subiu pela mão, e ele olhou para o corte nela. Aquele não fora provocado pelos diabretes. Era aquele corte que fez no fim da tarde, quando devia estar protegendo Melissa. Quase sem que ele mesmo notasse, começou a associar um fato com o outro. Sentia do fundo da alma que tudo aquilo estava interligado. E que coisas ainda piores estavam a vir. Mas, naquele momento, estava cansado demais para fazer qualquer coisa. Fechou os olhos, tinha de descansar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-2302955765229629219?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/2302955765229629219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-8.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2302955765229629219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/2302955765229629219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-8.html' title='Olhos Vermelhos - Capítulo 8'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-7521784240360152249</id><published>2010-08-28T10:09:00.000-07:00</published><updated>2010-08-28T10:11:46.193-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olhos Vermelhos - Capítulos'/><title type='text'>Olhos Vermelhos - Capítulo 7</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;VII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos, Dimitri, o que custa falar? - Insistiu Marco. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ora, mas esse moleque não recebeu educação? - O albino, claramente irritado, virou-se para o mestre do jovem. - Você bem que poderia dizer para ele que, quando uma pessoa não quer dizer algo, não se deve ficar pedindo tanto.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Vicente limitou-se a abrir um sorriso com os atos de seu pupilo. A viagem até Campo Grande duraria mais três horas, considerando que ainda tinham de pousar em Curitiba, para pegar alguns itens que estavam guardados num banco da cidade. Dimitri teria de ceder, ou a falação continuaria. Estavam num luxuoso jato particular, contratado por Vicente para levá-los, não havia como fugir das constantes perguntas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não é nada de mais, Dimitri. Só estou perguntando porque mora com um casarão daqueles, dentro de uma favela. É muito estranho, não tem nexo, sabe? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É um filtro. - Finalmente confessou o russo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Filtro? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Exato. Para que meus clientes me procurem, eles precisam realmente estar interessados em meus serviços. Não posso aceitar qualquer trabalho, ou minha... Reputação cai. A Favela funciona como um filtro, afinal de contas, os moradores dizem que rico que sobe o morro geralmente nunca mais desce. É só um capricho meu, que acaba por selecionar melhor aqueles que me contratam. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hah. Entendi. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Certo, Marco. Venha aqui agora. Chega de importunar o Dimitri. - A voz de Dimitri soou, no assento da frente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Importunar? Ora, nem é para tanto... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Venha logo, Marco. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tá certo, Chefia. Tá certo.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ E, relutante, o discípulo &lt;i&gt;hacker&lt;/i&gt; voltava ao seu lugar. Dimitri suspirou aliviado, levando os olhos para o resto do avião. Azaias continuava sentado na cadeira mais a frente, um gigante negro montado num terno de mesma cor, ele continuava o mesmo desde que Dimitri o conhecera, tantos anos antes. Virou-se para o lado e viu seu filho sentar-se no assento ao seu lado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Papai. - O garoto disse, na voz baixa e suave. - Porque ele é... assim? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Relaxe, Romanov. É apenas uma característica marcante da Liga dos Diamantes. Quase todo discípulo tem características marcantes, ligadas à magia que praticam e aos próprios mestres. Quando Vicente era jovem, ele era muito parecido com Marco. Mas agora, parece que se acalmou um pouco, como se os anos lhe tirassem o aparente vigor. Eu também... Era muito parecido com você, em sua idade. E meu pai, semelhante ao que sou agora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O vovô era um bom mago? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sim. Eu acho que já lhe contei: Ninguém sabe exatamente quando nossa linhagem adentrou a liga. Mas desde que nós começamos a praticar a magia, nos saímos muito bem em nossos papéis. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hm... - Romanov concordou com a cabeça. E pareceu pensar, por alguns segundos, antes de voltar seu olhar ao mestre. - O que exatamente é Olhos Vermelhos? &lt;br /&gt;ㅤㅤ A feição no rosto do tranquilo Dimitri desfez numa cara com um semblante um pouco mais sério. Olhou para Vicente, que o observava atentamente no banco da frente, e aguardou até que o amigo lhe confirmasse com a cabeça. Assim que recebeu a resposta positiva, voltou-se ao filho. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Veja bem, nós somos especialistas em conexões de almas. O Azaias, ali, é mestre em invocar e conversar com espíritos, foi graças a um desses que descobrimos sobre os planos de Tobias, alias. O Vicente e Marco sabem... - Vicente balançou a cabeça negativamente. - Bem, eles são peritos em invocações. Agora, tendo essas exemplificações, você imagina no que Tobias e seu novo discípulo são mestrados? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tobias tem a capacidade de abrir portais entre os planos. Terra, Limbo, Inferno, Paraíso. A magia do velho gordo é poderosa. - Dimitri afagou os cabelos claros do filho. -  Será que agora, você consegue entender o significado de Olhos Vermelhos? &lt;br /&gt;ㅤㅤ Romanov esboçou um curto sorriso e meneou a cabeça. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Um filho esperto você tem, Dimitri. - A voz grave e seca de Azaias surgiu, como se ecoada por todos os lados. O albino virou o rosto na direção do negro e sorriu. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É, eu sei. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Amaro saltou na cama, a respiração desregulada e o corpo molhado de suor mostrava o quanto ele estava assustado. Ele tinha aqueles sonhos ruins com frequencia, mas o que eram aqueles últimos? Que loucura era aquela que ele estava presenciando? Algo de muito perigoso estava acontecendo  por perto, e ele sentia isso todas as noites. Pôs os pés no chão e levantou-se da cama, tomando cuidado para não acordar sua filha Luana, que dividia o pequeno quarto com ele. Ligou a luz da sala onde recebia seus clientes e passou para a cozinha, precisava tomar um copo de água. Olhou, triste, para sua casa durante a pequena caminhada. Ele precisava de dinheiro, precisava dar uma vida um pouco melhor para sua filha que já estava se tornando uma moça. Precisava dar a ela uma vida longe daquele no qual vivia. Observou a sala de visitas. A mesa circular ao centro, com algumas cartas amarrotadas e suja sobre o pano azul. Alguns lençóis de cores escuras davam ao local um ar mais misterioso para para o cômodo. Amaro, o Enigma. Era assim que ganhava o pouco que o sustentava. Tão pouco que nem comprara ainda a tinta para apagar as pixações na frente da casa que o chamavam de “Charlatão Farsante”.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas não era farsante! Realmente sentia coisas estranhas. Tinha visões no meio da noite e ouvia sussurros que ninguém mais ouvia. Por uma grande pena, era apenas a sua filha e mais alguns poucos daquele bairro pobre que acreditavam nele. Era exatamente por isso que orava todos os dias para que sua pequena Luana não herdasse seus dons, que tivesse uma vida normal e promissora sua filha. Ou nem mesmo um amor ela teria, a própria mãe de Luana deixara Amaro por causa de sua inconstância financeira e psicológica. Bebeu toda a sua água e voltou à cozinha, para deixar o copo de barro sobre a pia. Voltou-se para a sala e sorriu, pensava como seria sua vida, caso as pessoas acreditassem no que ele podia fazer, em como ele sentia as coisas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Voltou à cama e tentou esquecer daquelas visões horríveis que estava tendo. &lt;i&gt;Flashes&lt;/i&gt; de cenas horripilantes; olhos vermelhos, um japonês desesperado, gritos, tiros. Eram tantas e tão distorcidas que Amaro não tinha certeza de nada. Mas, mesmo não querendo aceitar, ele sabia que teria um papel naquilo tudo. Fechou os olhos e relaxou, teria um dia cheio de trabalhos temporários no dia seguinte, precisava ganhar dinheiro para sustentar sua filha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Luana, calada, assistia o tormento do pai. Mal sabia ele que ela já tinha as mesmas visões. Tinha as mesmas aptidões sensitivas do pai. Estava com o destino entrelaçado com os diversos fatos macabros e tenebrosos que viriam a acontecer.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Os risos sádicos e frenéticos ocupavam toda a casa suja, fazendo até mesmo o velho Tobias despertar de seu sono profundo. O mago barrigudo caminhou até a sala, onde o aprendiz dormia quase sempre, e o encontrou ali, sentado na mobília antiga. Os cotovelos estavam apoiados nos joelhos, e a face deitada sobre as mãos; seu corpo chacoalhava freneticamente com cada risada grotesca que soltava. Tobias demorou alguns segundos até entender o que acontecia. Finalmente,  sentou-se em sua poltrona e ficou observando o garoto, agora também tinha o mestre um sorriso na face enquanto seu pupilo fazia a continuação do rito de magia. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Felipe levantou o rosto do apoio das mãos, mostrando sua face louca. Seu sorriso parecia disforme e maior que o normal, para sua face. E suas órbitas agora brilhavam num vermelho forte, olhos de demônio. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Pobre coitado... Sofre com os sonhos, não é mesmo!? - O discípulo de Tobias dizia, entre suas gargalhadas maquiavélicas. - Isso... Sofra! Grite! &lt;br /&gt;ㅤㅤ E continuava a rir. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-7521784240360152249?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/7521784240360152249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-7.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7521784240360152249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/7521784240360152249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-7.html' title='Olhos Vermelhos - Capítulo 7'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_bQCdcnER3s0/TTp0FeKu3VI/AAAAAAAAAJc/-QJgiW83-G4/s220/PA290025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4231084605578214794.post-6230834785215134943</id><published>2010-08-25T23:19:00.001-07:00</published><updated>2010-08-25T23:19:53.994-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olhos Vermelhos - Capítulos'/><title type='text'>Olhos Vermelhos - Capítulo 6</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;ㅤ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;b&gt;VI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Melissa e Hiroshi se sentaram no degrau que separava o corredor do grande &lt;i&gt;playground&lt;/i&gt; do clube Okinawa, onde o grupo de taiko Eisá tocava. Tarde tranquila de domingo. As batidas soavam altas dos tambores okinawanos dos dançarinos jovens e vigorosos. O grupo Kariyushi – cujo nome significa Felicidade, no dialeto okinawano – já estava ativo por alguns vários anos, nos quais os dois observadores também já tinham treinado e apresentado. Reconheceram entre os instrutores, vários antigos amigos, que foram devidamente cumprimentados com acenos de mão ou coisas do tipo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Os tocadores dançavam ao som do Sanshin, delimitando tempos e ritmos com batidas vigorosas em seus tambores. Sejam eles os grandes oodaikos, ou os pequenos parankuns. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Já ouviu falar de como o surgiu o Eisá, né, Hiro? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu já li em algum lugar. E lembro de alguém ter me contado logo que entrei no grupo. Mas agora, não lembro ao certo.  &lt;br /&gt;ㅤㅤ Melissa desviou o olhar de uma fileira de tocadores de Oodaiko que treinavam sincronia. Tocavam &lt;i&gt;kudaka bushi&lt;/i&gt; uma das tradicioanis, que exigia certa resistência e gritos altos e graves cortando a música. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Dizem que o princípio do Eisá foi um grupo que dançava e tocava para dar repouso e tranquilidade aos mortos. - Ela virou-se novamente para os jovens. - Quando eles tocam, Hiro, e também quando eu tocava, eu nunca vi ou senti nada anormal aqui no clube. É como se isso acalmasse as almas. Não sei... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hm... - Hiroshi nunca havia pensado naquilo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A tarde ia com rapidez, naquela calmaria de apenas observar os tocadores. Os dois haviam marcado de se encontrarem ali, para depois voltarem à estação para encarar os problemas. Melissa sentia-se segura ao lado do amigo, ele era o único que nunca caçoava de sua sensibilidade aguçada. Passaram alguns segundos mais observando o grupo, até finalmente Hiro se levantar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Bom, acho que precisamos ir logo, Lissa. Já vai escurecer, e, eu não gostaria de encarar a aquele breu abandonado de noite. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hm. Tudo bem. É só a gente se dar um tchau pro pessoal que já podemos ir. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A menina foi até os velhos amigos e companheiras para despedir-se, enquanto Hiro apenas acenava de longe. Alguns ali haviam treinado karate com ele também, culturas interligadas por uma mesma ilha. Lembrou-se mais uma vez dos ensinamentos da arte marcial. Lembrou-se do seu &lt;i&gt;Sensei&lt;/i&gt; lhe dizendo que Karate não era um esporte, que era uma filosofia de vida. E aquilo não deixava de ser verdade. A disciplina que arte havia lhe dado, o inspirara de bom caráter e bondade. Fato que talvez explicasse sua compreensão dos problemas, tanto de Melissa, quanto de vários outros amigos. Desceram as escadas em passos lentos e saíram pelo portão automático com a mesma pouca pressa, e logo entraram na caminhonete do rapaz. O motor ligou e ele saíram. A calmaria antes da tempestade havia acabado, agora era hora de solucionar problemas com almas largadas no mundo. Ligou o som, &lt;i&gt;Nada Sou Sou&lt;/i&gt;, outra música de Okinawa tocou, deixando o clima nipônico ainda presente no ar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ A Estação estava exatamente do mesmo modo que antes. Hiroshi olhou para os lados, como se pudesse encontrar um fantasma saindo do local a qualquer instante. Melissa suspirou. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Estranho... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Que foi, Lissa? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Geralmente, quando eu passava logo na entrada. Ele já se manifestava. Já me chamava feito louco. Mas agora... - E olhou para os lados. - Agora, não ouço. Só a estranha sensação de antes.&lt;br /&gt;ㅤㅤ Hiroshi avançou um passo em direção à vidraça quebrada da entrada. Logo estava no topo, rente à porta dupla enferrujada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Só descobriremos entrando, né? Vamos logo acabar com isso. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Empurrou com força a porta, imaginou que estivesse trancada e tivesse de arrombar, mas para sua  surpresa, estava aberta. De modo que o empurrão foi necessário apenas para que a velha porta não emperrasse. Uma pequena camada de poeira levantou-se do chão pela entrada de ar aberta, e o rapaz entrou no local, seguido de perto pela amiga. Hiroshi olhou em volta, sentindo uma estranha sensação tomar conta de seu corpo mais uma vez, assim como no dia em que o espírito o prendera no depósito debaixo do palco, só que pior. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A pequena recepção da estação ferroviária não era nada agradável. Móveis velhos mesclavam-se à alguns itens mais novos, colocados ali pela Polícia Militar que ali se instalara alguns anos antes. Uma larga porta de madeira estava do lado oposto à entrada, indicando por onde os passageiros entravam e saiam, décadas antes. Mas o que mais chamava a atenção dos dois eram os dois corredores laterais do local. Melissa, que até aquele momento não tinha sentido a presença sobrenatural no lugar, finalmente sentiu um frio percorrer sua espinha. Ele ainda estava ali, no fim das contas. Seus passos ecoaram pelo corredor estreito que levava à pequenas portas infestadas de mofo. O lugar parecia não receber iluminação devida há tempos. Sua concentração estava completamente voltada para a estranha sensação que dominava seu corpo a cada centímetro que avançava pelo corredor, era sempre assim que acontecia. Algo inexplicável para quem não tinha o dom, para quem não tinha a sensibilidade. Assemelha-se muito com as intuições e presságios, mas, impunham um tom de certeza tão grande nos dotados que não permitiam falhas. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Melissa, a mestiça nipônica, parou na frente de uma porta. Olhou-a severamente. Era dali que vinha a aura, aquela sensação de desespero misturada com raiva do espírito que se comunicara com ela. E, agora, aquele destroçado espírito parecia encontrar-se mais agressivo que o normal, algo pesado a rodeava, martelava sua consciência. Se pegou cantando aos murmúrios uma das tradicionais músicas de sua ilha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;Eu senti! Finalmente eu sentia! Acho que, depois que voltei a este mundo, aquela fora uma das únicas vezes que realmente me considerava feliz. O lacre fora quebrado, e com ele, todas minhas memórias, e grande parte da força que minha alma perdera voltava para dentro de mim. Como um turbilhão; eu me vi enfurnado em meu quarto, estudando horas e horas sobre ocultismo e outras ramificações de magia negra; eu me vi descrevendo e discutindo no grande chat &lt;b&gt;Olhos Vermelhos&lt;/b&gt;, sobre tantas anomalias que o mundo registrava; assim como eu me vi ali, naquela cidade, procurando por Tobias. Minhas visões, que pareciam durar uma eternidade, passaram por mim revelando-me toda a intriga e mistério que circundavam minha morte naquele plano. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas, mesmo assim tão alterado. Eu não poderia esquecer, hah, não poderia. As duas figuras que entravam no meu local pagariam caro, elas eram atingíveis, diferente daquela outra estranha presença que habitava o local desde que eu estava mais acordado. Das duas, uma eu desconhecia, alma de caráter forte. Mas a outra, eu já havia encontrado tantas vezes, que seria impossível me esquecer. Era a silhueta negra que me ouvia, aquela que se focava em mim enquanto eu despejava minhas súplicas por ajuda, naquele últimos dias que eu estranhamente me sentia tão mais desperto. Tão mais forte. Mas ela não tinha feito nada, o que queria agora!? Não importava! Naquele momento, eu só queria me vingar. Primeiro ela. Depois, Tobias. Eles iriam conhecer toda a loucura de Macedo! &lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Fez força para que a porta emperrada se movesse, seu esforço foi gratificado com um pequeno vão, o suficiente para seu corpo magro passar. A porta não mais ia, aparentemente, haviam tralhas atrás dela. A mestiça tomou fôlego, como que pudesse ajuntar coragem junto, e adentrou pela abertura estreita. Era um pequeno depósito, com as janelas do fundo bloqueadas por madeiras e papelão muito mal encaixadas, que deixavam apenas poucos fachos de luz daquele fim de tarde adentrar o lugar. Demorou alguns segundos para se acostumar com a penumbra que reinava ali, enxergava, em volta, caixas velhas de madeira com aparelhos antigos. Pôde achar ali uma máquina de datilografia, algumas pequenas caixas contendo tinta preta e seca, garrafas vazias e grandes postes de ferro acomodadas entre entulhos que mesclavam madeira, poeira e metal. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Mas nada daquilo a interessou tanto como o que palpitava dentro de seu coração. Ele batia acelerado no peito dela, sabia que o espírito estava ali, a poucos metros dela. Sabia que ele cruzava seu corpo. A alma penada não mais se comunicava, Melissa só ouvia leves gemidos aqui e acolá, e virava-se para encontrá-lo. Mas nada via, além de pequenos vultos em canto dos olhos. Mesmo sensitiva como era, de nada adiantava, caso o espírito não quisesse ser visto. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vim aqui para falar com você... - Disse ela, quase num sussurro. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A resposta veio agressiva, um baque forte às suas costas ressoou, e Melissa virou-se para ver que a porta havia se fechado, prendendo-a ali dentro. A montanha de coisas inúteis e velhas tinha caído sobre a porta, obstruindo a única saída do pequeno e abarrotado armazém. Ela sentiu as pernas falharem de medo, sabia que não tinha sido mera coincidência. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Ei, o que foi? Quero saber dos seus problemas, não era isso que tinha me pedido? - E olhou para outro lado, sentindo a presença mudar de posição. - Não foi você que implorou por minha ajuda? Por que está tentando se afastar logo agora? Isso.... Você não era assim. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Uma das madeiras que bloqueava a janela quebrou-se repentinamente, como se um chute invisível o arrebentasse de fora para dentro, fazendo estilhaços voarem sobre a menina, que abaixou-se com um grito. Pôs os braços acima da cabeça, protegendo-se das farpas e pedaços maiores de madeira podre. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;– Abandonado....&lt;/i&gt; - Finalmente a menina escutou. - &lt;i&gt;Fui abandonado!&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ A voz, que antes não passavam de súplicas agudas e chorosas, agora estava forte e grave. Um rangido alto fez-se atrás de Melissa, e ela olhou para encarar as barras de ferro pesadas, perigosamente cedendo a fragilidade das caixas que os sustentavam. Ela tremia de leve, sentia a fúria do espírito dentro da saleta. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não! Eu estou aqui! Pra te escutar! Pra tirar você daqui! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Ela sentiu o peso em sua consciência diminuir. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Para que outro motivo viria aqui? Pense! Sou a única que te escutou... que te deu ouvidos quando todos te ignoravam. Não é assim que você deveria me tratar, droga! &lt;br /&gt;ㅤㅤ Melissa disse em tom raivoso, deixando algumas lágrimas de medo escaparem de seus olhos puxados. O espírito estava cedendo, as barras de ferro atrás dela, permaneceram paradas desde que voltara a falar. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Isso... Me entende, não é?  Vamos tirar você daqui... &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;i&gt;– Me livrar, desta prisão?&lt;/i&gt; - Macedo perguntou, agora num sussurro a ela. &lt;i&gt; Vai mesmo me tirar daqui, não é, menina?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vou. Vou... Agora, vamos, me ajuda a te compreender. - Ela começava a recuperar a calma e a razão, quando lembrou-se de uma coisa importante: Onde estava Hiroshi? Ele provavelmente estaria aos berros do outro lado da porta, mas ela agora só escutava e sentia o movimento da alma penada. Aquilo sim era realmente estranho. Já ia levantar-se e perguntar do amigo para o fantasma, ver se ele havia feito algo com Hiroshi. Mas não houve tempo, um grito abafado saiu de sua boca e ela caiu para trás. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ Gritos. Melissa estava em perigo, Hiroshi desejava muito ir ajudá-la. Mas seu corpo parecia não obedecer. Desde que pusera os pés dentro da estação ferroviária, parecia estar num estado de transe. Observava seu corpo agir, e queria impor suas ações, mas não eram as mesmas. Afastara-se de Melissa, tinha ido para o outro corredor, descumprindo a promessa que fizera a si próprio de proteger a amiga de infância. &lt;i&gt;Venha...&lt;/i&gt; A voz rasgada e aguda vinha em sua cabeça, e ele não conseguia desobedecer. Seus passos ecoavam no silencioso corredor oposto ao que amiga fora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Era a terceira porta à direita. Era nela que deveria entrar. Era para lá que seu corpo se movia. O porquê, nem ele sabia. Tocou a maçaneta da porta, girou-a e empurrou a porta. Ela deslizou sem problemas, dando espaço para uma sala iluminada pelo fraco pôr-do-sol que atravessava as janelas empoleiradas.  &lt;i&gt;Venha...&lt;/i&gt; Continuava dizendo aquela voz na sua mente, hipnotizante e persuasiva. Seus passos atravessaram a pequena distância que o separava da escrivaninha posta no canto oposto do lugar. O lugar estava limpo, como se alguém passasse por ali a pouco tempo. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Inexpressivo, observou a escrivaninha. Círculos com estranhos símbolos, códigos e diversas outras ilustrações acobertavam toda a mesa. Eram tingidas em preto e vermelho-sangue, e eram tão vívidas que pareciam ter sido feitas à poucos dias. Ao centro, uma lâmina de navalha fincada na mesa, deixando o fio da lâmina postar-se na vertical. Hiroshi tentava lutar contra seu próprio corpo, mas sua mente vacilava e ele, sem escolhas, deixava que o controlassem como quisessem. Suava frio, e as pernas relutavam em obedecer claramente, mas a mágica aura que agora o pregava àquele ato funesto era mais forte. Sua mão se projetou sobre a lâmina, e num instante, um fio de sangue formou-se do corte na palma da mão, escorrendo por toda a extensão da navalha. &lt;br /&gt;ㅤㅤ Piscou. O que diabos fazia ali? Que quarto era aquele? Estava completamente desorientado, não sabia o que fizera nos últimos minutos. Olhou para a própria mão, para aquele corte dolorido aberto paralelo às riscas naturais. Fechou ela ao redor da blusa para secar e voltou-se para a saída. Estava ali para acompanhar Melissa, não devia estar sozinho naquele quarto. Correu pelo corredor, apressando-se e camando pela amiga. Mas estacou no fim do corredor, a amiga estava ali, do outro lado da sala de recepção da estação, escorada na parede, massageando uma das têmporas com a mão. O nipônico correu até ela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Melissa! Tudo bem? O que aconteceu? Eu... eu... Me distraí ali atrás e... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não, tudo bem, Hiro. Acho que o fantasma foi embora. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Foi? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É. Não sinto mais a presença dele. Ele tentou me matar agora pouco, mas acho que eu consegui convencer ele de que eu estava aqui pra ajudá-lo. Só não entendi porque partiu tão rápido, depois que entendeu o que eu queria. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Te... Te matar? - E Hiro olhou para o corredor por onde ela entrava. A porta aberta estava cheia de entulho caído para fora. Voltou os olhos na garota com mais atenção, as mãos dela estavam surradas e sujas. Demorou pouco para notar que a deixou correndo perigo. Algo imperdoável para ele. Socou a parede. - Droga! Lissa, porque não me chamou!? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu gritei pedindo ajuda mas... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Eu não ouvi, porra! &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Calma, Hiro... &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Calma nada! O que diabos eu estava fazendo!? Olha, nunca mais me deixa ficar longe de você quando a gente for resolver umas coisas dessas, tá? Eu.. Sei lá, não sei o que faria se algo de ruim acontecesse com você. &lt;br /&gt;ㅤㅤ A menina desviou o olhar, sem jeito. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Tá, Hiro. Mas relaxa, não aconteceu nada. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Sei... - E olhou novamente para o corredor. Fechou os punhos, sentia uma leve dor pelo corte na mão. E Melissa pareceu ter notado. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – O que fez na mão? &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Não sei. Acho que me cortei agora pouco, vendo as outras salas ali. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Hiro! Tem que se cuidar você. Olha só quem saiu machucado! - Melissa riu, tentando descontrair-se um pouco com o amigo. Ele correspondeu com um sorriso e caminhou na direção da porta. Deu três passos e virou-se para ela. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Vamos sair daqui. Já me deu nos nervos essa estação. &lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ &lt;b&gt;~&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ㅤㅤ &lt;br /&gt;ㅤㅤ – Qual deles é a presa? - O Velho Tobias parecia impaciente. &lt;br /&gt;ㅤㅤ – É o cara. Deve ter sido o primeiro a entrar na estação. - Disse Felipe com certeza. Ele que armara o rito de magia, e foi ele que pressentira quando o rito começou, meia hora antes. Agora, estava diretamente ligado a Hiroshi. A Presa. A Isca. Observavam os dois jovens saindo da estação, enfurnados dentro do velho carro de Tobias, parado na esquina. Felipe armou um belo sorriso na face, quase maior que o de Tobias. Agora sim, era a vez deles jogarem. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4231084605578214794-6230834785215134943?l=let-me-fly-with-you.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/feeds/6230834785215134943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-6.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6230834785215134943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4231084605578214794/posts/default/6230834785215134943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://let-me-fly-with-you.blogspot.com/2010/08/olhos-vermelhos-capitulo-6.html' title='Olhos Vermelhos - Capítulo 6'/><author><name>Tadashi Katsuren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07289429957621571707</uri><email>noreply@blogger.com</email
